terça-feira, 22 de outubro de 2013

PLANOS DE SAÚDE: UM MERCADO CONFUSO QUE VAI QUEBRAR.


Apelidados de “seguros saúde”, não são seguros coisa nenhuma. De iniciativa privada, teoricamente regidos pelo mercado, sofrem intervenções da ANS, que morde e assopra periodicamente. Ora força as operadoras a adotarem procedimentos e medicamentos, aparentemente a serviço do consumidor, ora autoriza aumentos escorchantes, que tornam inviável a participação de parcelas desse mesmo público que afirma proteger.

Um mercado confuso, mal regulamentado, que tende a quebradeira em breve, caso não se abra uma discussão séria sobre o assunto.

Em primeiro lugar “seguro” implica em análise de risco. Veja, por exemplo, o seguro de carro: se além de você um jovem dirige o seu veículo, você não possui garagem residencial nem no trabalho e mora em uma cidade com alto índice de roubos, o seu seguro é mais caro. O inverso é verdadeiro. Quando você faz um plano de saúde ninguém avalia suas condições médicas. No máximo são consideradas a idade e uma tal de doenças pré-existentes, essa última meramente declaratória.  Além disso não se avalia o histórico de riscos dos “segurados”. Uma pessoa vai todos os meses ao médico, costuma fazer exames sistematicamente e volta e meia é internado. Os custos desse individuo diferem de um outro que apenas faz os tais exames preventivos anuais e, quando muito, consulta um médico, pontualmente, uma duas ou três vezes ao ano. Se considerarmos os tais planos como seguro essas pessoas deveriam pagar mensalidades diferentes, mas como não se avalia nada, todo mundo paga a mesma coisa, não importam os fatores de risco individuais.

Em segundo lugar é preciso chegar a um acordo: ou são empresas privadas que oferecem determinados serviços, sendo reguladas pelo mercado (é claro que com as salvaguardas todas legais) ou é uma espécie estranha, misto de empresa pública e privadas, onde o governo, quando quer intervém, ditando regras e autorizando percentuais de aumento.  Ah, mais de trata de saúde, dirão alguns. Serviços básicos de saúde são obrigação do Estado. O que se poderia propor, no máximo, seria a criação de um plano básico, obrigatório, para todas as pessoas. O governo entrava pagando um x e o elemento, dependendo das suas condições financeiras outro x, por exemplo. Mas isso não é o SUS?

Outra coisa: as leis brasileiras não permitem a entrada de empresas estrangeiras nesse mercado, sabe-se lá quais os motivos. Só empresas de grande porte podem operar direito numa área desse tipo. É coisa para cachorro grande. Não é a toa que volta e meia planos vão a quebradeira. Os exemplos são já inúmeros.

E por fim: paga-se muito as operadoras, que por sua vez pagam pouco aos profissionais, médicos e terapeutas, e às empresas, como hospitais, clínicas etc.

O resultado disso não vai ser bom a longo prazo. Não dá para recolher um monte de dinheiro, colocar num saco de onde são retiradas quantias (quanto?) para pagar despesas aleatórias dos “sócios do saco” e ainda lucrar com isso. É um tipo de negócio que tem tudo para dar errado, isso sem contar com as interferência “reguladoras” do governo.

São mais de 40 milhões de brasileiros – e o número está sempre aumentando – que dependem desses “planos”. Mais cedo ou mais tarde esse caldo vai entornar. E aí? Está mais do que na hora das entidades de defesa dos consumidores, médicos, usuários dos planos e entidades da área de saúde, incluso aí o nosso governo, começarem a pensar sobre isso. Antes que dê merda. Grande.