domingo, 8 de junho de 2014

ANISTIA INTERNACIONAL: BIRUTA DE AEROPORTO


Confesso que me surpreendo cada vez mais – e negativamente – com a Anistia Internacional. Na sua ânsia de estar ao lado dos “oprimidos”, coisa aparentemente correta, vem enfiando os pés pela mãos em suas análises e com isso perdendo credibilidade.

Agora deu de criticar o chamado “abuso das polícias” nas manifestações “pacificas” de rua. Pra início de conversa todo mundo concorda com o despreparo das polícias brasileiras. Nenhuma novidade. O problema está quando a Anistia resolve omitir o papel de toda a rede de comando da repressão e da ação dos vândalos e Black Blocs da vida.

Parece que a polícia vai as ruas por conta própria e decide, em precisar se reportar a ninguém, quando, como e contra quem
vai usar a sua força repressiva. Onde estão os governadores, os secretários de segurança e afins?



No documento da entidade, lançado ontem em frente ao Congresso Nacional, “as autoridades locais” como são chamados, são cobrados apenas pela suposta omissão na investigação dos excessos policiais.



Fora do documento, o diretor executivo da Anistia Internacional, Átila Roque, afirma que que a proposta é focar no governo federal, que centraliza o comando da segurança de grandes eventos, como a Copa e no Congresso onde tramitam leis que põem em risco o direito da manifestação pacífica.



No final das contas a Anistia vê o problema da violência nas manifestações, aliás muito mais grave fora das manifestações, incluindo aí o comportamento das polícias, apenas por um lado e com ênfase, apesar das tentativas de reparos do seu diretor, em apenas um dos protagonistas.



Governadores e seus secretários de segurança investem pouco ou nada na formação dos policiais, incluindo aí a polícia científica e em inteligência. Resta a clássica política de “descer o pau”.  Por outro lado, ao não mencionar os danos provocados pelos desordeiros de “tendências” políticas variadas, criam a fantasia de que todos os que vão para as ruas são manifestantes pacíficos a serem tratados “à inglesa”, o que também é totalmente falso.



O problema da violência policial excede em muito a repressão às manifestações, sem contar a violência a que estão expostos, diariamente, os próprios policiais. No primeiro semestre deste ano, em São Paulo, por exemplo, foram registradas 156 mortes em confrontos com a PM– fora das manifestações. E 85 policiais militares foram mortos. Números preocupantes, que mereceriam uma maior atenção da Anistia que as pancadarias relacionadas com as manifestações.



O que precisamos no Brasil é repensar a política de segurança como um todo e as manifestações parciais da Anistia, com foco exclusivo nas manifestações e colocando a culpa exclusivamente nos policiais não ajuda em nada na solução do problema.


Unificar as policias, dar ênfase aos setores de inteligência e modernizar a polícia científica são algumas das providências que melhorariam em muito a segurança e permitiriam uma ação mais civilizada da polícia, mas resta ainda as condições sub-humanas dos presídios, onde se amontoam os pobres e desvalidos e uma justiça arcaica que não faz justiça nenhuma, com suas leis ultrapassadas e ritos lenientes.



A Anistia prestaria melhores serviços se olhasse para o todo, e não para uma parte apenas, do problema.