sábado, 7 de março de 2015

A BASE SE REBELA E A OPOSIÇÃO SE ESCONDE

Escrevi em um post que, com a revelação da Lista do Janot, me parece, agora, cada vez mais certo. Argumentei que acreditava ser a posição "oposicionista" do PMDB e afins nada mais que um sistema de auto-preservação. "Sou poderoso, mas preciso também de proteção". "Não me envolvam em nada, que posso me rebelar ainda mais e os estragos serão enormes". Para mim esse é o recado.
Como investigar e processar o presidente do Congresso Nacional e o da Câmara dos Deputados enquanto eles permanecem em seus lugares?  Como se comportarão esses e tantos outros personagens, com poder e influência no Congresso, durante essas investigações? Os primeiros sinais já estão sendo dados.

Nesse momento, segundo informa o jornal A Folha de São Paulo, "o comando do Congresso Nacional prepara uma ofensiva casada no Senado e na Câmara contra a Procuradoria-Geral da República, responsável pelos pedidos de inquérito contra Renan Calheiros (PMDB-AL) e Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

"O presidente do Senado discutiu com peemedebistas nos últimos dias a criação de uma CPI para investigar o Ministério Público e duas propostas de igual teor na Câmara e no Senado, com objetivo de proibir a recondução do procurador-geral ao cargo".

"Para investigadores da Lava Jato, Renan está usando o poder do cargo para tentar intimidar o Ministério Público e o Palácio do Planalto. Desde que soube que seu nome estaria na lista do procurador Rodrigo Janot, Renan subiu o tom contra o MP e o governo. Ele tem dito que o país está à beira de uma crise institucional".

"Tanto o senador quanto Cunha avaliam que Janot só os incluiu na lista de investigados por interferência do ministro José Eduardo Cardozo (Justiça), que rechaça a acusação. Como retaliação, parlamentares afirmam nos bastidores que chamarão Cardozo para depor na comissão, assim que ela for criada".

E tem mais, a dupla já articula impedir a recondução de Janot a PGR, com uma emenda à Constituição, que impediria os procuradores de exercerem mandatos consecutivos. O mandato de Janot termina em setembro. Alguém tem dúvidas de que os demais implicados na Lava a Jato apoiarão a medida com entusiasmo?


Em outra frente, o PMDB quer aprovar proposta de emenda à Constituição que estabelece mandato para ministros do Supremo Tribunal Federal. Renan já indicou a auxiliares de Dilma que não aceitará nomes apoiados pelo Ministro, José Eduardo Cardozo, da Justiça para a vaga do ex-ministro Joaquim Barbosa no STF, que a presidente Dilma ainda não preencheu e que, pelo visto, não preencherá.

Já Eduardo Cunha tem atuado de forma mais discreta e evita declarações públicas de guerra. Se forem investigados, ambos terão seus sigilos quebrados, junto com, praticamente, toda a bancada do PP. Como é óbvio, esse partido não irá para o cadafalso cordeiramente. 

A conversa de todos os envolvidos é praticamente a mesma: estou a disposição da Justiça, sou inocente e isso será provado no decorrer das investigações. Tá, mas enquanto isso? O Governo, que precisa desesperadamente da sua base para aprovar as tais medidas de ajustes na economia, como irá se comportar?

Os sinais, enviados pelo PMDB são claros: não mexam conosco. O PT não tem forças para aprovar sozinho o que o Governo quer e precisa. Os demais aliados vão estar agora mais preocupados em salvar a própria pele do que em pelejar pela boa governança. A Presidente está mais só do que nunca. Se tomarmos o Mensalão, escândalo fichinha diante do atual, as investigações e tudo o mais que se segue levarão anos atormentando os envolvidos. Sobreviveremos? Sim, mas a que custo?

O escândalo da Petrobras e a crise política consequente só faz agravar ainda mais a crise econômica.
O futuro, como nunca é incerto. Enquanto, isso, é interessante perguntar, por onde a tal oposição? Depois de especulações de que o PSDB estariam conversando, ou em vias de conversar, com o Governo, num pacto pela governança para tirar o país da crise, Fernando Henrique e o senador Aloysio Nunes se apressaram em desmentir qualquer acordo ou mesmo possibilidade de conversas com o Governo.

Mas, por enquanto, quase calada, ou restrita a "conversas com setores da sociedade", a oposição na verdade tem ido a reboque das ações do PMDB, principalmente das ações do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha. Como no caso do Mensalão, estão perdendo uma ótima oportunidade de se posicionarem e fazerem o papel que lhes cabe.