terça-feira, 18 de junho de 2013

OS NOSSOS POLITICOS VEEM O MUNDO PELO ESPELHO RETROVISOR

E foram tomados pela perplexidade quando "o povo" começa a se manifestar. Em silêncio, ou forçados a declarações protocolares (vide a senhora presidente) estão atônitos sem saber o que fazer ou como lidar com manifestações com a rigor ninguém sabe onde vão parar. Acostumados a manipular as massas se veem com mãos (e bocas) atadas quando precisam dar respostas concretas a massa em manifestações espontâneas.

Lula e Fernando Henrique foram ao Facebook para emitirem opiniões óbvias: manifestações são legitimas, elas não são assunto de polícia. Então tá. Mas se continuarem? Se a redução (improvável) das tarifas não vier? E se isso não bastar? Até que ponto as cidades podem suportar serem paralisadas, o que no caso de São Paulo significa horas e horas das suas atividades econômicas (com os inevitáveis prejuízos financeiros) paralisadas? Se o confronto for o caminho "natural"para expressar a insatisfação que vai além dos centavos das tarifas do transporte público?

Ficou claro, em todas as cidades, variando apenas a intensidade a ojeriza aos políticos de todos os matizes. Já tem gente, dentro do seu próprio partido, dizendo que Haddad vacilou. Será? O prefeito, em principio, de olho no retrovisor, agiu como administrador puro e simples. Mas terá sido o único? O que faltou ao prefeito falta a todos os seus colegas. O pessoal fica "ligado" nos índices de popularidade, torcendo pelo seu avanço e pela queda dos adversários e esquecem de aprofundar, de descobrir e se antecipar aos problemas do mundo real.

É preciso esquecer as pesquisas meramente eleitorais e começar a tentar resolver os problemas do mundo real. A população de São Paulo suporta um aumento de centavos na tarifa, mas esse aumento é um tapa na cara de que sofre, diariamente, com um transporte público de péssima qualidade. Metrô, trens, ônibus... é tudo muito, muito ruim. Que pode se agarra nos seus carrinhos que simplesmente não andam. Aí o sujeito lembra da educação que é uma droga (municipal, estadual e federal), da saúde que não atende satisfatoriamente a ninguém, mesmo aos que conseguem acesso a um plano privado, noves fora os que tem muita grana, mas esses estão fora do contexto. Os gastos com estádios, perdão arenas, ditas de primeiro mundo, começam a incomodar, quando no seu entorno não se vê nada de primeiro mundo (ah!, pra Copa do Mundo vai ter. Tá quem acredita nisso? Vamos ter a meia bomba de sempre). E por aí vai. A imprensa, a tal de mídia não sabe o que fazer, nem pra que lado pender. Todos estão surpresos, até mesmo os organizadores, vamos chama-los assim, já que lideranças mesmo não existem.

Para onde iremos? Como reagirão as autoridades? até onde irá o fôlego dos manifestantes? Em breve saberemos e muitas surpresas virão por aí.