sábado, 19 de dezembro de 2015

SURF E MARKETING POLÍTICO


Tenho recomendado, com muita esperança, aos clientes, da área de marketing político e eleitoral, que procuram a mim e aos meus associados, que se inspirem no surf, mas exatamente nos meninos brasileiros do surf. Sim, a maioria me olha com a mesma estranheza com que você deve estar lendo essas linhas. Não, não se trata de convencer os nobres políticos a ser transformarem em improváveis surfistas. Seria até divertido, mas não se trata disso.

O que tenho recomendado é que se espelhem no exemplo da rapaziada, na qual ninguém acreditava, seriamente, e que “de repente’(??) está literalmente na crista da onda, com o perdão da surrada expressão. Temos hoje, nada menos que três brasileiros entre os quatro melhores.

Também não estou falando de como se equilibrar nas ondas do momento, em conseguir “se safar”, não importam as condições adversas dos mares e oceanos.

O que acho exemplares são a determinação, a coragem para superar as adversidades, a lisura na disputa contra os adversários, o vencer pelas qualidades, sem artifícios, mutretas e manobras escusas.

São meninos com causa, com objetivos, com projetos claros de vida pessoal e profissional. Meninos como Mineirinho, cuja primeira prancha custou a bagatela de 30 reais, que ainda assim exigiu da família sacrifícios para adquiri-la, que chegou onde chegou sem precisar se curvar, se entregar as manobras escusas, de vender a alma e princípios.

São meninos dos quais nos orgulhamos.

Mirem-se nos exemplos desta garotada. Tenham um ideal, um projeto de vida. Batalhem pelo que acreditam de forma honesta. Respeitem os adversários. Digam a que veio, o que pretendem. Preparem-se. Cerquem-se de profissionais experientes, ouçam as suas lições, enfrentem as adversidades sem se afastarem dos seus sonhos. Promovam a alegria, a esperança, mesmo quando estiverem cansados e desiludidos. Sejam exemplos, pessoas para as quais olhamos com orgulho. Pessoas que tem algo a nos dizer, exemplos a seguir, ainda que por caminhos diferentes. Sejam campeões na política, subindo ao pódio com altivez, generosidade, companheirismo, honestidade.

Sejam, como os meninos do surf, um bom exemplo. A sociedade agradece. E vocês serão também vitoriosos e motivo de orgulho. É possível. Desanimar nunca. Os meninos estão aí, para nos ensinar e inspirar em como é possível sermos campeões, aqueles de verdade. Amém

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

MG: LAMA TORNA INVIÁVEL A AGROPECUÁRIA

Bem escondidinha nos jornais de hoje, prenúncio do seu breve esquecimento pela mídia, ficamos sabendo que todas as áreas afetadas pelos 62 milhões de m3 de lama despejados pela mineradora Samarco, em Mariana (MG) são inviáveis para a agricultura. O solo teve a sua fertilidade comprometida, impedindo a germinação de sementes e o desenvolvimento das raízes das plantas. Em linguagem chulo e direto: transformaram as terras antes férteis em deserto.
Os moradores das áreas não poderão portanto sobreviver na região.
A pesquisa, feita pela Embrapa - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, concluiu que embora não tenham sido detectados metais pesados no solo, a lama causa dificuldades para a infiltração da água, diminui os níveis de matéria orgânica necessária para a vida microbiana do solo e reduziu os índices de potássio, magnésio e cálcio, indispensáveis para as atividades agropecuárias. É uma camada nova na parte superior do solo que é praticamente inerte, explicaram ainda os técnicos da Emater, empresa de assistência rural de Minas Gerais.

Na prática ninguém sabe o que fazer. 
Moradores continuam em casas de parentes e amigos, alugadas provisoriamente pela mineradora ou ainda em abrigos. Sobre indenizações ninguém sabe coisa alguma. Para se sustentar as pessoas dependem de um salário mínimo, fornecido a trancos e barrancos para alguns, pela Samarco e vai ficando tudo por isso mesmo. Se as soluções vierem nos mesmos passos de tartarugas pernetas comuns a todas as demais tragédias já provocadas por empresas e empresários irresponsáveis ninguém será assistido de fato, nem será punido de verdade, e vai se enrolando até que o assunto seja esquecido.


quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

PESQUISAS SOB SUSPEITA


Em todo o mundo (rssss) levantam-se, creio que suspeita é uma palavra muito forte, questões (será melhor) sobre as mudanças no comportamento dos entrevistados, nas pesquisas de opinião, que varia – sensivelmente – se o entrevistador, aquele que faz as perguntas, é uma máquina ou um ser humano. Além, de obviamente, as sutilezas, a forma de fazer as perguntas.

Num momento em que as pesquisas online, onde as perguntas – de forma geral – são feitas através de uma máquina e através dela respondidas, essa é uma questão relevante para o futuro das pesquisas de opinião.

Josh Barros, do NYT, constatou essas divergências ao analisar o resultado de pesquisas relacionadas a proposta de Donald Trump de proibir o ingresso de muçulmanos sem cidadania americana nos EUA. Em seis pesquisas, feitas na semana passada, três apontaram forte rejeição a proposta. Elas usaram pessoas para fazer as perguntas por telefone. Houve variação, quanto a “força” da rejeição à medida em que duas delas especificaram que a proibição seria temporária, encontrando menos resistência a uma eventual aprovação da medida.

Nas outras três, os entrevistados não falaram com uma pessoa. As pesquisas foram feitas online, sendo que em um dos casos por gravações telefônicas. Nessas pesquisas houve mais apoio e menos oposição à proibição.

Ariel Edwards-Levy, do Huffington Post, segundo Barros, acredita que as máquinas seriam responsáveis por dois efeitos. Um deles seria o de deixar os entrevistados mais à vontade para expressar pontos de vista que poderiam ser considerados inaceitáveis. O outro é que as pesquisas feitas por meio de gravação teriam atingido segmentos de composição diferente.

Outra questão relevante foi o fato das perguntas terem sido feitas de forma diferente. A NBC, que constatou o menor apoio à proibição, foi a única que não deixou claro que a proibição seria temporária. A YouGov e a Rasmussen, que encontraram mais pessoas favoráveis a proibição, deixaram claro que ela seria temporária e ainda especificaram um prazo. Além disso omitiram o nome do candidato que lançou a proposta.

O que se deduz, e isso vale enormemente para o Brasil, onde pesquisas sobre política e eleições são feitas e divulgadas quase diariamente, é que existem dificuldades reais quando se pretende entender a opinião e as atitudes das pessoas. Elas são decidida e fortemente influenciadas pela maneira como as perguntas – as condições – são descritas. E variam também se feitas através de pessoas ou com a utilização de máquinas.

Está mais do que na hora dos institutos assumirem essas dificuldades. Ao divulgarem suas pesquisas tem que ficar claro quais foram os meios utilizados e, principalmente, como foram feitas as perguntas e quais os segmentos de público foram pesquisados (neste caso com mais clareza ainda). Sem isso as pesquisas correm o risco de perderem credibilidade e deixarem de ser um instrumento útil de avaliação e informação do comportamento da sociedade.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

QUEM SE COMUNICA MAL SE TRUMBICA


O governo de São Paulo acabou de aprender esta lição. Noves fora o mérito da tal reforma educacional pretendida, vale aqui, para quem se interessa pelo assunto, dar uma olhadinha no desastre que pode ser provocado por uma má comunicação em qualquer projeto político ou administrativo.
 
Bem resumidamente: o governo pretendia com a sua reforma, lidar com milhares de pessoas (inclua aí: alunos, as famílias dos alunos, os professores, o pessoal administrativos de todas as escolas do estado, isso sem contar com os periféricos, prestadores de serviços em geral, como para ficar em único exemplo, os motoristas dos transportes escolares e por aí vai). Milhares e milhares de envolvidos. 

E o que fez o governo para falar com todo este público? Nada. Acredite. Assinou um decreto e deixou que a mídia, espontaneamente desse o recado. Quando começou a ver a casa cair, colocou no ar, às pressas, uma campanha publicitária, exaltando os méritos da reforma e explicando muito mal como ela se daria. O que ficou para os milhares de envolvidos? Muitos alunos, ou todos os alunos, seriam remanejados e pelo menos umas 90 escolas seriam fechadas (a explicação do que seria feito com elas ficou em segundo plano, obviamente, já que a simples expressão “escolas fechadas”,  como qualquer aluno dos primeiros anos das escolas de comunicação sabem, tem uma força extraordinária, capaz de superar qualquer justificativa, por mais racional que seja).

É difícil de acreditar que o governo do mais poderoso e rico estado brasileiros tenha se enrolado no “xale da doida” com tanto entusiasmo e de forma tão amadora. Conversar, conscientizar, convencer, tentar atrair o seu público alvo? Pra que? Vamos agir de forma imperial, como costumam agir praticamente todos os governantes deste país. Decreta-se, lixem-se ou se enrosquem com a polícia.

O resultado: a aprovação do Governo e a pessoal do governador despencaram. Os estudantes (e não importa aqui se estimulados por grupos políticos adversários) foram para as ruas, escolas foram ocupadas, o ano letivo foi pro ralo, o secretário da Educação foi defenestrado, o governo foi obrigado a recuar e continua acuado.

Não estou dizendo aqui que uma comunicação correta – e correta não quer dizer apenas propaganda no rádio e na TV – fossem determinantes para o sucesso do projeto. Mas, no mínimo, o governo teria entendido – preliminarmente – com uma pesquisinha básica, como é que teria que “conversar” com os alunos, suas famílias, professores e funcionários sobre a sua reforma. Saberia, resumidamente, o que fazer. Não fez, ou fez mal ou ainda desconsiderou. E deu no que deu.

Quem sabe fica a lição: quem não se comunica, como já dizia há tempos, o Velho Guerreiro, Chacrinha, se trumbica. E feio.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

OS CHINESES ESTÃO CHEGANDO. E TRAZENDO SUJEIRA.

A ofensiva chinesa na combalida economia nacional, mira agora na construção de usinas térmicas movidas a carvão (!!!). Um projeto, de 4 bilhões de reais está sendo urdido por duas estatais chinesas e empresários gaúchos, segundo informa o jornal Estado de São Paulo. Do lado chinês a Power China Sepco e Hebi Company Energy. Do lado brasileiro o "empresário" Silvio Marques Dias Neto, que já foi prefeito de Pedras Altas, onde pretendem construir mais um empreendimento porcalhão. 80% do empreendimento será financiado pelo Banco de Desenvolvimento da China.

O empreendimento já foi aprovado pela tal de Aneel, a Agência Nacional de Energia Elétrica, necessitando apenas, agora, de uma licença ambiental, que - pela experiência - não deve tardar. O Brasil já esteve melhor nesta questão: foram nove anos sem contratar nenhum projeto baseado na queima de carvão mineral, por conta do seu alto impacto ambiental, até que um novo projeto foi contratado em novembro de 2014, para uma usina, lá estão eles, construída pela empresa chinesa Sdepci.

Os chineses são especialistas em energia suja. Na semana passada, pela primeira vez na história, a cidade de Pequim emitiu um alerta vermelho por conta da poluição, que tomou conta da capital. Metade da frota de veículos foi proibida de circular, obras a céu aberto e fábricas tiveram suas atividades restringidas, as escolas não funcionaram e o governo recomendou o uso de máscaras e outras medidas de proteção para a população. Boa parte desta poluição é provocada exatamente pela usinas de energia a carvão, que os simpáticos investidores chineses querem trazer para cá, com as bençãos das sempre inoperantes e irresponsáveis autoridades locais.

Só para ilustrar, segundo o mesmo jornal, numa recente conversa em Brasília, sempre Brasília, entre empresários chineses e representantes do governo brasileiro, os chineses não conseguiam entender, de jeito nenhum, as dificuldades para se liberar novas hidrelétricas na Amazônia. Queriam saber apenas "qual o preço" para autorizar o leilão da obra.

O ex-prefeito, pousando de bom moço, exalta os benefícios da sujeira, que considera estratégico para a regiãom acenando com 4 mil empregos diretos e mais 500 durante a operação. Pensar em energia limpa pra que? Se o dim-dim vai entrar nos bolsos do moço e fazer a felicidade dos emporcalhadores mundiais, os nossos queridos chineses? Hoje o Brasil já tem 13 usinas movidas a carvão. E pelo visto vem muito mais por aí. Sim, os chineses são um exemplo que devemos abraçar, principalmente em se tratando de poluição.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

SUPREMO ENXERIDO II

O ministro Edson Fachin, do STF surgiu com uma teoria definitivamente exótica ao declarar que a Corte decidiria sobre o rito do impeachment. Ora, não cabe ao Supremo legislar, isto é tarefa do Congresso, goste-se ou não da sua composição. Ao Supremo cabe apenas o cumprir a Lei. Zelar para que todas as instituições cumpram a Lei. Ao propor que a Corte determine como deve ser um procedimento já previsto em Lei, determinado e já adotado em outros momentos. Cabe ao Supremo observar apenas se o Congresso está observando, cumprindo a Lei. E em caso contrário, punir. Nada mais. Boa parte deste problema é provocado também pelos atores políticos, que sem condições de diálogo e de administrar corretamente o contraditório recorrem a todo momento ao Judiciário para resolver as divergências, transferindo, na prática, para a Justiça a função de legislador. Dá no que dá.

EMPRESAS OU QUADRILHAS?

Não passa mais um dia sem que seja desbaratado algum esquema de roubalheira envolvendo empresas, grandes empresas nacionais, que se unem para assaltarem órgaos, projetos e empresas públicas. Agora são as tais obras de transposição do Rio São Francisco, a interminável obra de transposição. São nada menos de 200 milhões desviados. E as empresas são sempre aquelas, os envolvidos, com poucas variações os mesmos.
Definitivamente não sou um especialista no assunto, mas me causa espanto que tantos (ainda que relativamente poucos - rssss) tenham desviado tanto dinheiro em tantos órgãos e empresas do Estado sem que ninguém, absolutamente ninguém, suspeitasse de nada. Afinal, a quantidade de grana roubada, a enormidade de equipamentos superfaturados, o atraso safado na execução dos projetos, para mais e mais aditivos, tudo isso e muito jamais tenha sequer despertado suspeitas. Então tá, né?

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

BEM VINDOS AO IMPEACHMENT II


Michel Temer, que deixou subitamente de chamar Dilma de “presidenta”, (como fazem os adeptos da mandatária, flexionando o gênero do cargo – rsss), um sinal bem claro seu desembarque do Governo, deu – na verdade – em  sua carta,  a senha para a revolta geral do PMDB e a retomada do controle do partido pela ala que está de olho já no próximo governo e que considera o atual com seus dias contados.
 
O movimento começou com o apoio a tal de Chapa 2 para a Comissão Especial do Impeachment e culminou, por enquanto, com a destituição pura e simples do deputado governista Leonardo Picciani da liderança do PMDB.

Do lado governista, muito ruim de estratégia e que sempre parece surpreso com os acontecimentos, a tentativa de recorrer ao STF por discordar dos ritos adotados pela Câmara, termina por beneficiar justamente a oposição, ao postergar o processo, , que deseja prolongar ao máximo o emparedamento da presidente, dando chances para a crise econômica se aprofundar e quem sabe os descontentes irem finalmente às ruas e os oposicionistas conquistarem os votos que ainda lhes faltam.

Temer pode ser um mal escriba de cartas à Presidência, mas é uma raposa política, da melhor estirpe, e já tinha percebido que assumindo o processo de transição terá o apoio, entre outros do PSDB, que embora não tenha lá esses interesses todos neste tipo de arranjo, ao mesmo tempo deseja, neste momento, uma nova eleição presidencial e não sabe direito como sair da sinuca de bico em que está metido.

O vice-presidente também não é exatamente uma figura popular, ainda que em patamares muito inferiores ao da presidente. Segundo o Ibope, 40% dos brasileiros acham a sua atuação, como vice ruim ou péssima. Empossado pode ter que enfrentar a revolta das ruas, caso – praticamente impossível – não consiga, em pouco tempo, dar uma reviravolta na economia que agrade a gregos e troianos.

A ala do PMDB que quer se livrar a todo custo do PT, de olho, por enquanto, nos municípios, mais tarde nos Estados e ao infinito e além, não tem, agora, pelo menos, a força para controlar o partido, nem conta com quadros, em número e qualidade suficientes, para se colocar acima da crise. O novo líder na Câmara já assume enredado com o setor de mineração, de cujo código foi relator, favorecendo empresas que financiaram boa parte de sua campanha e que não estão exatamente no topo da preferência popular, tendo em vista o mar de lama que lançaram sobre Minas Gerais.

Do outro lado, digamos assim, o ainda presidente da Câmara, Eduardo Cunha, usa todos os recursos ao seu alcance e aproveita a confusão e a perplexidade que acomete todos os lados, para tentar evitar a sua cassação. Sua afoiteza, na defesa única dos seus próprios interesses, pode inclusive prejudicar o andamento do processo de impeachment.

O problema para todos os envolvidos é que, à medida em que vão se radicalizando posições e medidas extremadas são adotadas, a roda começa a girar por conta própria. Ninguém tem nas mãos a condução do processo, seja lá qual for o lado em que se encontra. Enquanto isso, as notícias econômicas continuam assustando e ninguém sabe ao certo qual será mesmo o futuro que nos aguarda.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

AS ATERRORIZANTES NOTICIAS ECONOMICAS. ATÉ QUANDO?


Confesso que tenho evitado ler os cadernos de economia & negócios dos jornais, em prol da minha sanidade. A política... bom, deixa pra lá. A pergunta que não quer calar é quanto mais o país pode suportar, enquanto o governo, prisioneiro político, nada faz, nada decide, nenhuma perspectiva, um caminho sequer, é proposto à nação para sairmos da depressão.

As notícias de hoje são para levar qualquer um ao pânico: o mercado de veículos recuou para os mesmos níveis de 2008 junto com a indústria de São Paulo que voltou ao mesmo patamar de 2004; (atentem para as datas); os bancos já estão prevendo uma queda do PIB em pelo menos 2,8% para o próximo. Isso sem falar em noticias “menores”, como o fracasso do leilão dos portos e o minério, mais uma commodity, que perde participação na balança comercial.

A outra pergunta que não quer calar: até quando o brasileiro suportará estoicamente essa enxurrada de más notícias, esse descalabro da economia? A tal de voz das ruas, permanece muda ou na melhor das hipóteses rouca. O que temos de manifestações são dos sempre (des)organizados movimentos sociais, que apoiam a presidente, mas rejeitam a sua política econômica, de segmentos em busca de aumentos salariais, lixando-se todos, sem exceção, para o caos econômico. Será que vamos esperar chegarmos a uma situação a la Venezuela para reagirmos?
Triste país que só consegue mobilizar multidões para festejar eventos esportivos e bailar ao Carnaval. Mas convém, quem sabe, acautelar-se, pois se a plebe ignara finalmente perceber que não terá saída, por resolver tomar as ruas. E aí, acreditem, não irão fantasiados, cantando hinos, em convescote pseudamente político. Vão botar pra quebrar.

BEM VINDOS AO IMPEACHMENT


Qual será mesmo o desfecho deste processo está difícil de saber. Especulação é o que não falta, muito menos esperanças de um lado e de outro. Mas o que importa mesmo é que a deflagração deste processo é um alivio para um  impasse que parecia jamais chegar a um fim. Mais cedo ou um pouco mais tarde saberemos afinal se a presidente sai ou fica até o final do seu mandato.

A votação de ontem na Câmara surpreendeu e pode ser vista como uma derrota fragorosa do governo, mas ao mesmo tempo deu alento à base aliada ao confirmar que o número necessário de votos para a rejeição do pedido de impeachment, o cabalístico 171, fosse superado, ainda que por apenas uns 20 e poucos votos.

Como o processo, o andamento do processo foi parar, como quase tudo neste país, na Corte Suprema, que deverá decidir sobre a legitimidade dos ritos decididos e aprovados pela Câmara dos Deputados, prevista para a próxima quarta-feira. O que significa mais uma semana, pelo menos do país paralisado.

Uma tarefa inglória para a Corte, que poderá decidir um assunto que, a rigor, deveria ficar restrito a área da política, ainda que com base em argumentação jurídica. O impeachment não é um julgamento estritamente jurídico. É um julgamento político. Vale lembrar, inclusive, que deposto e cassado pelo Congresso, o ex-presidente Collor foi, no final, inocentado pelo Supremo, sem que isso significasse a anulação do ato, político, tomado pelo Congresso.

A carta lamentosa do vice-presidente, cujos desdobramentos ainda estão por vir, jogou mais lenha na fogueira, aprofundando e escancarando as divisões internas do PMDB, acrescentando mais um fator de instabilidade ao cenário político atual.
Muita água, portanto, ou lama para ser mais atual, ainda vai rolar por baixo da ponte, mas seja como for algum passo foi dado. Queira Deus que seja para a frente e não para trás, mas seja como for melhor que se decida alguma coisa do que ficar no eterno paradeiro, sem que uma decisão qualquer seja tomada.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

MAR DE LAMA


Não, não é a política, nem o governo, muito menos a economia. É o maior desastre ambiental da história do Brasil, que parece ir caminhando, lentamente, para o rol das coisas cotidianas para ser esquecido em breve, por mais inacreditável que possa parecer. Cidades com mais de 250 mil habitantes permanecem sem água para beber, são mais de 663 km de rios afetados, mortos é a palavra certa. 15 km2 de terras, incluindo áreas de preservação ambiental estão cobertas pela lama que – pasmem – continua vazando da barragem da Samarco. A lama pode ser vista por satélites, tal a sua extensão. O mar do Espírito Santo vai se transformando num lamaçal. As estimativas mais otimistas calculam em pelo menos 10 anos alguma reparação dos danos.

E o que está sendo feito, agora, para garantir a continuidade da vida de milhares e milhares de pessoas afetadas pela lama? Nada de realmente substancial. Só paliativos. A água do rio Doce começa a ser distribuída em cidades, com atestado das eternamente incompetentes prefeituras, que afirmam ser possível o tratamento e que ela estaria pronta para consumo. Uma água que técnicos já afirmaram conter todos os elementos possíveis de serem encontrados na “tabela periódica”.  A Samarco distribui água em carros-pipa e vagões de trem, que antes transportavam querosene e outros produtos químicos nas barbas das sempre incompetentes autoridades.

No mais as providências estão apenas nas mãos do Judiciário, com promotores à frente, exigindo da empresa e dos seus controladores um mínimo de providências. As prefeituras atarantadas, completamente despreparadas para enfrentar uma tragédia deste porte, fazem o possível, o governo do Estado vai no mesmo caminho. E go governo federal, alienado como sempre, está mais preocupado com o impeachment, o destino de Cunha, a aprovação de suas contas surreais, com a política miúda de Brasília, já que sobre os graves problemas econômicos que se abatem sobre a nação, que caminha célere para a recessão/depressão, também não tem solução nenhum.

A nação precisa de revoltar.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

ARGENTINA E BRASIL: EU SOU VOCÊ AMANHÃ?


José Paulo Kupfer, se apropriou de um antigo slogan da vodca Orloff, para indagar, em artigo publicado no Estado de São Paulo, “se a experiência mais liberal que começa na Argentina será replicada aqui”.

Kupfer lembra, com muita propriedade, que os caminhos, ou descaminhos digo eu, econômicos e até mesmo políticos dos dois países costumam se entrecruzar ainda que em tempos e intensidades diferentes.

Getúlio Vargas
Ambos passaram pela experiência, de resto extensiva dos demais vizinhos da América Latina, dos caudilhos salvadores da pátria, nós com Getúlio, eles com Perón e por um longo período sob o jugo das ditaduras militares, as duas provocando enormes estragos políticos e econômicos.

Recentemente estivemos juntos com a aplicação de políticas populistas, que - se por um lado, nos dois países - conseguiram tirar da pobreza extrema contingentes significativos da população, por outro lado, criaram problemas econômicos e fiscais, que estão fazendo com que esses segmentos retornem à pobreza e ao
desemprego.
Juan Perón

Aparentemente alinhados em termos ideológicos, ao ponto do ex-presidente Lula ter estado na Argentina fazendo, declaradamente, campanha em prol do candidato kirchnerista e da presidente Dilma tê-lo recebido, o mesmo não de pode dizer quando se trata das relações econômicas entre os dois países. Nos últimos anos a Argentina só trouxe dificuldades nesta relação, contribuindo ainda para o esvaziamento do tal Mercosul, enquanto fazia todo o tipo de negócio com os chineses, a revelia do bloco.

Nas últimas eleições muita semelhança, ainda que, bem disse Kupfer em seu artigo, com os sinais ideológicos trocados. Lá vence o opositor mais liberal, enquanto aqui ficamos com a candidata situacionista e mais intervencionista, ainda que, lá como aqui, a diferença dos vencedores para os vencidos tenha sido apertada, no caso argentino de apenas 2,8%, e que ambos não conseguiram fazer maioria nos seus respectivos Congressos.

A Argentina, como o Brasil, grandes exportadores de commodities, se beneficiou do boom da economia chinesa, reduzindo a pobreza e as desigualdades. Mas esta era chega ao fim, como no Brasil, encerrando o ciclo dos avanços sociais e trazendo de volta o desequilíbrio econômico e fiscal, o desemprego e o baixo crescimento.

Maurício Macri
Resta saber se as promessas de campanha de Maurício Macri se concretizarão, com a retomada do crescimento. E aí, quem sabe, a gente possa fazer jus ao antigo slogan da vodca Orloff, olhar para a Argentina e dizer, com certo orgulho e muita esperança: eu sou você amanhã.

(para ver o artigo de José Paulo Kupfer, acesse Estado de São Paulo, Economia)

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

video
Convite para 1o. Congresso Online de Marketing Politico e Eleitoral
O site é www.comape2015.com.br

sábado, 21 de novembro de 2015

SUPREMO ENXERIDO



Virou mania nos círculos políticos brasileiros resolver seus problemas via “Justiça”.  O que não se consegue no parlamento, no jogo político, tenta-se nos tribunais. É o impeachment da presidente, a saída do Cunha, a reviravolta em decisões perdidas na Câmara, no Senado e qualquer coisa que uma entidade qualquer não consegue impor politicamente. O resultado é um judiciário legislador, cada vez mais à vontade para decidir sobre a vida política e institucional do país, mesmo quando não é solicitado, ocupando os espaços que cabem aos outros poderes.

Os membros da nossa Corte Suprema, que poderiam mirar-se nos seus pares de outros países, não se furtam de manifestações públicas e atitudes que não condizem com o cargo que ocupam.  Recentemente, por exemplo, tivemos o presidente da Suprema Corte, o ministro Ricardo Lewandowski atuando como mero sindicalista, discutindo com a presidência da República aumento para os membros do judiciário e, como se não bastasse, nas últimas semanas dando conselhos à nação sobre a inconveniência de um hipotético impeachment da Presidente que, no seu entendimento, seria “um golpe”. Outro ministro, veio a público por esses dias, para sugerir a renúncia do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, como solução para o impasse político,, criado naquela Casa.
O que não se discute aqui, ainda que discutível sejam, é o conteúdo das opiniões emitidas. O que se lamenta é a atitude dos membros da mais alta instância da justiça brasileira opinando sobre isso e aquilo, muito do isso e aquilo que podem a qualquer momento serem levados à Corte Suprema para julgamento. Antecipam assim, sem nenhum constrangimento, na base da opinião, o que poderá ser o seu voto, que deveria ser calcado exclusivamente no que diz a lei. Pior ainda é – quando desclassificam os demais poderes – praticamente usurpando suas funções e põem-se a legislar sobre o que não lhes compete.

Vai assim o país mergulhando, também, numa confusão institucional, com o judiciário interferindo na seara alheia, judicializando a política, se travestindo em legislativo. Foi assim com a tal reforma política, praticamente feita pelos tribunais, ainda que com a contribuição desastrada dos demais poderes, por exemplo, e como uma interminável série de ações que os mais variados grupos e tendências politicas insistem em levar ao judiciário.

As atitudes dos dois lados, judiciário e atores políticos, não tem feito bem a democracia brasileira. Oxalá ambos tenham um arroubo de consciência cívica e limitem-se às funções para as quais existem. Desta forma poderão prestar um serviço efetivo para a consolidação da nossa democracia e o aprimoramento da Justiça, que deve ser imparcial, restrita a que dizem as leis, ficando longe das inclinações político/partidárias dos seus membros.



quarta-feira, 18 de novembro de 2015

TERRORISMO, LAMA E EPIDEMIA DE MICROCEFALIA


Isso tudo junto faz algum sentido pra você? Provavelmente não, mas são, todos atos terroristas, ainda que praticados por agentes heterodoxos, com motivações total e absolutamente diferentes. O fato é que os ataques do terrorismo clássico em Paris ofuscaram (e aqui não vai nenhum juízo de valor, nem qualquer tentativa de fazer campeonato de tragédias) ofuscaram, repito, na mídia, duas inacreditáveis – e anunciadas – tragédias no Brasil. 

O mar de lama, da mineradora Samargo, segue provocando destruição e morte e pesquisadores já admitem que a saúde das populações, por onde ela passa, está ameaçada por muitos e muitos anos, com a contaminação da flora e da fauna das regiões atingidas por toda a sorte de metais pesados, incluindo mercúrio, na verdade por praticamente “toda a tabela periódica” , como já declarou um especialista.

Espera-se problemas gravíssimos de saúde em humanos, como consequência do consumo de água, de animais, que se alimentam e se alimentarão em solos contaminados, o mesmo acontecendo com a lavoura. E não estamos falando sequer dos prejuízos financeiros e das extensas áreas que se tornarão inabitáveis, com a solidificação da lama.

A outra tragédia anunciada é uma inacreditável “epidemia” de microcefalia, com centenas – notem centenas – de crianças sendo diagnosticadas em praticamente todo o país. A causa tem como principal suspeita a tal de Zika, que teria contaminado as mães  e que é transmitida pelo mosquito da dengue, responsável também pela disseminação da  Chikungunya, outra doença viral cujos sintomas são muito parecidos com os da dengue. Já são vários Estados em alerta e a grande providência das autoridades, até agora, além da notificação de casos de grávidas com sintomas da doença é a “recomendação” para que as mulheres evitem a gravidez pelo menos nos Estados onde a epidemia está sendo registrada.

No caso da lama estão sob suspeita mais duas barragens, que correm risco de rompimento e podem provocar uma tragédia ainda maior. Tudo sob os olhares cúmplices e complacentes das nossas autoridades, não foram capazes de fiscalizar, prever ou, ao menos, terem um plano de contingência para o enfrentamento de tragédias deste tipo. No caso da Zika, a sua entrada no país não foi levada a sério, em se tratando de algo totalmente desconhecido pelas autoridades da saúde, sendo classificado como uma doença parecida e – pasmem – menos letal que a dengue. O resultado é esse: uma epidemia de microcefalia, centenas de crianças que terão o seu futuro comprometido, famílias envoltas numa tragédia que poderiam ter evitada se um mínimo de informação lhes fosse oferecida.

Trata-se, na minha – talvez esdruxula opinião – todos atos de terrorismo. O do tal “Estado Islâmico” não requer explicação. São conhecidas as motivações e os métodos. Nos outros dois estão presentes todas as caraterísticas de um ato de terror: provocar transtornos incontroláveis na vida das pessoas, com a possibilidade real de morte, dor, medo, com total insegurança sobre o seu modo atual e futuro de vida. Estão todos presentes nos dois episódios, graças a permanente omissão do Estado brasileiro, sua inépcia na fiscalização de atividades perigosas, sua inacreditável incapacidade de prevenir tragédias, seu eterno desleixo pelos malefícios, de todas as espécies e qualidades, que recaem sobre a população sempre indefesa e desinformada sobre as consequências das tragédias anunciadas

Enquanto isso a preocupação dos atores políticos e do “mercado”  é com a possibilidade da troca do ministro da Fazenda, o Levy, pelo Meirelles. Deus nos ajude.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

MAIORIA DOS ELEITORES REJEITA TODOS OS CANDIDATOS.

Enquanto a crise econômica cada vez se aprofunda mais, corroendo as finanças e a esperança da maioria da população o “debate político” permanece restrito ao sai-não-sai da presidente, o cassa-não-cassa o mandato do presidente da Câmara, o fica-não-fica do ministro da Fazenda, o volta-não-volta do Lula em 2018. Ou seja estamos discutindo o que a rigor, não interessa a ninguém, noves fora o mundo político, que parece viver no mundo da Lua.

Não é a toa que aumenta a cada dia, de forma exponencial, a rejeição a política brasileira.
Segundo pesquisa recente do Ibope, 2 em cada 3 eleitores (notem bem dois em cada três) não votaria de jeito nenhum em metade ou mais dos seis virtuais candidatos a presidente testados na pesquisa.

O que chama a atenção na pesquisa não é a (alta) rejeição individual dos candidatos, mas a rejeição generalizada. Nada menos que 49%, quase metade dos entrevistados dividem a sua repulsa entre pelo menos dois dos presidenciáveis. Nada menos que 24% dos eleitores rejeitam simultaneamente Lula e Aécio e, eventualmente mais alguém. Se o candidato tucano for o Serra a rejeição de ambos chega a 29% dos eleitores e a 30% no caso de Geraldo Alckmin. Ou seja, dependendo apenas de quem for o candidato do PSDB, um terço ou um quarto dos eleitores não votaria, de jeito nenhum nem no petista nem nos tucanos.

 
Lula, sozinho, é dono da maior taxa de rejeição, nada menos que 55% dos eleitores afirmam que não votariam nele, de jeito nenhum. O dobro dos eleitores que dizem que votariam nele com toda certeza.

Com isso, aparentemente, e só aparentemente, cresceriam as chances de um “tertius”.  E, obviamente, neste caso, os olhares e expectativas se dirigiriam para Marina Silva, que já representou este papel, de terceira via, em eleições anteriores. Marina saiu de cena, logo após as últimas eleições presidenciais,onde chegou a ameaçar por alguns momentos o candidato do PSDB rumo ao 2o. Turno, para dedicar-se ao consolidação do seu partido a Rede. De lá para cá tem evitado, a todo custo, envolver-se na briga entre o PSDB, o governo Dilma e o PT. Acontece que metade dos eleitores afirma que não votaria, também, de jeito nenhum, em Marina.

Com Marina dividindo as mesmas taxas de rejeição dos tucanos, que são rejeitados também por boa dos anti-petistas, parece claro que existe uma janela de oportunidade, para o surgimento de um nome que supere essa rejeição generalizada. Nesse momento ele simplesmente não existe, ainda que as condições para o seu surgimento estejam dadas. Resta rezar para que não seja mais um aventureiro, algo semelhante ao que aconteceu nas eleições em que Collor foi vitorioso e enfrentemos outro período de turbulência.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

O BRASIL, A TEMPESTADE PERFEITA E O NÓ GORDIO.


Sai Dilma, fica Dilma... sai Levy, fica Levy... fora Cunha, salve-se Cunha... façamos ajuste fiscal, não façamos... volta, não volta a CPMF... dólar sobe muito, sobe pouco... Dizem que foi Serra que cunhou (ops) a expressão “tempestade perfeita” para tentar adjetivar o atual clima político econômico brasileiro. Na "tempestade", como é óbvio estariam presentes todos os ingredientes para que ela seja realmente considerada "perfeita", espetacular. A vantagem, inerente  a expressão, é que as tempestades são datadas. Mais cedo ou mais tarde vem a bonança, ainda que hajam prejuízos a serem contabilizados. Agora, no entanto, já tem gente falando em nó górdio para adjetivar o crise.

O nó górdio, reza a lenda, seria impossível de ser desatado a não ser que se procurasse uma solução “fora da caixinha”, algo inusitado ou mesmo através de uma trapaça. O sucessor do rei Górdio, da Frígia, o autor do tal nó impossível de ser desatado, foi sucedido pelo seu filho, Midas, que, no entanto, ao morrer não deixou herdeiros. O oráculo real declarou, na época, que aquele que conseguisse desatar o nó dado pelo rei Górdio dominaria toda a Ásia. Quinhentos anos se passaram até que Alexandre, o Grande, ao passar pela Frígia, foi até o templo de Zeus e depois de muito analisar, mas pensando “fora da caixinha” ou trapaceando, como querem alguns, simplesmente desembainhou a sua espada e cortou o nó. Coincidência ou não, lenda ou não, o fato é que Alexandre se tornou o senhor de toda a Ásia Menor poucos anos depois.

Para quem acha que a nossa situação, está cada vez pior, mais para nó górdio do que para tempestade perfeita, a sugestão é clara: está mais do que na hora de se tentar uma solução que fuja da caixinha, que se procure algo original, nem que seja uma trapaça, como a de Alexandre, o Grande.

A pergunta, que não quer calar, no entanto, é se entre os atores políticos atuais, governantes, legisladores... seja lá quem for, existe alguém com uma vontade real de desatar o nó, ainda que através de uma trapaça qualquer? Sejamos honestos: somos bons de trapaças, mas haverá clima para trapacear? A opinião pública, que só se expressa vigorosamente através de pesquisas e parece bem desinteressada de ir às ruas, toleraria, no entanto, uma trapaça, uma jogada fora das regras? A ver. E por favor não me venham falar de impeachment sai não sai. O fato é que sequer um plano para trapacear nós temos. Como já disse um certo governante, "o tempo é o senhor da razão", ou seja, dá-se um tempo que a solução, real, verdadeira, racional, aparece. Mas será que temos tempo para recuperar o que já perdemos, principalmente em termos econômicos? Afinal, ao contrário da lenda, não podemos esperar 500 anos por uma solução.

sábado, 17 de outubro de 2015

E NÃO É QUE LULA TEM RAZÃO?


Ainda que por motivos diversos, concordo com o ex-presidente: é preciso trocar a agenda de cortes pela do crescimento, emprego e distribuição de renda. “Eu vou para a rua defender o quê? A gente precisa vender esperança. Qual é o futuro? A agenda não pode ser só ajuste fiscal”, tem afirmado o ex-presidente.

É claro que – provavelmente ao contrário do que pensa o ex-mandatário – eu continuo achando que um ajuste fiscal é necessário. Por motivos óbvios e primários: não é possível gastar mais do que se ganha (ou se arrecada). Não dá certo, mesmo que você seja o dono da máquina de imprimir dinheiro. Sem lastro logo-logo o papel não vale nada. Os mais velhos, como eu, já vivemos isso: “cortação” de zeros nas notas, salários na casa dos milhões que não valiam nada, a impossibilidade total de saber o real valor de qualquer produto ou serviço.

Mas, como diz o ex, ainda que por outros motivos, não se pode ficar eternamente discutindo um “ajuste” que nunca é feito, só discutido, e cuja única solução parece ser o retorno da tal CPMF. Sem um projeto, um projeto de futuro, como diz o ex-presidente, a coisa toda parece estar restrita em arrumar mais dinheiro para continuar com a gastança desenfreada.

Não é a toa que a cada dia aumentam as pressões para a saída do ministro da Fazenda,  sobre o qual tem muita gente interessada em jogar a culpa pela crise econômica e a falta de perspectivas. Assim a atual presidente não seria culpada de nada, no máximo talvez, pelo engano de ter colocado o Levy como ministro da Fazenda.

Seja lá como for, que tipo de solução as autoridades decidam adotar, o fato é que não podemos continuar indefinidamente, como ressalta o ex-presidente, ainda que com outras intenções, discutindo um ajuste fiscal que nunca se viabiliza e, o que é pior, completamente desconectado de qualquer projeto de crescimento, de um plano para o futuro.

Do jeito que as coisas estão, só estamos perdendo tempo. E tempo em economia é vital.  Em vez de continuarmos no ponto morto, como agora, estamos, com muito entusiasmo começando a caminhar para trás. Não será a simples troca do “mão de tesoura” como o atual ministro da Fazenda é apelidado pelos seus cada vez mais numerosos desafetos, que resolverá os nossos problemas.

Precisamos urgentemente de um projeto. Um projeto de futuro. Do jeito que as coisas estão vamos perder o “time” da história. Aquela conversa de país de futuro pode se transformar rapidamente em outra: país sem futuro. E pelo andar da carruagem, nem governo, nem oposição, ninguém, na verdade, tem qualquer ideia viável do que temos que fazer para superar esta crise. Preferimos ficar discutindo o sai não sai da Presidente, do cassa não cassa o mandato de Cunha, se Levy continua ou sai... e ficamos nisso. Triste país, sem ideias, sem perspectiva, sem nada.

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

O BRASIL EM PONTO MORTO


O que aflige realmente o brasileiro neste momento? Na boca do povão certamente a pergunta é: o que vai acontecer com a gente? O que se pode ou se deve esperar para este País? Alguém em uso pleno de suas faculdades mentais acha mesmo que as pessoas vivem diariamente o drama do impeachment ou do sai não sai do Eduardo Cunha, atormentadas pela dúvida se o melhor é um novo governo com Temer, a volta do Lula (para consertar isso aí) ou que estão doidas que Dilma saia para irem correndo às urnas para votar em Aécio, Alckmin (contra tudo o que está aí) ou Marina (por uma sociedade agro-verde-religiosa?).

Ninguém aguenta mais essa discussão diuturna sobre ajuste fiscal, que sai, mas não sai, enquanto é obrigado a fazer malabarismo para chegar ao fim do mês pagando as contas e tendo o que comer, com sete em cada 10 brasileiros pretendendo reduzir ainda mais o consumo até o fim do ano.

45% dos brasileiros já alteraram – e em muito – a forma de comprar bens e serviços e outros 36% pretendem fazer o mesmo até o fim do ano, segundo dados de uma pesquisa da consultoria Officina Sophia.  Ou seja, enquanto governo e atores políticos digladiam em torno do que fazer para superarmos a crise econômica e política e não chegam a nenhum lugar, as pessoas já estão fazendo o seus ajustes fiscais na esperança de sobreviverem à crise, mas  - ao mesmo tempo – sem nenhuma expectativa de futuro. E não existe nada pior que um povo sem esperança, sem expectativas.

A única certeza que temos é que quanto mais tempo levar para que este no político seja enfim desatado, muito mais tempo ainda levaremos para recuperarmos a economia. E a economia mundial não perdoa que se atrasa. Quando um país começa a andar para trás não adianta depois tentar sair correndo para recuperar o tempo perdido.  A curva do espaço-tempo econômico costuma de autoalimentar e aí, caros patrícios, podemos estar vivendo o fim, em definitivo, do tal futuro promissor que há anos nos vendem como factível, possível e próximo.

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

DEPUTADOS QUEREM CENSURAR A INTERNET


Vem aí mais uma tentativa de censura, desta vez bem radical, de censura na internet.
Nas leis nazistas a inspiração  
O texto aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados no ultimo dia  6 (Projeto de Lei (PL) 215/20125) modifica o Marco Civil da Internet e estende o chamado “direito ao esquecimento e a remoção de conteúdos da internet” para pessoas públicas e – obviamente – para os políticos e vai sobrar cana dura para quem descumprir a lei.

A armadilha e a censura com a inacreditável borracha nos fatos históricos, está no texto que permite a qualquer pessoa requerer na Justiça a remoção de conteúdo que “associe o seu nome ou a imagem a crime que de que tenha sido a absolvido, com trânsito em julgado e “associe o seu nome ou imagem a fato calunioso, difamatório ou injurioso”. Ou seja, uma porteira onde cabe qualquer coisa. Assim, por exemplo, se qualquer pessoa em site, aplicativo, grupos de discussão, jornais, rádios e TVs etc., etc. que estejam na internet, se afirmarem que determinado deputado possui contas ilegais no exterior e ele negar peremptoriamente, pode recorrer a Justiça e esse fato/noticia ser simplesmente apagado da internet para sempre.

Como se não bastasse o projeto amplia as exigências para acesso a sites e aplicativos, com os usuários tendo que informar o seu CPF, RG, filiação, conta de email e telefone que podem ser solicitados – sem autorização da Justiça, independentemente do fato de ser autor ou ter simplesmente comentado

E para quem acha que pode levar na brincadeira essa maluquice é bom ficar atento as penas previstas: o dobro no caso de crimes que tenham o “emprego de equipamento, aparelho, dispositivo ou outro meio necessário à realização de telecomunicação, ou por aplicação de internet”. Não caberá fiança, ou seja, a pessoa acusada vai presa e não pode responder em liberdade. Quando o crime resultar na morte da vítima, a pena será ampliada cinco vezes.

Para relator do Marco Civil na Câmara, deputado Alessandro Molon (Rede-RJ), o projeto representa um risco para a construção da memória e da história brasileira. O deputado usa como exemplo o caso do ex-presidente Fernando Collor de Mello, que foi afastado pelo Congresso Nacional, mas absolvido no Supremo Tribunal Federal. “A informação de que ele foi processado no Supremo, mesmo que tenha sido absolvido, é uma informação relevante do ponto de vista histórico e você não pode apagar e fingir que isso não existiu”, pondera acertadamente.

O Conselho de Comunicação do Congresso Nacional já se posicionou contra o projeto, assim como o Comitê Gestor da Internet no Brasil que, acreditam que o projeto subverte “os princípios e conceitos fundamentais da Internet” ao propor o estabelecimento de “práticas que podem ameaçar a liberdade de expressão, a privacidade dos cidadãos e os direitos humanos em nome da vigilância, bem como desequilibrar o papel de todos os atores da sociedade envolvidos no debate”. [Da Agência Brasil]

terça-feira, 6 de outubro de 2015

AS CAMPANHAS POLITICAS SOB AJUSTE FISCAL


Nas próximas eleições partidos e candidatos terão de fazer um “ajuste fiscal” bem mais rigoroso e amplo que o que se espera do governo federal para conseguir bancar os custos e fechar as contas. Com a proibição das doações empresariais o tal de Fundo Partidário, que é alimentado por recursos públicos se transformou na única fonte de financiamento das campanhas eleitorais.

O problema é que – considerando os padrões de gastos atuais, esses recursos serão insuficientes, mesmo que fossem investidos integralmente nas campanhas. Hoje, os 867 milhões do Fundo cobririam menos dos 20% dos custos das mais recentes campanhas municipais (de 2012).


Para equilibrar as contas, os partidos teriam – teoricamente – algumas alternativas: mudar completamente o formato atual das campanhas, cortar radicalmente os gastos, multiplicar as doações de pessoas físicas ou elevar drasticamente o valor do Fundo Partidário. Ou, ainda, uma combinação de algumas dessas medidas.

Acontece que nenhuma dessas alternativas, ou qualquer combinação entre elas, é de fácil aplicação. O formato atual dos programas e inserções segue, mais ou menos, o padrão, o tipo de “programação” que as pessoas estão acostumadas a ver, seja na TV aberta ou fechada. Uma mudança radical, destinada a reduzir os custos em cerca de 65%, pode resultar num fracasso/rejeição da audiência que ninguém, neste momento, é capaz de mensurar com uma mínima margem de certeza. Além disso, os cortes não incidiriam apenas na “comunicação” de rádio e TV. Toda a estrutura das campanhas será afetada. Multiplicar as doações de pessoas físicas também não é uma tarefa fácil. Não temos tradição nessa modalidade de financiamento e num contexto de altíssima desconfiança com relação aos partidos e políticos, convencer as pessoas a colaborarem financeiramente com as campanhas dos candidatos será uma tarefa inglória. Turbinar o Fundo Partidário, multiplicando por – pelo menos – seis o valor atual é politicamente inviável.

Como se não bastassem os problemas financeiros, a reforma política, tocada no varejo e de acordo com as conveniências momentâneas de uns e outros, vai fazer com que essas eleições sejam extremamente favoráveis para candidatos muito conhecidos e as tais celebridades. Os novatos, pouco conhecidos, não terão nenhuma chance. O pouco tempo para as campanhas vai favorecer ainda as acusações, verdadeiras ou não, contra adversários. Se tiverem um mínimo de aderência, ninguém terá tempo suficiente para se defender e voltar a ser competitivo. Candidatos a reeleição, como um piso mínimo de aprovação, também serão beneficiados, pois os seus adversários terão pouco espaço para críticas e ao mesmo tempo apresentarem as suas propostas.

Enfim, serão eleições que provocarão mudanças radicais na forma e conteúdo das tais propagandas eleitorais e nas estruturas das campanhas. E tem todos os ingredientes para provocarem uma nova “reforma política” para as eleições de 2018.