quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

CARRO DE SOM E MOBILE MEDIA

Essa é pra vocês amantes das ‘mobile media’. A cidade de São Paulo e vários outros municípios estão ameaçados com  um racionamento de água.  A empresa responsável pelo abastecimento alertou a população através de anúncios  na TV, no rádio e em release nas mídias impressas, jornais basicamente. Comentei o fato com a minha funcionária, que vê TV o dia inteiro, e ela não sabia de nada. Dois dias veio com a notícia: “lá em Osasco (onde mora) passou um carro de som falando sobre a água. A coisa tá feia. Parece que vai ter até racionamento”.













Carro de som? Em plena época “mobile media”?  Mas, pensando bem, tem coisa mais mobile que carro de som?

O que me chama a atenção nessa coisa toda é como uma empresa como a Sabesp, responsável pelo fornecimento de água e o tratamento de esgoto do Estado de São Paulo, pode ignorar a comunicação via celular e afins, a tal de mobile media. Difícil, hoje, é encontrar alguém que não tenha celular, pelo menos – tá vamos ficar bem pelo menos – na cidade de São Paulo.  Recebemos um monte de mensagens promocionais de toda a espécie nos celulares, via isso, via aquilo. Numa situação emergencial, como essa, não seria correto utilizar? E as tais de redes sociais que todo mundo fala (e até usam)? Como usar a ‘mobile media’ em situações de emergência ou catástrofes eminentes?

É incrível que apesar de todo o falatório sobre as “novas” mídias, governos e grandes empresas, principalmente as estatais, não tenham esquemas para se comunicar com a população em casos de emergências. Ontem nada menos que 11 estados ficaram sem energia elétrica e nada. O metrô, em Sampa (por outros motivos) parou de funcionar por horas e nada. As pessoas ficam perdidas, ao Deus dará, e só mais tarde vão saber, as vezes, o que de fato aconteceu. Que tal, pelo menos um jegue/som/mobile?












Outra, é preciso repensar, seriamente, a eficácia das mensagens nos veículos tradicionais. Tem eficácia? Claro que tem. Mas será que aqueles “rollzinhos” sem graça, com uma mensagem lida formalmente por um locutor, faz mesmo algum efeito?

A Sabesp está oferecendo descontos de até 30 por cento nas contas para quem economizar água.  Continuo vendo por aí um monte de gente praticando um dos esportes preferidos dos paulistanos: lavar calçada.  Ou estão se lixando pro problema e aguardando na maior o tal do racionamento ou a mensagem simplesmente não está chegando. Será o caso de inundar a cidade com carros de som? Claro que não, mas é claro, também, que TV, rádio e releases de jornal estão, hoje, longe, bem longe, de atingir – pelo menos para esse tipo de ‘anúncio’ uma parte significativa da população.


Fica aí, a reflexão, para os amantes da mídia e da comunicação.