sexta-feira, 2 de agosto de 2013

CARANDIRU, MENSALÃO ... EXISTE JUSTIÇA EM NOSSA JUSTIÇA?

Depois de 20 anos, finalmente o julgamento do massacre do Carandiru. O resultado final do Mensalão já está prometido para o próximo ano. Que justiça é essa? Existe alguma justiça em alguém esperar 20 anos para ser julgado culpado ou inocente? A sociedade, os réus, podem esperar, calmamente, que recursos infringentes (isso parece nome de cosmético) e mais isso e mais aquilo sejam julgados, mais uma vez e mais outra até que a "Suprema Corte" chegue finalmente a um veredicto? É justo para os parentes da vítimas e dos acusados do massacre do Carandiru viverem por 20 anos esperando um desfecho para o caso?

A espera faz com que os acusados cumpram, de certa forma, uma espécie de pena, discriminados socialmente, vivendo numa espécie de limbo jurídico, onde não são culpados nem inocentes. As vítimas e seus parentes são igualmente condenados a uma espera cruel, na expectativa de um fechamento para suas histórias, para seus dramas. Como explicar, por exemplo, a um parente que sequer havia nascido na época, no caso de Carandiru, que sua família ainda vive um drama para o qual a justiça já deveria ter dado um desfecho, não importa se vítimas ou acusados.

É uma justiça cruel que condena sem condenar, que absolve sem absolver.

E não importa a relevância do caso, grande causas ou pequenas, todas - com raras exceções - todas sofrem com a "agilidade" da nossa justiça.  Recentemente um amigo meu, nervoso pelo fato do proprietário do apartamento onde morava de aluguel ter pedido o imóvel e dado um prazo de três meses para a entrega, procurou um advogado. A resposta a inquietação foi: fica tranquilo. Se ele entrar na justiça pedindo despejo isso vai levar de um ano a dois.

Ou seja "entrar na justiça"brasileira quer dizer empurrar qualquer causa para as calendas gregas.

Como uma sociedade pode viver, ter uma mínimo de ordenamento, sentir-se segura com esse tipo de judiciário? Como acreditar numa justiça onde onde os privilégios afrontam o cidadão comum, onde driblar a leis é lugar comum, desde que consigam vantagens financeiras inacessíveis ao meros mortais?

Fala-se muito mau dos políticos e dos governantes, mas se olharmos bem, esse pessoal que faz a justiça (sempre minúscula) brasileira, não fica nada a dever aos nossos piores políticos.