sexta-feira, 28 de junho de 2013

DUDA MENDONÇA, UMA ENTREVISTA. "NÃO TRAÍ NINGUÉM, SÓ FALEI A VERDADE."

"Não traí ninguém. Só falei a verdade"

Pode-se amar, odiar ou até não achar nada... mas esse cara tem uma importância fundamental na comunicação política do país. Foi, também, um figura decisiva no evento que impactou (e ainda impacta) a história recente do Brasil, o "Mensalão". Nessa primeira e longa entrevista (70 min), a primeira depois da sua absolvição no processo,  a UOL e a Folha de São Paulo, Duda fala sobre Dilma, Lula, Mensalão, o impacto do episódio na sua vida, sua relação atual com o ex-presidente Lula, o trabalho do seu ex-sócio João Santana e atual homem de marketing da Presidência e muito mais.

Para quem quiser assistir ai vai o link.


VIAJAR NA ECONÔMICA...QUE SUFOCO! TEM ATÉ ATAQUE DE ZUMBIS!

Além das agruras dos assentos apertados, da "gentileza" das aeromoças e da comida ruim, que viaja na classe econômica das aeronaves pelo mundo, está sofrendo agora com ataques de zumbis e sendo submetida a um estado torpor absoluto.

Por enquanto não é uma realidade. Está apenas nos cinemas. Em Os Amantes Passageiros, de Almodóvar, álcool e drogas dão as cartas em um voo que não pode pousar por conta de um problema nos trens de aterrissagem. Acreditando que vão morrer, três integrantes da tripulação e passageiros, fazem confidências como se estivessem vivendo os seus últimos momentos. Um inferno toma conta da classe econômica, menos pior, no entanto, que em  Guerra Mundial Z, onde numa sequência Brad Pitt em um aeronave abre uma cortina e vê  os passageiros da classe econômica sendo devorados por zumbis. Sei não... se puder vou procurar evitar a dita cuja, pelo menos por uns tempos...

E por falar em Zumbis tem também nas telas Juan dos Mortos, uma co-produção cubana/espanhola/mexicana. Noves fora o enredo, vale a pena mencionar o start da produção, com o perdão, desde já, dos admiradores do regime político da ilha. O diretor Alejandro Brugués, um argentino radicado em Cuba, andava com seu produtor pelas ruas de Havana, olhando as pessoas, todas muitas preocupadas e centradas na luta pela sobrevivência, nada fácil, na ilha dos Castro. Disse que, meio como piada, comentou com o seu produtor como seria fácil fazer um filme de zumbis, com aquelas pessoas, sem precisar gastar muito. E por que não fazemos, perguntou o produtor? Brugués diz que inspirou-se na realidade social do país, transformando problemas reais em soluções fictícias para o filme.  O Juan, do título, num comportamento bem típico de quem vive as agruras do regime castrista, quando uma praga começa a transformar a população de Havana em zumbis, resolve tirar partido da situação montando um negócio para exterminar "entes queridos".

Quem estiver interessado na praga dos zumbis, que depois de infestar as telas nos seriados de TV faz agora a sua aparição com todas as honras e glórias, pode conferir o filme produzido e estrelado por Brad Pitt, dirigido por Marc Forster, em quase todas as telonas da praça. Já o cubano vai dar mais trabalho, em exibição em poucos cinemas da cidade. As férias de julho estão começando, vamos aos zumbis da ficção, evitando, na medida do possível, os da vida real.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

A PRESSA É INIMIGA DA PERFEIÇÃO

LEGISLATIVO, EXECUTIVO E JUDICIÁRIO TRABALHAM AGORA FRENETICAMENTE. MAS A PRESSA É INIMIGA DA PERFEIÇÃO. O PERIGO MAIOR ESTÁ NO TAL DE PLEBISCITO.

Os otimistas que me perdoem, mas tenho muito receio ao ver, de repente, com nunca dantes na história desse país, nossos governantes trabalhando num ritmo de tirar o fôlego! Cai a PEC 37, a corrupção agora é crime hediondo, o dinheiro do petróleo (dizem) vai para a educação e a saúde... e por aí vai. E o tal de "plebiscito popular" (tem algum que não seja?) está na ordem do dia.

Insisto: a pressa é inimiga a perfeição. E exceção não basta. Pressionados pelo clamor popular todos resolveram mostrar serviço. Vamos ver, em primeiro lugar, se quando as manifestações arrefecerem o ritmo continuará o mesmo. O momento é propício para todo o tipo de demagogia e medidas de afogadilho que podem mais tarde trazer mais prejuízos que benefícios. Toda cautela é pouca. Como disse Dora Kramer, hoje, o poder público corre para zerar em dias o passivo acumulado por décadas.

Não vimos, também, até agora, nenhuma auto-crítica por não terem se esfalfado, trabalhado como é de obrigação, por... décadas e décadas, quando os clamores clamavam (sim, sempre existiram, só não estavam presentes nas ruas) por mudanças. O melhor exemplo de açodamento é esse tal de plebiscito. A população vai decidir sobre financiamento público, privado ou misto nas campanhas eleitorais. Vai dizer se prefere voto distrital, distritão, lista aberta, fechadas, mais ou menos... E tem gente pleiteando uma votação em dois turnos, um tal de "voto transparente". No primeiro o eleitor escolhe o partido e no segundo o candidato. Para valer já para as próximas eleições esse plebiscito teria que ser realizado a toque de caixa antes de outubro. Ou seja, uma campanha relâmpago, dita de "esclarecimento", onde os "grupos"(?) que defendem cada uma das propostas apresentaria a defesa de suas ideias. Isso ao custo de 300 milhões de reais, segundo estimativas do TRE. Duvido que a população vá votar conscientemente num prazo tão exíguo sobre propostas de tal complexidade.

Uma coisa é sair do marasmo e passar a trabalhar como se deve ouvindo de verdade a população, seus anseios, suas reivindicações, outra é sair por aí, atabalhoadamente, chutando pra todos os lados numa tentativa cínica de calar a voz das ruas. O clima, cito mais uma vez Dora Kramer, está mais pra fogo na palha que para fogos de palha. É preciso cuidado e cautela, inclusive, ou principalmente, daqueles que querem as mudanças, rápidas com certeza, mas sem demagogia e que não venha a gerar ainda mais prejuízos de toda a ordem ao país.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

OS PROTESTOS NO SÉCULO 21, A PROPÓSITO DE UM ARTIGO DE ROGER COHEN DO NEW YORK TIMES

"Um padrão emergiu", afirma, Cohen. "De Sidi Bouzid, na Tunísia, onde um bate-boca sobre um carrinho de frutas desencadeou a Primavera Árabe, a Istambul, onde uma sublevação teve origem nos planos de construir um shopping num parque, essas erupções animadas por hashtags do Twitter têm traços em comum. Pequena faísca, grande conflagração; líder desorientado, movimento sem liderança; poder estatal verticalizado e rígido, protestos horizontais ágeis; autoridade severa, juventude endiabrada; força do Estado, flexibilidade do Facebook; repressões policiais, reagrupamentos ágeis; acusações de conspiração, respostas irônicas." A questão central agora é, na opinião de Cohen, com a qual compartilho, usando as palavras do professor Zeynep Tufekci, da Universidade da Carolina do Norte, "como se vai de um 'não' para um 'vão'?"

A palavra que poderia resumir todos os slogans dessas manifestações é "basta". Mas o problema é que "basta" não basta. Ou melhor são boas para protestar, mas não são boas o suficiente para propor, definir objetivos e - o mais importante - se organizar para alcançá-los. Não há lideranças. Wael Ghonim, um ex-executivo do Google, definiu bem esse vácuo, referindo-se a revolução egípcia: Nossa revolução é como a Wikipédia. Todos contribuem, mas você não sabe o nome de ninguém". 

A análise é correta. O que temos aqui, por exemplo, de verdade são uns e outros querendo se apropriar dos movimentos, mas de fato não lideram nada, ainda, pelo menos. O que temos são grupos (ver o MPL) ávidos por preencherem essa vazio (tem sindicato também começando a se mexer) mas não são capazes, nem lá nem cá, de apresentarem uma agenda capaz de atender a sede, as exigências de renovação, aqui e acolá.

A falta de lideranças claras e o caráter difuso das manifestações faz com que - independentemente do gatilho inicial - elas mudem de "agenda", embora algo mais genérico permeie o todo: aqui e em outras partes do mundo as pessoas estão dizendo as governanças que é preciso consultar a população quando decidem fazer isso ou aquilo. Que é preciso prestar contas dos seus atos. Que justiça social importa sim.

Cohen conclui o seu artigo usando uma expressão brasileira: "não vejo tudo isso terminado em pizza". Embora para que consigamos passar do "basta", do "não"para um "vamos", isso vá exigir "uma organização numa escala jamais vista. De Túnis a Istambul, do Cairo a São Paulo, alguma coisa está ocorrendo. O medo acabou. Isso já é', em sí, uma mudança do jogo". Concordo, integralmente.

OS PLANOS DE SAÚDE E SUAS NOVAS FORMAS DE EXPLORAÇÃO

Brasileiros e brasileiras fogem como o diabo da cruz dos serviços públicos de saúde, seja lá qual for a sua origem sócio-econômica. Correm de uma porcaria e caem em outra armadilha. Prestando em geral um péssimo serviço, os planos recorrem agora a uma nova estratégia para explorar consumidores e escapar da fiscalização (fraca) do Governo.

Quem procurar agora por um plano individual vai encontrar dificuldades. As empresas privilegiam os chamados planos coletivos ou empresariais. A vantagem, para as administradoras, é claro, é que esses planos podem escapar dos reajustes anuais determinados pela ANS, que já não são pequenos. Eles são regidos por outras normas e não tem sido raros reajustes na casa dos 40% ao ano. Para empurrar os incautos para essa modalidade os preços iniciais para os planos individuais andam nas nuvens ou simplesmente não são mais atendidos (caso por exemplo da Sul América, que só possui agora os planos coletivos), com isso atraem os consumidores para os planos coletivos oferecendo, de início, preços bem competitivos. A batata fica esquentando até o primeiro reajuste quando vem o susto.

Quem tomará alguma providência? O IDEC está tentando acabar com a farra. Vamos ver.

DE BOM TAMANHO - VIA DORA KRAMER

De bom tamanho - via Dora Kramer, outro dia: "Falácia a alegação de governantes, partidos e políticos em geral que não estão entendendo direito a razão das manifestações. Sabem muito bem do que se trata. Só estão - como de resto to mundo - intrigados com o fato de a coisa ter surgido assim, supostamente "do nada", com adesão surpreendente. Na realidade surgiu e se alastrou em decorrência "do tudo"... O que, afinal de contas, estava assim tãõ bom se o custo de vida sobre e o Estado não faz a sua parte? O recado está dado, a mensagem perfeitamente captada... Agora seria a hora de deixar de lado entusiasmos e aturdimentos para abrir espaço à objetividade." É isso aí, eu acho.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

1. As instant mob: Vão arrefecer, mas voltarão quando um novo gatilho for acionado. 2. Inclua Dilma fora disso? 3. Você conhece a Turquia mano?


11. Já escrevi sobre isso. O que caracteriza as instant mob é um determinado “gatilho”, algo que impulsiona as pessoas num primeiro momento a se reunirem. No nosso caso, o aumento das passagens. Mas, pelo seu caráter difuso, sem lideranças definidas (esqueçam por favor o MPL) tende a abranger outras reivindicações represadas. Foi o que se viu.
Outro fator importante é a posição inicial dos governantes. Se dessem a marreta na cabeça dos manifestantes a tendência é engrossar o caldo. Foi o que também se viu. Se, no entanto o “gatilho”, o elemento principal que provocou a manifestação for alcançado a tendência é que o movimento se esvazie. Claro que sempre depende da posição da repressão de plantão, que pode continuar impulsionando ou não. Isso não quer dizer que elas não voltem. Afinal, as pessoas seguramente “tomaram gosto” pela coisa. Mas hoje não se faz política como antigamente. Ou dito de outra forma: as pessoas não se manifestam como antigamente. As pessoas consomem política, não fazem política. A relação delas com a política é semelhante a relação que elas tem de consumo, como consumidores. São atraídas por determinado produto, por determinada plataforma ou objetivo e depois partem pra outra. As redes sociais, a internet, são os canais através dos quais se dá essa relação. Basta ver o que acontece(eu) no mundo todo ultimamente. Infelizmente aqui não é espaço para tratado sociológico, mas em linhas gerais é isso.
Outra coisa: inicialmente perplexos (principalmente pela amplitude) os políticos já arregaçaram as mangas. O governo, principalmente o federal faz o que pode, os legisladores vão demorar mais. Sem a caneta do executivo para mostrar serviço, tendo que enfrentar a revolta contra os partidos em geral, abre-se o caminho para salvadores da pátria, novas lideranças tendem a aparecer. Ou reinventam-se usando os ouvidos para ouvir, de verdade, e não de faz de conta, o que o povo quer dizer, independentemente dessa ou daquela reivindicação específica, ou tempo perigosos estão por vir. Pra resumir: as manifestações podem arrefecer, mas o povo (vá lá, a classe média) tomou gosto pela coisa e vai voltar. E finalmente: é preciso entender que nos últimos anos, os do PSDB incluso, o brasileiro viu a sua vida melhorar da porta de casa pra dentro. Isso fez com que passasse a olhar, com outro olhar, da porta de casa pra fora. Se o sujeito não tem que pensar o tempo todo no bife do almoço, começa a ver a educação, a saúde, o transporte e por aí vai. É isso que estamos vendo, também.

22.  José Roberto de Toledo, colunista do Estadão, fez uma frase que eu gosto: “Dilma não era o alvo das manifestações tempestivas, mas virou seu para-raio”.  Ninguém saiu as ruas pedindo a queda da presidente. Mas sobrou o desgaste, porque ela e o PT são os que têm mais a perder. Isso não significa que a “oposição” tenha ganho alguma coisa. Aliás a oposição conseguiu emitir duas notas chochas e nada mais. Fernando Henrique, provavelmente por conta da sua formação acadêmica foi quem produziu algumas análises interessantes sobre o que está acontecendo (nada de incluir aí o PSDB) e no mais alguns elementos isolados como o Cristovam Buarque e ninguém mais.

Supreendentemente na Bahia, coisa que ninguém esperava, nem foi noticiado (?) vários os artistas do aché-music se pronunciaram favoravelmente aos movimentos. Dos notáveis, noves fora o habitual Caetano Veloso, não se ouviu nada. Agora, a presidente vai enfrentar, praticamente sozinha, a pressão de prefeitos, que querem mais receitas, governadores insatisfeitos, políticos sem saber o que fazer e a pressão das ruas. Pode-se achar o que quiser da presidente, mas ela deu as caras e encarou as manifestações com muito mais coragem que qualquer outro político/governante. E em vez de chorar pitanga está tentando uma agenda positiva, para fazer frente a crise, ainda que reciclando medidas e dando prioridade para outras que estavam em discussão, mas em plano secundário. Algumas podem gerar mais protestos, como a vinda de “milhares de médicos” e mais a ideia de um plebiscito para a formação de uma constituinte exclusiva para fazer a reforma política. Em principio tudo mundo quer a reforma. Mas a pergunta é: quais são os termos dessa reforma? Algumas propostas em vez de acalmar as massas podem incendiar. O que vai acontecer de fato só o tempo dirá.

33. A Turquia, esse país meio que desconhecido para a maioria de nós, salvo alguns (na verdade bem poucos) turistas mais recentes, impulsionados por uma novela da Globo (rsss) serve como exemplo para entendermos como as manifestações funcionam hoje.

De início a turma foi para as ruas protestar contra a derrubada de uma área verde para a construção de um shopping. Ressalte-se que é a última grande área verde da capital turca e que suspeita-se que os ilustres governantes iram ganhar algum (muito) com a empreitada. Nada fora do comum. A polícia (leia-se as autoridades) resolveram a questão da forma tradicional: descendo o cacete. Isso costuma abrir as cabeças, ainda que não literalmente, embora as vezes também sim. Resultado: outras questões começaram a vir a tona: sociedade laica, mais liberdades, menos corrupção, isso e aquilo. Mais endurecimento do governo, mais agitação.

Como lá a democracia não é lá essas coisas todas e o governo, como em outros lugares, tem muito apoio das classes emergentes, privilegiadas com avanços sociais significativos nos últimos anos a coisa toda segue sem muita definição. Mas o fato é que a sociedade turca, como em outras paragens, não será mais a mesma. Revolução? Queda de governo? Longe disso. Mas a insatisfação está lá,, instalada, pronta para voltar com mais força tão logo novo gatilho seja acionado. Lá como alhures.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

OS VÂNDALOS - SERIAM ELES MARCIANOS?


Podemos não gostar e discordar, mas convêm conhece-los.

Nos últimos dias essa foi uma das palavras mais pronunciadas nos noticiários, pelas bocas de algumas autoridades e entre manifestantes dito “pacíficos”. Mas quem é essa gente que tanto pavor e repulsa tem provocado? Do jeito que são mencionados parecem que nunca foram vistos e que surgiram surpreendendo a todos nessas manifestações. Pareciam desembarcados subitamente de Marte com um único objetivo de melar as manifestações pacíficas da maioria. Vândalos, minoria, bagunceiros, bandidos... sim, tudo isso e mais um pouco, mas infelizmente parte da nossa sociedade e mais presente em nossas ruas que a maioria dos manifestantes.

Em primeiro lugar apareceram e em algumas vezes até comandaram pelo menos parte dos protestos porque essas manifestações são o que o que se classifica hoje como “difusas”. Ou seja, não tem um único e definido objetivo (pode até começar com um, mas imediatamente surgem outros e outros), nem lideranças e comandos claros (esqueçam o tal de Passe Livre que só é liderança porque a mídia e as autoridades precisam de uma), muito menos partidos e organizações afins, que podem até aparecer depois para tirar uma lasquinha, mas não comandam nem lideram nada. Então, com isso qualquer grupo se sente autorizado a participar e fazer o que lhes passa pela cabeça. Noves fora, é claro, os marginais (no sentido aqui de marginalizados da sociedade).

“Quebrar, quebrar é melhor pra se manifestar”. Era o grito de guerra da turba, que reagia aos pacifistas com “sem moralismo”. Um dos grupos que liderava o quebra-quebra eram os Black Blocks (sim, senhores, eles também tem nome e organização). Os Black Blocks são a tropa de choque anarquista do movimento, que irritados com a “face classe média” que o protesto começou a tomar, resolveram partir para a invasão, o (ops) vandalismo e a depredação. Animados, junto com eles vieram outros membros da nossa sociedade: os punks, os nóias (molestados em seus guetos no centro, que vislumbraram uma oportunidade de ganho nos saques a lojas), os assaltantes (que encontraram um jeito mais fácil de levar algum, depois de afanar celulares e carteiras dos “outros” manifestantes), skinheads (aqueles caras que costumam espancar gays e nordestinos), pichadores de prédios públicos e privados, históricos ou não... e outros tipos. Todos eles existem e fazem parte do dia-a-dia da nossa querida cidade. Pq cargas d’água deixariam de marcar presença num movimento que lhes permitiria (perdão permite) a livre manifestação dos seus – digamos assim – desejos?

São caras sintonizados coma violência diária das nossas grandes cidades. O sujeito é violentado quando usa um transporte aviltante, superlotado, sem nenhum conforto, que leva horas e horas para chegar a algum lugar. O sujeito sofre violência quando precisa dos equipamentos de saúde do Estado e é mal atendido e maltratado. A pessoa sofre violência pela sua orientação sexual, cor da pele ou local de nascimento. A violência está presente no trânsito, diariamente, por mais protegido que você pense que está no interior do seu carrinho. As pessoas são assaltadas nos semáforos, nos restaurantes (mesmo naqueles vagabundos, antes que venham...), em casa... A violência está presente nos estádios, nos grandes eventos... Quem não tem onde morar é expulso de seus barracos a golpes de cassetete e bombas de gás. Os exemplos são infinitos. Na grande cidade ninguém está imune a violência, ninguém 

Então pq da surpresa quando a violência? Não estou querendo dizer que são os violentados, oprimidos ou seja lá como se queira chamar os autores da violência nas manifestações, mas elas permitem que esses grupos encontrem um campo, um palco, para fazerem o que fazem, no dia-a-dia, sem tanta força, sem tanto espaço. É uma questão de oportunidade. No mais é preciso entender que são, seus motivos, como combate-los e como integra-los e não apenas aos protestos. É preciso integra-los a sociedade. E isso só será possível quando a violência, em todos os níveis for efetivamente combatida.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

REVOGADOS OS AUMENTOS

Revogados os aumentos (em coletiva conjunta do governador do PSDB e do prefeito do PT - fato digno de nota) e com o congresso já sinalizando que não votará, na próxima semana, a PEC do Ministerio Publico, resta saber agora o destino das manifestações. E não importa aqui se imediatamente ou não. O fato é que a população deve ter "tomado gosto" e consciência da sua força. Há muito não se via os "grandes poderes" se curvarem a voz das ruas. Esse é o fato novo. Dificilmente será esquecido. Pode ser hoje, amanhã ou mais tarde, mas certamente nunca mais seremos os mesmos.

NÃO VIVEMOS VIOLÊNCIA TODOS OS DIAS?

Falou-se muito dos vândalos nessas manifestações. Aqui e ali sempre o repudio. Mas por acaso não vivemos violência, todos nos em variados graus, todos os dias? Violência quando não se é atendido nos hospitais, quando se é assaltado indiscriminadamente - pobres e ricos - quando a educação é uma porcaria, quando a policia bate (não nas manifestações, mas no dia a dia) quando gays são atacados nas ruas, tudo isso - e o espaço não permite uma analise maior), tudo isso não é violência gratuita, vandalismo? Essas pessoas, a sociedade em feral convive com a violência diariamente. Não é portanto estranho que elas estejam presentes tambem nas manifestações.

terça-feira, 18 de junho de 2013

OS NOSSOS POLITICOS VEEM O MUNDO PELO ESPELHO RETROVISOR

E foram tomados pela perplexidade quando "o povo" começa a se manifestar. Em silêncio, ou forçados a declarações protocolares (vide a senhora presidente) estão atônitos sem saber o que fazer ou como lidar com manifestações com a rigor ninguém sabe onde vão parar. Acostumados a manipular as massas se veem com mãos (e bocas) atadas quando precisam dar respostas concretas a massa em manifestações espontâneas.

Lula e Fernando Henrique foram ao Facebook para emitirem opiniões óbvias: manifestações são legitimas, elas não são assunto de polícia. Então tá. Mas se continuarem? Se a redução (improvável) das tarifas não vier? E se isso não bastar? Até que ponto as cidades podem suportar serem paralisadas, o que no caso de São Paulo significa horas e horas das suas atividades econômicas (com os inevitáveis prejuízos financeiros) paralisadas? Se o confronto for o caminho "natural"para expressar a insatisfação que vai além dos centavos das tarifas do transporte público?

Ficou claro, em todas as cidades, variando apenas a intensidade a ojeriza aos políticos de todos os matizes. Já tem gente, dentro do seu próprio partido, dizendo que Haddad vacilou. Será? O prefeito, em principio, de olho no retrovisor, agiu como administrador puro e simples. Mas terá sido o único? O que faltou ao prefeito falta a todos os seus colegas. O pessoal fica "ligado" nos índices de popularidade, torcendo pelo seu avanço e pela queda dos adversários e esquecem de aprofundar, de descobrir e se antecipar aos problemas do mundo real.

É preciso esquecer as pesquisas meramente eleitorais e começar a tentar resolver os problemas do mundo real. A população de São Paulo suporta um aumento de centavos na tarifa, mas esse aumento é um tapa na cara de que sofre, diariamente, com um transporte público de péssima qualidade. Metrô, trens, ônibus... é tudo muito, muito ruim. Que pode se agarra nos seus carrinhos que simplesmente não andam. Aí o sujeito lembra da educação que é uma droga (municipal, estadual e federal), da saúde que não atende satisfatoriamente a ninguém, mesmo aos que conseguem acesso a um plano privado, noves fora os que tem muita grana, mas esses estão fora do contexto. Os gastos com estádios, perdão arenas, ditas de primeiro mundo, começam a incomodar, quando no seu entorno não se vê nada de primeiro mundo (ah!, pra Copa do Mundo vai ter. Tá quem acredita nisso? Vamos ter a meia bomba de sempre). E por aí vai. A imprensa, a tal de mídia não sabe o que fazer, nem pra que lado pender. Todos estão surpresos, até mesmo os organizadores, vamos chama-los assim, já que lideranças mesmo não existem.

Para onde iremos? Como reagirão as autoridades? até onde irá o fôlego dos manifestantes? Em breve saberemos e muitas surpresas virão por aí.

POR TRAS DAS MANIFESTAÇÕES A CRISE NA PM PAULISTA

Além do temor de que recaia exclusivamente para a corporação o ônus da pancadaria contra os manifestantes, os episódios estão revelando o velho problema que aflige todos as policiais militares do país. "Recriadas" durante o regime militar espelhadas no modelo das forças armadas e atualmente despojadas de seu papel, na época, principal, de repressão direta nas ruas, elas ainda não encontraram um lugar adequado no sentido de promover a segurança pública. Além disso, num lugar onde antiguidade é posto, mudanças promovidas no comando da PM paulista revelaram que também por lá as coisas não andam como parecem ser. Coronéis mais velhos resistem as ordens do comandante-geral. A tropa de choque é praticamente uma unidade autônoma dentro da estrutura da PM. Tudo isso pode parecer irrelevante, mas não é. As confusões internas e institucionais da PM podem desaguar eventualmente para as ruas e alterarem o rumo e a qualidade das manifestações na cidade de São Paulo.

COMERCIAIS DA COPA X MANIFESTAÇÕES X NOTICIÁRIO

Na TV, principalmente, alguns comerciais sobre a Copa ficaram muito engraçados quando veiculados, paralelamente as notícias sobre as manifestações. O da Fiat, o carro que mais entende ruas, ou algo parecido, conclama as pessoas a ocuparem as ruas de verde e amarelo. Agora é BRA. Bra de Brasil, Bra de Bradesco... esse chiii, ficou fora de contexto mesmo. Tem muito mais, cada um mais deslocado da realidade que o outro.

Agora fora de contexto ontem estava mesmo o âncora do Jornal Nacional. Com a cara de cão chupando manga, seo Bonner fazia malabarismo para de Fortaleza tentar chamar a atenção para o jogo entre a Nigéria e sei lá mais quem. Enquanto o Brasil fervia, o camarada tentava atrair a atenção do distinto público sobre a coreografia polinésia do único gol da equipe coadjuvante e... coitado rsss. Deve ter sido a pior escolha geopolítica do moço em toda a sua carreira.

N Globo News (e nas demais também) locutores, repórteres, comentaristas de todo o tipo e qualidade esgoelavam-se para tentar explicar o que estava acontecendo, torcendo desesperadamente pela ordem institucional, insistindo aos limites sobre a forma pacífica das manifestações e rotulando de minoria/mínima a turma do vamo-que-vamo que queria mesmo era quebrar com tudo e confrontar a política.

Em tempo: ainda vão gastar garganta pra explicar pq um monte de gente não quer nada pacífico e está mesmo afins de destruição. Antes que venham os comentários: tá o Estado não vai puder deixar a coisa descambar etc e tal. Mas o que fazer com esse "segmento"? Até onde irá a interferência desse pessoal? O que os movem?

segunda-feira, 17 de junho de 2013

OS INSTANT MOB E A PERPLEXIDADE DAS NOSSAS AUTORIDADES

Nos últimos dias, principalmente em SP, pipocaram manifestações – em principio contra aumento passagem ônibus. Como sempre os apressadinhos, à esquerda e à direita, nos encheram o saco e a paciência com os suas eternas e distorcidas interpretações dos fatos e da realidade. O que temos hoje e no mundo (viu Jabor) são as instant mob. As vezes, mas não na maioria das vezes, se transformam em coisas mais sérias, normalmente por conta das autoridades míopes, avessas a um diálogo real, que não só permitem, como na maioria das vezes fazem o possível e impossível para que a violência se transforme na única linguagem desses eventos. E os exemplos estão aí no mundo todo. 

Aqui em São Paulo o que tivemos? Primeiro o prefeito, do PT, que autorizou o aumento dos ônibus, insinuou que os manifestantes eram pessoas que não haviam votado nele. Depois condenou, com veemência, o que chamou de vandalismo e se recusou a discutir com as lideranças (se é que existem) do movimento e foi enfático ao dizer que não voltaria atrás na concessão do aumento da tarifa. Logo depois, com a polícia militar mais bem equipada e treinada do país se comportando atabalhoadamente na repressão, começou a falar em diálogo e a acusar a polícia de estimular os distúrbios pelo exagero na repressão, tentando empurrar pro colo do governador o ônus dos distúrbios e da violência de parte a parte. E do outro lado? O governador, do PSDB, que decidiu, desde o início que ficaria bem na fita criminalizando os manifestantes, fazendo o discurso da ordem e, querendo ou não, sinalizando para a polícia que comanda, que uma repressão rigorosa era o governo e sociedade esperavam dela. Deu no que deu. 

O que nem prefeito nem governador entenderam, ou não estão habituados, é com a nova dinâmica dos protestos (foi aí também que Arnaldo Jabor meteu os pés – ou o intelecto – pelas, digamos assim, mãos, em seu comentário na Rede Globo, espinafrado nas redes sociais e nas manifestações). As pessoas hoje conseguem se reunir em torno de projetos efêmeros, específicos, pontuais e isso tem a ver com a forma como estão se organizando as relações sociais atualmente (vide redes sociais nos seus mais variados instrumentos/meios). Com isso dificilmente elas (as pessoas) conseguem construir projetos consensuais. É o que Jabor não entendeu, é o que torna difícil para as nossas autoridades suportarem/entenderem/dialogarem. A causa é óbvia: a relação de consumo é hoje a relação máster da nossa sociedade. Em outras palavras as pessoas consomem política, mas não fazem, não produzem, política. Então elas se manifestam quando alguma coisa, um certo fato, um determinado resultado (não o processo que leva a isso ou aquilo, mas o seu “finalmente) as perturbam sobremaneira. Então elas reclamam, protestam. E o fazem com intensidade. Aí quando as autoridades (no nosso caso prefeito e governador) não percebem o processo e não conseguem inovar (e é difícil mesmo) na administração desses conflitos “coletivos e difusos” como são conhecidos hoje, o resultado é a exacerbação ou – para usar palavra mais ao gosto dos velhos políticos – a radicalização. 

A polícia tem que reaprender a reprimir, as autoridades precisam sair da simples criminalização ou desclassificação do que não gostam. Os manifestantes são os manifestantes. Eles precisam aprender o que fazer depois. Dizer sim em vez de apenas não e não. Mas seja como for estão aí com algo positivo que é a possibilidade ainda de se indignar com alguma coisa. E isso é bom, muito bom. Pelo menos por enquanto. O que virá depois ainda não sabemos. No momento, com regras mais claras e menos criminalização ou politicagem de ocasião as coisas podem ficar melhores. Por fim uma pergunta besta, mas que reflete o não sabe o que faz das autoridades: afinal de contas o que pode e o que não pode ocupar a Avenida Paulista para protestar ou até mesmo comemorar. Alguém aí pode me citar um, apenas um critério lógico?

A REBELIÃO DOS 37 CENTAVOS

Alguém em seu santo juízo acredita mesmo que milhares de pessoas (tá vamos incluir os também a parte dos vândalos nisso para agradar "conservadores" - calma aí tem também para os "progressistas") estão indo às ruas por conta de 37 centavos? 

Andar de transporte público em São Paulo (vou ficar no que conheço de perto) é um horror. O aumento é um tapa na cara de quem sofre. E muito no sistema de transporte público da maior e mais rica cidade do país. Recentemente a prefeitura autorizou o aumento do número de pessoas na lotação dos ônibus, que mudam de itinerário sem aviso, não para nos pontos, correm muito nas poucas vzs em que podem ou se arrastam por itinerários feitos, obviamente, por técnicos que conhecem ônibus de fotografia. 

Andar nos trens da CPTM, que vira e mexe quebram e estão sempre lotados nos horários de pico exige muita paciência e sacrifícios. O metrô logo-logo vai precisar de funcionários para empurrarem as pessoas para dentro do vagões, provavelmente a cacetadas, ao contrário de Tóquio onde usam luvas e delicadeza para "encaixar" os excedentes... Qualquer cidadão, que consegue uma graninha, trata de comprar um carro, por mais velho e acabado que seja e prefere passar horas no congestionamento que enfrentar as malezas do transporte público. E tem mais uma porção de coisas irritando as pessoas: segurança, inflação (precisa falar na alta dos alimentos?), saúde, educação, o custo dos estádios que não vão servir pra nada depois, as obras do "entorno" que não ficam prontas, os impostos... motivo não falta até para os beneficiários do Bolsa Familia, do Bolsa Crakc, do Bolsa Móveis, do Bolsa Presidiário e não sei mais o que. 

O que está acontecendo, tardiamente no Brasil, como sempre, é o novo tipo de manifestação. Vamos ficar no exemplo da Turquia (cujos manifestantes expressaram hoje solidariedade aos brasileiros - rsss): o pessoal foi pras ruas para protestar contra a construção de um shopping na última área verde de Istambul. Deu no que deu. A má administração dos conflitos coletivos difusos levaram as pessoas a "pensarem" em outros assuntos que as estão incomodando. Pronto. A coisa cresce. A falta de lideranças formais deixam as autoridades perplexas, para dizer o mínimo, pois lá, como aqui, não sabem com quem lidar, cooptar, comprar, aniquilar. 

O prefeito, de olho nas próximas eleições, continua pensando pra que lado vai pender, sem saber onde vai arranjar 350 milhões caso tenha que recuar do aumento. O governador, que achou que estava bem na fita pousando de paladino da manutenção da ordem, já mandou a polícia procurar outro assunto (que tal perseguir a bandidagem?) e se as coisas forem radicalizadas vai ter policial carregando manifestante no colo e distribuindo água com açúcar para os mais exaltados. O problema é que o tal movimento Passe Livre quer uma coisa que não tem a menor condição de ser implantada - catraca livre - e obviamente depois de tanta porrada, já tem gente reclamando do preço do tomate, do custo dos estádios, do isso e do aquilo que nem estavam pensando antes. 

Onde vai parar? Quem sabe. Talvez amanhã, sem a motivação policial, talvez demore se as pessoas começarem a pensar no monte de coisas com as quais estão insatisfeitas e comecem a cobrar soluções. E por falar em soluções, é interessante notar como os políticos, de todos os matizes, saíram correndo. Cadê a Câmara de Vereadores? Onde estão os deputados? Cadê os sindicalistas? Tá todo mundo enfiando a viola no saco para sacar uma oportunidade de se dar bem. 

Aposta arriscada. Muito arriscada