segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

AS CONTRADIÇÕES DE EDWARD SNOWDEN E AFINS


Esquerdinhas de plantão e arautos desavisados da democracia foram, são, unânimes em festejar as denúncias de Snowden e de Glenn Greenwald do The Guardian, que revelaram os documentos da NSA, mostrando que os Estados Unidos espionam o mundo inteiro.

Em primeiro lugar deixemos de lado a hipocrisia diante da surpresa da notícia. Desde que o mundo é mundo todo mundo espiona todo mundo. Na literatura e na vida real. O que mudou foram os métodos.  Vamos atentar para um “pequeno” detalhe nessa história toda: o que tem sido aberto são informações sobre os governos ocidentais, basicamente os Estados Unidos. E os outros? Por acaso a Rússia, a China, só para ficar em dois exemplos, também não espionam?
Calma já. Não se trata de justificar esse ou outro ato qualquer, mas de colocar as coisas em seu devido lugar.

Quem é Snowden? Um espião. Pura e simplesmente um espião que desertou, nada mais. Ingenuidade classifica-lo como um democrata ou um ingênuo que estava trabalhando num serviço de espionagem e pensou que se tratava de uma lanchonete do Mac Donalds. Um espião que vaza dados a seu bel prazer, com direção calculada destinada a criar atritos entre governos escolhidos a seu gosto. Podemos aproveitar as suas informações para refletir sobre a politica externa (leia-se de espionagem) dos países ocidentais? Claro que sim, mas isso é outra história.

Transformar Snowden em paladino das liberdades ou pautar a política externa de um país a depender das informações divulgadas pelo seu parceiro Glenn Greenwald é muito ingenuidade ou oportunismo.

É engraçado ver Snowden falar em liberdade na Rússia governada por Vladimir Putin, um ex-agente da KGB que apoderou-se dos recursos naturais russos para se transformar em um dos homens mais ricos do planeta. Que se lixa para os prejuízos ao meio-ambiente, comandando uma exploração de recursos naturais mais danosos do planeta, que mata e prende jornalistas, homossexuais e qualquer um que fale mal dele ou se oponha, pacificamente ou não, ao seu governo. E interessante saber como reage, intimamente, Greenwald vendo que o seu maior parceiro na revelação dos dados secretos da NSA procurou abrigo justamente em um país que é um dos maiores repressores de pessoas compartilham da sua opção sexual.

O que está em jogo é, como perdão da repetição,  apenas uma jogada ainda não esclarecida da espionagem mundial. Snowden é um espião que fugiu com dados sigilosos do seu país. Ponto. E está fazendo um jogo. Nada mais que isso. Gleenwald, como jornalista, pode se aproveitar dessas informações para fazer suas matérias, mas não pode se fazer de ingênuo no jogo, nem se travestir de paladino das liberdades, nem fazer de conta que não está ajudando, quer queira quer não, no jogo pesado da espionagem entre as superpotências mundiais como se dizia no tempo da Guerra Fria.

Os demais governos, envolvidos ou não, na divulgação seletiva das informações caberia ter certos cuidados nos seus arroubos indignados. E verificar antes se não estão jogando pedras para o alto que depois podem, simplesmente, cair nos seus próprios telhados de vidro. O mesmo vale para os ingênuos amantes das liberdades, que podem apenas estar fazendo parte de um jogo que nada tem a ver com democracia ou liberdade.


Ter os dados dos nossos computadores espionados é sem dúvida ultrajante, mas vamos deixar de ingenuidades. Muito antes do meu e do seu computador atrair as atenções da NSA estamos sendo espionados e classificados por um número infindável de empresas interessadas em administrar e ganhar – muito – dinheiro com isso – noves fora os delinquentes chinfrins de plantão – e os nossos governos pouco ou nada fazem sobre isso.