domingo, 21 de dezembro de 2014

AINDA AS CICLOVIAS

A prefeitura anuncia agora que as ciclovias/ciclofaixas estarão disponíveis também para cadeirantes, skatistas e em breve, talvez, para os catadores de recicláveis. O que parece bom, não passa de um atestado de improvisação na implantação das ciclos. Cadeirantes devem circular na calçadas. Perdão, deveriam se elas permitissem a utilização de cadeiras de rodas. Colocar cadeirantes disputando espaço com skatistas, carroceiros e ciclistas é uma péssima idéia, um atestado de que a implantação das ciclos obedece mais a interesses/motivações político marqueteiras que, de fato, a implantação de uma alternativa válida de transporte em Sampa. Ou é ciclovia ou é outra coisa. 
Skatistas podem conviver com as bikes, mas com cadeirantes e corroceiros? 
Pessoas puxando carroças em busca de material reciclável, na maior cidade do país, é uma situação explícita de miséria que deveria receber das autoridades toda a atenção para sua extinção. Criar e ampliar as cooperativas, proporcionar acordos e meio para que a coleta seletiva seja uma realidade em São Paulo e que as pessoas que vivem uma situação degradante de "futucar" lixo diariamente em busca do seu sustento não existam mais. Coloca-los para circular na ciclovias é apenas um atestado de que não conseguem resolver o problema.
O mesmo raciocínio para os cadeirantes, que sofrem em São Paulo com péssimas, para dizer o mínimo, condições de mobilidade.
Sem planejamento e sem dialogar adequadamente com os moradores e comerciantes nas áreas onde  pretende ou implanta as ciclovias ou que vamos ter são ciclos sem utilização e cidadãos revoltados, contrários as ciclovias, que poedeiras ser de fato uma alternativa para o transito caótico dessa metrópole. 
Mas o que se pode esperar dos nossos administradores? 
Em Nova Iorque as autoridades levaram nada menos de seis anos para implantarem o atual sistema de ciclovias. E leve-se em conta que se trata de uma cidade plana, ao contrário de São Paulo, e com um sistema de transporte público bastante eficiente. E buscaram experiências consagradas em vários países onde a população usa, em grande número, as bicicletas como meio de transporte. Aqui tudo se resume a sanha contra os automóveis, uma ironia se considerarmos que o governo municipal, que vê nos carros um vilão, é do mesmo partido que promove descontos e benesses sistemáticas para a indústria automobilística, estimulando a exaustão a compra de automóveis, como forma de estimular a economia. 
Vai entender.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

O QUE HÁ POR TRÁS DA PERMANÊNCIA DE GRAÇA FORTES À FRENTE DA PETROBRAS?

Em qualquer lugar do mundo, pelo menos nos lugares com um mínimo de respeitabilidade, a presidente da estatal e toda a sua diretoria já teriam sido demitidos. A questão não é se a atual presidente e demais diretores participaram ou não da roubalheira, a questão é que a roubalheira rolou solta na empresa e os seus dirigentes, como é de práxis no Brasil, simplesmente não viram nada.

Hoje a empresa está na lona, não consegue publicar o seu balanço trimestral, as ações desabam na Bolsa de Valores e terá crédito restrito daqui pra frente exigindo aportes extraordinários do governo para continuar operando. Enfrenta processos em vários países e, como se não bastasse os preços do petróleo estão extremamente baixos, dificultando ainda mais a entrada de recursos na companhia.

E vem mais sufoco por aí, empresas estrangeiras podem aproveitar a baixa nos preços do petróleo para passarem a vender gasolina abaixo dos preços praticados pela Petrobras, que desde setembro vem amenizando suas perdas dos últimos três anos, estimada em 60 bilhões de dólares, vendendo gasolina a preços superiores ao valor de importação dos derivados.

Nunca, em todos os seus anos de vida, a empresa esteve numa situação tão precária. Apesar disso, em vez de nomear uma nova diretoria, que implemente uma plano ousado de recuperação da empresa, depois de saneá-la, o governo prefere manter essas mesmas pessoas à frente da Petrobras, sob o frágil argumento de que a presidente da estatal não estaria envolvida nas falcatruas.


Pelo visto a ideia é tentar deixar o tempo passar e ver se as pessoas esquecem o escândalo e por inércia a companhia volte a crescer. Só os muito ingênuos ou mal intencionados podem achar algo deste tipo. Ou então a atual diretoria vai continuar a postos para servir de anteparo e ser responsabilizada pelos desmandos, encobrindo assim outras figuras, gente de mais coturno, que estaria envolvida nos escândalos, quando menos por não vê-los passar bem ali, debaixo dos seus narizes.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

CICLOVIAS: MAIS PLANEJAMENTO, MENOS PRECONCEITO.


Para início de conversa sou ciclista. Ponto. E gostaria de ver, realmente, a minha cidade com os tais 400 km de ciclovias prometidas pelo prefeito até 2016. Mas, como muitos moradores – noves fora os argumentos imbecis, como veremos abaixo – percebo que o projeto vai sendo tocado na improvisação, com ciclofaixas esburacadas, sem estarem segregadas corretamente dos pedestres e/ou dos veículos. Além disso muitas começam do nada em direção a lugar nenhum, outras terminam abruptamente em vias altamente perigosas para os ciclistas. Isso sem falar no indispensável diálogo com moradores, comerciantes e, obviamente com os ciclista, que na prática não existe.

Em Nova Iorque, por exemplo, foram necessários seis anos para que as ciclovias tivessem aceitação e sucesso. E o que não faltou foi planejamento.
Primeiro as autoridades visitaram as principais cidades do mundo onde a experiência é bem sucedida em busca das melhores soluções para implantar as ciclovias, proteger os ciclistas, mas sem entrar em conflito com os demais veículos, moradores e comerciantes. Só para se ter uma ideia registrou-se um aumento significativo nas vendas, sempre bem acima dos 15% em todo o comércio onde as ciclovias foram implantadas.

Com a falta de diálogo e de planejamento sobra o bestialógico de ambos os lados, defensores e adversários esquecem a lógica e passam a ironizar ou atacar, ambos com argumentos toscos. E que perde é a cidade e quem gosta, como eu, das bikes, seja para lazer ou a trabalho. Por sinal, por enquanto, unanimidade mesmo só para as tais ciclofaixas de lazer, que funcionam nos finais de semanas e feriados  ou ciclovias fora das áreas de moradia e comércio.

Em vez de dialogar e mobilizar as pessoas para a importância das ciclovias e mais que isso, apresentar à cidade um plano coerente de implantação de ciclovias de qualidade (que não são apenas faixas pintadas no chão) o diretor de Planejamento da Companhia de Engenharia de Tráfego, prefere afirmar que não precisa da aprovação de moradores para implantar as ciclovias e o secretario dos Transportes vai pra ofensiva, usando da ironia: “quem quiser ficar no trânsito que fique. Tem gente que gosta de ficar parado no carro ouvindo música”. Com esses tipo de argumento a administração dá argumentos para que o outro lado apresente também o seu arsenal de intolerância.

Em Higienópolis, bairro que ficou famoso por ter moradores contrários a uma linha de metro, que iria trazer uma gente “diferenciada”(ou seja desclassificada) para a nobre localidade, no Jardim Paulista e no Alto da Boa Vista, moradores decidiram acionar o Ministério Público contra as ciclovias instaladas recentemente pela Prefeitura.

Os argumentos contrários são variados, alguns altamente preconceituosos, como os aposentado Francisco Augusto da Costa Porto, de 4 anos, que declarou ao jornal Estado de São Paulo, que “hoje todos nós sabemos que quem anda de bicicleta não presta”. Mas outros são absolutamente razoáveis como os do estudante de publicidade, de 19 anos, que reclama do traçado da ciclovia da Alameda Guatás, no Planalto Paulista, que termina, sem que o ciclista perceba, numa faixa de ônibus.

Tem gente que acha – e é verdade nos projetos da prefeitura – que a ciclo acaba com o estacionamento dos carros. Em Nova Iorque, em muitos locais, o estacionamento de carros é parte do sistema de “proteção”, ajudando na segregação das ciclovias, outros que vai aumentar o número de assaltantes, o que e uma renomada besteira.

Por conta da falta de planejamento a prefeitura já foi obrigada a voltar atrás, ou fazer “ajustes”, como prefere o diretor da CET. Em Higienópolis, no mês passado, mudou o traçado da ciclovia na Praça Vilaboim, por pressão dos comerciantes e realiza obras completamente sem sentido, como a pintura de uma ciclovia, no meio da calçada da Avenida São Luís, sem segregar o espaço para os pedestres da via.

Do jeito que as coisas vão perdem os ciclistas e principalmente perde a cidade uma grande oportunidade de melhorar a qualidade de vida dos seus habitantes e até mesmo de gerar ou ampliar negócios. Tá faltando, como quase sempre nesse país, planejamento, cérebro e diálogo.
Como ciclista espero que mais cedo que mais tarde, as coisas finalmente entrem nos eixos e possamos pedalar pela cidade em segurança, seja a trabalho ou a lazer.



APPs PARA AMAR E VIVER MELHOR SÃO PAULO

Dos mais batidos às novidades do momento, o que não faltam são os aplicativos para ajudar quem mora em São Paulo a escapar das filas e dos congestionamentos. Só o Waze tem nada menos que um milhão e meio de usuários só na capital. 

Recentemente surgiu o "Tem Fila?" (www.temfila.com.br). Ele é capaz de acompanhar, em tempo real, o tamanhos das filas. Tem ainda os que permitem criar roteiros culturais com os horários de funcionamento dos museus e outras atrações culturais obviamente a distância que o usuário se encontra de cada uma delas (www.cooltours.com.br) e ainda outro (role.es) que roteiriza passeios por lugares menos badalados, como restaurantes,bares, livrarias e praças. Vale ainda  conhecer o Mapas Afetivos (www.mapasafetivos, com.br), um site que vai virar aplicativo em breve, que se propõe, através de depoimentos, popularizar experiências dos usuários vividas (afetivamente) com a cidade. 

A Prefeitura também entrou na onda e lançou o Olhares Urbanos (gestaourbana.prefeitura.sp.gov..br) para ajudar o cidadão a parcipar da revisão da lei de zoneamento. O My Fun City (myfuncity.uol.com.br) é destinado aos que gostam de fazer avaliações pontuais na cidade em áreas como saúde, educação e mobilidade. Algo parecido que o Colab.re (colab.re) se propõe a fazer, permitindo que os seus usuários identifiquem problemas na cidade e proponham soluções.

Enfim, aplicativos é que não faltam para que os cidadãos dessa metrópole vivam melhor, amem mais a cidade e exerçam a cidadania. E sim, agora de forma digital, na palma da mão.


quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

75% DOS BRASILEIROS ESTÃO NAS CLASSES C, D e E

De acordo com os novos critérios de classificação social da Associação Brasileira de Pesquisa (Abep) essa é a estratificação social do Brasil. A nova métrica, formulada pelo professores brasileiros Wagner Kamakura da Rice University, dos Estados Unidos e José Afonso Mazzon, da FEA/USP, leva em conta não só a renda das famílias, mas principalmente a posse de bens, o tipo de moradia, o nível educacional e o acesso a serviços públicos, que compõem o chamado Critério Brasil.

Por esse critério temos dois "Brasis" em termos de perfis de classes sociais, bem definidos. Um formado pelas Regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste, onde metade da população pertence à classe C, cerca de 30% às classes A e B e uma pequena parcela a D. Já nas Regiões Norte e Nordeste quase a metade da população está na classe D, a de menor renda. Na Região Norte são 42% e no Nordeste 47%. As classes A eB

No País, como um todo, 75% da população pertence às classes C (48%) e D/E (27%). Um pouco mais de um quarto está nas camadas mais ricas. A classe A com 3% e a B com 23%, aproximadamente.

Televisores, rádios e aspiradores de pó saíram dos itens que compunham o Critério Brasil. Entraram os microcomputadores, lava louça, lava roupa, motocicleta, secadora, forno de micro-ondas e acesso a saneamento e pavimentação. Foram mantidos: banheiro, empregado doméstico, automóvel, freezer, aparelho de DVD e nível de escolaridade. Banheiros, automóveis e empregados domésticos foram os itens, também, que ganharam mais peso na nova avaliação




MALÁRIA DA VENEZUELA AMEAÇA O BRASIL

Anopheles, o novo inimigo de Nicolás Maduro.
Mais uma grande conquista do “socialismo do século 21”: malária para todos. O alerta não é de nenhum organização direitista, controlada pela “zelistes”, mas da Organização Mundial da Saúde. A última do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, foi impedir a entrada de funcionários da Organização Pan-americana de Saúde em missão para conseguir entender a dimensão do problema na fronteira com o Brasil.

Na contramão de outros 54 países, entre eles o Brasil, que estão a caminho de reduzir a incidência da malária em mais de 70% até 2015, na Venezuela, o paraíso da revolução bolivariana, o número de infectados dobrou, passando dos 200 mil novos casos, registrados em 2000 para 410 mil ainda em 2012, estimando que esteja na casa dos 475 mil atualmente.  Vale registrar que a doença matou, no ano passado, cerca de 600 mil pessoas.

Questionado sobre o que a explosão da doença, na Venezuela, pode representar para o Brasil, Pedro Alonso, diretor da OMS para o combate à malária, afirmou ao jornal o Estado de São Paulo, que “os dados são alarmantes e um risco para toda a região”.

Mais uma grande conquista do governo venezuelano, tão aclamado por alguns poucos cérebros locais, que certamente vão colocar a culpa nos Estados Unidos, e vendo no mosquito Anopheles, transmissor da malária, não um problema de saúde, criado pela reconhecida mundialmente incompetência do governo Maduro, mas como mais um agente do imperialismo ianque à solta naquele país.



sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

PETROLÃO FAZ DO MENSALÃO COISA DE AMADOR

Sem querer entrar na discussão de qual partido é mais corrupto e coisas do gênero, ainda assim vale a pergunta: se apenas 10 pessoas, notem bem, apenas 10 pessoas – e ainda por cima subordinadas (é importante frisar) podem devolver, mui rapidamente e sem mais delongas, algo em torno de 500 milhões de reais aos cofres públicos, para escapar de uma condenação maior, quanto de dinheiro foi efetivamente roubado pelos superiores dessa turma?

E pensar que, quando a gente viu aquele pobre coitado, ex-chefe de departamento dos Correios, o Maurício Marinho, ganhar fama ao protagonizar um vídeo em que aparecia recebendo três mil reais a título de propina (isso mesmo a irrisória quantia de três mil reais) - alegando agir sob as ordens de Roberto Jefferson – achamos que estávamos diante de um exemplo de grande roubalheira...– só rindo.

Nenhum dos “contraventores” atuais é chefe do esquema. Os figurões ainda serão (?) conhecidos. Sabe-se que existia (?) um tal de clube, onde era acertada a participação de cada uma das “empresas” nas licitações, propinas etc. e tal.  Coisa bem organizada o Clube tinha estatuto, regulamento, como não poderia deixar de ser, quando se maneja tanta grana. Diante do volume da roubalheira descoberta, o mensalão, que tanto escandalizou o país, pelo visto era coisa de amador.

Só para se ter uma ideia, ainda que precária, a tal de refinaria Abreu e Lima (coitado do homem, tão correto, virou sinônimo de trambique) orçada inicialmente em 2,5 bilhões de dólares, já está em cifras mais gordinhas, alguma coisa na casa dos 20 bilhões de dólares. Ó Deus, por que nada das minhas modestas aplicações rendem tanto em tão pouco tempo – só rindo.

E ainda temos os políticos envolvidos no esquema, que estão nas mãos e dependendo do douto saber do ilustre ministro do STF, Teori Zavasci. A coisa não poderia estar, digamos assim, em melhores mãos (pra eles). Como se comportará Sua Excelência nesse processo? Vai melar a biografia ou – como acontece as vezes – se revelar e levar a coisa adiante. Os primeiros sinais não são alvissareiros: já mandou soltar o Renato Duque, fato que causou preocupação na Polícia Federal e no juiz Moro, que pretendiam “amaciar” o elemento com a prisão, levando-o, como aconteceu com Paulo Roberto Costa à delação, ainda que premiada.

Vai ser difícil assar essa pizza no Supremo, mas no que depender de certos personagens que andam por ali, pode-se esperar sempre pelo pior. O fato é que estamos às voltas com o maior esquema de roubalheira já descoberto no país. Um esquema que se achava tão protegido que continuava a todo vapor, mesmo enquanto corria a investigação sobre o modesto mensalão. Não se sentiram sequer um  pouquinho ameaçados.

A diferença agora, ou melhor as diferenças, é que ao contrário do mensalão operadores do esquema estão dando com a língua nos dentes (Marcos Valério deve estar se mordendo de raiva) e por conta das atividades internacionais da Petrobrás o caso está sendo investigado em vários países, aqueles que – como em qualquer lugar tem seus bandidões – mas onde eles não estão à margem da lei e da justiça, como aqui.

Vai ser difícil Teori Zavascki se fazer de morto e tentar deixar o caso criar bolor nas suas gavetas. Mas... É ver o que acontece. A coisa promete.