terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

ROUSSEFF, LOS MALES DE BRASIL... Y PETROBRAS (de Rafael Vilar)

Publico aqui o comentário do meu amigo Rafael Vilar, que escreve aos domingos em El Deber, de Santa Cruz de la Sierra - Bolívia. Vilar é diretor - proprietário da Vilar Asociados, uma consultoria multimídia, com atuação em setores públicos e privados, partidos políticos e organizações internacionais.
Segue o comentário que ele publica, também, em seu blog: Lo que pienso.

ROUSEFF, LOS MALES DE BRASIL... Y PETROBRAS

Pareciera que un Exú quiso castigar a Brasil porque le han llegado varias plagas: una economía en caída —ya este año vivió una recesión “técnica”, eufemismo maquillador—; insatisfacción con servicios públicos deficientes; caída de los commodities, y una Petrobras desinflándose con su PreSal que se desvanece con un petróleo que se abarata continuamente. Y escándalos que explotan como bubas de una peste negra, la de la corrupción.

En 2014 Dilma Vana da Silva Rousseff ganó en ballotage la Presidencia en Brasil y, aunque reelegida por estrecho margen —3%—, la sexta Presidente de Brasil del regreso a la democracia que ella misma ayudó a forjar mantuvo su cargo. Un cargo con sabor amargo.

De O maior país do mundo anunciado por su mentor Luiz Inácio Lula da Silva no queda mucho que festejar: La economía decrece porque se ideologizó —en pulseta temerosa con la Venezuela bolivariana—, no se hizo competitiva y apostó a cerrarse —el Mercosur no cuaja, cierre al libre comercio y apuesta hacia mercados africanos—; la clase media pujante —herencia de Cardoso que Lula da Silva fructificó— se siente frustrada y temerosa de regresar a la pobreza mientras los aún pobres de la Bolsa Família —caudal de Dilma y el PT— temen perder las ayudas sin haber obtenido —tampoco eran promovidos— empleos de calidad. Y la solución: medidas ortodoxas bastante liberales.

Si antes el mensalão desnudó la corrupción política, los sobreprecios que pagó Petrobras para financiar al PT y aliados en repartijas de grandes contratos son más de la mafia del Chicago de la Prohibición.

Mi comentario «Rousseff, los males de Brasil... y Petrobras» publicado hoy domingo 22.02.2015 en "El Deber" (Santa Cruz de la Sierra - Bolivia) sobre los retos para Rousseff. Los comentarios ya no aparecen en el nuevo diseño del Website del periódico.
Puede leerse  –con su información consultada– en mi blog http://joserafaelvilar-loquepienso.blogspot.com/2015/02/rousseff-los-males-de-brasil-y-petrobras.html. 
Les hago recuerdo que aparezco en Twitter @jrvilar.
Mis saludos y muchísimas gracias por leerme.


José Rafael Vilar
Director








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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

1Q84 - UMA OBRA BRILHANTE DE HARUKI MURAKAMI

Confesso que conheço pouco, a rigor nada mesmo, da literatura japonesa e me encantei com 1Q84, de Haruki Murakami. Um romance nitidamente japonês, em três volumes, sofisticadíssimo, numa narrativa envolvente de amor, mistério e morte, que se passa basicamente em Tóquio, mas com menções internacionalistas, como Proust, Duke Ellington, Janácek, com sua Sinfonietta, que permeia boa parte da trama, Sonny, Cher, Faye Dunaway e, como sugere o título, George Orwell. Sucesso no mundo inteiro, 1Q84 já ultrapassou a marca de 4 milhões de exemplares só no Japão.

Murakami narra duas histórias: de Aomame, uma jovem de profissão arriscada e fatal, que tem necessariamente que permanecer oculta, e a de Tengo, um professor de matemática, que aspira ser escritor e que se envolve numa trama perigosa ao reescrever um romance, inicialmente escrito por uma misteriosa e bela jovem de apenas 17 anos. Uma história aparentemente inocente e juvenil, embora cativante, mas que revela, sem que se perceba, poderosos segredos de uma seita misteriosa.

1Q84 é um mundo real e irreal ao mesmo tempo irreal, onde nada é exatamente como antes. E por eles que transitam os personagens, muitas vezes sem se dar conta das mudanças e das características especiais desses mundos que se entrelaçam. "Qualquer um", segundo a crítica do New York Times Book Review, com a qual concordo integralmente, "pode contar uma história que se pareça com um sonho, mas é raro o artista, como Marakami, que nos faz sentir como se nós mesmos estivéssemos sonhando".

Haruki Murakami, nasceu em 1949, em Kyoto. Cresceu em Kobe e viveu por quatro anos nos Estados Unidos, onde lecionou em Princeton. Voltou para o Japão em 1995, onde vive até hoje nos arredores de Tóquio. Sua obra já foi traduzida para mais de 40 idiomas, conqistando importantes prêmios. É hoje um dos autores mais importantes da moderna literatura japonesa. No Brasil pode-se ler ainda o relato Do que eu falo quando eu falo de corrida e os romances Minha querida Sputnik, Norwegian Wood, Kafta à beira-mar e Após o anoitecer.



quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

PMDB EMPAREDA O PLANALTO, O PT E AGE COMO GOVERNO.

Enquanto o PT tenta se desenrolar dos escândalos da Operação Lava-Jato, o governo vê despencar a sua popularidade e o PSDB permanece, como sempre, sem saber o que fazer na oposição, o PMDB vai, na toada de sempre, tomando conta do pedaço e agindo, como se fosse na verdade governo. Comanda o Senado e a Câmara, onde impõe a sua agenda, goste ou não a presidente, que - pelo visto - continua avessa a fazer política. Boa parte disso se deve a inacreditável incompetência do governo em fazer articulação política, principalmente em um momento em que se vê acuado por escândalos que pipocam por todos os lados e na forma atarantada com que enfrenta os gigantescos problemas da economia.
Daí a emprestar a Eduardo Cunha e afins ares de modernidade e de oposição consequente vão milhares e milhares de anos luz. O que se vê é um total desequilíbrio entre os dois poderes, como Congresso impondo derrota após derrota ao governo, mas sem que essas derrotas, ou vitórias, dependendo do ponto de vista, estejam calcadas, alicerçadas em algum projeto. Seria bom que o PMDB apresentasse alguma alternativa real para tudo o que está aí. Ao mesmo tempo em que o governo deixasse de fazer beicinho e começasse a conversar com o Congresso e com o povo brasileiro como se gente grande o fosse.

AS DEMONSTRAÇÕES DE INDEPENDÊNCIA

Para demonstrar a sua "independência" e começar a se descolar do PT, pelo menos enquanto durarem os escândalos, o PMDB deu aos oposicionistas do DEM o controle da comissão sobre reforma política; Articula ainda medidas para barrar a formação de novos partidos, impedindo o governo de criar novos eixos de articulação, como vem tentando fazer, por exemplo, com as bençãos palacianas, o ex-prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab; Na área de articulação política a coisa está escancarada, com o rompimento, devidamente vazado pelo PMDB, da relação de
Eduardo Cunha com Pepe Vargas, ministro das Relações Institucionais, seja lá o que for que signifique esse ministério; o partido já decidiu também que vai incluir o pagamento de R$10 milhões em emendas para os novos deputados; E, para deixar ainda mais irritados o Planalto e o PT, já deixou claro que não haverá nenhum esforço para aprovar mudanças nas leis trabalhistas e o veto da presidente do Imposto de Renda também deverá ser derrubado. Como se não bastasse, o nome de José Eduardo Cardoso, ministro da Justiça, que Dilma quer emplacar no Supremo, deve ser rejeitado. Por fim, o controle da CPI da Petrobras, ao contrário do que aconteceu com a sua antecessora, morta por inanição, deverá ficar com o bloco que apoiou Eduardo Cunha para a presidência da Câmara. Como se não bastasse ainda elegeu para liderar a bancada do partido na Câmara, o carioca
Leonardo Picciani, que apoiou publicamente a candidatura de Aécio Neves nas últimas eleições presidenciais e um defensor de candidato próprio para a Presidência da República em 2018.

CONVOCAÇÃO DE TODOS OS MINISTROS
E para fechar a semana, com chave de ouro, a Câmara aprovou um convite global para todos os 39 ministros de Estado comparecerem à Casa ao menos uma vez ao longo deste ano. E Eduardo Cunha já avisou que, no caso de algum deles de recusar a comparecer, o convite muda imediatamente para convocação. O primeiro da fila deverá ser o ministro das Minas e Energia, Eduardo Braga.

FORA TEMER
Já circula inclusive, pelos meios políticos, que estaria em curso articulações para tirar Michel Temer da presidência do partido e colocar alguém mais identificado com o "novo perfil da legenda". 

DILMA RECORER A LULA E OFERECE CARGOS
O Planalto reage como sempre: oferecendo cargos e mais cargos aos tais partidos aliados. A primeira investida foi junto ao PRB e mais oito nanicos, que juntos formam 39 deputados. Além de cargos no Ministério dos Esportes, postos na Caixa Econômica e no Banco do Brasil também foram oferecidos. A outra providência de sempre foi pedir auxílio do ex-presidente
Lula, com que a presidente se reúne hoje (12/02) em São Paulo. 
O Planalto conta ainda com os desdobramento da Operação Lava Jato para enfraquecer Cunha. Acredita que os parlamentares vão estar mais preocupados em salvar a própria pele do que em se unir para emplacar novas propostas contra o governo. 
Enfim, a ver.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

O HOMEM QUE AMAVA OS CACHORROS

O livro do  escritor cubano, Leonardo Padura, é uma leitura bem atual, recomendada principalmente àqueles que ainda se agarram às velhas e surradas teses do marxismo-leninismo, em especial os comunistas tupiniquins. Uma obra de ficção e não ficção, abordando um fato real: o assassinato, a mando de um dos maiores criminosos do século passado, Joseph Stalin de Liev Davidovitch Bronstein, que ficou conhecido como Leon Trotski. O assassino, Jaime Ramón Mercader del Rio Hernández, assim como Trotski, amava os cachorros,

O texto é primoroso, Padura escreve muito bem, que faz com que avancemos, quase sem perceber, sobre as quase 600 páginas do livro, que conta com um excelente prefácio (Um thriller histórico) de Gilberto Maringoni.

Padura aborda um período que vai da Revolução Russa, de 1917, até os primeiros meses da Segunda Guerra Mundial (1940), um tempo em que a atual configuração do mundo foi traçada. Acompanha o declínio de Trotski, sua peregrinação, como exilado, por vários países, para finalmente chegar ao México, onde é assassinado e, em paralelo, a vida de Ramón Mercader até a sua morte, em Cuba. Ao narrar os fatos pela ótica de um fictício escritor cubano, Padura faz ainda uma importante reflexão sobre a vida naquele país, suas dificuldades econômicas, o sonho “tão cubano” de sair da ilha, os eventuais êxitos e as enormes insuficiências da tal revolução socialista tropical.

Trotski foi, ao lado de Lenin e outros, um dos protagonistas da Revolução de Outubro. No comando do Exército Vermelho, cometeu inúmeros crimes, ao reprimir com mão de ferro, qualquer tentativa que, ao seu critério, ameaçava a revolução proletária. Mas a perseguição implacável de Stalin, extensiva aos seus seguidores, na sua ânsia de domínio para liderar e moldar ao seu gosto, critérios e conveniências, aqueles que acreditavam fazer a “revolução mundial” e exercer um domínio completo e absoluto da União Soviética, não se compara, sob nenhum aspecto, aos desmandos de Trotski quando esteve no poder.

Vale ainda conhecer melhor Ramón Mercader, um catalão, que dedicou toda a sua vida à luta pela revolução. Viveu a Guerra Civil Espanhola, onde se destaca, sendo enviado para a União Soviética, onde seria recrutado pelos serviços secretos. Não era um assassino de aluguel, mas um homem convencido de que o seu crime era necessário, num tempo onde não havia espaço para dissidentes, e estava inserido na luta pela revolução mundial, da qual Trotski, como pintava Stalin, era um dos seus maiores inimigos. Mercader passou vinte anos na prisão, sem jamais revelar nada sobre a sua missão. Só em 1953 a sua identidade foi revelada, mas as suas ligações com a temida NKVD só foram conhecidas em 1990 com o declínio da União Soviética e a revelação de parte dos crimes de Stalin.


O livro de Padura fala de uma disputa aparentemente superada e datada. Mas só na aparência. Os fatos narrados servem para pensarmos melhor sobre o presente e os novos e velhos processos de transformações sociais. E são uma reflexão sobre fatos que podem nos levar a pensar melhor sobre os próximos passos a seguir em busca de um mondo melhor.

CONVERSANDO COM DEUS

Alguns, incrédulos, podem até fazer blague, mas o fato é que estive conversando com Deus e ele me deu um recado. Confesso que não foi fácil esse interlocutório. Como todos, suponho, sabem, Deus é muito ocupado. São muitos problemas, muitas questões, de todos os cantos do mundo, a exigir a atenção do Todo Poderoso.  Tentei primeiro sozinho, por aqueles caminhos que a gente aprende desde pequeno, mas não obtive êxito, por mais que tentasse. Dei o Poderoso por muito ocupado ou, talvez, sabendo que o meu assunto não era deveras importante, tenha me deixado de lado para cuidar de outros mais importantes. Pedi auxílio aos anjos, arcanjos, querubins e serafins, aqueles que não cessam de cantar em uma só voz, e nada, também.  Resolvi apelar então para o meu amigo, que nunca me falta nas horas mais difíceis. Hesitei um pouco, pois não costumo incomodá-lo com qualquer coisa, embora o caso não fosse uma coisa qualquer, a bem da verdade.

Assim fui a São Benedito. Estava ocupado, também. Parece que o pessoal lá de cima anda muito ocupado ultimamente, mas insisti, insisti e finalmente o Santo me atendeu e, graças a sua interferência pude, finalmente, fazer a pergunta que tanto me atormenta ao longo de todos esses anos:   

Deus, por favor, me desculpe incomoda-lo. Sei que o Senhor é muito ocupado, tem muitas coisas... E Ele, me interrompeu de pronto: Não, Menezes, definitivamente não. Eu não sou brasileiro. E foi-se.

Ele é sempre ligeirinho assim? Indaguei de São Benedito, presente ao encontro.Com um risinho safado (sim, São Benedito é bem humorado, caso não saiba o senhor) me respondeu: ainda mais com uma pergunta idiota dessas.

Perguntei se haveria algum incômodo, ou inconveniente, em divulgar a péssima nova para os demais compatriotas. Claro que não, afirmou o Santo. Mas ninguém vai acreditar. Primeiro, que você não tem nenhuma credibilidade como porta-voz de Deus. E, em segundo lugar, esse pessoalzinho aí, onde você vive, está acostumado a achar essa bobagem e o que é pior,  usar isso para continuar fazendo as merdas todas que costumam fazer. Portanto, seu eu fosse você ficaria na minha.

Confesso, que fiquei um pouco chocado com a linguagem do Santo. Sempre pensei que eles se comunicavam em linguagem mais formal. Não tanto quanto as dos deputados, mas alguma coisa mais cerimoniosa, mas enfim, devo admitir, foi bem objetivo, embora o pior ainda estava por vir: E tem mais completou. Só intercedi por você porque você estava enchendo demais o meu saco, querendo, querendo, querendo, de todo jeito fazer essa pergunta idiota. Por conta disso o seu crédito ficou negativo. Vai passar um bom tempo antes que eu volte a atender qualquer pedido seu. Você não enxerga nada do que acontece em sua volta, mané?


Pois é, além de Deus, definitivamente, não ser brasileiro, ouvi isso direto da boca (digamos assim) do Todo Poderoso, parece que a pergunta não faz muito sucesso na turma lá de cima. Passei por besta, perdi a oportunidade de falar alguma coisa que prestasse com o Divino e, como se não bastasse, descobri que a minha relação com o Santo tem qualquer coisa parecida com o meu relacionamento com o Itaú. Deu bobeira? Saldo negativo.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

FALTA ÁGUA E FALTA LUZ, MAS SOBRA BOBAGEM NO FACE NA BATALHA ENTRE TUCANOS E PETISTAS.

De uns tempos para cá, começou a se reproduzir nas redes a polêmica pré-eleitoral, envolvendo “coxinhas” e “petralhas”, desta feita tendo como pano de fundo o apagão no setor elétrico e a tal de crise hídrica, enquanto Alckmin e Dilma – ó grande ironia – rezam juntos e de mãos dadas, como já disse alguém, por um milagre de São Pedro, que – se não descartado completamente pelo Santo – já o foi por todos os especialistas isentos do assunto.

O país indo pro buraco, sem água e sem luz, e a moçada fazendo concurso pra ver qual governo é o mais incompetente. Ora, meus queridos e amados tucanos e petistas. “Ambos os dois”, como diria um amigo meu pouco afeito a última Flor do Lácio e mais alguns. Desmata-se a Amazônia (põe na conta da Dilma, embora a bem da verdade, não esteja nessa sozinha).  Não se fez nada em São Paulo, embora todo mundo que interessa soubesse desde o século passado (sim, quando foi “construído” o tal sistema Cantareira) que o abastecimento de água do Estado estava datado. Põe a culpa no Alckmin e nos vários outros que lhe antecederam. Esculhambam com as nascentes, cortam as árvores, ninguém tem projeto, ação ou providência nenhuma senão esperar que chova (aqui, em Minas, no Rio de Janeiro, na Bahia... a lista é grande, não escapa ninguém) e aí vem “esses pessoal” fazer campeonato de mal feito.

Outro dia, vi na TV, um arquiteto de Cingapura descrevendo como eles fazem por lá para terem água. Temos quatro torneiras, dizia o moço. A primeira são os nossos mananciais. A segunda as águas de chuva, que conseguimos captar em mais de 60% por cento. A terceira é proveniente da dessalinização da água do mar. A quarta é do tratamento do esgoto. E acrescentou: “já bebi algumas vezes dessa água, mas ela não é muito boa”. E eu, com minha lógica tupiniquim pensei: também, mané, água de esgoto, queria o que? E o cidadão completou pra meu espanto e vergonha: “ela é muita limpa, daí fica imprópria pro consumo humano. Por isso nós a enviamos de volta aos mananciais para que adquiram os sais minerais e outras substâncias necessárias ao nosso consumo”.


Ah, é, é? Eu com aquela cara de tacho, ouvi o complemento: "são tecnologias relativamente fáceis. Estão disponíveis para quem quiser usar”. Olha ai, tucanos e petistas. Melhor pensarem em coisas assim, que ficarem procurando jogar o abacaxi no colo de uns e outros. Do jeito que as coisas estão indo, no buraco em que estamos nos metendo, não vai sobrar nada pra ninguém se ufanar, não vai sobrar nem espaço pra bobagem no Facebook.

Última flor do Lácio, inculta e bela, és a um tempo esplendor e sepultura...” *

Sepultura parece ser o destino da última flor do Lácio, a julgar pelos resultados das provas do Exame Nacional do Ensino Médio, o Enem. Em todo o Brasil nada mais, nada menos que 6 milhões, 193 mil e 565 estudantes fizeram o exame em 2014. E apenas, somente, unicamente, 250 (isso mesmo: 250 indivíduos, apenas) obtiveram a pontuação máxima. Já 8,5%, mais de meio milhão, tiveram nota zero. E mais ou menos a mesma quantidade, para empatar, conseguiram uma nota que atesta que são capazes de se expressar razoavelmente na flor do Lácio.

Trocando em miúdos o resultado é que o Enem lança rumo às escolas superiores e ao mercado de trabalho nada menos que 3 milhões, 452 mil, 543 sujeitos que mal sabem escrever e, por via de consequência, pensam mal.

Vale ressaltar que o resultado para os demais campos do conhecimento em que a avaliação é feita, não difere significativamente do resultado da prova de redação. Ou seja a turma vai mal em tudo.

Em análise feita pelo sociólogo, José de Souza Martins, professor da USP, para o jornal O Estado de São Paulo, fica claro o óbvio: as escolas são avaliadas por critérios de produtividade e não de qualidade. Isso fica mais claro quando se avalia os resultados do Enem tendo como referencia o índice de Nível Sócio-Econômico, o chamado Inse, das escolas. O desempenho dos alunos é sempre ruim nas escolas de Inse baixo, não importa se privadas, federais, estaduais ou municipais. E, é claro vai melhorando à medida em que o Inse  também melhora.

A conclusão é óbvia, salta aos olhos, menos dos burocratas que administram a nossa educação: os alunos de situaçãoo social melhor têm melhor desempenho  porque têm acesso aos canais de cultura (museus,, consertos, livros, revistas, se apropriam da inserção cultural dos pais).

Quando a comunidade se envolve, naquelas localidades onde, segundo José de Souza Martins, é “forte o sentimento de pertencimento e de valorização da escola pela comunidade” os resultados também são melhores. Ou seja, se a comunidade, entenda-se aí professores, pais e alunos não se movimentarem, efetivamente, em busca de uma melhor qualidade de ensino as coisas continuarão como estão: a última flor do Lácio indo pra sepultura, inculta e feia.