sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

PETROLÃO FAZ DO MENSALÃO COISA DE AMADOR

Sem querer entrar na discussão de qual partido é mais corrupto e coisas do gênero, ainda assim vale a pergunta: se apenas 10 pessoas, notem bem, apenas 10 pessoas – e ainda por cima subordinadas (é importante frisar) podem devolver, mui rapidamente e sem mais delongas, algo em torno de 500 milhões de reais aos cofres públicos, para escapar de uma condenação maior, quanto de dinheiro foi efetivamente roubado pelos superiores dessa turma?

E pensar que, quando a gente viu aquele pobre coitado, ex-chefe de departamento dos Correios, o Maurício Marinho, ganhar fama ao protagonizar um vídeo em que aparecia recebendo três mil reais a título de propina (isso mesmo a irrisória quantia de três mil reais) - alegando agir sob as ordens de Roberto Jefferson – achamos que estávamos diante de um exemplo de grande roubalheira...– só rindo.

Nenhum dos “contraventores” atuais é chefe do esquema. Os figurões ainda serão (?) conhecidos. Sabe-se que existia (?) um tal de clube, onde era acertada a participação de cada uma das “empresas” nas licitações, propinas etc. e tal.  Coisa bem organizada o Clube tinha estatuto, regulamento, como não poderia deixar de ser, quando se maneja tanta grana. Diante do volume da roubalheira descoberta, o mensalão, que tanto escandalizou o país, pelo visto era coisa de amador.

Só para se ter uma ideia, ainda que precária, a tal de refinaria Abreu e Lima (coitado do homem, tão correto, virou sinônimo de trambique) orçada inicialmente em 2,5 bilhões de dólares, já está em cifras mais gordinhas, alguma coisa na casa dos 20 bilhões de dólares. Ó Deus, por que nada das minhas modestas aplicações rendem tanto em tão pouco tempo – só rindo.

E ainda temos os políticos envolvidos no esquema, que estão nas mãos e dependendo do douto saber do ilustre ministro do STF, Teori Zavasci. A coisa não poderia estar, digamos assim, em melhores mãos (pra eles). Como se comportará Sua Excelência nesse processo? Vai melar a biografia ou – como acontece as vezes – se revelar e levar a coisa adiante. Os primeiros sinais não são alvissareiros: já mandou soltar o Renato Duque, fato que causou preocupação na Polícia Federal e no juiz Moro, que pretendiam “amaciar” o elemento com a prisão, levando-o, como aconteceu com Paulo Roberto Costa à delação, ainda que premiada.

Vai ser difícil assar essa pizza no Supremo, mas no que depender de certos personagens que andam por ali, pode-se esperar sempre pelo pior. O fato é que estamos às voltas com o maior esquema de roubalheira já descoberto no país. Um esquema que se achava tão protegido que continuava a todo vapor, mesmo enquanto corria a investigação sobre o modesto mensalão. Não se sentiram sequer um  pouquinho ameaçados.

A diferença agora, ou melhor as diferenças, é que ao contrário do mensalão operadores do esquema estão dando com a língua nos dentes (Marcos Valério deve estar se mordendo de raiva) e por conta das atividades internacionais da Petrobrás o caso está sendo investigado em vários países, aqueles que – como em qualquer lugar tem seus bandidões – mas onde eles não estão à margem da lei e da justiça, como aqui.

Vai ser difícil Teori Zavascki se fazer de morto e tentar deixar o caso criar bolor nas suas gavetas. Mas... É ver o que acontece. A coisa promete.