segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

PETRALHAS X COXINHAS: CHEGA DESSA DUALIDADE.





Firmou-se conceito: todo sujeito pertencente ao PSDB e afins é reacionário, quer ver o pior para o Brasil e ainda por cima é, muito provavelmente, pedófilo. Por outro lado, qualquer um que pertença ao PT ou simpatize, ainda que vagamente, com o partido e com a sua política é ladrão contumaz. Não é possível, não existe,  nenhuma possibilidade de diálogo entre as partes. Não é preciso pertencer a qualquer desses grupos ou agremiações, correntes políticas ou seja lá como se queira chamar, basta apenas emitir uma opinião qualquer, uma ideia qualquer, um conceito , ainda que – remotamente – possa parecer ou ser contra conceitos e ideias da corrente adversária, que isso é suficiente para ser enquadrado, classificado e execrado.


A tolerância entre uns e outros é zero. Não importa o que esteja em pauta. É o nós contra eles, independentemente de quem seja o nós ou o eles. Não há, pela lógica dos dois grupos, opositores, mas apenas inimigos a serem exterminados. Ninguém troca ideias, só insultos. Ninguém escapa, ninguém está a salvo de ser classificado e marcado como pertencente a um lado ou outro e por consequência sujeito a insultos.

Assuntos ridículos, qualquer assunto é colocado no quadrado: coxinha, petralha. Pronto. Não se vai mais a lugar nenhum.

Quais foram os motivos as razões que nos levaram a tamanha intolerância e aonde chegaremos agindo dessa forma? Esquecemos como fazer política, esquecemos como negociar com aqueles que divergem de nós por qualquer motivo.

Em política, para não falar no trato social cotidiano, é preciso dialogar. Não é crível que a verdade esteja, integralmente, com apenas um dos lados. Para os “governistas” não existem erros nem nada a melhorar, para os “oposicionistas” não há nada de certo ou louvável nesta ou naquela ação de governo. Para os que não fazem parte de nenhuma das duas correntes, o limbo, já que qualquer opinião ou comentário irá enquadra-los, necessariamente em uma das duas “correntes”.

A crítica, ou mesmo uma simples discordância, virou crime de lesa-pátria.

A radicalização, a intolerância, já dá seus primeiros sinais nas ruas. Precisamos de uma mudança de hábitos já.  O país precisa de homens e mulheres dispostos a nos conduzir para um futuro melhor. E esse futuro não é exclusividade de nenhum grupo, de nenhuma facção, dessa forma ortodoxa como tudo vem sendo tratado.  Ninguém precisa sair por aí aos beijos e abraços, mas se as pessoas de bem não demonstrarem nenhuma tolerância, não conseguirem enxergar o outro, não forem capazes de conviver com a diversidade não teremos futuro.

A intolerância  é o primeiro passo para a tirania, para a ditadura. Já vivemos isso. Não precisamos reviver.