sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

O MASSACRE DOS PERIQUITOS

Dezenas e dezenas de periquitos foram vítimas de um massacre, nesses dias, ironicamente, para dizer o mínimo, em Manaus, bem ali, ao lado da floresta amazônica.  A suspeita é de envenenamento e/ou vítimas de um armadilha arramada por moradores de um condomínio “luxo”, que – para “proteger” as suas palmeiras imperiais, as cercaram com telas de arame, machucando à morte os incautos periquitos, que deixaram a mata, tão próxima, para morrerem nas ruas da cidade.

Ao contrário dos periquitos, as tais palmeiras imperiais,
não são originárias da Amazônia. Os periquitos certamente incomodavam os luxuosos ouvidos dos moradores do tal condomínio, intrusos da floresta, com hábitos detestáveis de fazerem intensa algazarra, depois de se alimentarem durante o crepúsculo. Certamente os luxuosos moradores preferem a algazarra das grandes cidades, o resfolegar silencioso dos aparelhos de ar-condicionado, o suave orquestrar das buzinas, o áudio das TVs, o fundo musical das grandes metrópoles.
Recentemente em São Paulo, cidade que como todos sabem, não dorme serenamente, moradores revoltaram-se contra o som de pássaros que teimam em perturbar o seus sonos sagrados, com os seus gritos ao amanhecer. E ainda por essas bandas, um sujeito dedicou-se diariamente, em cidade próxima, a envenenar gatos e cachorros da vizinhança, já tendo dizimados dezenas deles.


A ironia, no caso dos periquitos, na vizinhança com o que nos resta de pulmão, elemento responsável pelo ar respirável que ainda nos resta, pela chuva que faz falta, pela qualidade de vida que se esvai. Se gente tão próxima da floresta acha que melhor ter intrusas e silenciosas palmeiras imperiais a algazarra viva dos periquitos autóctones, devemos nos preocupar. O nosso futuro promete. Promete coisa muito ruim.