segunda-feira, 9 de março de 2015

"CRISE FARÁ EXÉRCITO DERRUBAR MADURO"

O autor da frase, antes que comecem, é o sociólogo alemão, Heinz Dieterich,
Heinz: Venezuela em fase Termidor.
mentor de Hugo Chávez e "idealizador" do tal socialismo do século 21. Segundo ele, se Maduro "não tomar medidas drásticas e corretas para resolver os problemas econômicos e de segurança, ele perderá o apoio dos militares chavistas, que vão tirá-lo do poder".

Dieterich credita duas razões para a queda de popularidade de Maduro, que não resolveu os grandes problemas que afligem os venezuelanos: a economia e a segurança. Com uma inflação que chega a 60%, um "desastroso panorama que se repete no setor de segurança, dois terços da população já não acreditam de que isso é resultado da guerra econômica dos capitalistas e de Washington. Na prática, quase 80% já não acredita no discurso oficial de Maduro, como dizem as pesquisas sérias".

A hipótese de uma intervenção militar, para apear Maduro da Presidência,
Preocupado com os militares e Diosdado Cabello.
é explicada por Dieterich, como a "perda do  projeto chavista com seus fortes componentes nacionalistas, anti-imperialista, bolivariano e social. Chávez deu aos militares uma razão de ser e uma missão secular. Se a perderem vem o caos e a anarquia. E nada é mais terrível para um militar que a ideia de anarquia. Evidentemente, completa, os oficiais de alta patente também perdem seus enormes privilégios econômicos e políticos atuais, já que formam a classe dominante". 

Na entrevista, dada por e-mail ao Jornal O Estado de São Paulo, Dieterich afirma que o Bloco de Apoio Chavista (BAC), hoje está dividido. Os 20% de apoio que restam a Maduro são "essencialmente dos mais pobres, que, com razão, temem perder as conquistas sociais que tiveram com Chávez. E eles ainda acreditam nas mentiras do Governo porque é a única esperança que lhes restaram diante do futuro neoliberal. A classe média está muito decepcionada com o governo e com a oposição e busca o que chama de "terceira via". os mais politizados do movimento chavista querem, de um lado, soluções impossíveis como a "ditadura revolucionária" e, de outro, a reestruturação da troica governante. Um último setor, por fim, se despolitiza e se conforma que não se pode fazer nada".
 
Dieterich tem opiniões severas, também, com relação a Diosdado Cabello,
Diosdado Cabello: eliminado adversários.
o poderoso presidente da Assembleia Nacional, classificado por ele como um "burocrata fazedor de intrigas e autoritário, que manda de fato na Venezuela, uma vez que Maduro nada mais é que a face pública da facção chavista dominante". Como Cabello é um anticomunista de "até a morte", segundo Dieterich, "era só uma questão de tempo para que qualquer vestígio de esquerda fosse eliminado no gabinete venezuelano", referindo-se a decisão de tirar Rafael Ramírez do Ministério do Petróleo para ser enviado a ONU, uma decisão tomada por Cabello, "para eliminar todos os sobreviventes do socialismo do século 21".

"A Venezuela está na fase do Termidor. Acabou a fase revolucionária dos jacobinos latino-americanos", conclui Dieterich em sua entrevista.