quinta-feira, 7 de novembro de 2013

COMO SUJAR A PRÓPRIA BIOGRAFIA SEM AJUDA DE BIOGRAFOS

Como bem observa Dora Kramer em sua coluna de hoje, no Estadão, "nem o mais mal intencionado dos biógrafos seria capaz de causar às biografias do grupo Procure Saber o dano que eles provocaram às próprias ao embarcar na canoa furada (e devidamente abandonada na hora do naufrágio) por Roberto Carlos".

De fato é difícil entender como figuras como Caetano, Gilberto Gil e Chico se meteram nessa barca furada. Gil, inclusive é um sujeito com certa tarimba em política, já tendo passado por cargos políticos importantes e vivido ao lado de cobras criadas em Brasília, que deveriam ter lhe dado um mínimo de traquejo político. Os demais administraram suas carreiras e vidas de forma muito satisfatórias até aqui. O que passou pela cabeça dessas pessoas ao se associarem a RC, um emérito censor de livros?

Roberto tem inegáveis méritos como compositor, cantor etc., mas as suas posições políticas nunca foram, vamos dizer assim, progressistas. A sua "rebeldia", lá pelos anos 60 e trololó, nunca passaram dos caracóis dos seus cabelos e uma volta pela Augusta a 120 por hora. Ah, era legal? Claro que era. Suas músicas foram parte da trilha sonora da minha vida, mesmo em períodos em que eu achava que a solução para o mundo era pegar em armas e sair atirando por aí. O seu romantismo embalou grandes momentos da vida de gerações? Claro que sim. Mas tudo tem limites. O mundo gira, a Lusitana roda e RC foi ficando quando muito a favor do "salvem as baleias" e pronto. Roberto nunca escondeu que queria esconder do seu público careta de hoje verdades inconvenientes de sua vida.

RC agiu como sempre. E não dá para entender as lamúrias de Caetano e o aborrecimento de Chico com ele por tem entrado e saído do Procure Saber quando lhe foi conveniente. Resta saber agora como sairão dessas os ilustres membros desse movimento sem pé nem cabeça. Oxalá encontrem uma saída condizente com suas histórias e biografia, até então.