terça-feira, 26 de novembro de 2013

NÃO ME CHAMEM PARA ALMOÇO GRÁTIS, PLEASE.

Recentemente, sempre teve, mas ultimamente aumentou a freqüência, dos que costumam nos chamar (sim, não apenas eu) para um almoço grátis. Vou logo avisando: se não for pago, to fora. Explico. O sujeito chega cheio de dedos, faz elogios, acena com "oportunidades futuras" e lá vem a fatura: dá pra fazer um trabalhando pra mim, coisa simples, rápida, pra ajudar o amigo. De graça. 

Como assim de graça? Por acaso o sujeito vai ao médico  - noves fora o SUS, mas aí é outro o preço a pagar - e pede uma consultazinha de grátis? Uma operacãozinha de hemorróidas quando o senhor não estiver fazendo nada, de graça? Compra de grátis no supermercado? Enche o tanque do carrão de graça no posto Ypiranga? Qual o motivo para achar que as pessoas que quem vivem de escrever, planejar comunicação, marquetar imagem podem trabalhar de graça? E não são apenas "clientes" pão-duros. A mania está alcançando, com vigor e entusiasmo, fornecedores, donos de agência, agenciadores de toda espécie de qualidade.  Gente que vai muito bem obrigado, barriguinha cheia, querendo almoço grátis.

Além do mau caratismo vicejante, a velha teoria do primeiro eu e que bem depois venham os outros, tem também aquela ideia de que escrever não custa caro. Afinal, todo mundo escreve alguma coisa. Quase todo mundo pelo menos tem um diário, um blog, como eu, escreve bobagens no guardanapo do botequim enquanto toma uma, disserta no Facebook, no Twitter sobre qualquer assunto... Ora, se tanta gente escreve por aí, tanta coisa (muita besteira, mas não vem ao caso) e não cobra nada por isso, por que cargas d'água um réles jornalista profissional ou até mesmo renomado publicitário não pode traçar algumas linhas pelo menos a preço módico?

Nunca vejo ninguém no restaurante pedir ao garçom para dizer ao "chef" que não precisa caprichar muito no prato... um temperozinho básico tá de bom tamanho e tentar um descontão. Mas no trabalho da escrita o que não falta é pedido do gênero. São só 24 páginas... faz um desconto. Não, não dou desconto para as minhas, boas, ideias. Quem quiser ideia barata que fique com as suas.

Não foi a toa que o jornalista e cartunista, famoso, do New York Times, Tim Kreider, escreveu recentemente um artigo intitulado "Escravos da internet, uni-vos" em que contava ter recebido pelo menos três pedidos, em uma única semana, para trabalhar por zero dólares. No artigo, Kreider afirma que já fez muita coisa de graça na vida, mas agora, aos 46 anos precisa dormir num colchão.  Assim como Kreider, ressalvadas todas as diferenças, também preciso dormir num colchão. Portanto, senhoras e senhores, por favor, não me convidem para almoço grátis, principalmente aqueles em que eu tenho que levar os ingredientes e ainda por cima cozinhar. 

De graça só trabalho pra mim mesmo. E ponto final.