terça-feira, 31 de março de 2015

O BRASIL E O PARLAMENTARISMO DE OCASIÃO


Em meio a crise política e econômica que estamos vivenciando, o Brasil vive a sua terceira experiência parlamentarista, ainda que não institucionalizada. Com um governo fraco politicamente, o legislativo, sob o comando do PMDB, com a colaboração dos habituais aliados de ocasião, assumiu o protagonismo.
Renan, Primeiro Ministro I
Cunha, Primeiro Ministro II 

Interesses à parte, a maioria deles não muito claros, o Congresso percebeu  que possui mais poderes do que vinha utilizando, ou que não eram do seu interesse. Propostas do Governo, que até pouco tempo tinham “força de lei”, são agora rejeitadas sumariamente, mexidas, transformadas.  A agenda de votação já não é mais decidida pela Casa Civil, como era até pouco tempo. A coisa chegou até mesmo ao ponto de ministros serem “demitidos” em plenário, como foi o caso recente do Cid Gomes., na Educação.

A pergunta que fica é: seria esse o caminho para um maior equilíbrio entre os poderes?

O problema é que os nossos parlamentares, nas suas idas e vindas, não apresentam uma alternativa real às políticas do Executivo, e a nova “maioria’ tende, muito, a legislar em função dos interesses específicos do mundinho político, reagindo, mais do que propondo, às políticas de ajuste econômico que o governo deseja implantar.

A oposição “diverte-se” com as agruras do Executivo, mas não apresenta à Nação um plano alternativo às propostas governistas, limitando-se a espernear e a criticar. A força demonstrada pelo legislativo se, por um lado, restabelece a sua importância, o que é bom para a democracia, por outro lado, pela falta e inconsistência de propostas alternativas para a crise em que estamos envolvidos, não cria um cenário real para uma maior estabilidade política e o desejável equilíbrio entre os Poderes.

Provavelmente, no entanto, essa consciência (dos seus poderes), que já aconteceu em outros momentos inclusive com o impeachment de um presidente, único na nossa história, tem os ingredientes para se tornar mais duradouro, menos circunstancial, dada as características do cenário atual.

Dificilmente, ainda que recupere a popularidade e consiga se desvencilhar da crise econômica e das denúncias de corrupção, o Governo voltará a exercer o protagonismo, quase imperial, de que se valia para fazer politica.

Mas é preciso ficar atento. Existem muitas perguntas ainda sem respostas. O Congresso pode até ter redescoberto suas prerrogativas e poderes, mas precisa se apresentar como uma alternativa viável para o momento em que vivemos e para o futuro do país, com a população irritada e descrente de todos os poderes.

Afinal, é bom não esquecer (acautelai-vos: não se trata de previsão, nem proposta) que as duas experiência parlamentaristas que vivemos terminaram em quartelada.

sexta-feira, 20 de março de 2015

CHORO POR TI, POR MIM, ANGOLA QUERIDA.


Na década de 90 fui, com uma equipe de cento e poucas pessoas, trabalhar em Angola, onde fiquei, em intervalos, por dois anos. Recém saída, formalmente apenas, de mais de um período de guerra, o país preparava-se para as suas primeiras eleições democráticas.

Nunca havia estado em um país em guerra.  Ficamos todos chocados com o que víamos: mutilados por toda à parte, a escassez de tudo, a pobreza e principalmente com as crianças e jovens, pobres, famintos, sem perspectiva nenhuma de futuro senão a guerra.


Acreditávamos em nosso trabalho. A paz, finalmente alcançada, as eleições livres, a democracia, a liberdade, a oportunidade de usufruir das imensas riquezas do país. A possibilidade de um futuro, sem sofrimentos, próspero, feliz.


Jonas Savimbi
Acreditávamos estar do lado certo. Sob a liderança de um líder feroz e intransigente, Jonas Savimbi, o “outro lado” nos parecia, e era, a representação do mal, de tudo que de pior poderia acontecer. 

Víamos, no semblante e na voz suave do nosso candidato, o José Eduardo dos Santos, a verdadeira face da esperança e de dias melhores.
José Eduardo dos Santos
Choramos entristecidos, quando após a divulgação dos resultados das eleições, as tropas da Unita se rebelaram e o conflito voltou ao país, não poupando sequer a sua capital.
Derrotada, militarmente, mais tarde, a Unita decidiu aceitar o jogo democrático, participando inclusive de eleições posteriores. 

O problema é que o dos Santos, decidiu tornar-se presidente eterno de Angola, não desgruda do poder e preside hoje a pilhagem sistemática do país, negligenciado o seu povo.

Houve melhoras? Sim. Mas um país rico em diamantes, com petróleo farto, clima favorável, recebendo ajuda significativa de várias potencias mundiais, entre elas Brasil e China, que investiram maciçamente em Angola nos últimos anos não progrediu como deveria, não proporcionou ao seus cidadãos a riqueza, a tranquilidade, a paz que eles tanto merecem.

As mulheres angolanos, guerreiras, que praticamente sozinhas mantiveram o país de pé durante todos os longos anos de guerra, continuam vendo seus filhos morrerem, agora de fome, vítimas da desnutrição, como bem chamou a atenção, Nicholas Kristof, em artigo publicado no New York Times,  que chamou Angola de país mortífero para crianças. Crianças mortas pela fome, “desnutridas, com membros semelhantes a gravetos, cabelo descolorido e pele descascada”.


Enquanto isso, os ricos angolanos esbanjam riqueza, circulando em carros milionários, com propriedades espalhadas pela Europa, cujas fortunas foram, na maioria absoluta das vezes, conseguidas às custas de negócios onde o Estado sempre entra beneficiando-os. 



Isabel dos Santos
  Um dos melhores exemplos é a filha do presidente, a bela Isabel dos Santos, cuja fortuna multiplicou nada menos que sete vezes, de 2012 a 2014, saltando de 500 milhões para 3,7 bilhões de dólares. Isabel é sócio de tudo o que interessa em Angola e o Estado jamais se furtou de injetar recursos milionários nas empresas que a filha mais velha do presidente comanda ou é sócia.


   
Os angolanos são um povo maravilhoso, otimista, não importa o sofrimento, com uma crença impressionante num futuro melhor que sempre lhes é negado. Primeiro pelo colonialismo português, depois pelo envolvimento na guerra fria, que dividiu o país, aparentemente em duas tribos, basicamente, mas que por trás delas estavam o bloco soviético e o ocidente, financiando, estimulando uma guerra que tantas vidas custou àquela gente.

A guerra acabou, mas não para as crianças angolanas.
O país ocupa o primeiro lugar na taxa de mortalidade de crianças até os 5 anos, uma em cada seis morre antes de completar essa idade. 25% delas definham vítimas da desnutrição generalizada. É fácil encontrar crianças de 7 anos que pesam apenas 16 quilos, enquanto suas mães morrem de parto, na proporção de uma a cada 35 mulheres.

Jose Eduardo dos Santos matou as minhas esperanças, as minhas ilusões. Mas elas nada significam diante do descaso com que trata o seu povo. Dos Santos tem hoje 72 anos, talvez não dure mais, muito tempo no Governo. Oxalá esse povo sofrido consiga colocar em seu lugar alguém que faça pelo país,  pelas crianças, pelas mulheres, pelos homens de verdade de Angola. E aí, quem sabem, as mães angolanas, finalmente, não chorarão mais pelos seus filhos.

quarta-feira, 18 de março de 2015

GENTILEZAS, O PT E AS MANIFESTAÇÕES (again)


Por conta de alguns posts, no Face, foi chamado, ainda que amistosamente(rss) de integralista (ô coisa velha), de anti-PT (não sou) e muito veladamente de direitista (admito, mais ou menos – rss) e classe média golpista (classe média sim, golpista não). Vou esclarecer, em palavras, já que não dá pra desenhar.

Vamos por partes, o negócio de integralista nem vou comentar, que dizer não muito. Não vou ser gentil, com um bando de gente que – quando muito – participou de carinha pintada, sem apanhar da polícia, de passeatas pedindo o impeachment do Collor, ou da campanha das Diretas-Já e se julgam os maiores representantes da esquerda de todos os tempos. O integralista aqui foi da Ação Católica Especializada, uma organização de esquerda da Igreja Católica, militou na AP - Ação Popular, foi durante anos militante em tempo integral do PCB, do qual sai, na dissidência de Marighella, para compor, modestamente, os quadros da ALN – Ação Libertadora Nacional. Portanto, integralista, deve ter sido a senhora sua mãe. Esclareço, logo, que apesar de ter tomado uns “telefones” de agentes da PF, que me deixaram meio surdinho, não creio ser adequado me incluir na “lista dos torturados pela ditadura” e não considero ter direito a pensão vitalícia da viúva. Deixo isso para quem foi efetivamente torturado, com traumas maiores que uma leve surdez, que por sinal muitas vantagens, hoje em dia me dá, evitando ouvir inúmeras tolices. Muita gente morreu, muita gente foi torturada, de verdade, e sinto certo constrangimento todas as vezes que vejo, aqui e ali, uns e outros jactando-se do que passou, enquanto a maioria dos que sofreram nos porões da ditadura, continuam por aí, heróis/vítimas anônimos (não faço parte disso) dessa luta que embora não fosse pela democracia, é bom frisar, nela resultou.

Vamos então ao PT. O PT, meus caros, é governo. E todo governo é vidraça, está sujeito a levar pedradas (já, já falo do PSDB – cada um a seu tempo).  Entretanto, é bom, também, deixar bem claro, que o PT tem relevante e inegáveis serviços prestados a nação brasileira (lá em baixo tem uma lista, para ficar mais claro ainda), mas isso não significa que tudo de bom na história brasileira se deve ao Partido dos Trabalhadores. Vem daí a minha implicância com os “postadores” de coisas no Face, avessos a qualquer crítica e, o que – confesso – mais me irrita, com a mania de desqualificar qualquer pessoa que não reza pela sua (lá deles) cartilha, que – acreditam- está acima de qualquer crítica ou reparo.

Acrescente-se a lista a falta de autocrítica, sem falar na supervalorização de quaisquer feito ou atitude, e de querer sempre “dividir” com alguém, preferencialmente com FHC, (desculpem, não resisti) qualquer mal feito ou barbeiragem apontada.  Um bom exemplo é essa coisa de “ajustes na economia”. Ora, se a economia está desajustada é porque alguém desajustou ou deixou que assim ficasse. E quem foi? Tudo que se pretende fazer agora,  nitidamente neoliberal, seria bem aceito se o governo tivesse a modéstia e a gentileza de ser bem claro: olha erramos nisso e naquilo e agora vamos precisar fazer aquilo e aquilo outro. Segura aí, na Mão de Deus, que depois melhora.  Atribuir a não sei lá o que os problemas, não cola. Leiam o que o ministro da Fazenda, diz, como pode, todos os dias, sobre a origem da crise e depois venham me esculachar no Face.

Isso do “nós e eles” não trouxe benefício nenhum para a democracia brasileira, tanto é que agora o Governo se põe a falar em diálogo, insistindo que é com todo mundo e informando (ah, é, é?) que governa para todos e não apenas para os que votaram na presidente.

Essa coisa de que hoje a democracia é mais democrática, porque o PT (digo, seus apoiadores aqui no Face) são mais democratas que o resto do mundo e que devemos agradecer todos os dias por isso, também não cola. Foram eleitos para que? Entre outras coisas para cumprir com o que reza a Constituição. Não estão fazendo favor nenhum. É obrigação. Ah, mas não sei quem, não fez, não foi... E eu com isso? Se candidatou? Foi eleito? Cumpra como seu papel.

Pra finalizar, ainda sobre o PT. O partido é hoje um saco de gatos, como sempre foram, e são, os demais partidos, com uma enorme quantidade de tendências, que pensam de forma diametralmente opostas, principalmente à atualmente dominante. Eu conheço, pessoalmente, inclusive por ter trabalhado com elas, muita gente, muita gente mesmo, boa e honesta que faz parte do Partido. E, vamos deixar claro, tem muito picareta e pica-tonta também. A maioria reunida aqui no Face, falando besteira, se julgando imune a crítica e ao contraditório. Muito mais teria a dizer, mais ficou grande demais.

Em tempo, as coisas boas, bem rapidinho, prometidas lá em cima: o Bolsa Família, ainda que não inclua uma saída bem pensada para o programa, o Minha Casa Minha Vida, que precisa de ajustes (não dá para construir só nas quintas dos infernos), o FIES, (que precisa de ajustes, como diz o ministro da Fazenda), o ProUni, a política de valorização do salário mínimo, a atenção dada ao Nordeste (não, não estou me referindo a farta distribuição do BF) e por aí vai.

Agora, não me venham, com churumelas, tentando e convencer que ninguém viu, não percebeu, milhões e milhões de dólares circulando na roubalheira que resultou na quebradeira da Petrobrás. E que a roubalheira vem desde os tempos do Cabral. É demais pra mim.

Finalmente sobre as manifestações: elas são difusas, de gente insatisfeita, principalmente com a crise econômica, não têm "palavras de ordem" claras, nem lideranças com que dialogar. Podem não resultar em nada ou em tudo. O que é claro, manés, é que quando tudo vai bem ninguém reclama. E, quem sente primeiro, por uma série de fatores inclusive acesso a informação, são as tais classes médias, incluídas aí o pessoal que ascendeu com os governos do PT. 

Melhor rezar para que as coisas entrem nos eixos antes que o pessoal do andar de baixo, que já está sentindo a crise no bolso e na comida, não comece a pensar que pode ser bom ir pra ruas protestar. Pois é aí que o bicho vai pegar. Eles não vão desfilar na avenida cantando “ sou braisileirooooo, com muito orgulhooooo.

Fui, por enquanto.



"NÃO ATENDEMOS GAYS"

Embora seja coisa, digamos assim, de americanos, é bom prestar a atenção, pois ideias ruins tem pernas longas. O legislativo de Oklahoma, um dos mais violentamente conservadores dos Estados Unidos, está inventando um jeitinho muito especial de discriminar a comunidade gay, usando um subterfúgio religioso. Pela medida, ainda em discussão, empresas privadas e entidades governamentais estariam autorizadas a se recusar a prestar serviços aos gays com base em suas crenças religiosas. A lei, mais uma vez: toda atenção é pouca, permite, se aprovada, que qualquer pessoa - é bom repetir - qualquer pessoa, independentemente da empresa ou entidade governamental, possa dar as costas a indivíduos gays, bastando alegar que a sua religião assim o exige.

A coisa ia andando bem, por assim dizer, até que uma deputada, Emily Virgin, resolveu apresentar, inteligentemente, uma emenda, aparentemente inofensiva para o projeto, mas capaz de revelar - claramente - toda a animosidade existente por trás do projeto. Ela quer garantir, caso a lei seja aprovada, que as pessoas saibam quais são as empresas e as agências do governo que se recusarão a lhes prestar algum serviço. Assim, além de evitar a humilhação de ser despachado por conta da sua identidade de gênero, gays e seus aliados poderão facilmente boicotar empresas e serviços, que serão obrigados a colocar o aviso, "de maneira clara e visível para o público em todos os locais da empresa, inclusive em seus websites".

A emenda de Emily Virgin, que se opõe violentamente ao projeto como um todo, é bom enfatizar, teve duas consequências importantes. A primeira foi colocar luz sobre esse tipo de projeto de lei, cuja ideia central é deslocar - como bem ressaltou, Mark Joseph Stern, um colunista da revista online Slate, que cobre ciência, legislação e assuntos LGBT - o preconceito antigay para códigos sem que as pessoas percebam. Com a sua emenda, Emily Virgin, obriga todo mundo a assumir clara e publicamente seus preconceitos, estejam eles apoiados ou não em qualquer legislação retrógrada.

Tudo ainda está para ser aprovado, ou não. Mas serve como exemplo e alerta para qualquer país, onde preconceito e fundamentalismo religioso se confundem e onde sempre, às escondidas ou às claras, sempre existem tentativas de subordinar o Estado e a vida das pessoas às visões sectárias, preconceituosas e reacionárias de grupos.

Olho vivo, pois as ideias ruins tem pernas longas e são sorrateiras como as serpentes.

EL PECADO DE INFORMAR EN LATINOAMÉRICA

Do Blog "Lo que pienso" de José Rafael Vilar
(Com permissão do autor)

El reciente informe de la SIP sobre la libertad de opinión en Latinoamérica desnuda la dificultad para informar verazmente en muchos países de la Región.

Periodistas asesinados o exiliados desde Río Grande hasta la Patagonia; leyes que bajo el eslogan de "democratizar la información" lo que buscan es volverla afín al poder existente; uso discrecional y coercitivo de la publicidad pública para anular criticas; regulación creciente en dificultad de acceso para obtener información detallada y sensible del Estado; estigmatización de la crítica, son algunas claras manifestaciones de la coerción estatal sobre los medios de comunicación.

Medidas y situaciones que, sin ser privativas de ninguna tendencia política o ideológica, se hace más manifiesta donde el Poder Central tiene mayor centralización. En distintas medidas y con distintos métodos (incluidas otros menos directos como la adquisición de medios por propios o afines, la dificultad para conseguir insumos o la revocación o no renovación de licencias), Venezuela, Ecuador y Argentina (y Bolivia aún en relativa menor medida) repiten un estigma aparentemente superado en los 80: el control de la información y la opinión pública.

A una profesión tan necesaria para la salud de la sociedad como la del informador público, la del periodista, a las dificultades inherentes a la misma se agrega el cuestionamiento de su ética y de su fiabilidad, olvidando que el llamado a juzgarlas es, precisamente, la Opinión Pública mediante el contraste de opiniones y posiciones diferentes. Informar no es hacer política (aunque haya quienes lo practiquen) y la libertad de expresión es la que siempre nos ha hecho libres. Gracias a ella, las Américas somos independientes.


José Rafael Vilar
Director
Vila Associados

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quinta-feira, 12 de março de 2015

UNASUL E OEA: OMISSÃO VERGONHOSA NO CASO DA VENEZUELA.

São vergonhosas as atitudes da tal Unasul da vetusta OEA com relação à Venezuela. Foram rápidos em condenar o Paraguai, que apeou um dos seus presidentes respeitando as leis daquele país, sem prisões, sem sangue, sem mortos. Mas são lenientes e inacreditavelmente lentos em pressionar o Governo da Venezuela, não para cassar o seu presidente, mas pra criar um ambiente em que seja possível o exercício real da democracia, sem prisões, sem mortos, sem sangue.

A Venezuela vive uma crise sem precedentes, que se o diálogo, verdadeiro entre o governo e as forças de oposição não for efetivamente travado, com respeito entre as partes, vai descambar numa violência sem solução. Só uma intervenção, honesta, sincera das potências, em favor desse diálogo e da normalização da democracia naquele país pode tirar o país da crise.

Como chama a atenção, o  articulista José Rafael Vilar, do jornal La Razón, Maduro hoje é um prisioneiro em Miraflores, incapaz de reproduzir o carisma do seu mentos e longe do pode do Líder, consciente da sua pequenez frente ao gigante de que é herdeiro, "que pretende apagar com fogo um incêndio", citando Confúcio.

As suas entidades, que foram rápidas em condenar o Paraguai, nada fazem, pelo contrário, em seus recente pronunciamentos só fazem emprestar o seu apoio a Maduro e silenciam sobre os atentados a democracia e a normalidade perpetrados, diariamente, por Maduro. Solidariedade ao povo venezuelano é pressionar pelo diálogo, por soluções reais para a crise, sem vencedores, nem perdedores e não se restringirem a comunicados formais, audiência que só servem para dar mais tempo a Maduro ou se refugiarem no silêncio cúmplice e covarde.

IMPEACHMENT E AS DIVERTIDAS “COINCIDÊNCIAS” HISTÓRICAS


 Agora, com a palavra impeachment na boca do povo, de “uns povo” a favor e de “outros povo” contra, é interessante observar como certos personagens, que estão direta ou indiretamente presentes nesse debate de hoje, estiveram, também, como protagonistas, em episódio do passado recente da nossa história, o impeachment do Collor.

Impeachment pra lá, impeachment pra cá, escândalos financeiros, CPIs..., defesas e ataques exacerbados, manifestações contra e a favor, é divertido e didático, observar as semelhanças/dessemelhantes com o único episódio real de impeachment da nossa história e, como alguns personagens, de hoje, estiveram também no passado como protagonistas, ainda que em posições contrárias as de hoje no caso Collor.

João Santana, que está no perfil biográfico traçado por Luiz Maklouf Carvalho – João Santana, um Marqueteiro no Poder, que comento mais adiante, foi um dos que ajudaram a detonar o processo de impeachment de Collor, com uma reportagem, assinada por ele e pelo jornalista e hoje também marqueteiro, Augusto Fonseca, feita o motorista Eriberto França, detalhando todo o esquema de corrupção do governo da época.

Hoje, João é o marqueteiro do Governo Federal e deve se lembrar muito bem das manobras todas, urdidas para tirar Collor da Presidência, da quais participou ativamente, inclusive passando as informações bombas que conseguiu com o Eriberto, para a CPI em andamento no Congresso, pelas mãos de Mario Covas. Foi uma forma de evitar que elas se perdesse ou fossem parar em mãos erradas, ao mesmo tempo em que serviam como uma espécie de seguro, para ele e Augusto Fonseca, caso a revista, cuja direção nacional nutria simpatias por Collor, não publicasse a reportagem.

Collor foi inicialmente apoiado entusiasticamente pela grande imprensa, que como o mesmo entusiasmo batalhou, depois, pela sua saída. Para o historiador Gilberto Maringoni, da USP, ele era visto inicialmente como saída para que o “mercado” fosse o polo dinâmico e comandasse a economia. Mas Collor teria, na opinião do historiador, cometido dois erros: foi desleixado para manter maioria no Congresso e entrou, também, em confronto com uma parte expressiva do empresariado, o que fez com que a imprensa mudasse de posição.

Existiram ainda outros dois ingredientes, que resultaram na mobilização popular, nascida a partir do momento em que a imprensa começou a divulgar os escândalos que envolviam o presidente: a crise econômica, com a volta da inflação e, segundo ainda Maringoni, a facilidade da população em entender o escândalo, que continha elementos bem visíveis e contornos de uma verdadeira novela, inclusive com eventos que caíram no gosto popular, como um suposto caso de adultério com a cunhada (Thereza Collor), roupas íntimas para a primeira dama compradas com cheques do tesoureiro de campanha, o PC Farias, e outros eventos do tipo, fazendo com que a CPI que o investigava fosse acompanhada pela população como um verdadeiro reality-show.

É sempre bom lembrar que, depois de anos e anos de ditadura militar, tudo era também uma grande novidade: democracia, eleições, CPIs, marketing político, imprensa livre. Tudo devorado com muito entusiasmo pela população.

Nas semelhanças/dessemelhantes temos os escândalos, o atual não tão fácil de ser compreendido pela maioria da população, na sua magnitude e nuances, mas – por outro lado – temos uma crise econômica, que não deixa dúvidas com a volta da inflação e todos os seus demais ingredientes. No Congresso, assim como Collor, embora de formas bem diferentes, Dilma enfrenta dificuldades, não para formar, mas para manter na linha os seus incontáveis e rebeldes aliados, enfrentando, agora, abertamente, a rebeldia, do seu mais importante parceiro, o PMDB.

É claro que apesar das semelhanças e dessemelhanças, os tempos são outros, os personagens são outros, etc., etc. De mais interessante é a presença de João Santana como protagonista importante nesses dois momentos da nossa história, o primeiro e único impeachment até agora registrado e, que volta a ser cogitado, hoje, ainda por uma minoria bem minoritária, mas que vai encontrá-lo no outro lado, dos que não querem nem ouvir falar em cassação de mandato.

O que nos faz voltar ao livro em que é traçado o seu perfil biográfico.
Nele, pela primeira vez, publicamente, João faz uma análise das últimas eleições, desmoraliza de vez a máxima cunhada por outro marqueteiro famoso, o Duda Mendonça, de que “quem bate, perde e – sem mais delongas, cai de pau, mais uma vez, nos adversários na campanha presidencial, que não conseguiram “responder” às questões suscitadas pela campanha de Dilma, “por pobreza teórica, lerdeza técnica ou soberba mística. Ou as três coisas juntas”.

João acredita também que fez um embate “100% político e 200% programático”. E que seus adversários não souberam revidar, “seja por ingenuidade, fragilidade teórica, ou por soberba”. Além de se fazerem de vítimas e de superiores, principalmente no caso de Aécio. Talvez , afirma João, em entrevista ao autor do livro, “acreditassem em uma falsa teoria implantada no marketing político brasileiro de que “quem bate, perde”. Perde quem não sabe atacar. Como também perde quem não sabe se defender.

O livro, tem altos e baixos, nada que possa ser atribuído a João, mas vale a leitura pela maneira franca com que o marqueteiro enfrenta todas as questões e diz abertamente o que pensa. Pode-se até não gostar do personagem, mas ele não tem nada de trouxa, tem preparo, é audacioso e é dono de um currículo de vitórias de fazer inveja a qualquer um que milite na área.

segunda-feira, 9 de março de 2015

"CRISE FARÁ EXÉRCITO DERRUBAR MADURO"

O autor da frase, antes que comecem, é o sociólogo alemão, Heinz Dieterich,
Heinz: Venezuela em fase Termidor.
mentor de Hugo Chávez e "idealizador" do tal socialismo do século 21. Segundo ele, se Maduro "não tomar medidas drásticas e corretas para resolver os problemas econômicos e de segurança, ele perderá o apoio dos militares chavistas, que vão tirá-lo do poder".

Dieterich credita duas razões para a queda de popularidade de Maduro, que não resolveu os grandes problemas que afligem os venezuelanos: a economia e a segurança. Com uma inflação que chega a 60%, um "desastroso panorama que se repete no setor de segurança, dois terços da população já não acreditam de que isso é resultado da guerra econômica dos capitalistas e de Washington. Na prática, quase 80% já não acredita no discurso oficial de Maduro, como dizem as pesquisas sérias".

A hipótese de uma intervenção militar, para apear Maduro da Presidência,
Preocupado com os militares e Diosdado Cabello.
é explicada por Dieterich, como a "perda do  projeto chavista com seus fortes componentes nacionalistas, anti-imperialista, bolivariano e social. Chávez deu aos militares uma razão de ser e uma missão secular. Se a perderem vem o caos e a anarquia. E nada é mais terrível para um militar que a ideia de anarquia. Evidentemente, completa, os oficiais de alta patente também perdem seus enormes privilégios econômicos e políticos atuais, já que formam a classe dominante". 

Na entrevista, dada por e-mail ao Jornal O Estado de São Paulo, Dieterich afirma que o Bloco de Apoio Chavista (BAC), hoje está dividido. Os 20% de apoio que restam a Maduro são "essencialmente dos mais pobres, que, com razão, temem perder as conquistas sociais que tiveram com Chávez. E eles ainda acreditam nas mentiras do Governo porque é a única esperança que lhes restaram diante do futuro neoliberal. A classe média está muito decepcionada com o governo e com a oposição e busca o que chama de "terceira via". os mais politizados do movimento chavista querem, de um lado, soluções impossíveis como a "ditadura revolucionária" e, de outro, a reestruturação da troica governante. Um último setor, por fim, se despolitiza e se conforma que não se pode fazer nada".
 
Dieterich tem opiniões severas, também, com relação a Diosdado Cabello,
Diosdado Cabello: eliminado adversários.
o poderoso presidente da Assembleia Nacional, classificado por ele como um "burocrata fazedor de intrigas e autoritário, que manda de fato na Venezuela, uma vez que Maduro nada mais é que a face pública da facção chavista dominante". Como Cabello é um anticomunista de "até a morte", segundo Dieterich, "era só uma questão de tempo para que qualquer vestígio de esquerda fosse eliminado no gabinete venezuelano", referindo-se a decisão de tirar Rafael Ramírez do Ministério do Petróleo para ser enviado a ONU, uma decisão tomada por Cabello, "para eliminar todos os sobreviventes do socialismo do século 21".

"A Venezuela está na fase do Termidor. Acabou a fase revolucionária dos jacobinos latino-americanos", conclui Dieterich em sua entrevista.



domingo, 8 de março de 2015

SP – AGORA ÁGUA POLUÍDA PARA TODOS. É A DEMOCRATIZAÇÃO DA PORCARIA.


Finalmente uma coisa efetivamente democrática: vamos ter água poluída para todo mundo aqui em São Paulo.  Essa coisa maravilhosa chama-se Aquanel, é um parente do Rodoanel. Para quem não é de São Paulo explico: antes quem tentava chegar à cidade, vindo de uma determinada rodovia, tinha que, necessariamente, entrar por um determinado local, não importa qual fosse o seu destino final. Para evitar esse mundo todo de gente circulando pela cidade, foi construído o Rodoanel. É uma ligação entre as estradas que chegam a capital. Assim, as pessoas podem escolher, num determinado momento, a estrada que mais lhe convém, ou seja aquela cuja saída, ou entrada, é a mais próxima do seu destino final.
A ideia é boa. E inspirou o tal de Aquanel. Ao contrário do que muita gente pensa, inclusive os que moram por aqui, a cidade toda não é toda abastecida pelo tal de Sistema Cantareira, o mais famoso. Temos o Guarapiranga, para a zona sul, o Alto Tietê  para a zona leste e a zona norte pelo Cantareira... Aí, as nossas autoridades, inspirando-se no Rodoanel, tiveram uma ideia legal, perdão, aparentemente legal. Que tal, pensaram eles, interligarmos os sistemas? Assim quando um estiver precisando, com o nível baixo, bombeamos água de outro que estiver cheio. Pronto, tudo aparentemente resolvido.
Parece bom, não é? Tem um pequeno problema: não aumenta a quantidade de água. Na verdade torna a escassez igualitária.  Mas até aí não dá para reclamar, não é verdade? Talvez ficasse tudo bem se fosse só isso, por assim dizer.
Mas, tem mais um outro "pequeno" problema. O tal de Aquanel para simplificar, vai bombear água da represa Billings para os outros sistemas, que por sua vez estarão todos interligados. A Billings é bem grande, tem alguma coisa em torno de 1,2 bilhão de metros cúbicos de água. Só tem mais um problema( haja problema): é poluída. Grande parte dela é um enorme gigantesco mesmo, esgoto a céu aberto. Nas suas margens bairros, que não deveriam estar alí, despejam seus esgotos diretamente na represa.  E vem mais de outros lugares. Com o tal de Aquanel, a água poluída da Billings irá para os reservatórios, ainda limpos, que abastecem a cidade. Não é genial essa ideia? Além de democratizar a escassez, democratizamos, também, as águas poluídas.
Ah, mas o governo tem mais uma ideia genial: quando a água sair desses reservatórios, e não da Billings, vai ser tratada. Mal tratada como sabemos. Acredite se quiser, primeiro emporca-lhes todos os reservatórios e deixa-se para depois tratar a água.
Não ocorreu, aos nossos governantes, uma ideia mais simples: tratar eficientemente a água da Billings antes de manda-la para os reservatórios limpos. Bom, mas fazer as coisas bem feitas não é o nosso forte, não é verdade? Então é isso, em breve teremos, em vez de água potável, águas poluídas. Democraticamente divididas por toda a cidade. Viva São Paulo! Viva o Brasil!

sábado, 7 de março de 2015

A BASE SE REBELA E A OPOSIÇÃO SE ESCONDE

Escrevi em um post que, com a revelação da Lista do Janot, me parece, agora, cada vez mais certo. Argumentei que acreditava ser a posição "oposicionista" do PMDB e afins nada mais que um sistema de auto-preservação. "Sou poderoso, mas preciso também de proteção". "Não me envolvam em nada, que posso me rebelar ainda mais e os estragos serão enormes". Para mim esse é o recado.
Como investigar e processar o presidente do Congresso Nacional e o da Câmara dos Deputados enquanto eles permanecem em seus lugares?  Como se comportarão esses e tantos outros personagens, com poder e influência no Congresso, durante essas investigações? Os primeiros sinais já estão sendo dados.

Nesse momento, segundo informa o jornal A Folha de São Paulo, "o comando do Congresso Nacional prepara uma ofensiva casada no Senado e na Câmara contra a Procuradoria-Geral da República, responsável pelos pedidos de inquérito contra Renan Calheiros (PMDB-AL) e Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

"O presidente do Senado discutiu com peemedebistas nos últimos dias a criação de uma CPI para investigar o Ministério Público e duas propostas de igual teor na Câmara e no Senado, com objetivo de proibir a recondução do procurador-geral ao cargo".

"Para investigadores da Lava Jato, Renan está usando o poder do cargo para tentar intimidar o Ministério Público e o Palácio do Planalto. Desde que soube que seu nome estaria na lista do procurador Rodrigo Janot, Renan subiu o tom contra o MP e o governo. Ele tem dito que o país está à beira de uma crise institucional".

"Tanto o senador quanto Cunha avaliam que Janot só os incluiu na lista de investigados por interferência do ministro José Eduardo Cardozo (Justiça), que rechaça a acusação. Como retaliação, parlamentares afirmam nos bastidores que chamarão Cardozo para depor na comissão, assim que ela for criada".

E tem mais, a dupla já articula impedir a recondução de Janot a PGR, com uma emenda à Constituição, que impediria os procuradores de exercerem mandatos consecutivos. O mandato de Janot termina em setembro. Alguém tem dúvidas de que os demais implicados na Lava a Jato apoiarão a medida com entusiasmo?


Em outra frente, o PMDB quer aprovar proposta de emenda à Constituição que estabelece mandato para ministros do Supremo Tribunal Federal. Renan já indicou a auxiliares de Dilma que não aceitará nomes apoiados pelo Ministro, José Eduardo Cardozo, da Justiça para a vaga do ex-ministro Joaquim Barbosa no STF, que a presidente Dilma ainda não preencheu e que, pelo visto, não preencherá.

Já Eduardo Cunha tem atuado de forma mais discreta e evita declarações públicas de guerra. Se forem investigados, ambos terão seus sigilos quebrados, junto com, praticamente, toda a bancada do PP. Como é óbvio, esse partido não irá para o cadafalso cordeiramente. 

A conversa de todos os envolvidos é praticamente a mesma: estou a disposição da Justiça, sou inocente e isso será provado no decorrer das investigações. Tá, mas enquanto isso? O Governo, que precisa desesperadamente da sua base para aprovar as tais medidas de ajustes na economia, como irá se comportar?

Os sinais, enviados pelo PMDB são claros: não mexam conosco. O PT não tem forças para aprovar sozinho o que o Governo quer e precisa. Os demais aliados vão estar agora mais preocupados em salvar a própria pele do que em pelejar pela boa governança. A Presidente está mais só do que nunca. Se tomarmos o Mensalão, escândalo fichinha diante do atual, as investigações e tudo o mais que se segue levarão anos atormentando os envolvidos. Sobreviveremos? Sim, mas a que custo?

O escândalo da Petrobras e a crise política consequente só faz agravar ainda mais a crise econômica.
O futuro, como nunca é incerto. Enquanto, isso, é interessante perguntar, por onde a tal oposição? Depois de especulações de que o PSDB estariam conversando, ou em vias de conversar, com o Governo, num pacto pela governança para tirar o país da crise, Fernando Henrique e o senador Aloysio Nunes se apressaram em desmentir qualquer acordo ou mesmo possibilidade de conversas com o Governo.

Mas, por enquanto, quase calada, ou restrita a "conversas com setores da sociedade", a oposição na verdade tem ido a reboque das ações do PMDB, principalmente das ações do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha. Como no caso do Mensalão, estão perdendo uma ótima oportunidade de se posicionarem e fazerem o papel que lhes cabe.

sexta-feira, 6 de março de 2015

AFINAL PORQUE A BASE ESTÁ REBELADA?

Embora a oposição viva rindo à toa com as últimas atitudes do PMDB e dos partidos circunvizinhos, que impõem dia após dia fragorosas derrotas ao governo do qual se dizem aliados, o que realmente está por trás dessas rebeldia, que a oposição não vê ou faz que não vê?

Na verdade o que temos é um outro assunto por baixo do pano. O governo precisa entender, essa é - pelo menos uma das mensagens - que precisa proteger, depende, desses seus aliados se quiser sobreviver à crise econômica e aos escândalos financeiros. Se não obtiverem a devida proteção, se não forem devidamente protegidos, paparicados e recompensados, vão tirar o corpo. É uma espécie de delação premiada, sem delação explícita, mas em busca dos prêmios, com certeza. A base, insisto, não quer apenas participação nas decisões do Governo. Quer participar para se proteger, debaixo do grande guarda-chuva governamental, mas também, acenando para a sociedade: não somos tão maus assim. Merecemos também a proteção de vocês.

Mas do que querem tanto se proteger? Do escândalo financeiro, no qual figurões de todos os naipes estão enfiados até o pescoço e dos problemas do ajuste fiscal, cuja ficha e seus efeitos recessivos, ainda não caiu, completamente, para a maioria da população, mas não tarda. Esse pessoal não quer pagar o preço por nenhuma dessas coisas e tudo o que fazem é um aviso: tenho poder. Não brinquem comigo. Me salvem dos meus problemas, não me envolvam nos seus.

Aonde isso vai? Não sabemos. Nunca dantes na história recente desse país passamos por uma crise desse porte. A combinação é explosiva e nem os mais otimistas se atrevem a ver luz no fim desse túnel ainda este ano. Se tudo correr bem, muito bem, começaremos a sair do sufoco no segundo semestre do próximo ano. Se as coisas andarem do jeito que estão sendo feitas, talvez seja uma previsão otimista demais. De qualquer forma, o escândalo financeiro, a operação Lava Jato e suas consequências ainda assombrarão o mundo político por muitos anos (lembrem quanto anos levou o tal de Mensalão, fichinha se comparado ao atual). Caso tudo não termine numa gigantesca pizza, algo improvável, afinal alguma satisfação terá de ser dada à sociedade, muita terra ainda irá tremer.

Tempos difíceis, muito difíceis se avizinham. E talvez conviesse a nossa oposição parar de rir e fazer o seu serviço. A sério e sem ficar contando, como se aliados fossem esse pessoal que só quer salvar o seu próprio pescoço.

quinta-feira, 5 de março de 2015

MENSALÃO: NÚCLEO POLÍTICO FORA DA CADEIA

Atualmente, um ano e cerca de quatro meses após as primeiras prisões, o núcleo político, envolvido o esquema está fora da cadeia, cumprindo, quando muito, o restante da pena em regime aberto. O último que conquistou o benefício foi o ex-presidente da Câmara dos Deputados, João Paulo Cunha, do PT São Paulo, liberado para cumprir o resto da pena em casa.

Já foram autorizados a mudar de regime o ex-ministro José Dirceu, o ex-deputado José Genoino (PT), o ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, Valdemar Costa Neto (PR-SP), Bispo Rodrigues e Pedro Costa (PP-PE e o ex-tesureiro do extinto PL, Jacinto Lamas.

Em regime fechado, aqueles que receberam as maiores penas, estão, ainda:

Marcos Valério (operador do esquema do mensalão); Simone Vasconcelos (ex-funcionária de Marcos Valério); Cristiano Paz (ex-sócio de Marcos Valério); Ramon Hollerbach (ex-sócio de Marcos Valério); Kátia Rabello (ex-presidente do Banco Rural); José Roberto Salgado (ex-dirigente do Banco Rural) e Vinícius Samarane (ex-dirigente do Banco Rural).
Esses presos ainda não cumpriram um sexto da pena e não têm direito ao semiaberto.

MARCOS VALÉRIO
- Pena: 37 anos, 5 meses e 6 dias
- Situação: segundo o advogado Marcelo Leonardo, Valério não trabalha na prisão. Conseguiu remir poucos dias de sua pena com estudos.

SIMONE VASCONCELOS
- Pena: 12 anos 7 meses e 20 dias
- Situação: está trabalhando com artesanato na penitenciária e também é monitora de cursos para outras presidiárias que estudam, como, por exemplo, para o Enem. Simone Vasconcelos já descontou 30 dias da pena e, pelo cálculo do seu advogado, o pedido de progressão do regime fechado para o semiaberto poderá ser enviado ao STF no segundo semestre de 2015, entre setembro e outubro.

CRISTIANO PAZ
- Pena: 23 anos, 8 meses e 20 dias
- Situação: está realizando trabalhos internos na Papuda, assim como os outros presos. São trabalhos diversos, da rotina do presídio, como limpeza e manutenção do presídio. Além disso, Paz já fez alguns cursos profissionalizantes oferecidos pelo Estado. Segundo seu advogado o cálculo de quantos dias foram remidos não pode ser feito com precisão, pois depende do trabalho realizado pelo preso. Ele informou ainda que estuda entrar no STF com pedido de revisão criminal da pena de Paz, pois, no entendimento do advogado, há alguns pontos da condenação de seu cliente que devem ser reconsiderados.

RAMON HOLLERBACH
- Pena: 27 anos, 4 meses e 20 dias
- Situação: está trabalhando na biblioteca da penitenciária e também estuda em cursos oferecidos por entidades conveniadas feitos à distância. Já descontou 48 dias da pena mas este número não é preciso, pois há dias de trabalho e estudo que ainda não foram objeto de apreciação da Justiça. Considerando a pena cumprida e o abatimento atual, seu advogado informou que o pedido de progressão do regime fechado para o semiaberto poderá ser feito em 16 de abril de 2018.

KÁTIA RABELLO
- Pena: 14 anos e 5 meses.
- Situação: está trabalhando e estudando dentro das possibilidades que são oferecidas internamente para presos do regime fechado. Segundo seu advogado, a ex-presidente do Banco Rural ainda  não teve declarado período significativo de remição. Por isso, de acordo com o advogado, ainda não é possível estimar data para que Kátia possa pleitear progressão para o regime semiaberto.

JOSÉ ROBERTO SALGADO
- Pena: 14 anos e 5 meses
Situação:  está trabalhando e estudando dentro das possibilidades que são oferecidas internamente para presos do regime fechado. De acordo com o advogado, até o dia 31 de agosto deste ano, Salgado já teve descontados 113 dias de sua pena. Nesse ritmo, será possível pleitear a mudança do regime fechado para o semiaberto ainda no primeiro semestre deste ano.

VINÍCIUS SAMARANE
- Pena: 8 anos, 9 meses e 10 dias
- Situação: segundo o advogado de Samarane, ele realiza trabalhos internos em atividades oferecidas a todos os presos do mesmo regime. O juiz da Vara de Execuções Penais de Contagem calculou, até o dia 31 de agosto, do ano passado que Samarane já havia remido 97 dias de sua pena. O advogado afirmou que, de acordo com cálculos baseados na informação do juiz, Samarane poderá pleitear, em em breve, a progressão para o regime semiaberto.

NOTÍCIAS ECONOMICAS: AÍ QUE MEDO!

Folhear as páginas de economia dos jornais pode levar os leitores aos consultórios psicanalíticos, tomados de pânico e tristeza avassaladores. Nem os anúncios dão refresco, com preços assustadores e - acreditem - uma enormidade de avisos de recall.

Só, por exemplo, o de quinta-feira, 5 de março:

- Em manifesto, indústrias e sindicatos se unem por mudanças na economia.
- Irritação com pacotes do Governo
- Resultado positivo do mês não reverte a tendência de queda no setor industrial.
- Dólar encosta nos 3 reais
- Brasil perde para México posto de maior fabricante de veículos na AL
- Petrobras eleva desemprego no País
- Mais etanol na gasolina
- BC eleva Selic para 12,75%
- Dúvida sobre ajuste fiscal não dá folga aos juros.
- Comércio e serviço planejam demissões nos próximos meses.
- Governo atrasa pagamentos do PAC
- Menor desoneração encarece infraestrutura.
- Fiat dá férias coletivas para 2 mil em Betim
- Gerdau vai investir menos 17,4% em 2015
E por aí vai. Dá pra dormir sossegado?


quarta-feira, 4 de março de 2015

SÃO PAULO, A CAPITAL DO GRAFITE?

A duvidoso título é alvo de um artigo de Roberto Dualibi, publicado (4/03) no jornal O Estado de São Paulo. O publicitário, sócio fundador da renomada agencia DPZ Propaganda, afirma que "a coerência estética de uma cidade pode ser arruinada sem o devido planejamento" e cita o fato de que "sem consultar ningué, os nossos governantes decidiram franquear as fachadas públicas aos multicoloridos grafites". Dualibi, embora emita opiniões sobre o grafite em si, aborda e se indigna, com o fato de se estar entregando a cidade a uma verdadeira sanha grafiteira, sem respeitar, inclusive, acervos arquitetônicos, como é o caso dos arcos da 23 de Maio que, como diz muito bem o publicitário, "deixou de ser histórico e nem pode ser considerado artístico".

O problema, como quase tudo nessa cidade, é que tudo, ou pelo menos quase tudo, se faz sem planejamento. Temos uma ideia! E pronto. "Quem se reuniu com quem para concluir que poluir visualmente toda a cidade era um anseio coletivo?", questiona acertadamente Dualibi. São Paulo possui características arquitetônicas interessantes, que são a sua face, a imagem que desejamos passar a quem nos visita e para quem aqui reside. É a história da cidade, seu passado, seu presente, suas indicações de futuro. Gostaria que alguém me dissesse, sinceramente, que tipo de imagem, representação, nos passa o interior de todo o Túnel 9 de Julho, como destaca Dualibi, no artigo inteiramente pichado, mas parecendo um túnel dos horrores, ou a inacreditável ideia de franquear os Arcos da 23 de maio para os "painelistas", empobrecendo a história da cidade, que já mencionei em um post no Facebook.

É ciclofaixa, grafite, percurso de linhas de ônibus, implantação de parques, construção de casas populares, medidas para estimular o consumo consciente de água, tudo de faz no improviso e na base do acho. No caso especifico do grafite concordo com Dualibi: provavelmente, "neste momento, as únicas pessoas felizes com o que está acontecendo creio são os fabricantes de tintas e latas de spray, que nunca venderam tanto". Além, é claro dos próprios grafiteiros e do pessoal amalucado que os autoriza, acrescento eu...

E ficam três perguntas, para fechar, do arquiteto e historiador Benedito Lima de Toledo, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, feitas em e-mail dirigido ao Blog de Edison Veiga do Estadão:
1. Tratando-se de obra pública, a população foi consultada?
2. Tratando-se de ‘arte plástica’, em espaço público, houve concurso para escolha do projeto?
3. A qualquer cidadão que tenha eleito a pintura como sua ocupação, cabe a prerrogativa de escolher livremente o local para exercer seu talento? Torna-se igualmente grave autoridades se arvorarem em críticos de arte, com tanta obra pública à espera de quem as execute.”


NOTAS:

O Túnel 9 de Julho na Bela Vista foi inaugurado em 1938 e é o mais belo dos túneis paulistanos ligando as zonas sul e oeste até a região central da Cidade de São Paulo. Situa-se na Avenida Nove de Julho, nas proximidades dos bairros Bela Vista, na região central, e Jardins, na zona oeste, fazendo o cruzamento subterrâneo desta avenida com a Avenida Paulista.


Foi construído no local onde existia a antiga Avenida Anhangabaú. Possui duas galerias independentes, cada uma com duas faixas de rodagem. Acima estão a Av. Paulista, ainda o MASP, o Parque Trianon e a Linha 2 do Metrô.



                                                                                    Os Arcos da 23 de maio,
datam dos anos 1920 e ficaram escondidos por seis décadas por cortiços. A importância história do conjunto é atestada pelo Conpresp, órgão municipal de proteção ao patrimônio. Eles são testemunho de uma época e da arte da construção em tijolos, que sucedeu a chamada técnica de taipa de pilão, que caracterizou durante décadas as construções paulistanas.


Construção executada com técnica requintada, os Arcos são um dos melhores e mais autênticos documentos de uma era.





PRIVATIZANDO (OPS) A PETROBRAS

A questão, de uma eventual privatização da petroleira que já rendeu muita polêmica e foi pano de fundo de muitas campanhas eleitorais, deixou agora a retórica de lado e está sendo posta em prática, justamente pelo PT, que ao longo da história sempre se colocou como um adversário implacável dessa ideia. 

Mas nada como um dia após o outro, ou um choque de realidade para que antigas bandeiras sejam postas, estrategicamente de lado. É claro que a privatização agora tem outro nome: venda de ativos, mas, no funfo, no fundo, é tudo a mesma coisa. Na verdade não vejo nenhum mal nisso. A empresa precisa de dinheiro para se recuperar e o caminho é esse mesmo, mas politicamente o episódio é interessante.

A Petrobras tem muitos tentáculos no mercado, vai desde fábricas de fertilizantes a termelétricas, refinarias, gasodutos, postos de gasolina, dutos, plataformas de exploração, campos de petróleo e gás.... a lista é grande. A venda de alguns ativos pode render imediatamente alguma coisa em torno de 39 bilhões de reais, nada mal para quem precisa, vitalmente, de dinheiro em caixa. A operação incluiria, além da venda de ativos, no Brasil e no exterior, o cancelamento de investimentos, alguma coisa em torno de 25 bilhões.

Na mira estaria ainda a Petrobras Distribuidora, embora ninguém admita isso claramente. E tem gente que fala até na privatização dos Correios, que daria ao governo o dinheiro suficiente, ou pelo próximo do que necessitaria para resolver seus problemas fiscais e quem sabe ainda dar um socorro a estatal. 

O problema é que a Petrobras deve alguma coisa na casa dos 330 bilhões, colocando-a, senão em primeiro lugar, certamente entre as primeiras companhias mais endividadas do mundo. E dívida, como todo mundo sabe, só faz crescer.  Um outro problema que aflige a estatal, provocado pelos seus longos tentáculos, vai além da - vamos dizer assim - da sua contabilidade. A empresa é contratante de um sem número de outras, que dependem da Petrobras para continuarem vivas. E em muitos casos a petroleira ainda é avalista e garantidora de vultosos empréstimos bancários que essas suas "associadas" possuem, o que torna a vida da empresa cada dia mais difícil.

Ou seja, não vai ser apenas com a venda dos tais ativos que a empresa vai se recuperar. Muita água ainda vai rolar por baixo dessa ponte. A grande ironia é que está cabendo ao PT, justamente o partido que mais ser arvorou de defensor da petroleira, ser o encarregado do seu desmanche.


UM SHOPPING PARA A CÂMARA DOS DEPUTADOS


O parlamento brasileiro inova. Confesso que não fiz nenhuma pesquisa e corro o risco de errar feio, mas não conheço nenhuma casa legislativa mundo afora, onde existam dois plenários e um shopping center.


A Câmara está negociando com os bancos oficiais para construir mais um anexo, o de número 5, um complexo de três prédios com gabinetes, um plenário novo(?) e um... shopping center, estimado, atualmente, em 1 bilhão de reais.

Segundo o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, a ideia é construir um shopping próximo ao atual anexo 4. O objetivo seria atrair a iniciativa privada para financiar a obra do anexo 5. “Ninguém vai fazer o shopping com dinheiro público”, declarou Cunha.


É provável que alguém se interesse. Se levarmos em conta que são 513 deputados e que cada um ganha pro mês cerca de 33,8 mil reais e dispõe de uma verba de 78 mil para pagar os servidores dos seus gabinetes, os quais podem chegar a um salário, para os concursados, de até 23 mil reais mensais, temos um cenário, digamos assim, bastante atraente, para a estimular a instalação de um shopping de relativo luxo (rsss) para atender a tão “selecto” público.

Se rolar vou tentar uma lojinha no empreendimento.

terça-feira, 3 de março de 2015

LIÇÕES DO MENSALÃO E BARBAS AO MOLHO


Nessa terça-feira o procurador geral da república manda a tal lista dos políticos envolvidos com o Petrolão para o Supremo. Pelo que se sabe não oferecerá denúncias, mas um pedido de investigação, com alguns – não se sabe também quantos – pedidos de arquivamento. Se aceito pelo nobre ministro Teori Zavascki, significa, mais ou menos, começar do zero, no caso dos políticos, com a entrada da Polícia Federal (ou seria reentrada?), com o início de investigações, depoimentos de testemunhas e por aí vai. Vai demorar, obviamente.

Ah, o procurador vai pedir também o fim do sigilo, com isso saberemos, caso Zavascki concorde, os nomes dos envolvidos e do que estão sendo acusados. Nada mais do que isso, mas o suficiente para colocar um monte de gente sob suspeita e aumentar o nervosismo no Congresso e cercanias, onde rola mais uma CPI, cuja âmbito, já avisou Eduardo Cunha, vai ficar mesmo restrita ao período Dilma/Lula.

As barbas ao molho estão com os empreiteiros e demais “civis” envolvidos na operação. Se o caso do Mensalão servir como exemplo, ou parâmetro, para o que pode acontecer, a lição do caso é que na cadeia mesmo só ficaram os “operadores” do esquema. Os políticos envolvidos estão todos fora da prisão, condenados que foram à penas menores e, por isso, beneficiados com a redução do tempo atrás das grades e outras benesses proporcionadas pela legislação.

Os “civis”, portanto, do Petrolão, não têm como não pensar nisso. Será que se o Marcos Valério, que pegou 40 anos de cana, logo no início tivesse negociado uma delaçãozinha premiada não teria se dado melhor? Dizem por aí que ficou calado devido a ameaças de morte que incluiriam a sua mulher e filhos. Vai saber. O fato é que ele, o sócio, a dona do banco rural e auxiliares próximos receberam penas maiores e estão até hoje longe de qualquer benefício.  E Marcos Valério é um peixe pequeno, se comparado aos figurões que estão amargando cadeia, que dispõe de muito mais recursos para se defenderem. E, que – obviamente – não pretendem passar anos e anos presos.

Recentemente houve alguns recuos no ímpeto de aderir a delação premiada, com a promessa de que haveria alguma espécie de intervenção, destinada a minimizar penas, investigações etc., e tal. Podem até acreditar nisso, mas com as barbas de molho, nenhum desses empresários vai topar assumir a culpa por toda a roubalheira se os políticos envolvidos se safarem integralmente dos processos, ou – pelo menor – com penas muito menores. Mas não vão levar todo o tempo do mundo esperando os resultados. Foi o que fez o Marcos Valério e Cia e não se deram bem.

Outro fator de "turbulência", tomando emprestado a expressão usada pelo ex- governador da Bahia, o atual ministro da Defesa, Jacques Wagner, é a tal de CPI, que prometia investigar todo mundo, até Pedro Álvares Cabral, mas se seguir o script das suas anteriores, vamos ter muita fumaça e pouco fogo, correndo o risco de colaborar mais para encher o saco do distinto público, com esse assunto, e contribuir para que – pelo menos uma – das pizzas vá para o forno.

De qualquer forma, sempre podem aparecer surpresas, na segunda-feira passada, Janot, num gesto incomum, deu demonstrações de que está gostando da exposição e segurou para a imprensa um cartaz do Movimento Vem Pra Rua, onde ele é dado “como esperança do Brasil”. Nunca se sabe do que pode ser capaz alguém cujo ego seja exaltado, ainda que por parte da opinião pública, nesse nível.

Muita água ainda vai rolar por baixo da ponte e o escândalo, desta vez, pela sua influência na economia e por envolver organismos internacionais na questão, imunes as pressões políticas paroquianas, tende a se aprofundar e a permanecer nas manchetes por muito mais tempo, e com muito mais vigor que o seu antecessor, o Mensalão. Isso aliado aos percalços político-econômicos do governo federal, promete afetar de maneira muito rigorosa a vida do país por muito, muito tempo.

Os resultados finais são imprevisíveis. Se as delações premiadas, ainda em curso, produzirem provas efetivas, esse será o escândalo mais duradouro e melhor documentado da história nacional, estendo-se inclusive à Justiça de outros países. Vale lembrar que algumas das mais recentes investigações sobre as bandalheiras que assolam o País, só foram para a frente por conta das suas conexões externa, pressionadas pelo judiciário de outros países, como foi  caso do cartel da Alstom, por exemplo. A oposição, com parte das suas barbas também de molho, por enquanto parece disposta só mesmo a fazer barulho na CPI.
E a grande novidade apresentada até agora parece ser mesmo, e unicamente, a barba de Aécio Neves.