sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

JOAQUIM BARBOSA NA BRIGA ENTRE A FIESP E HADDAD

 
O aumento do IPTU na cidade de São Paulo foi parar no STF, mais precisamente no colo do ministro Joaquim Barbosa, que deve decidir sobre a questão até o Natal. O resultado tem consequências políticas para os três envolvidos, direta ou indiretamente, no pepino. De um lado o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, que viu no aumento uma possibilidade de se cacifar politicamente. Do outro o prefeito, interessado em aumentar a receita da Prefeitura e com isso pavimentar as chances do seu partido na luta pela conquista do Palácio dos Bandeirantes. No meio, o ministro Joaquim Barbosa, aclamado como herói da moralidade e dos bons costumes, que deixa em aberto suas pretensões políticas para quando se aposentar.

Se decide a favor do aumento estará agradando aos petistas, que não se cansam de critica-lo por conta da sua atuação no processo do Mensalão e desagrada a turma anti PT, além de uma parcela considerável do eleitorado paulistano inconformada com o aumento.  Se decidir pela ilegalidade, cacifa Skaf, aumenta a sua rejeição entre os partidários do PT e ainda ganha a pecha de ter prejudicado a saúde e a educação dos mais pobres.

Já Skaf, pelo visto, não perde muito com a coisa, seja lá qual for o resultado, ganhando seus pontinhos com a classe média e acima, além dos comerciantes em geral, revoltados com o aumento que em três anos pode chegar a 88 por cento. Na TV o presidente da Fiesp tem investido contra o aumento, com uma mídia portentosa, esgrimindo seus argumentos contra o aumento, reforçando a tese de que o aumento prejudica o comércio, tem potencial para causar desemprego e fere a capacidade contributiva dos cidadãos paulistanos.

Haddad contra ataca afirmando que a Fiesp entende pouco de contas públicas, uma entidade que segundo ele lutou pelo fim da CPMF, que tirou 60 bilhões da saúde e que está agora fazendo a mesma coisa com a cidade de São Paulo. Se ganhar o prefeito ganha fôlego, afinal são nada menos que 800 milhões de reais em jogo, para realizar algumas obras e sair do sufoco em que se encontra, já que até agora não mostrou a que veio, com sua administração praticamente reduzida a pintar faixas de ônibus e a irritar os motoristas com o aumento drástico dos congestionamentos.  Se perder pode jogar a culpa no STF e no presidente da Fiesp.

Interessante observar que a audiência dada por Joaquim Barbosa a Haddad durou cerca de meia hora, enquanto Skaf foi recebido por um pouco mais de dez minutos.

Fica a batata quente nas mãos do ministro Barbosa. Vai ser interessante observar o desfecho, que irá além do julgamento da questão em si.
Vamos aguardar.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

A FALSA MORAL DO STF E A REFORMA POLÍTICA



Embalados pela notoriedade do processo do Mensalão e da suposta aprovação unânime aos seus atos, os ministros da Suprema Corte, no vácuo deixado pelo Congresso, decidiram praticamente legislar e – pior – ampliar, com comentários perfeitamente dispensáveis em suas sentenças, o fosso entre o legislativo e o judiciário. Agora se propõem, baseados em argumentos meramente moralistas, em tumultuar o processo eleitoral, com a proibição, em curso hoje, das contribuições de empresas e do estabelecimento de um teto para as privadas (pessoas naturais).

É bom deixar claro que a culpa não é exclusiva do Supremo. Tomados de surpresa, digamos assim, os congressistas, em vez de refletirem sobre a sua intolerância, e incompetência, em criar uma legislação eleitoral minimamente adequada, pensam em mecanismos para “retaliar” a Corte e criar constrangimentos aos ministros.

Ou seja, os dois poderes comportam-se como crianças amuadas, olhando para os seus próprios umbigos em vez de prestarem atenção aos interesses maiores do País.

Vamos parar aonde com isso? Remenda-se daqui, muda-se ao sabor dos ventos pedaços da legislação, cria-se impedimentos para saídas por baixo dos panos e o processo eleitoral como fica? Qual o verdadeiro serviço que à democracia e ao país os senhores juristas e nobres legisladores vão prestar? Interessa ao país essa briguinha entre a Corte e o Congresso? Estão esses senhores conscientes dos problemas, enormes que estão a criar. Ao que tudo indica não. E, como sempre, o populacho vai pagar o pato.

O atual sistema de financiamentos de campanhas é discutível? É. Existem abusos? Existem. Os questionamentos específicos podem ir ao infinito se continuarmos a discutir detalhes e não a legislação eleitoral como um todo. O atual modelo é caro? É óbvio que é. Mas não legislando, seja através do Congresso ou do Judiciário, sobre “pedaços” da lei eleitoral que se vai chegar a bom termo.

Segundo o Supremo, proíbe-se as contribuições das empresas, coloca-se um teto para as contribuições individuais e com isso restaura-se a moralidade e cria-se um ambiente mais competitivo no qual candidatos com mais e menos poder econômico podem disputar igualitariamente.

Pura falácia. Quanto custa uma campanha presidencial num país de dimensões continentais como o nosso? Sem um jato particular como um candidato a presidente poderá, no curto espaço da campanha “legal” percorrer o país? Até mesmo em estados maiores, como a Bahia e Minas, para ficar em apenas dois exemplos, como um candidato a governador poderá percorrer esses Estados? Vai de carrinho próprio? E o tal de horário gratuito, que exige a montagem de uma verdadeira estação de TV, faltando apenas a antena para retransmitir o sinal, quem paga? Dá para encher páginas e páginas com perguntas.

O problema é o modelo criado. Ele é caro.  Muito caro. Ah, bom, mas pode ser mais barato, como nos tempos da ditadura: um retrato três por quatro, um locutor (pode ser o mesmo pra todo mundo) lendo o currículo do candidato. Tem algum cabimento isso?

Os partidos brasileiros, noves fora o que resta ao PT, não possuem militância nenhuma, nem capacidade alguma de atrair voluntários. Não representam setores da sociedade capaz de banca-los ideologicamente e financeiramente, muito menos com as restrições, no varejo, que o Supremo quer impingir. O resultado de tudo isso, independentemente das boas intenções, que de resto o inferno está cheio, será mais bagunça e ilegalidades de toda ordem a tumultuar o já tumulto processo eleitoral.

Por fim vale acrescentar: no mundo inteiro democrático, goste-se ou não, as empresas participam do processo. Eleições mais ou menos baratinhas só existem no mundo ditatorial. Aperfeiçoar o processo é uma coisa, sair por aí proibindo isso ou aquilo ao sabor dos ventos, dos interesses imediatos ou puramente demagógicos é outra completamente diferente

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

GIGANTES DA TECNOLOGIA SE UNEM CONTRA ESPIONAGEM

Temendo a fuga de clientes, receosos de terem os seus dados pessoais sendo postos a disposição dos mais variados órgãos de espionagem mundo afora, 'no atacado, em segredo e sem supervisão independente', como disse o presidente do Google, Larry Page, em crítica aos governos, grandes empresas de tecnologia divulgaram carta ao Presidente Obama, pedindo restrições ao monitoramento dos dados dos seus clientes, ao mesmo tempo que anunciaram medidas para proteger a privacidade dos usuários.

Se engana que acredita que as grandes companhias, Google, Microsoft, Apple, Facebook, Twitter, Lindedin, Yahoo e AOL, tenham sido vítimas de um surto democrático. A mudança vem da forma mais eficiente do sistema capitalista, a dor no bolso, conhecida como "efeito Snowden". Uma empresa de pesquisas, a Forrester, estimou que a área de computação em nuvem, exploradas basicamente pela Amazon, Google e Microsoft podem sofrer uma queda em torno de 180 bilhões nas suas receitas, no próximo ano, provocadas pelo receio dos usuários com a devassa nos seus dados. 

Outras companhias, como a Cisco, fabricante de equipamentos de rede de telecomunicações, já havia informado sobre queda nos seus negócios provocadas pelo "efeito Snowden".
"As pessoas não usarão a tecnologia se não confiarem", deixou bem claro o consultor geral da Microsoft, Brad Smith. "Governos puseram em risco essa confiança, e governos precisam ajudar a restaurá-la".

O problema está, entre outros, na quantidade de informação sobre seus usuários, coletados e mantidos por essas companhias. Esse colossal banco de dados é alvo da cobiça dos governos, que desejam a todo custo se apropriar desses dados, que sozinhos não teriam jamais condições de obter. E aí está o dilema para essas companhias. Essas informações são importantíssimas para o desenvolvimento dos seu negócios, mas ao terem os seus bancos de dados transformados em objeto de desejo para os mais variados órgãos de governos espalhados pelo mundo, estão, ao mesmo tempo, criando motivos  para evasão de clientes. Um conflito que não é fácil de resolver para essas empresas, que por enquanto vão continuar trilhando dois caminhos: pressionar os governos para critérios mais eficientes e controlados na sua abelhudice, inclusive com supervisão independente e criar mecanismos para protegerem com mais eficiência os dados dos seus clientes. 

O fato é que os sistemas de vigilância em massa só podem existir se houver cooperação das companhias de tecnologia e telecomunicação. Se as empresas se recusarem, efetivamente, a cooperar, elas terão influência para forçar uma reforma significativa no modelo de espionagem eletrônica atualmente em curso


 

ESPIONAGEM TAMBÉM NO MUNDO DOS GAMES

Segundo o ex-agente da CIA, Edward Snowden, espiões americanos e britânicos não limitam as suas atividades ao mundo real. Eles se infiltram, também em games populares como World of Warcraft e Second Life, entre outros, vigiando e descobrindo dados de pessoas pelo mundo afora. A teoria é que redes terroristas e/ou criminosas poderiam estar usando os jogos para se comunicar secretamente e planejar ataques.

Os agentes criaram personagens virtuais, avatares digitais, como elmos, gnomos e top moldels para investigar e tentar recrutar informantes. Segundo a NSA(Agência de Segurança Nacional) dos EUA, os jogos embora pareçam inofensivos têm potencial para constituir uma rede de comunicação com múltiplos alvos e são uma oportunidade ara que quer se esconder debaixo dos olhos de todos.

O engraçado nessa história é que a investigação do mundo imaginário atraiu tantos espiões da CIA, FBI e até mesmo do Pentágono, principalmente no Second Life, que foi necessário criar um grupo para tentar desfazer conflitos e evitar colisões entre os agentes virtuais. Nem mesmo os jogos de console, como o Xbox, escaparam da vigilância.

De concreto mesmo parece que, afora a diversão proporcionada aos agentes, só um caso, ocorrido em 2008, revelou alguma coisa de concreto nessa espionagem virtual. A agencia de espionagem britânica montou uma operação no Second Life e ajudou a polícia de Londres a desbaratar uma gangue que invadia os mundos virtuais para vender informações de carões de crédito roubados. Os agentes tiveram ajuda de um informante usando um avatar.

O fato é que as companhias que exibem os jogos virtuais se reservam ao direito de policiar as comunicações dos jogadores e de armazenar os diálogos dos chats dos servidores que podem - perfeitamente - serem analisados depois, seja para fins comerciais e de espionagem, seja lá ela qual for.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

AS CONTRADIÇÕES DE EDWARD SNOWDEN E AFINS


Esquerdinhas de plantão e arautos desavisados da democracia foram, são, unânimes em festejar as denúncias de Snowden e de Glenn Greenwald do The Guardian, que revelaram os documentos da NSA, mostrando que os Estados Unidos espionam o mundo inteiro.

Em primeiro lugar deixemos de lado a hipocrisia diante da surpresa da notícia. Desde que o mundo é mundo todo mundo espiona todo mundo. Na literatura e na vida real. O que mudou foram os métodos.  Vamos atentar para um “pequeno” detalhe nessa história toda: o que tem sido aberto são informações sobre os governos ocidentais, basicamente os Estados Unidos. E os outros? Por acaso a Rússia, a China, só para ficar em dois exemplos, também não espionam?
Calma já. Não se trata de justificar esse ou outro ato qualquer, mas de colocar as coisas em seu devido lugar.

Quem é Snowden? Um espião. Pura e simplesmente um espião que desertou, nada mais. Ingenuidade classifica-lo como um democrata ou um ingênuo que estava trabalhando num serviço de espionagem e pensou que se tratava de uma lanchonete do Mac Donalds. Um espião que vaza dados a seu bel prazer, com direção calculada destinada a criar atritos entre governos escolhidos a seu gosto. Podemos aproveitar as suas informações para refletir sobre a politica externa (leia-se de espionagem) dos países ocidentais? Claro que sim, mas isso é outra história.

Transformar Snowden em paladino das liberdades ou pautar a política externa de um país a depender das informações divulgadas pelo seu parceiro Glenn Greenwald é muito ingenuidade ou oportunismo.

É engraçado ver Snowden falar em liberdade na Rússia governada por Vladimir Putin, um ex-agente da KGB que apoderou-se dos recursos naturais russos para se transformar em um dos homens mais ricos do planeta. Que se lixa para os prejuízos ao meio-ambiente, comandando uma exploração de recursos naturais mais danosos do planeta, que mata e prende jornalistas, homossexuais e qualquer um que fale mal dele ou se oponha, pacificamente ou não, ao seu governo. E interessante saber como reage, intimamente, Greenwald vendo que o seu maior parceiro na revelação dos dados secretos da NSA procurou abrigo justamente em um país que é um dos maiores repressores de pessoas compartilham da sua opção sexual.

O que está em jogo é, como perdão da repetição,  apenas uma jogada ainda não esclarecida da espionagem mundial. Snowden é um espião que fugiu com dados sigilosos do seu país. Ponto. E está fazendo um jogo. Nada mais que isso. Gleenwald, como jornalista, pode se aproveitar dessas informações para fazer suas matérias, mas não pode se fazer de ingênuo no jogo, nem se travestir de paladino das liberdades, nem fazer de conta que não está ajudando, quer queira quer não, no jogo pesado da espionagem entre as superpotências mundiais como se dizia no tempo da Guerra Fria.

Os demais governos, envolvidos ou não, na divulgação seletiva das informações caberia ter certos cuidados nos seus arroubos indignados. E verificar antes se não estão jogando pedras para o alto que depois podem, simplesmente, cair nos seus próprios telhados de vidro. O mesmo vale para os ingênuos amantes das liberdades, que podem apenas estar fazendo parte de um jogo que nada tem a ver com democracia ou liberdade.


Ter os dados dos nossos computadores espionados é sem dúvida ultrajante, mas vamos deixar de ingenuidades. Muito antes do meu e do seu computador atrair as atenções da NSA estamos sendo espionados e classificados por um número infindável de empresas interessadas em administrar e ganhar – muito – dinheiro com isso – noves fora os delinquentes chinfrins de plantão – e os nossos governos pouco ou nada fazem sobre isso.

BIOGRAFIAS, DE NOVO, MAS INEVITÁVEL. O ASSUNTO NÃO ESTÁ MORTO.


Como uma onda, parece que a questão das biografias arrefeceu, mas não é verdade. Além disso, passada a fase de maior indignação, começo a ver – ainda que tímidas – algumas manifestações de desagravo aos cantores e compositores, nomeadamente a Caetano Veloso, Gil e Chico. Coitadinhos, fizeram tanto pela música popular brasileira. Também acho, fizeram muito e ganharam também um bom trocado. Isso não lhes dá, no entanto, primazia para se transformarem em censores e elementos sem responsabilidade social.

Vou me apropriar aqui de dois biógrafos, famosos, que por sinal não tem medo de serem biografados, um deles de esquerda e outros mais chegado ao show business, duas áreas em que os nossos artistas censores circulam muito à vontade, com exceção óbvia de Roberto Carlos.

Para Randall Sullivan, editor e colaborador da revista Rolling Stones, autor de Intocável, biografia de Michael Jackson, a censura prévia as biografias “é uma catástrofe. Não sairiam biografias reais, mas somente propaganda, obras de relações públicas”.  E continua: “é perigoso defender isso. Não se trata apenas de celebridades, mas também de personalidades públicas, líderes políticos. Eles vão dizer em suas biografias apenas o que quiserem. Sei que no Brasil vocês não tem nenhum Hitler, mas certamente têm políticos e líderes históricos que adorariam dizer somente o que quisessem em suas biografias. Para mim, se uma pessoa usufrui dos benefícios de ser uma figura pública, também tem de pagar o preço por isso. Ninguém pode ter as duas coisas ao mesmo tempo. Se voc6e se expõe aos holofotes, sabe que expõe também sua vida. Se não quer isso, não se exponha aos holofotes”.

Para Jon Lee Anderson, biógrafo de Che Guevara, a “censura a biografias aproxima o Brasil das ditaduras”. Os artistas brasileiros que “querem o privilégio e os lucros (sim, os lucros , acrescento eu) de ser uma celebridade sem a responsabilidade de ser esse personagem público... O governo proibir que se escreva sobre eles, para mim, é um mau caminho, porque isso pode se estender facilmente a qualquer figura pública. Logo será um político, um chefe de polícia, um banqueiro. E sabemos que em países como o Brasil há gente que se esconde atrás dos seus títulos que são corruptos, que são assassinos. Que lugares restringem o tipo de livros que se pode ler? Cuba, China, Mianmar, Rússia e Irã. Se alguém ocupa um espaço na vida pública, é direito do público saber o máximo sobre ele”.

Simples assim pessoal do Procure Saber.

Convém não deixar esse assunto morrer. Infelizmente essa turma está mexendo num vespeiro, num assunto que transcende as possíveis verdades inconvenientes de suas vidas particulares. A liberdade é mais importante que as possíveis estripulias sexuais de uns e outros ou a perna mecânica e sacos de dinheiro de uns e outros. O que está em jogo é muito mais importante que os casos das vidinhas particulares desses artistas, que com a sua miopia lançam lama sobre seus passados e querem nos emparelhar com o que existe de pior no mundo.


(trechos extraídos de entrevistas dadas, em datas diferentes, pelos biógrafos ao jornal O Estado de São Paulo)

AS PESSOAS INCOMUNS E O SISTEMA PENITENCIÁRIO


Sim, já falei que o assunto estava abundando,  mas não resisti.  Não temos experiência na prisão de pessoas importantes, gente fina e altaneira, daí resultam situações – pra dizer o mínimo – esquizofrênicas. Os condenados do mensalão, incluindo parentes, amigos e correligionários querem – e estão certos – um cárcere com um mínimo de dignidade. Mas como querer, no Brasil, uma prisão com um mínimo de dignidade sem que isto seja um privilégio?

Seria realmente justo colocar gente como Jose Genuíno, a tal senhora dona do Banco Rural, Roberto Jefferson e demais envolvidos no tal processo, numa cela superlotada, infecta, sujeitos as condições desumanas e cruéis de todas as nossas prisões? No Brasil, para viver numa prisão, com um mínimo de dignidade só mesmo nos tais presídios de segurança máxima, onde todos, ou a maioria, dos “privilégios” não são permitidos. Pelo menos o cara fica preso sozinho numa cela. Jogados no ambiente igualitário dos nossos presídios essa gente sobreviveria?

Ah, dirão aqueles que querem que a justiça seja cumprida e que acham, corretamente, que não devem haver privilégios em razão da classe, ambiente social ou seja lá o que for. Tá, mas foram condenados apenas a prisão, não à uma tortura emocional, mental e física capaz de lhes levar a consequências imprevisíveis e irreparáveis. Afinal, não foram condenados a isso.

Mas e o resto? Aqueles pobres, despossuídos que entopem as nossas prisões? Foram condenados a toda espécie de tortura física, mental e emocional, capaz de leva-los a consequências imprevisíveis e irreparáveis?

Uma reforma decente do nosso sistema penitenciário, do qual muitos desses senhores foram, em outros momentos responsáveis, mas nada fizeram, levará muito tempo. E não se vislumbra no horizonte nada que indique existir em nossos governantes e legisladores qualquer atitude ou interesse  nesse sentido.

Até lá o que fazer com essas pessoas “incomuns” ao sistema? Jogamo-los aos leões ou damo-los alguns privilégios? Sinceramente não tenho respostas corretas, nem acho que a maioria tenha.

Mas seria bom – pelos menos - que os nossos políticos e dirigentes, que tantas loas tecem as maravilhosas conquistas sociais dos últimos governos,  quando forem visitar os colegas, a bordo de vans com ar condicionado, todos sorridentes, furando fila e o horário pré-determinado para as visitas, deem uma olhada na situação dos demais presos “comuns”. Vai que... né?


Aliás, o mesmo vale para o nosso maravilhoso sistema de saúde, o glorioso SUS, incluindo aí a sapiência exclusiva dos médicos cubanos (vamos incluir os que elogiam só no Facebook, sem ir, ao Mais Médicos) que refletissem melhor sobre as diferenças sociais também na hora de tratar da saúde e não só de ir pra cadeia. Entre o SUS e o Sírio Libanês, para onde sempre vão, convém dar uma voltinha em - pelo menos - um posto do serviço público. Nesse caso o “vai que” nem procede, mas poderia fazer um bem danado a saúde do povo brasileiro.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

NÃO ME CHAMEM PARA ALMOÇO GRÁTIS, PLEASE.

Recentemente, sempre teve, mas ultimamente aumentou a freqüência, dos que costumam nos chamar (sim, não apenas eu) para um almoço grátis. Vou logo avisando: se não for pago, to fora. Explico. O sujeito chega cheio de dedos, faz elogios, acena com "oportunidades futuras" e lá vem a fatura: dá pra fazer um trabalhando pra mim, coisa simples, rápida, pra ajudar o amigo. De graça. 

Como assim de graça? Por acaso o sujeito vai ao médico  - noves fora o SUS, mas aí é outro o preço a pagar - e pede uma consultazinha de grátis? Uma operacãozinha de hemorróidas quando o senhor não estiver fazendo nada, de graça? Compra de grátis no supermercado? Enche o tanque do carrão de graça no posto Ypiranga? Qual o motivo para achar que as pessoas que quem vivem de escrever, planejar comunicação, marquetar imagem podem trabalhar de graça? E não são apenas "clientes" pão-duros. A mania está alcançando, com vigor e entusiasmo, fornecedores, donos de agência, agenciadores de toda espécie de qualidade.  Gente que vai muito bem obrigado, barriguinha cheia, querendo almoço grátis.

Além do mau caratismo vicejante, a velha teoria do primeiro eu e que bem depois venham os outros, tem também aquela ideia de que escrever não custa caro. Afinal, todo mundo escreve alguma coisa. Quase todo mundo pelo menos tem um diário, um blog, como eu, escreve bobagens no guardanapo do botequim enquanto toma uma, disserta no Facebook, no Twitter sobre qualquer assunto... Ora, se tanta gente escreve por aí, tanta coisa (muita besteira, mas não vem ao caso) e não cobra nada por isso, por que cargas d'água um réles jornalista profissional ou até mesmo renomado publicitário não pode traçar algumas linhas pelo menos a preço módico?

Nunca vejo ninguém no restaurante pedir ao garçom para dizer ao "chef" que não precisa caprichar muito no prato... um temperozinho básico tá de bom tamanho e tentar um descontão. Mas no trabalho da escrita o que não falta é pedido do gênero. São só 24 páginas... faz um desconto. Não, não dou desconto para as minhas, boas, ideias. Quem quiser ideia barata que fique com as suas.

Não foi a toa que o jornalista e cartunista, famoso, do New York Times, Tim Kreider, escreveu recentemente um artigo intitulado "Escravos da internet, uni-vos" em que contava ter recebido pelo menos três pedidos, em uma única semana, para trabalhar por zero dólares. No artigo, Kreider afirma que já fez muita coisa de graça na vida, mas agora, aos 46 anos precisa dormir num colchão.  Assim como Kreider, ressalvadas todas as diferenças, também preciso dormir num colchão. Portanto, senhoras e senhores, por favor, não me convidem para almoço grátis, principalmente aqueles em que eu tenho que levar os ingredientes e ainda por cima cozinhar. 

De graça só trabalho pra mim mesmo. E ponto final.