quarta-feira, 25 de setembro de 2013

TSE APROVA CRIAÇÃO DE 2 PARTIDOS. SÃO 32 AGORA.

O Solidariedade e o Pros são os dois mais novos partidos do Brasil e que abrem a temporada de troca-troca entre legendas com vistas às eleições de 2014. Com passamos a ter 32 partidos no país. A Rede de Marina Silva continua empacada, faltando cerca de 52 mil nomes para fechar a cota mínima de 492 mil assinaturas necessárias para a criação de um novo partido.  Três dos sete integrantes do tribunal já sinalizaram que não aceitarão a entrega direta das certidões genéricas de assinaturas, como pretende a Rede. 

O Solidariedade foi montado pelo deputado federal Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força, atualmente no PDT de São Paulo. Começou a recolher assinaturas em 2010. O Ministério Público apura denúncias de fraude na coleta e recomendou apuração da Polícia Federal, mas a sua criação foi aprovada pelo TSE. Com relação ao governo Dilma tem um viés de oposição, tendendo para o apoio a candidatura presidencial de Aécio Neves. Seu fundador, Paulinho da Força, acusa o governo federal de ter "encomendado" a investigação do MP

O Pros, montado por Eurípides de Macedo Jr., ex-vereador em Goiás, também recolhe assinaturas desde 2010, se diz independente, mas é claro o seu viés governista, sendo recomendado inclusive, com entusiasmo, pela ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, aos candidatos do PT aos governos estaduais para a formação de alianças. O MP deu parecer favorável.

Marina tem reagido às barreiras criadas para a obtenção do seu registro, com uma campanha pela internet onde artistas se manifestam, afirmando que as filiações foram rejeitadas inexplicavelmente e que a Rede estaria sendo prejudicada por um "procedimento precário de conferencia de assinaturas.
A Rede começou a coleta das assinaturas em fevereiro deste ano e afirma que já validou 440 mil. De viés obviamente oposicionista, depende de decisão do plenário do TSE para ser aprovada oficialmente, mas, ao que tudo indica, por enquanto, não vai conseguir. Marina vai precisar, urgente, de um plano B caso pretenda realmente disputar as próximas eleições.

VALE TRANSPORTE PARA PREFEITO E VEREADORES. EM LONDRES.


Reproduzido, na íntegra, do site Catraca Livre
Em Londres, ao invés de receber um carro oficial ao assumir o cargo, o prefeito e os vereadores da cidade ganham um vale-transporte. O tíquete é anual e vale para ônibus, trens e metrô.
Também é comum ver o prefeito da cidade, Boris Johnson, utilizar a bicicleta como meio de transporte nos dias de trabalho.
Divulgação
Divulgação
Prefeito de Londres costuma ir de bicicleta ao trabalho
Até o reembolso das despesas de táxi passa por fiscalização. As autoridades só podem usar essa modalidade de transporte ao provarem que não existe uma opção mais barata. As prestações de contas desse serviço podem ser acessadas pela internet.
Enquanto isso, no Brasil
Em São Paulo, os veículos usados pela Câmara Municipal são alugados e tem gasto anual de cerca de R$ 1,78 milhão. A casa tem 55 vereadores. Já a Prefeitura de São Paulo gasta R$ 3,1 milhões por mês.
Na Assembleia Legislativa, os gastos chegam a R$ 223 mil mensais com os carros oficiais. 92 deputados usam o benefício.
Já na Câmara dos Deputados, na Capital Federal, R$ 6.334 milhões serão usados para a condução de veículos oficiais e R$ 583.864 mil serão usados para manutenção dos automóveis. O gasto é anual e a Câmara tem 513 deputados.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

EM LIVRO, VÍTIMA DE POLANSKI TENTA SAIR DA SOMBRA DO SEU ESTUPRADOR.

Samantha Geimer foi vítima de estupro, quando tinha apenas 13 anos. Foi vítima do renomado cineasta Roman Polanski. Samantha, hoje uma senhora de 50 anos, com marido e três filhos, decidiu contar em livro o drama que viveu em 1977. Em seu livro The Girl: Emerging from the Shadow of Roman Polanski (A Menina: Saindo da Sombra de Roman Polanski), Samantha explora o fato de nunca, ela e a sua família, terem tido a opção de uma vida no anonimato e afirma que ao relembrar todo o terror que sentiu "depois", a fez preferir fazer sexo forçado de novo a reviver tudo o que passou diante da polícia, do sistema penal e da mídia.

Polanski, hoje com 80 anos, continua aclamado como um grande artista e nunca foi punido, com exceção de uma breve prisão na Suíça, provocada por um pedido de extradição dos Estados Unidos.

Samantha ficou com toda a sua vida marcada pelo episódio e a consequente exploração do caso pela mídia, lembranças amargas que exorciza com a publicação do livro.
Polanski, lá pelo ano de 2009 enviou uma carta com um pedido de desculpas, mas sem a admissão de culpa, para Samantha, depois de assistir ao documentário Polanski: Wanted and Desired. Na carta se disse "impressionado com a integridade"de Geimer.

Teria sido bom que tivesse se lembrado disso na época, há cerca de 37 anos atrás, quando ele perdeu a sua própria integridade e negou esse direito a uma criança de apenas 13 anos, que já vinha sendo vítima de uma mãe deslumbrada e de uma padrasto maconheiro, que a levavam para fotos sensuais em revistas de moda. Nada justifica a atitude vil de Polanski que - infelizmente - ainda se repete mundo a fora com uma infinidades de Samanthas, que talvez nem mesmo a oportunidade de uma catarse possuam.

Para relembrar: Polanski apanhou a menina, depois de uma sessão de fotos para a revista Vogue na casa de Jack Nicholson. Embebedou-a com champanhe e fez fotos de topless. Telefonou para a mãe de Samantha, disse que ia leva-la de carro para casa, depois a convenceu a tomar um comprimido de Quaalude. Samantha ainda alegou que tinha asma e que precisava ir para casa, numa tentativa de se livrar de Polanski que depois de um banho em uma jacuzzi a empurrou para a cama onde o ato incluiu penetração anal.

LIDER DO AFRO REGGAE: POLÍTICA, RELIGIÃO E TRÁFICO É O PIOR TRIPÉ QUE EXISTE.

O coordenador da ONG Afro Reggae, José Júnior, anda atualmente com uma escolta de 10 seguranças e perdeu a sua liberdade. Tudo por conta da denúncia que fez ligando o pastor Marcos Pereira, líder da Igreja Assembléia de Deus dos Últimos Dias, a traficantes cariocas, que está preso desde maio, acusado pelo Ministério Público de estupro.

"Hoje não posso mais ir ao cinema, ao shopping, à praia. Quando nasceu minha filha, tiveram de cercar a maternidade para que eu e a minha mulher entrássemos", contou José Júnior em entrevista ao jornal Estado de São Paulo.

Em julho, o Afro Reagae foi expulso do Complexo do Alemão pelo tráfico. A ONG já foi vítima de quatro ataques por parte de traficantes.

José Júnior diz, citando uma frase do deputado carioca Marcelo Freixo, que muito lhe preocupa "esse tripé que envolve política, religião e crime organizado. É o pior tripé que existe".

Apesar dos ataques e das ameaças, José Júnior, afirma que não vai recuar e que as atividades da ONG vão continuar. "Para conseguir ajudar algumas pessoas a terem sua liberdade, tive que perder a minha privacidade e a minha liberdade. Mas não vou morrer. Eles não vão me matar. SE eu for assassinado, para o País, para o Rio de Janeiro, isso seria uma derrota absurda".

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

RIQUEZA MUSICAL PERDIDA NO PASSADO



Por falta de novas edições quase 100% dos álbuns de música brasileira estão fora do mercado. As gravadores sequer preservam adequadamente as matrizes sob sua guarda.

Somadas, Universal Music, Warner, EMI e Som Livre tem aproximadamente mais de 130 mil discos em seus acervos, mas apenas 3.600 são vendidos, hoje, oficialmente. Com isso artistas como Tim Maia, Vinicius de Moraes, Erasmo Carlos, Dorival Caymmi, Fagner, Edu Lobo, Maria Bethânia, Zé Ramalho, Nelson Cavaquinho, Cartola e muitos outros estão com muitos dos seus trabalhos fora do alcance do público.

O que termina acontecendo é interessados nas obras fora dos catálogos das gravadores começarem a garimpar as músicas em sites e blogs. Como os álbuns não são vendidos oficialmente pelas gravadoras, os artistas não recebem pela audição dos seus trabalhos. É o que acontece, por exemplo, com João Gilberto, que tem várias músicas vendidas em sites, como o iTunes, à sua revelia, que termina não recebendo pelas vendas.

O fato é que com isso perde-se parte importante da nossa riqueza cultural/musical e pelo visto vai ficar tudo por isso mesmo, até chegar a um ponto em que não será possível, sequer, recuperar tecnicamente todo esse acervo perdido.

AGRESSOR DE ANIMAIS É MAIS PROPENSO AO CRIME




Tese de mestrado do capitão Marcelo Robis Nassaro, da PM Ambiental de São Paulo, concluiu que existe ligação entre quem pratica violência contra bichos e humanos. Nassaro analisou 643 autuações no Estado, entre 2010 e 2012, por maus-tratos a animais e descobriu que a maioria dos agressores tinha também outros registros criminais e praticaram um total de 595 outros crimes. Entre eles 110 lesões corporais, 42 portes ilegais de armas, 21 homicídios ou tentativas, 14 ameaás e 12 roubos.

Para sua tese de mestrado em Ciências de Segurança e Ordem Pública, que virou livro, Maus Tratos aos Animais e Violência Contra Pessoas, Nassaro inspirou-se em um estudo americano para desenvolver suas pesquisas. Lá policiais chegaram a conclusão de que assassinos tinham em comum um passado de agressão a animais. Quando soube disso Nassaro passou a “entender a questão de maus-tratos a animais não só como algo ideológico, mas também como questão de segurança pública”.

Com a tese e o livro, o capitão acredita que eles podem servir de embasamento para que o atendimento prestado pela polícia nas ocorrências contra os agressores de animais possa melhorar e que uma política de prevenção, com relação a outros crimes, seja mais efetiva. “Uma condução eficiente da polícia nessas ocorrências é importante, portanto, para evitar que essas pessoas (envolvidas em agressões aos animais) comentam outros crimes no futuro”, afirma Nassaro.

O livro, Maus Tratos aos Animais e Violência Contra Pessoas, foi lançado no último dia 16, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, em São Paulo e custa 25 reais. 

VIRADA DA MOBILIDADE. PARA REPENSAR O TRANSITO EM SP



Em uma cidade onde cada pessoa gasta, em média, 2 horas e 15 minutos no trânsito, que mata três motociclistas por dia e um ciclista por semana, foi muito bem vinda a Virada da Mobilidade, que termina amanhã, dia 23, com o objetivo de discutir e promover alternativas de locomoção mais sustentáveis e inteligentes, propondo às pessoas repensarem o planejamento diário do trajeto casa/trabalho e se transformarem em agentes de mudança.

A iniciativa vem em um momento em que, segundo pesquisas recentes, a maioria dos paulistanos (61%) se diz disposta a deixar os seus carros em casa se existir uma boa alternativa. Além disso 93% é a favor da ampliação das faixas exclusivas de ônibus. E há até um empate para a ampliação do rodízio para dois dias, coisa impensável se a pesquisa fosse aplicada em tempos mais recentes.  Existe inclusive uma certa tendência na aprovação de um aumento na gasolina para subsidiar o transporte público (45%) embora 53% ainda sejam contra.

Deixar de fato o carro na garagem ainda é, no entanto, algo difícil de ser concretizado fora da retórica especulativa das pesquisas.  O nó da questão está no tal “desde que” haja uma boa alternativa. E como ninguém perguntou o que seria uma “boa alternativa”, provavelmente, na prática, por mais que faixas exclusivas e outros artifícios que sejam implantados, o paulistano deve continuar usando o transporte individual e gastando horas e horas da sua vida no trânsito.

Em vez de apenas demonizar os carros, como fazem muitas das autoridades, para os quais os brasileiros foram empurrados ao longo dos últimos anos, com uma série de incentivos, pelas próprias autoridades de plantão, seria de bom alvitre uma melhora sensível no tal de transporte público, que não se resumisse a faixas e/ou corredores de ônibus que, até concordo são, ou deveriam ser, emergenciais. Apenas.

Em São Paulo, pior ainda que em outras cidades, é difícil andar de ônibus. O metrô é insuficiente e lotado nas horas de pico. E dos trens então nem se fala. O itinerário dos ônibus deve ter sido “bolado” por algum burocrata que só anda de carro. São voltas e mais voltas para se chegar a qualquer lugar e é um exercício de adivinhação descobrir por onde passam, de onde veem e para onde vão. Nas paradas nenhuma indicação. Resta tentar ler, quando possível, o que vem escrito nas laterais dos veículos, desde é claro, que o cidadão esteja na parada certa para o destino que almeja.

Com palestras, seminários, exposições e atividades educativas e lúdicas espalhadas pela cidade, além de um dia sem carro no centro, a Virada da Mobilidade pode ser um bom momento para uma reflexão séria sobre o trânsito na nossa cidade e, quem sabe, consiga encontrar soluções que minimizem os transtornos diários que passamos para nos deslocar em São Paulo. E tomara que as autoridades e população se inspirem em busca de medidas cada vez mais efetivas para melhorar a vida dos paulistanos, nascidos e adotivos.

CASSAR MANDATOS ESTÁ MAIS DIFÍCIL



Enquanto rolava os lances mais dramáticos do julgamento do mensalão, o Tribunal Superior Eleitoral, decidiu que é inconstitucional o Recurso Contra Expedição de Diploma (RCED) usado para tentar cassar mandatos de políticos que cometem irregularidades em campanha. Pelo menos 11 governadores podem ser beneficiados. Segundo o TSE o recurso correto para se pedir a cassação é a Ação de Impugnação de Mandato Eletivo (Aime). 
Sérgio Cabral (RJ), Antonio Anastasia (MG), Roseana Sarney (MA), Cid Gomes (CE), Tião Viana(AC), André Puccinelli (MS) e Teotônio Vilela (AL) são alguns dos beneficiados pela decisão. 

O MENSALÃO E O DESCRÉDITO NA JUSTIÇA.



Noves fora o clima de FLA/FLU que tomou conta da discussão sobre o julgamento do mensalão, o fato é que o descrédito da população com relação do nosso Judiciário, não tem origem, nem vai se esgotar, no julgamento da Ação Penal 470. Essa percepção negativa vem de muito antes desse julgamento e deve continuar, independentemente do resultado.

A nossa Justiça tende ao perdão, preferencialmente para os mais ricos, mas tende. As nossas leis são brandas. Ninguém é condenado na prática a mais de 30 anos por um crime. Não temos prisão perpétua e depois de algum tempo na cadeia são inúmeros os benefícios possíveis de abrandamento da pena, seja por tempo corrido de cadeia, por serviços prestados durante a detenção, visitas em datas comemorativas, que via de regra geram fugas permanentes e por uma série infindável de recursos, sem falar nos limites de idade, para baixo e para cima, todos eles disponíveis aos mais espertos e/ou abastados que resultam, na prática, na impunidade. Tudo isso sem levar na ineficiência histórica das nossas policias na apuração dos crimes e na execução de prisões.

Passado o julgamento dessa mensalão, o cidadão comum, que sofre diariamente com a morosidade judicial, pela falta de acesso a Justiça e que se sente indignado com a impunidade decorrente dos infindáveis recursos e protelações, vai lembrar que houve um mensalão?

Transformar o mensalão em exemplo máster de morosidade ou tendência a impunidade de nossa Justiça não é correto, muito menos demonizar o ministro Celso de Mello por seus pareces “técnicos”. A Corte Suprema nada mais é que um espelho da nossa Justiça. Vale indagar: se condenados forem os acusados na AP470 a credibilidade do Judiciário aumentará? Aumentará para o cidadão comum? E não estamos nos referindo aqui aquela fração ínfima dos que leem jornais, assistem diariamente aos telejornais e torcem entusiasticamente pela absolvição ou condenação dos acusados. O cidadão comum, aquele que está exposto diariamente as decisões do Judiciário vai mudar a sua percepção, quando, na verdade, continuará sofrendo com todas as mazelas impostas pela Justiça? Creio que não. Tenho dúvidas inclusive se vai se lembrar que um dia houve um tal de mensalão.

O que é preciso é que a sociedade se movimente para uma reforma completa nas nossas leis, pela aprimoramento do Código Penal, pelo fim de tantos recursos protelatórios, pela fim dos tais fóruns privilegiados para gato, pulga e elefante. Por uma Justiça mais justa, pelo fim de tantos privilégios do Judiciário e tantos outros que emperram o nosso progresso e tornam injustas as relações entre os cidadãos e o sistema que deveria protege-los. Oxalá cheguemos lá.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

PERDÃO, UMA CARACTERÍSTICA DA JUSTIÇA BRASILEIRA

No me refiro aqui diretamente ao julgamento do chamado Mensalão, que radicaliza opiniões, como num partida de futebol, os contra e a favor, cada grupos torcendo por resultados a seu gosto, pouco se importando, ou distorcendo, sobre o que diz a Lei. Os que odeiam os acusados querem vê-los imediatamente na cadeia, os que os amam entendem que foram injustiçados. Ambos acreditam, ainda que em posições antagônicas, que nesse momento pelo menos, a Justiça ainda não foi feita.

Não se trata de uma sensação exclusiva a esse julgamento, embora com relação a eles as posições comprensivelmente mais exacerbadas. As pessoas se irritam com a morosidade da Justiça, com as absurdamente inúmeras possibilidades de recursos e adiamentos nos julgamentos. Pra cadeia, rapidamente, vão os muito despossuídos, que impossibilitados de contratarem bons advogados e sobrevirem aos anos e anos de duração dos processos, sofrem com os únicos momentos em que a nosso Justiça é ágil. Mesmo assim, noves fora casos de grande repercussão, com um mínimo de habilidade é possível conseguir abrandamentos de pena e utilizar recursos que terminam resultando em impunidade e perdão.

Perdão é a palavra chave do nosso arcabouço jurídico. As nossas leis são brandas em demasia. Não temos prisão perpétua, não temos pena de morte (não sou nem a favor, mas não temos) e as penas - reais - máximas não passam em geral dos 30 e poucos anos, com uma série de prerrogativas que levam a liberdade, ou facilitações, depois de cumpridos alguns anos.

Está na nossa cultura. Quem se der ao trabalho de ler o clássico "A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo", de Max Weber vai perceber rapidamente a diferença entre a nossa concepção de justiça e de outros países onde se pune com mais severidade e - coincidência ou não - o capitalismo é mais evoluído e as leis cumpridas com mais rigor. Se quiser fazer um contraponto amplie a leitura com "Raízes do Brasil" de Sérgio Buarque de Holanda, como sugere em interessante artigo publicado no Estadão, o professos da Insper, Humberto Dantas.

O fato é que essa filosofia, voltada para o perdão e o "garantismo", como foi apelidado o processo que permite aos acusados garantias extraordinárias de recorrer a extremos contra qualquer sentença, cria uma sensação permanente de impunidade, onde a uma eventual Justiça só pode ser realmente feita à margem da própria Justiça formal. Assim, ainda que silenciosamente, aplaudimos os linchamentos de culpados de crimes hediondos, achamos justo que os assassinos de criança e estupradores sejam sentenciados por seus pares nas horrendas e injustas cadeias nacionais.

Assim é inócuo simplesmente bradar contra juízes e a magistratura em geral. Sim, existem juízes, magistrados corruptos e lenientes. Como em qualquer categoria, aliás. Mas o que precisa mudar são as leis. E não cabem ao judiciário fazer as mudanças. É preciso que a população se movimente para que os políticos, esses sim, façam as mudanças necessárias para que enfim o país tenha um arcabouço jurídico pelo menos razoável.

Tomara que o julgamento do chamado Mensalão abra os olhos para isso. Se os acusados no processo são inocentes ou culpados, é uma outra questão. Se servir para abrir os olhos da população e com isso começarmos a ter leis que impeçam que criminosos (e não estou me referindo aos acusados do Mensalão) tenham finalmente a punição que merecem, só por isso terá valido a pena, não importa o seu desfecho.

O que não podemos continuar a conviver é com as mortes gratuitas, como a de uma criança de apenas cinco anos, assassinada apenas porque chorava pedindo para não morrer, em assalto recente em São Paulo, continue acontecer pela certeza da impunidade. Não podemos continuar convivendo com a morte de uma dentista, queimada pelos bandidos por não ter mais que 30 reais em dinheiro em seu consultório. Os exemplos são intermináveis. Tomara que em algum momento deixemos de lado essa tendência perversa do perdão que equivocadamente só provoca injustiças.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

MIDIA NINJA AGORA DEDUDURA AGENTES DA POLICIA. E ERRA.

O Mídia Ninja, saudado por muitos como um legitimo representante da tal mídia democrática, resolveu ampliar as suas funções e "dedurar" policiais militares do serviço reservado, que atuam à paisana, o chamado P2.

Iniciantes nas lides "investigativas", acabaram se confundindo e apontando profissionais da imprensa e manifestantes, sem ligação com a polícia, durante as manifestações no 7 de setembro, como elementos do serviço reservado. Entre os acusados o repórter fotográfico do jornal Estado de São Paulo, Marcos de Paula. O Midia Ninja pelo visto ampliou as suas funções, indo além de noticiar e registrar as manifestações para assumir a deduragem irresponsável.

É um alerta para aqueles apressados de plantão, que aplaudem, sem muito pensar, qualquer pseuda novidade que aparece, na ânsia de encontrar alternativas para a tal de mídia das elites, que tanto de empenham em acusar de todo tipo de mazelas.

É um péssimo comportamento desse coletivo, que coloca em risco a vida de pessoas e carrega a pretensão de ser o portador da única verdade, seja para noticiar, registrar, carimbar pessoas, definir quem pode ou não pode participar das manifestações, que parecem ser agora exclusividade de determinados grupos, numa demonstração clara do que são na verdade: intolerantes e amantes do pensamento único e controlado.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Tumblr ensina pronúncia de marcas famosas em inglês. E fatura.

Pronunciar o nome das marcas e produtos estrangeiros que já fazem parte do nosso dia-a-dia de maneira correta nem sempre é fácil. Pensando nisso o publicitário Gustavo Asth, de Curitiba, criou o Tumblr #Comofala, que recria os logos de marcas famosas usando a pronúncia em português.

Pringles virou pringôus, Subway passou a ser sãbuei, e Hershey's rãrsheis. A Apple, normalmente "falada" como êipou, tem a sua pronúncia correta (épou) e por aí vai. O Tumblr (tãmbler) do Gustavo já teve mais de 23 mil acessos e já tem marcas que gostaram da ideia e uma série de posts estão programados em parcerias.

Gustavo foi despedido recentemente da agência onde trabalhava, mas como se vê, muitas vezes, as crises podem ser oportunidades de crescimento. O pessoal da agência deve estar meio sem graça - rss.

CORRUPÇÃO OCUPA MAIS A PF QUE O NARCOTRÁFICO

Não é que a Polícia Federal esteja descuidando dos outros crimes de sua alçada, o foco deve-se ao crescimento do chamado crime de colarinho branco (meio sujo, e verdade, mas...). A bandidagem está acreditando mais nesse, digamos assim, caminho, que sair por aí vendendo droga ou contrabandeando.
Não deixa de ser significativo.

Já chega a 1 bilhão, segundo reportagem publicada hoje no Estadão, o volume de recursos que a PF estima ter sido desviado do Tesouro. Com isso, pela primeira vez na história, as investigações desse tipo de crime suplantaram as ações contra o narcotráfico e o contrabando.

Só neste ano são 28 operações especiais de combate a desvios dos recursos do Tesouro, por meio de fraudes, corrupção, licitações dirigidas, convênios fictícios e compras superfaturadas de administrações municipais, autarquias e repartições estaduais em todo o País, que chegam a tal cifra de 1 bilhão de reais, o volume de recursos que a PF suspeita ter sido desviado.

domingo, 8 de setembro de 2013

ATAQUES AMERICANOS NÃO PRETENDEM DERRUBAR BASHAR ASSAD

As ameaças e o provável ataque dos americanos e seus aliados a Síria não tem por objetivo a derrubada do governo do ditador Bashar Assad. O objetivo é romper o impasse atual, movendo um pouco a balança a favor dos rebeldes e permitindo, com isso, que o governo e a elite alauita decida finalmente negociar.

O ideal para as potências ocidentais é que a Síria caminhe para um tipo de arranjo parecido com o libanês, onde diversos grupos sectários e étnicos dividem o poder, distribuídos de forma proporcional à população. E será instável, é óbvio, mas dessa forma seria mantido um certo controle sobre grupos muito radicais, como a Al Qaeda. A Rússia também tem interesse nesse status. O equilíbrio precário das forças atualmente em conflito, na hipótese de uma solução negociada, onde as forças atuais não sejam aniquiladas por seus adversários, talvez mantenham na área os combatentes islâmicos da Brigada do Cáucaso, que voltariam para a Rússia, revigorados pelos combates e pelas armas adquiridas. Na verdade, para a Rússia o melhor cenário é que a guerra civil permaneça. Na pior das hipóteses que a paz venha em um cenário onde ela seja mantida pela garantia das armas e dos combatentes em regime permanentemente de alerta.

Enfi, está difícil prever um futuro para a Síria. No momento, a melhor das hipóteses está ainda em se tornar um grande Líbano, com os interesses russos sendo mantidos na área e a contenção, ainda que de forma precária do jihadismo que interessa aos americanos. Manter, de certa forma, a minoria alauita com algum poder é importante como contraponto as forças rebeldes, fragmentada em linhas ideológicas, religiosas e étnicas bem distintas, que podem resultar na continuidade de uma guerra civil ainda mais feroz que a travada atualmente na Líbia. 

Resta saber se tudo isso vai ter algum êxito. Mais seguramente o futuro não será radiante para a população síria

PARTIDOS PROCURAM "TIRIRICAS" PARA INFLAR VOTAÇÃO

Ainda que em dúvidas sobre se essa estratégia funcionará depois das manifestações iniciadas em junho, os partidos procuram nomes no mercado de celebridades e do esporte para montar suas chapas partidárias.

Falta apenas um mês - data limite do Tribunal Superior Eleitoral - para que os partidos filiem seus candidatos para a eleição de 2014 e, por conta disso, os operadores políticos das legendas estão em campo, procurando nomes que possam repetir o fenômeno do palhaço Tiririca, que em 2010 recebeu 1,3 milhão de votos pelo PR.

O PTB tentou o apresentador Ratinho, os goleiros Rogério Ceni, do São Paulo, Marcos do Palmeiras e a filha de Silvio Santos, Silvia Abravanel, mas sem sucesso. Marcelo Teixeira, ex-presidente do Santos topou. A cantora Sula Miranda, o humorista Batoré (do Praça é Nossa) e a apresentadora Nani Venâncio devem sair pelo PRB, cuja maior estrela será Celso Russomanno. 

Até o PSDB e o PT entraram na onda. Os tucanos filiaram o biomédico Roberto Martins Figueredo, conhecido como Dr. Bactéria, do programa Fantástico da Rede Globo, enquanto sonham com a candidatura de José Serra ao Senado. Todos os secretários estaduais també deixarão os seus cargos para ajudarem na disputa. Os petistas, que não vão contar com puxadores tradicionais de votos, como José Dirceu, José Eduardo Cardozo, João Paulo Cunha e José Genuíno, estão procurando nomes fora do partido. Enquanto isso, em Osasco vão sair com o vice-prefeito da cidade, Valmir Prascidelli, tentam convencer o presidente estadual da sigla, Rui Falcão a entrar na disputa por uma vaga na Câmara e já contam com Edinho Silva, que já aceitou a missão.

Noves fora os puxadores de votos que são políticos tradicionais, vai valer a pena ver se candidatos como Tiririca ainda farão o mesmo sucesso das eleições passadas.


terça-feira, 3 de setembro de 2013

BISBILHOTICE SEM LIMITES. CHEGARAM OS DRONES CIVIS.


Dos mais altos dignatários ao mais pé-rapado na face da terra todos estão sujeitos hoje a bisbilhotice eletrônica. Só na cidade de São Paulo já são, pelo menos, um milhão e meio de câmeras de vigilância espalhadas pela city. Isso sem contar com a disponibilização dos seus dados mais íntimos através da internet e dos seus incontáveis aplicativos, dos quais ninguém escapa, não consegue, simplesmente viver sem eles, mesmo sabendo da impossibilidade de manter seguros seus dados e informações pessoais.

Hoje, a expressão big brother , que há algum tempo parecia coisa de ficção cientifica, está mais do que surrada. A rigor não existe mais privacidade. E não param de surgir novidades para ampliar as possibilidades de bisbilhotice. Agora são os “drones”. Não aqueles enormes, possantes, que abelhudam países e instalações estratégicas e são capazes de lançar bombas e realizarem ataques sem colocar em risco a vida dos seus pilotos humanos, que os guiam de muito longe dos alvos. Os “drones”, na versão civil, pesam pouco, alguns menos de 1 quilo, e estão disponíveis a partir de 380 reais à venda em lojas das grande redes ou nas lojinhas da Rua Santa Efigênia, no centro de São Paulo, ao alcance de qualquer um.

Goste-se ou não é uma revolução em curso. Emissoras de televisão já usam modelos  sofisticados em suas transmissões, jornais incorporaram os drones para fazer fotos  arrojadas de ângulos impossíveis para seus fotógrafos humanos. A polícia e outros órgãos públicos também fazem uso dos aparelhos.

A facilidade de aquisição também preocupa autoridades. Já existem relatos de interferência de drones na aviação civil e a Agência Nacional de Aviação – Anac trabalha numa proposta de regulamentação, que deverá ficar pronta  ainda neste ano, quando será definido se eles serão considerados aeronaves ou simplesmente brinquedos.

A discussão sobre privacidade e propriedade privada recrudesce, principalmente se levarmos em conta que esses aparelhos, conjugados com tecnologias de reconhecimento facial, podem ser utilizados tanto para vigilância estatal quanto para interesses particulares, ambos, como sabemos, difíceis de respeitarem limites.

Mas, gostemos ou não, o fato é que a era dos drones está apenas começando. Para o bem e para o mal

E, se você quiser curtir uma experiência, grátis, de um sobrevoo na avenida paulista, "a bordo" de um drone acesse
abr.ai/drone-paulista e boa viagem.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

O BOM LADRÃO. TRECHOS DO SERMÃO DE PE. VIEIRA. A PROPÓSITO DE NADA


Suponho finalmente que os ladrões de que falo não são aqueles miseráveis, a quem a pobreza e vileza de sua fortuna condenou a este gênero de vida, porque a mesma sua miséria, ou escusa, ou alivia o seu pecado, como diz Salomão: Non grandis est culpa, cum quis furatus fuerit: furatur enim ut esurientem impleat animam. (10).

O ladrão que furta para comer, não vai, nem leva ao inferno; os que não só vão, mas levam, de que eu trato, são outros ladrões, de maior calibre e de mais alta esfera, os quais debaixo do mesmo nome e do mesmo predicamento. Distingue muito bem S. Basílio Magno:
Non est intelligendum fures esse solum bursarum incisores, vel latrocinantes in balneis; sed et qui duces legionum statuti, vel qui commisso sibi regimine civitatum, aut gentium, hoc quidem furtim tollunt, hoc vero vi et publice exigunt:

Não são só ladrões, diz o santo, os que cortam bolsas ou espreitam os que se vão banhar, para lhes colher a roupa: os ladrões que mais própria e dignamente merecem este título são aqueles a quem os reis encomendam os exércitos e legiões, ou o governo das províncias, ou a administração das cidades, os quais já com manha, já com força, roubam e despojam os povos.

— Os outros ladrões roubam um homem: estes roubam cidades e reinos; os outros furtam debaixo do seu risco: estes sem temor, nem perigo; os outros, se furtam, são enforcados: estes furtam e enforcam.

Diógenes, que tudo via com mais aguda vista que os outros homens, viu que uma grande tropa de varas e ministros de justiça levavam a enforcar uns ladrões, e começou a bradar: — Lá vão os ladrões grandes a enforcar os pequenos. — Ditosa Grécia, que tinha tal pregador! E mais ditosas as
outras nações, se nelas não padecera a justiça as mesmas afrontas!

Quantas vezes se viu Roma ir a enforcar um ladrão, por ter furtado um carneiro, e no mesmo dia ser levado em triunfo um cônsul, ou ditador, por ter roubado uma província. E quantos ladrões teriam enforcado estes mesmos ladrões triunfantes? De um, chamado Seronato, disse com discreta contraposição Sidônio Apolinar: Nou cessat simul furta, vel punire, vel facere: Seronato está sempre ocupado em duas coisas: em castigar furtos, e em os fazer. — Isto não era zelo de justiça, senão inveja. Queria tirar os ladrões do mundo, para roubar ele só.

Declarado suponho finalmente que os ladrões de que falo não são aqueles miseráveis, a quem a pobreza e vileza de sua fortuna condenou a este gênero de vida, porque a mesma sua miséria, ou escusa, ou alivia o seu pecado, como diz Salomão: Non grandis est culpa, cum quis furatus fuerit: furatur enim ut esurientem impleat animam. (10).

O ladrão que furta para comer, não vai, nem leva ao inferno; os que não só vão, mas levam, de que eu trato, são outros ladrões, de maior calibre e de mais alta esfera, os quais debaixo do mesmo nome e do mesmo predicamento. 

— Os outros ladrões roubam um homem: estes roubam cidades e reinos; os outros furtam debaixo do seu risco: estes sem temor, nem perigo; os outros, se furtam, são enforcados: estes furtam e enforcam. Diógenes, que tudo via com mais aguda vista que os outros homens, viu que uma grande tropa de varas e ministros de justiça levavam a enforcar uns ladrões, e começou a bradar:

— Lá vão os ladrões grandes a enforcar os pequenos. — Ditosa Grécia, que tinha tal pregador! E mais ditosas as outras nações, se nelas não padecera a justiça as mesmas afrontas! Quantas vezes se viu Roma ir a enforcar um ladrão, por ter furtado um carneiro, e no mesmo dia ser levado em triunfo um cônsul, ou ditador, por ter roubado uma província. E quantos ladrões teriam enforcado estes mesmos ladrões triunfantes?