sexta-feira, 27 de junho de 2014

COPA: ACERTOS E DESACERTOS.

Ainda não acabou, mas já é possível ver que o mundial, que tinha tudo pra dar errado, ou que - pelo menos - muita gente assim pensava, vai se saindo bem, principalmente dentro do campo. Fora dele ainda muitos problemas, mas a farra, muita farra, faz a alegria de estrangeiros e nativos. Tem sido uma basta festa, sem dúvida.

Na verdade ela tinha tudo mesmo para dar errado: além das ameaças de manifestações de todo o tipo, uma coisa comandada pela corrupta CBF, sem falar na irritação com os custos dos estádios e na provável desorganização, que afinal aconteceu, mas não comprometeu, só mesmo os mais otimistas ou muito desligados não estavam apreensivos. No final prevaleceu o que o brasileiro sabe fazer melhor: improvisar e receber bem aqueles que nos visitam. Os estrangeiros vêem os defeitos, mas acham que tudo esta sendo superado pela alegria e pela forma generosa com que estão sendo recebidos.

Ah, tem o caos no trânsito, tem as filas, tem os preços super, que por sinal estão se adequando, mas a festa tem minimizado tudo isso.

Tem principalmente, bons jogos, muitos gols e muitas surpresas, com seleções tidas como favoritas, ou pelos menos competitivas, indo mais cedo para casa. O Brasil esta aí na disputa. Não é a maravilha das maravilhas, mas também não decepcionou. E até os Estados Unidos, que diria, esta tendo os seus momentos de empolgação com o evento, reunindo milhares e milhares de norte-americanos em frente a telinha, torcendo pela sua seleção. Até Obama se achou na obrigação de assistir aos jogos, no que foi seguido, rapidamente pela liderança republicana no Congresso.

Divertido tem sido acompanhar a cobertura da imprensa estrangeira, das previsões do caos absoluto as matérias autorais de como essa copa esta sendo divertida, interessante, com elogios rasgados ao modo de vida e a recepção calorosa dos brasileiros, o salto foi sem dúvida gigantesco. Uma das mais divertidas foi exibida por um canal francês, em um programa popular de grande audiência, onde o seu repórter caminha pelas ruas do Rio para mostrar cenas "impensáveis" em seu pais, tudo relatado com muito bom humor e simpatia: lojas sendo fechadas em dia de jogos, um taxista que dirige vendo os jogos numa pequena televisão, instalada no painel do carro, uma das principais avenidas da cidade que em dias normais vive um trânsito pesado e estava completamente vazia...

Com o final do evento, no entanto, é provável, dependendo inclusive da performance da nossa seleção, que um novo olhar, por parte dos brasileiros, se volte para o evento. As obras de infraestrutura ficarão expostas e suas conclusões serão cobradas. Os estádios, principalmente aqueles localizados em cidades onde praticamente não existem times capazes de permitir e sua utilização, como e o caso, por exemplo, de Manaus, serão discutidos.

Políticos de todos os matizes tentarão se apropriar dos pontos fracos e fortes do evento, nada de novo quanto a isso. No mais é esperarmos que a população separe uma coisa da outra. Orgulhe-se da bela festa que o nosso povo soube promover e tenha os olhos críticos para para fazer uma boa política na hora de fazer política e votar.

Por enquanto o mais chato mesmo é suportar o excesso de ufanismo da nossa imprensa, mas até isso podemos incluir no fato de estarmos patrocinando a Copa e, a bem da verdade, afora uma bobagem ou outra, de pequeno porte mesmo, besteiras maiores não podem ser colocadas nas costas da crônica esportiva.  Mas isso é assunto pra outros posts. Vamos lá Brasil!