quarta-feira, 4 de março de 2015

PRIVATIZANDO (OPS) A PETROBRAS

A questão, de uma eventual privatização da petroleira que já rendeu muita polêmica e foi pano de fundo de muitas campanhas eleitorais, deixou agora a retórica de lado e está sendo posta em prática, justamente pelo PT, que ao longo da história sempre se colocou como um adversário implacável dessa ideia. 

Mas nada como um dia após o outro, ou um choque de realidade para que antigas bandeiras sejam postas, estrategicamente de lado. É claro que a privatização agora tem outro nome: venda de ativos, mas, no funfo, no fundo, é tudo a mesma coisa. Na verdade não vejo nenhum mal nisso. A empresa precisa de dinheiro para se recuperar e o caminho é esse mesmo, mas politicamente o episódio é interessante.

A Petrobras tem muitos tentáculos no mercado, vai desde fábricas de fertilizantes a termelétricas, refinarias, gasodutos, postos de gasolina, dutos, plataformas de exploração, campos de petróleo e gás.... a lista é grande. A venda de alguns ativos pode render imediatamente alguma coisa em torno de 39 bilhões de reais, nada mal para quem precisa, vitalmente, de dinheiro em caixa. A operação incluiria, além da venda de ativos, no Brasil e no exterior, o cancelamento de investimentos, alguma coisa em torno de 25 bilhões.

Na mira estaria ainda a Petrobras Distribuidora, embora ninguém admita isso claramente. E tem gente que fala até na privatização dos Correios, que daria ao governo o dinheiro suficiente, ou pelo próximo do que necessitaria para resolver seus problemas fiscais e quem sabe ainda dar um socorro a estatal. 

O problema é que a Petrobras deve alguma coisa na casa dos 330 bilhões, colocando-a, senão em primeiro lugar, certamente entre as primeiras companhias mais endividadas do mundo. E dívida, como todo mundo sabe, só faz crescer.  Um outro problema que aflige a estatal, provocado pelos seus longos tentáculos, vai além da - vamos dizer assim - da sua contabilidade. A empresa é contratante de um sem número de outras, que dependem da Petrobras para continuarem vivas. E em muitos casos a petroleira ainda é avalista e garantidora de vultosos empréstimos bancários que essas suas "associadas" possuem, o que torna a vida da empresa cada dia mais difícil.

Ou seja, não vai ser apenas com a venda dos tais ativos que a empresa vai se recuperar. Muita água ainda vai rolar por baixo dessa ponte. A grande ironia é que está cabendo ao PT, justamente o partido que mais ser arvorou de defensor da petroleira, ser o encarregado do seu desmanche.