quinta-feira, 8 de agosto de 2013

PROCURA POR LEITE EM PÓ NA CHINA AFETA MERCADO MUNDIAL E ALIMENTA CONTRABANDO

Chineses abastados em recente viagem a Europa depois das compras de gravatas de seda, relógios suíços e bolsas Louis Vuitton, não dispensam agora um produto: latas de leite em pó para criancinhas. E as quantidades são cada vez maiores. É o que revela Edward Wong, no The New York Times.

Os chineses estão preocupados com o produto desde 2008 quando seis bebês morreram e 300 mil (isso mesmo) crianças adoeceram ao consumir leite contaminado por melamina, substância química tóxica.

As marcas estrangeiras já respondem pela metade das vendas internas do produto, embora custem mais que o dobro dos produtos chineses.A demanda está tão alta que já virou caso de Estado. O governo chinês está impondo multas de equivalentes a 110 milhões de dólares a seis empresas acusadas de cartel. Funcionários da alfândega de Hong Kong limitam a saída de apenas duas latas, cerca de dois quilos, por turistas que deixam seu território. Quem ultrapassar o limite pode amargar dois anos de cadeia e pagar multas que chegam a mais de seis mil dólares.Empresas privadas também estão preocupadas. Grande cadeias de lojas na Inglaterra já restringiram a compra também a duas latas de leite por pessoa.

A procura por leite estrangeiro já está gerando inclusive movimentos nacionalistas, na base do "Compre produtos chineses", mas os pais argumentam que "embora amemos o nosso país, não podemos correr riscos", como disse uma mãe, que consegue 80 por cento do produto que consome enviados por parentes, via correio, da Nova Zelândia.

A questão, além das preocupações com a segurança alimentar, um fato certamente novo na sociedade chinesa, revela a força do poder aquisitivo dos chineses e como eles podem influenciar, mesmo quando num movimento basicamente individual toda a economia mundial.