domingo, 29 de junho de 2014

COPA:QUEM GANHA E QUEM PERDE

Assim como a maioria das especulações sobre essa Copa, as relativas aos ganhos e perdas também não se revelaram das mais exatas. Se por um lado o pessoal dos bares esta sorrindo a toa, com um faturamento para o mês de junho estimado, até agora, em nada menos que R$12 bi, seus colegas dos restaurantes estão de sorriso amarelo e alguns falam inclusive em queda na receita. Há razões para isso: o horário dos jogos fez com que muita gente migrasse para os barzinhos e os feriados diminuíram o movimento corporativo. Além disso é pequeno o número de restaurantes próximos aos pontos turísticos, isso sem falar na opção de reunir os amigos em casa para assistir aos jogos.

A hotelaria, que no início achou que poderia fazer grandes negócios cobrando preços astronômicos, foi forçada a dar descontos que chegaram a casa dos 40%, embora ainda assim tenha conseguido ganhos, mais modestos que os esperados, mas nada desprezíveis: alguma coisa em torno de 6 a 7 por cento. 

Os tais 600 mil estrangeiros esperados não apareceram, mas as empresas aéreas, de bebidas, carne, locadoras de veículos e operadoras de cartões de crédito estão felizes com o evento.

Por outro lado tem o pessoal do choro: indústria e comércio. Na indústria a perda por dia parado pode chegar a R$ 7 bi. O comercio também não se beneficiou com a Copa, devido a uma demanda domestica frágil e ao pouco apetite dos estrangeiros para as compras, que se limitam aos souvenirs, já que para a maioria absoluta deles os produtos aqui são mais caros que em seus países. A confederação do comercio estima que cada dia parado, com um feriado, significa cerca de 9% a menos no mês, mas o percentual varia dependendo da localização do estabelecimento, assim, por exemplo, no Rio e em São Paulo o índice sobe para entre 10% e 11%. 

Dessa forma o impacto econômico da Copa deverá ficar concentrado mesmo nos segmentos ligados a alimentação e lazer.

Que influência tudo isso terá nas próximas eleições saberemos em pouco tempo.



sábado, 28 de junho de 2014

UBER, CHEGA AO BRASIL E VAI GERAR CONFLITOS.

A starup de carona paga chega a São Paulo, depois de provocar protestos no Rio e o clima vai ficar tenso com os motoristas de taxis, que consideram o serviço ilegal. O serviço funciona assim: qualquer pessoa, que seja motorista profissional com carro, hablilitaçao e seguro do automóvel para uso comercial pode oferecer o serviço via Uber. Os preços variam conforme os modelos oferecidos. Através do smarphone a pessoa solicitando serviço e será atendido pelo motorista que estiver mais próximo, localizado pelo GPS do aparelho Os modelos de carros são diferenciados, mas a Uber pretende colocar, em breve, modelos mais simples até sofisticados

Em São Paulo motoristas de taxis reclamam alegando que o Uber nada mais é do que um carro particular fazendo o serviço de taxi, o que seria ilegal. Em um lugar onde os taxistas pagam entre 50 a 100 mil reais por uma licença para rodar com seu veiculo, a concorrência com o Uber é realmente desproporcional. Mas a resistência a starup espalha-se pelo mundo, com diversas. Idades da europa enfrentando problemas com os taxistas que tentam barrar o serviço.
 
A Uber esta presente em 39 países e em mais de 140 cidades ao redor do mundo. No Rio a Secretaria Municpal de Transporte tenta livrar-se do problema enviando oficio para a Delegacia de Repressão a Crimes de Informática, solicitando uma investigação. Em São Paulo a congênere até agira não se pronunciou e disse aos jornais que desconhecia o serviço.

A Uber esta avaliada atualmente em 18 bilhões de dólares. Como será o seu futuro nos vários países onde pretende atuar ainda é cedo para ver, mas sem duvida dá um grande passo para colocar em evidência o que se convencionou chamar de economia colaborativa, que permite a troca de objetos e o compartilhamento de serviços pela internet, que seguramente veio para ficar.

E LULA TINHA RAZÃO: O ESTÁDIO É DAS ZELITES

O contexto era outro, mas tinha razão o nosso ex-presidente: nos estádios as zelites, nas ruas o povão. O resultado é essa torcida chocha. Torcer de verdade, empurrar o timão, xingar, pedir raça, exigir compromisso, vaiar (ops, o time adversário, o juiz, a mãe do juiz....), entoar cânticos de guerra.

Empurrar o time, porra!

Pra esse pessoal o selfie já tá de bom tamanho. Dança, canta, faz coraçãozinho e ola quando a câmera de qualquer TV aponta. Fazem ola quando o time está atacando, quase perdem o gol, extasiados com a spidercam, que vai levá-los ao telão.

No campo os jogadores balançam os braços, pedem apoio e empolgação e lá vem aquele musiquinha: eu...sou brasileiro, ro... Com muito orgulho, lho... Com muito amô, ô....  Ah! Tudo bem, tem uma melhorzinha: o campeão voltou, o campeão voltou.... 

Tudo bem, afinal os preços dos ingressos não são mesmo pra qualquer um. O pessoal não tem traquejo de arquibancada mas vai fazendo o que pode. Mas eu gostaria de ver mesmo, lá nas cadeirinhas padrão Fifa, aquele povo abusado, que mata e morre (calma aí, sentido figurado) pelo seu time e sabe empurrar timão ou seleção rumo à vitória. São bem mais divertidos. 

sexta-feira, 27 de junho de 2014

COPA: ACERTOS E DESACERTOS.

Ainda não acabou, mas já é possível ver que o mundial, que tinha tudo pra dar errado, ou que - pelo menos - muita gente assim pensava, vai se saindo bem, principalmente dentro do campo. Fora dele ainda muitos problemas, mas a farra, muita farra, faz a alegria de estrangeiros e nativos. Tem sido uma basta festa, sem dúvida.

Na verdade ela tinha tudo mesmo para dar errado: além das ameaças de manifestações de todo o tipo, uma coisa comandada pela corrupta CBF, sem falar na irritação com os custos dos estádios e na provável desorganização, que afinal aconteceu, mas não comprometeu, só mesmo os mais otimistas ou muito desligados não estavam apreensivos. No final prevaleceu o que o brasileiro sabe fazer melhor: improvisar e receber bem aqueles que nos visitam. Os estrangeiros vêem os defeitos, mas acham que tudo esta sendo superado pela alegria e pela forma generosa com que estão sendo recebidos.

Ah, tem o caos no trânsito, tem as filas, tem os preços super, que por sinal estão se adequando, mas a festa tem minimizado tudo isso.

Tem principalmente, bons jogos, muitos gols e muitas surpresas, com seleções tidas como favoritas, ou pelos menos competitivas, indo mais cedo para casa. O Brasil esta aí na disputa. Não é a maravilha das maravilhas, mas também não decepcionou. E até os Estados Unidos, que diria, esta tendo os seus momentos de empolgação com o evento, reunindo milhares e milhares de norte-americanos em frente a telinha, torcendo pela sua seleção. Até Obama se achou na obrigação de assistir aos jogos, no que foi seguido, rapidamente pela liderança republicana no Congresso.

Divertido tem sido acompanhar a cobertura da imprensa estrangeira, das previsões do caos absoluto as matérias autorais de como essa copa esta sendo divertida, interessante, com elogios rasgados ao modo de vida e a recepção calorosa dos brasileiros, o salto foi sem dúvida gigantesco. Uma das mais divertidas foi exibida por um canal francês, em um programa popular de grande audiência, onde o seu repórter caminha pelas ruas do Rio para mostrar cenas "impensáveis" em seu pais, tudo relatado com muito bom humor e simpatia: lojas sendo fechadas em dia de jogos, um taxista que dirige vendo os jogos numa pequena televisão, instalada no painel do carro, uma das principais avenidas da cidade que em dias normais vive um trânsito pesado e estava completamente vazia...

Com o final do evento, no entanto, é provável, dependendo inclusive da performance da nossa seleção, que um novo olhar, por parte dos brasileiros, se volte para o evento. As obras de infraestrutura ficarão expostas e suas conclusões serão cobradas. Os estádios, principalmente aqueles localizados em cidades onde praticamente não existem times capazes de permitir e sua utilização, como e o caso, por exemplo, de Manaus, serão discutidos.

Políticos de todos os matizes tentarão se apropriar dos pontos fracos e fortes do evento, nada de novo quanto a isso. No mais é esperarmos que a população separe uma coisa da outra. Orgulhe-se da bela festa que o nosso povo soube promover e tenha os olhos críticos para para fazer uma boa política na hora de fazer política e votar.

Por enquanto o mais chato mesmo é suportar o excesso de ufanismo da nossa imprensa, mas até isso podemos incluir no fato de estarmos patrocinando a Copa e, a bem da verdade, afora uma bobagem ou outra, de pequeno porte mesmo, besteiras maiores não podem ser colocadas nas costas da crônica esportiva.  Mas isso é assunto pra outros posts. Vamos lá Brasil!

COMIDA A QUILO: SUCESSO NA COPA.

O que nem chama mais a atenção, incorporado que está ao nosso dia-a-dia, pode fazer muito sucesso e surpreender a quem não está acostumado com determinado serviço. No caso, os restaurantes a quilo, que não atraem mais a nossa atenção, noves fora na hora da fome, mas estão encantando os estrangeiros que nos visitam em função da Copa. 

Aqui em São Paulo, a rádio Band/FM andou entrevistando nossos visitantes encantados com essa modalidade de restaurante, que não existe nos seus países. Os maiores elogios vão para o preço, considerado módico pela maioria e, principalmente, para a variedade. Nas entrevistas elogios a quantidade das carnes disponíveis e a possibilidade de repetir indefinidamente os pratos. Um dos entrevistados revelou, inclusive que esta ensinando aos seus conterrâneos o modo correto de se portar nesses estabelecimentos: no inicio colocávamos tudo o que podíamos em um prato apenas. Carne, peixe, massa... Mas agora já aprendemos e estamos ensinando aos outros amigos. Não precisa.  Pode repetir quanto vezes quiser e aí não precisa juntar tudo num prato só.

Outro sucesso, pelo menos em Sampa, é a descoberta da feijoada das quarta-feiras, que também vem encantando os gringos. Com os ingredientes servidos separadamente, que ganharam, também, os seus nomes em inglês, alguns hilários por sinal, a preferência recai para as que são servidas a preço fixo, não importa a quantidade consumida. Melhor ainda se o estabelecimento oferecer, como é razoavelmente comum, uma caipirinha grátis.

Mas campeão mesmo são os restaurantes a quilo, que ganharam vigor no Brasil por volta dos anos 80, numa versão intermediária entre os a lá carte e os de prato feito, o popular PF, oferecendo mais variedade a preços razoavelmente justos. Existem versões de que esses restaurantes teriam surgido inicialmente na Europa, por volta dos anos 60. Em Portugal, levados por brasileiros, fazem sucesso, mas, pelo menos por enquanto são inteiramente desconhecidos nas Américas e, com certeza, pela maioria absoluta dos europeus.

Quem sabe esse possa vir a ser um dos legados dessa Copa e, em breve, a gente encontre mundo afora essa invenção gastronômica, que - se não inventada por brasileiros -  foi por nós, com certeza, popularizada.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

GRITO DE GUERRA: TA FALTANDO UM PRA NOSSA SELEÇÃO


Seja sincero: existe coisa mais chocha, mais chata, que esse cântico (Eu,sou brasileiro, como muito orgulho...) que pretende embalar a torcida canarinho nos estádios? Torcida precisa de canto de guerra, de provocação, de vigor, de garra, nada parecido como que se vê na tal torcida brasileira nessa Copa.

As explicações são variadas, uma delas é que o tal de público presente nos estádios não é exatamente aquele público acostumado a frequentar os estádios, aquele louco pelo seu time, que sabe de cor os hinos, os cânticos e os insultos e as provocações aos adversários.

Com o preço alto dos ingressos o tal de público presente seria em sua maioria de “coxinhas”, devidamente paramentados, porém mas interessados em dar um olá pros telões e se sentir parte do espetáculo, mas não de protagonizar.

Pode ser, mas o que dizer de torcidas estrangeiras, como as da Argentina e do Chile que se comportam de fato como torcedores? Os argentinos não perdem um minuto para provocar adversários, presentes ou não, na partida e incentivam com entusiasmo a sua seleção. Os mexicanos, ainda que em menos número no Castelão, conseguiram “calar”, por diversas vezes a torcida brasileira, no empate de 0x0, em Fortaleza.

O fato é que falta alguma coisa para animar a torcida e animar a seleção. Vale lembrar que em competições passadas músicas como Poeira e Festa, cantadas por Ivete Sangalo terminaram por se transformar em “hinos” da torcida brasileira. Nesta Copa o torcedor não se apropriou de nenhuma música, para fazer a sua versão e transformá-la num hino da torcida. E de nada valeu o esforço dos anunciantes de tentar fazer com que seus jingles fossem usados pelos torcedores, mesmo que sem mencionar os nomes das empresas e produtos.

Dá a impressão, também, pra finalizar, que – embora gostemos da seleção e todos torcemos por ela – ela está tão distante do futebol que vivemos no nosso dia-a-dia (a maioria dos jogadores nem no Brasil joga) que não consegue fazer com que nos apaixonemos de verdade, como nos apaixonamos pelos nossos times de coração, aqueles pelos quais somo capazes das maiores loucuras. E pode ser, também, que ser “brasileiro, com muito orgulho, com muito amor”, no final das contas, só mesmo nos estádios em dia de jogo da seleção. Ainda assim, daquele jeito, meio chocho, sou, mas sem esse entusiasmo todo.

Assim, pelo visto, vamos continuar mesmo nesta Copa, sabe-se lá até aonde, com essa musiquinha sem graça.



PESQUISAS ELEITORAIS USADAS PARA ESPECULAR NA BOLSA


Pesquisas eleitorais podem estar sendo usadas, por bancos e corretoras, para especular na Bolsa de Valores. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) está de olho em oscilações atípicas no mercado de capitais brasileiro e suspeita que pesquisas eleitorais estejam por trás dessas oscilações.

Não tem nada de ilegal usar pesquisas para antecipar resultados e comprar ou vender ações antes dos demais investidores, mas o que a CVM vem suspeitando é que instituições financeiras estariam usando, antes da divulgação ao público,  informações de resultados de pesquisas de opinião pública relativas às eleições ou aos candidatos. E isso caracteriza o uso indevido de informação privilegiada, o que não é permitido pelas regras do mercado, podendo resultar em sanções ou até mesmo a proibição de atuar na Bolsa.

O que tem sido observado é que a Bolsa, influenciada pelas ações de estatais, passou a reagir em alta quando existe perspectiva de queda na intenção de voto na presidente Dilma.

Já existe uma deliberação da CVM sobre esse assunto, desde 2002 quando havia muita volatilidade nos mercados e muita gente se aproveitando para especular com as pesquisas, com a exigência de informar a entidade no prazo de 24 horas da contratação da pesquisa, sob pena de multas.

Mas o pessoal da área acha que a influência das pesquisas nos mercados vai perdurar até as eleições, com um mercado com pouca liquidez, oscilando ao sabor das pesquisas eleitorais.

REAÇAO DOS INSTITUTOS

Embora os mais importantes institutos de pesquisa neguem, peremptoriamente qualquer possibilidade de vazamento, acreditam que a redução do prazo para registro das pesquisas do TSE poderia reduzir a possibilidade de especulações no mercado financeiro, já que atualmente os levantamentos precisam ser registrados com um mínimo de cinco dias de antecedência da publicação.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

TATU-BOLA VIVO: R$50,00 – FULECO DE PELÚCIA: R$79,90. A FIFA LUCRA COM ANIMAL AMEAÇADO DE EXTINÇÃO E DÁ UMA BANANA PARA OS AMBIENTALISTAS.





O tatu-bola vivo está passando da categoria de espécie "vulnerável" para em "perigo". E os biólogos lamentam que a Fifa explore comercialmente a imagem de um animal ameaçado de extinção, mas não dê nada em troca.

Segundo o coordenador geral da Associação Caatinga, quando tiveram a ideia de propor a entidade o tatu-bola para mascote do Mundial, pretendiam dar mais visibilidade à Caatinga e salvar uma espécie ameaçada, mas a Fifa embora venha faturando alto com seu mascote, deu as costas aos ambientalista.

O pessoal da Caatinga não está atrás de dinheiro, mas tinha a expectativa de que alguns dos seus projetos apresentados a Fifa fossem aprovados e que ela atuasse como embaixadora da causa ambiental, mas obviamente não foi isso que aconteceu.

No interior, na catinga, as pessoas não fazem a menor ideia do que seja o tal de Fuleco e os poucos que o conhecem não o relacionam com o tatu-bola, que antigamente era caçado como comida, mas hoje isso é feito apenas porque é recreativo, cultural ou comercial.

Com isso, embora seja cada vez mais difícil a caça, o tatu-bola deve mesmo desaparecer e a oportunidade excepcional" com a Copa do Mundo, de pelo menos chamar a atenção para o fato foi perdida.

Como disse Rodrigo Castro, coordenador da Caatinga, ao jornal Estado de São Paulo, a Fifa concordou em utilizar a imagem de um animal ameaçado como mascote, mas não deu nada em troca e isso não é ético.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

PESQUISAS X PESQUISAS – 72% X 17% DE INSATISFEITOS. É POSSÍVEL?


É possível. Tudo depende da pergunta. Vou me aproveitar aqui de um comentário de Cesar Maia, sobre esse mesmo assunto, que vale a pena. Na pesquisa do Pew Research, que comentei aqui no blog, sobre o título “Brasileiros irritados  com tudo e todos”, como de fato estão, revelava que 71% dos brasileiros se diziam insatisfeitos, contra apenas 26% de satisfeitos. Pesquisa do IBOPE, realizada apenas um mês depois, aponta, no entanto, um número muito inferior: apenas 17% estavam insatisfeitos, contra 71% de satisfeitos.

Algumas pessoas questionaram isso. Como é possível uma reviravolta desse vulto em apenas um mês de diferença? Um dos institutos errou grosseiramente? Nada disso, apenas perguntas bem diversas.

O Pew Research perguntou: Em geral, você está satisfeito ou insatisfeito com o modo como as coisas vão no seu país?
Já para o IBOPE a pergunta foi: Como o(a) sr(a) diria que se sente com relação à vida que vem levando hoje? Muito Satisfeito/Satisfeito, Muito insatisfeito/Insatisfeito.

Aparentemente são semelhantes, mas as pessoas vão responder de forma completamente diferentes às duas questões. O instituto americano queria saber a opinião das pessoas sobre o país, já a pergunta do IBOPE estava voltada para o sentimento das pessoas com relação a vida de cada uma delas.

O eleitor se “descola” nessas duas questões. Uma coisa é como ele vê o país, outra como encara a sua própria vida. O sujeito pode estar satisfeito com o modo como a sua vida pessoal está sendo tocada, mas pode ter um grau de insatisfação muito grande com o modo como as coisas estão feitas no país e vice-versa.

Por isso é preciso muito cuidado na hora de interpretar e tirar conclusões de resultados de pesquisas sem considerar/conhecer as perguntas. E o que os candidatos poderiam aprender com os resultados, por exemplo, dessas duas pesquisas e ficarem mais atentos aos conteúdos?

Candidatos da situação devem se ater, prioritariamente, ao modo como os cidadãos veem as suas vidas, o grau de satisfação que estão tendo sobre o modo como elas estão sendo tocadas, obviamente. “Prometendo” o que for possível para que eles continuem satisfeitos e tentando “colar” a sua política/realizações nesse “estado de graça”. Por outro lado, vão ter que propor, paralelamente, um novo modo de conduzir o país, para tentar convencer esses mesmos eleitores, que votando neles  a insatisfação tende, pelo menos a diminuir. Requer cuidado e sutileza para não confundir as coisas, o que é frequente. Se pintar tudo com cor de rosa, o eleitor tende a se sentir menosprezado em sua inteligência. Um exemplo simples: o sujeito pode estar satisfeito porque consegue colocar comida na mesa e pagar suas despesas básicas. De certa forma está satisfeito com o modo como a sua vida está indo, mas – por outro lado – está insatisfeito com a saúde, as escolas e o transporte públicos. Ressaltar as conquistas é uma coisa, pode atrair simpatia, mas daí a dizer que está tudo indo muito bem é fazer o eleitor de bobo. Alguns até podem ser, mas todos, certamente não são. O sucesso do discurso está no equilíbrio e em distinguir uma coisa da outra.

Para quem está na oposição o recado é igualmente claro, mas inverso. No entanto um cuidado é essencial e na maioria das vezes não é levado em conta. As críticas a situação “externa”, que provocam um alto grau de insatisfação no eleitor, devem ser feitas de uma forma muito clara para que não pareçam um ataque ao modo como a maioria dos eleitores vê a sua própria vida, e com a qual a está satisfeita. Caso não atentem para o que parece apenas uma sutileza as criticas podem ser entendidas pelo eleitor como dirigidas à sua vida e não ao ambiente externo, sentindo-se agredido e rejeitando o candidato. Usando o mesmo exemplo acima: se pintar tudo com tintas pretas, inclusive desqualificando, ainda que indiretamente, a vida que o cidadão está levando, o eleitor vai se sentir igualmente criticado. Aqui é preciso ressaltar e prestigiar o que foi conquistado e acenar com perspectivas externas de melhora. Atacar o que gera insatisfação e “prestigiar” o que está sendo bom.

Nas duas situações é preciso equilíbrio e sutileza. Coisas que nem sempre são consideradas nas análises e discursos em época de eleição, quando a ansiedade e a leitura apressada dos sentimentos dos eleitores é quase uma unanimidade.

domingo, 8 de junho de 2014

ANISTIA INTERNACIONAL: BIRUTA DE AEROPORTO


Confesso que me surpreendo cada vez mais – e negativamente – com a Anistia Internacional. Na sua ânsia de estar ao lado dos “oprimidos”, coisa aparentemente correta, vem enfiando os pés pela mãos em suas análises e com isso perdendo credibilidade.

Agora deu de criticar o chamado “abuso das polícias” nas manifestações “pacificas” de rua. Pra início de conversa todo mundo concorda com o despreparo das polícias brasileiras. Nenhuma novidade. O problema está quando a Anistia resolve omitir o papel de toda a rede de comando da repressão e da ação dos vândalos e Black Blocs da vida.

Parece que a polícia vai as ruas por conta própria e decide, em precisar se reportar a ninguém, quando, como e contra quem
vai usar a sua força repressiva. Onde estão os governadores, os secretários de segurança e afins?



No documento da entidade, lançado ontem em frente ao Congresso Nacional, “as autoridades locais” como são chamados, são cobrados apenas pela suposta omissão na investigação dos excessos policiais.



Fora do documento, o diretor executivo da Anistia Internacional, Átila Roque, afirma que que a proposta é focar no governo federal, que centraliza o comando da segurança de grandes eventos, como a Copa e no Congresso onde tramitam leis que põem em risco o direito da manifestação pacífica.



No final das contas a Anistia vê o problema da violência nas manifestações, aliás muito mais grave fora das manifestações, incluindo aí o comportamento das polícias, apenas por um lado e com ênfase, apesar das tentativas de reparos do seu diretor, em apenas um dos protagonistas.



Governadores e seus secretários de segurança investem pouco ou nada na formação dos policiais, incluindo aí a polícia científica e em inteligência. Resta a clássica política de “descer o pau”.  Por outro lado, ao não mencionar os danos provocados pelos desordeiros de “tendências” políticas variadas, criam a fantasia de que todos os que vão para as ruas são manifestantes pacíficos a serem tratados “à inglesa”, o que também é totalmente falso.



O problema da violência policial excede em muito a repressão às manifestações, sem contar a violência a que estão expostos, diariamente, os próprios policiais. No primeiro semestre deste ano, em São Paulo, por exemplo, foram registradas 156 mortes em confrontos com a PM– fora das manifestações. E 85 policiais militares foram mortos. Números preocupantes, que mereceriam uma maior atenção da Anistia que as pancadarias relacionadas com as manifestações.



O que precisamos no Brasil é repensar a política de segurança como um todo e as manifestações parciais da Anistia, com foco exclusivo nas manifestações e colocando a culpa exclusivamente nos policiais não ajuda em nada na solução do problema.


Unificar as policias, dar ênfase aos setores de inteligência e modernizar a polícia científica são algumas das providências que melhorariam em muito a segurança e permitiriam uma ação mais civilizada da polícia, mas resta ainda as condições sub-humanas dos presídios, onde se amontoam os pobres e desvalidos e uma justiça arcaica que não faz justiça nenhuma, com suas leis ultrapassadas e ritos lenientes.



A Anistia prestaria melhores serviços se olhasse para o todo, e não para uma parte apenas, do problema.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

PESQUISA: BRASILEIROS IRRITADOS COM TUDO E TODOS


A pesquisa (do instituto americano Pew Research Center)  não chamou muita atenção, mas os número impressionam. A responsável pela pesquisa, Juliana Horowitz, achou a mudança de humor dos brasileiros, de 2010 para hoje, muito radical: dos 82 países pesquisados, só foram observadas oscilações semelhantes naqueles que sofreram crises graves ou rupturas institucionais significativas, o que não é o nosso caso.

Os números: 86% desaprovam o combate à corrupção; 85% estão insatisfeitos com a insegurança pública; 85% acham ruim o serviço de saúde; 76% desaprovam o sistema de transporte; 71% não concordam com a política externa do governo; 72% acham ruim a educação; 65% estão revoltados com a pobreza, 63% com a situação da economia, com 85% apontando a inflação como principal problema e, apesar do desemprego estar em patamares historicamente baixos, ainda assim 72% disseram que o desemprego é o maior problema do Brasil. Quanto à Copa 61% responderam que o evento é ruim para o país, por tirar recursos que poderiam ser usados em serviços públicos.

REFLEXOS NA POLÍTICA

A insatisfação resvalou para a presidente Dilma, com 63% reprovando a sua administração e sua influência sobre o Brasil sendo considerada negativa, contra 48% que a avaliam positivamente. Apesar disso, Dilma obteve resultados superiores aos dos seus adversários na disputa presidencial: ela tem 51% de opiniões favoráveis e 49% contrários. Já Aécio Neves teve 27% a favor e 53% contra. Eduardo Campos vem em seguida com 24% de aprovação e 47% contrários.

(A pesquisa ouviu 1.003 pessoas entre 10 e 30 de abril)

TELESPECTADORES QUEREM PULAR COMERCIAIS


84% dos telespectadores querem pular os comerciais e 60% gravam os seus programas para não ter que assistir aos anúncios. 49% dos brasileiros alegam que a possibilidade de não ter que ver os comerciais é um incentivo para baixarem um programa de televisão e outros 41% consideraram  ainda as propagandas em smartphones como invasivas.

Os dados são de uma pesquisa feita pela Arris, uma fabricante de equipamentos de telecomunicações norte-americana, que adquiriu recentemente a divisão de produtos domésticos da Motorola, divulgada pelo jornal O Estado de São Paulo.

Outro dado interessante da pesquisa é a revelação da coexistência entre os modos tradicionais de ver TV e os novos tipos de acesso, como tablets, smartphones e consoles de jogos.

A pesquisa registra ainda o que eles chamam de “binge TV” – o consumo prolongado e em grande quantidade de TV.

Mais de 10,5 mil pessoas foram entrevistadas em 19 países, inclusive o Brasil, segundo a matéria publicada pelo Estadão, no último dia 28.

Uma das coisas que deveria levar os publicitários a refletir é a falta de criatividade dos comerciais. Sempre existe, pelo menos uma chance, de se dar atenção a uma propaganda bem feita, inteligente e instigante. Sim, temos exemplos. Custa caro, pelo menos em talento, mas os resultados são bons.

Outro fator de rejeição, pelo menos para mim como consumidor, é o excesso de veiculação. Tá, dá dinheiro para a agência, enrola o anunciante fazendo-o acreditar que a exposição excessiva é uma garantia de fixação da sua marca ou produto, mas pode, com toda certeza, criar aversão.

Aqui, em São Paulo, por exemplo, não aguento mais ouvir falar na Fiesp – Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, que está no ar com uma peça de rádio primorosa, com um jingle excelente, texto corretíssimo e o melhor dos posicionamentos. Acontece que está presente em todos, absolutamente todos, os intervalos comerciais da BAND/FM, emissora que ouço todo o tempo em que estou no trânsito. Agora, assim que começa troco de emissora. E acredito que um monte de gente deve, também, estar de saco cheio da Fiesp e sempre que possível “pulando” o comercial.

Os profissionais da área devem refletir sobre isso.  Não só criativos e mídias, mas os departamentos comerciais das emissoras, afinal, é aí que está a sua principal forma de faturamento. Se não conversarem e ficarem cada um no seu canto do ringue, só pensando no que vão faturar no fim do mês, podem – todos  – terminar no prejuízo.

terça-feira, 3 de junho de 2014

CLÁSSICOS PARA "BURROS"



Inventaram recentemente – e já teve gente ganhando, ou pelo menos pretendo, safar uma graninha das testas da viúva para isso – uma história de “simplificar” os clássicos da língua portuguesa.  A primeira investida é contra Machado de Assis.  A justificativa é mais ou menos a seguinte: facilitar a leitura dos clássicos, para que o jovem leitor – bem burrinho – para que mais tarde ele possa enfrentar galhardamente os textos originais.

Originalidade, sem dúvida, está na ideia, para continuar sendo elegante. Em vez de elevar o leitor, puxa-se o Machado para baixo. Podemos exportar a ideia para o mundo: Shakespeare simplificado. Platão, em poucas linhas. Proust ao alcance de qualquer bocó. Machado, moço pobre, criado na provinciana, na época, cidade do Rio de Janeiro, certamente teria atingido outro patamar, tivesse acesso às versões simplificadas dos clássicos da literatura mundial, como hoje proposto.

E por que ficar apenas em Machado? Vamos a todos os escritores importantes da língua portuguesa e da literatura mundial. Vamos fazer mais, como teme, ironicamente, João Ubaldo, em sua crônica no Estadão do último domingo, criar o Vocabulário Popular da Lingua Brasileira. Nada mais que uns 1200 vocábulos,  utilizados obrigatoriamente por qualquer um que escreva livros, matérias de jornais, crônicas, ou seja lá o que for.

Como bem chama a atenção, João Ubaldo, tem nessa maluquice, um conceito assaz esquisito de que numa obra literária existem uma diferença entre conteúdo e forma. O conteúdo é – digamos assim – o enredo propriamente dito, a história. Já a forma o “jeito” escolhido pelo escritor para narrar a sua história. Feita a absurda distinção, caberia perfeitamente reescrever a obra, contando a história de uma outra maneira.  Todo o esforço e a criatividade do escritor, em “contar do seu jeito” a sua história que vá pro ralo. Afinal, pelo visto, não vale grandes coisas, já que não está ao alcance dos semi-letrados ou analfabetos funcionais.

Caminhamos ao contrário. Descemos o nível.

A justificativa de permitir, teoricamente, o acesso às obras por parte de gente que não estaria em condições de compreende-las é de uma idiotice abissal. Ao baixar o nível não estamos sendo democráticos, muito pelo contrário. Estamos condenando as pessoas ao nível mais abaixo, já que ninguém se preocupa em eleva-lo, empobrecendo a língua, condenando as pessoas ao atraso e a manutenção do privilégio.

A continuarmos nesse toada, como sugere Ubaldo, vamos adaptar Bach ao ritmo do funk, as sinfonias de Beethoven em compassos de pagode e a uma coleção axé das obras de Villa-Lobos. Estamos indo a passos rápidos, bem rápidos, para trás. E com o beneplácito do Governo e o dim-dim do contribuinte.