quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

CONVERSANDO COM DEUS

Alguns, incrédulos, podem até fazer blague, mas o fato é que estive conversando com Deus e ele me deu um recado. Confesso que não foi fácil esse interlocutório. Como todos, suponho, sabem, Deus é muito ocupado. São muitos problemas, muitas questões, de todos os cantos do mundo, a exigir a atenção do Todo Poderoso.  Tentei primeiro sozinho, por aqueles caminhos que a gente aprende desde pequeno, mas não obtive êxito, por mais que tentasse. Dei o Poderoso por muito ocupado ou, talvez, sabendo que o meu assunto não era deveras importante, tenha me deixado de lado para cuidar de outros mais importantes. Pedi auxílio aos anjos, arcanjos, querubins e serafins, aqueles que não cessam de cantar em uma só voz, e nada, também.  Resolvi apelar então para o meu amigo, que nunca me falta nas horas mais difíceis. Hesitei um pouco, pois não costumo incomodá-lo com qualquer coisa, embora o caso não fosse uma coisa qualquer, a bem da verdade.

Assim fui a São Benedito. Estava ocupado, também. Parece que o pessoal lá de cima anda muito ocupado ultimamente, mas insisti, insisti e finalmente o Santo me atendeu e, graças a sua interferência pude, finalmente, fazer a pergunta que tanto me atormenta ao longo de todos esses anos:   

Deus, por favor, me desculpe incomoda-lo. Sei que o Senhor é muito ocupado, tem muitas coisas... E Ele, me interrompeu de pronto: Não, Menezes, definitivamente não. Eu não sou brasileiro. E foi-se.

Ele é sempre ligeirinho assim? Indaguei de São Benedito, presente ao encontro.Com um risinho safado (sim, São Benedito é bem humorado, caso não saiba o senhor) me respondeu: ainda mais com uma pergunta idiota dessas.

Perguntei se haveria algum incômodo, ou inconveniente, em divulgar a péssima nova para os demais compatriotas. Claro que não, afirmou o Santo. Mas ninguém vai acreditar. Primeiro, que você não tem nenhuma credibilidade como porta-voz de Deus. E, em segundo lugar, esse pessoalzinho aí, onde você vive, está acostumado a achar essa bobagem e o que é pior,  usar isso para continuar fazendo as merdas todas que costumam fazer. Portanto, seu eu fosse você ficaria na minha.

Confesso, que fiquei um pouco chocado com a linguagem do Santo. Sempre pensei que eles se comunicavam em linguagem mais formal. Não tanto quanto as dos deputados, mas alguma coisa mais cerimoniosa, mas enfim, devo admitir, foi bem objetivo, embora o pior ainda estava por vir: E tem mais completou. Só intercedi por você porque você estava enchendo demais o meu saco, querendo, querendo, querendo, de todo jeito fazer essa pergunta idiota. Por conta disso o seu crédito ficou negativo. Vai passar um bom tempo antes que eu volte a atender qualquer pedido seu. Você não enxerga nada do que acontece em sua volta, mané?


Pois é, além de Deus, definitivamente, não ser brasileiro, ouvi isso direto da boca (digamos assim) do Todo Poderoso, parece que a pergunta não faz muito sucesso na turma lá de cima. Passei por besta, perdi a oportunidade de falar alguma coisa que prestasse com o Divino e, como se não bastasse, descobri que a minha relação com o Santo tem qualquer coisa parecida com o meu relacionamento com o Itaú. Deu bobeira? Saldo negativo.