quarta-feira, 29 de abril de 2015

E LULA TEM RAZÃO


Segundo o ex-presidente “nós (se referindo ao PT) precisamos começar a dizer o que nós vamos fazer neste segundo mandato, qual é a política de desenvolvimento que nós vamos colocar em prática, qual é o tipo de indústria que nós vamos incentivar”.

Independentemente das motivações específicas, Lula estava falando para o público interno, na abertura do 3o. Congresso das Direções Zonais do PT/São Paulo, a fala faz todo sentido. Lula tem reclamado – e isso valeria também para a oposição – que o único tema nos últimos cinco meses tem sido o ajuste fiscal.

Se, por um lado o PT, entenda-se aí o governo, precisa dizer o que pretende, afinal, além do ajuste fiscal, apresentando ao país um projeto de desenvolvimento claro e objetivo, pós ajuste, seria desejável, por outro lado, que a oposição saísse do seu cantinho, onde espera quieta apenas que o Governo Federal sangre até à morte e apresentasse também o seu contra projeto.

Hoje o país está parado, discutindo apenas os prós e os contras do ajuste. Suponhamos que dê tudo certo e até o próximo ano as contas estejam saneadas, a questão fiscal esteja resolvida e que os sacrifícios tenham valido à pena. Muito bem. E depois? Quais serão os caminhos? Vamos fazer as mesmas coisas que estavam sendo feitas antes e que, por sinal, não deram certo? Se a opção não for essa quais seriam os outros caminhos? Lula volta a falar em incentivar determinados tipos de indústrias. O que isso significa exatamente? O bom e velho incentivo através da redução de impostos para este ou aquele setor? Não deu certo e não vai dar.

A oposição continua atabalhoada. Se continuar apostando na sangria, até a morte, do governo, como fez na época do mensalão, estará enverando por um caminho de alto risco. No mensalão acreditavam que o ex-presidente e o PT sairiam tão desgastados que enfrentariam um fracasso estupendo nas urnas. Não foi o que se viu, pelo contrário.

Sem um projeto alternativo, fica difícil acreditar que a população venha a se interessar pelo que tem (terão) a dizer as lideranças oposicionistas, principalmente se o discurso for apenas o “somos diferentes deles”, até porque ninguém acredita muito nisso e a classe política anda mais desgastada do que nunca.

Enfim, o que vale para o PT vale para a oposição. Está mais do que na hora de ambos dizerem o que realmente pretendem para o nosso futuro. O primeiro porque está no governo e precisa apresentar algo mais do que um ajuste fiscal e pedir paciência com vistas a um futuro melhor, que ninguém sabe qual é. A oposição precisa de algo mais que ficar sentada, esperando que o governo caia, vítima dos seus percalços, sem apresentar um alternativa que venha a interessar o eleitorado. Neste tipo de cenário o que pode acontecer é a abertura de espaço para um maluco de ocasião (é sempre bom lembrar de Collor) que encante o distinto público com um canto de sereia qualquer. Aí estaremos, mais uma vez, entregue às baratas. E não vai ser por um curto período de tempo.


terça-feira, 28 de abril de 2015

¿De izquierda? ¿De derecha?

Aqui vai, mais uma vez, um texto do meu amigo Rafael Vilar, publicado em La Razón, que achei muito pertinente com a nossa realidade e perplexidade diante dos conceitos, atuais, de esquerda e direita.

Simplificadamente, la derecha priorizaría la conservación del orden, y la izquierda, el cambio

La Razón (Edición Impresa) / José Rafael Vilar
01:18 / 28 de abril de 2015


En los últimos tiempos me he sentido muy confundido por la utilización de los conceptos políticos (más que ideológicos) de “izquierda” y “derecha”. Uno de ellos como definición de todo lo bueno, lo positivo, lo avant-garde (vanguardismo); y el otro como un sticker ofensivo que a quien se lo espetan trata de arrancárselo presto, acusando al otro de diatribas. Lo más curioso es que nadie acepta ser “de derecha” en estas tierras iberoamericanas, que van desde los Pirineos yendo a la izquierda (no es casual) hasta el Pacífico.

Hagamos historia para conocer de dónde surgió esta díada tan mentada. Es 1788 y la Francia de los Borbón, en gran crisis, convocó sus Estados Generales con los representantes de los “estamentos”: nobleza, clero y Tercer Estado (la naciente burguesía). Inaugurados, pronto fueron un proceso de ruptura con el absolutismo: primero se organizó una Asamblea Nacional y, después, la Asamblea Constituyente. Y acá es cuando “nace” la dicotomía, porque los que buscaban conservar el sistema o modificarlo sin abrupciones (los “conservadores”, los moderados) se reunieron a la derecha del presidente de la asamblea y a su izquierda estaban los que querían cambiarlo o modificarlo a profundidad (los “radicales”, los progresistas).

“Lateralidad” quizás influenciada por la preeminencia de los diestros y las cosmovisiones de la antigüedad: el lado derecho era del sol (el cielo y la luz, el oriente, donde nace el día) y el izquierdo de la luna (la tierra y la oscuridad, la noche); en las culturas patriarcales “estar a la derecha” era “ser de confianza”… También la biología brinda el concepto de “orden natural” y el sentido dextrógiro prima sobre el levógiro.

Etiquetamos como de “derecha” o “izquierda” según el lado de la dicotomía que defiendan: individualismo o colectivismo, confesionalidad o laicismo, propiedad privada o pública, igualdad de oportunidades o de resultados, mercado libre o regulado, tradicionalismo o progresismo. Simplificadamente, la derecha priorizaría la conservación del orden, y la izquierda, el cambio político y social. Sin embargo, en la historia reciente esto no es tan obvio.

Décadas atrás, la Unión Soviética y las democracias populares eran epítome de “izquierda” (como los países No Alineados) y Las venas abiertas de América Latina, un libro fundamental. Sin embargo, después desaparecía el país de los sóviets y sus aliados, con el estrepitoso fracaso de sus economías, y pasaban de “revolucionarios” a “reaccionarios” (y el fracasado No-Al paría muchas dictaduras y fracasaría).

Mientras, el autor del citado texto reconocía que fue el “intento de un joven de 18 años de escribir un libro sobre economía política sin conocer debidamente el tema” y “esa prosa de izquierda tradicional es pesadísima”.

Me falta concluir que izquierda y derecha son disímiles y relativas dentro de aquellas categorías que así catalogamos; además, mutan entre sí y se intercambian postulados. Aristóteles decía que “los extremos se tocan”. Quizás valga decir “no soy de izquierda ni de derecha, sino todo lo contrario”.

José Rafael Vilar

O BLOCO DO RENAN VAI A LUTA CONTRA CUNHA


Está marcada para hoje, terça-feira, no gabinete do líder do PSB, João Capiberibe, a primeira reunião do bloco do Renan, que pretende barrar no Senado as pautas apoiadas por Eduardo Cunha. Inaugura-se, assim, oficialmente a falsa luta entre os progressistas do Renan, contra os conservadores do Cunha

O bloco é “supra partidário”, tendo como um dos seus líderes mais entusiasmados o petista Lindbergh Farias e outros participantes como Cristovam Buarque e Capiberibe. A grande bandeira do grupo é o posicionamento contrário a terceirização, que segundo Renan seria uma “pedalada contra o trabalhador”, ao tempo que insinua que o projeto poderá ser engavetado até depois de janeiro de 2017, quando Cunha deixará a Presidência da Câmara.

Cunha, classificado pelo bloco “progressista” do Renan como “conservador” ameaça por outro lado engavetar todas as iniciativas do Senado.

Deixemos por um momento de lado o progressismo de Renan e o conservadorismo de Cunha, cada um com seus adeptos de ocasião. Na verdade a dupla está, digamos assim, de mal, não por conta dos altos interesses da Nação, mas por conta de coisa bem menor, o alijamento de Vinicius Lages, apadrinhado de Renan, para que o lugar fosse ocupado pelo ex-presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, o afilhado de Cunha, no Ministério do Turismo.

Graças, também, às trapalhadas do Planalto, que tenta agradar uns e outros com a velha tática de distribuição de cargos, a dupla, no comando das duas casas do Legislativo, vai deixando de lado questões das mais importantes para o País, sem qualquer constrangimento das partes envolvidas e o que é pior, com muita gente apoiando uns e outros, como se estivessem de fato lutando pelos direitos dos trabalhadores ou vai lá que seja, aprovando, exclusivamente, leis conservadoras.

Renan está na "vida pública" há 36 anos. Já foi deputado, ministro e está pela quarta vez na presidência do Senado. Elegeu o seu filho, Renanzinho,de 34 anos, governador de Alagoas. Tem gente que afirma que o problema de Renan, na verdade, não é com Cunha, mas com o seu futuro na política. Não pode se reeleger mais na presidência do Senado e muito menos ser ministro da Dilma Rousseff, com cinco inquéritos no Supremo, três deles relacionados à Lava-Jato. Perdendo força no governo tem procurado se reinventar para sobreviver politicamente e quem sabe até concorrer em 2018 à reeleição ou ao cargo ocupado atualmente pelo filho. Veremos.


segunda-feira, 20 de abril de 2015

CICLOVIA NÃO É “COISA” DO PT


Ultimamente virou hábito partidarizar toda e qualquer ideia, classificando qualquer proposta
Simplifica-se o debate, mas sufoca-se os argumentos, tudo vira bate-boca de torcida, divide a sociedade em guetos, atropela-se as ideias.
É o que está acontecendo com o “debate” sobre as ciclovias em São Paulo.
Parece que todo mundo que anda de bike ou é favor das ciclovias é petista e eleitor do prefeito. Quem tem qualquer reparo as ciclos, ou anda de carro é do PSDB, coxinha desnaturado.  Tudo errado.
Os buracos, inclusive das ciclovias, são bem mais embaixo.


O debate acirrou recentemente, com uma interferência do Ministério Público Estadual, que paralisava todas as obras cicloviárias da cidade, argumentando falta de planejamento, o que é verdade, mas nem tanto. A Prefeitura conseguiu derrubar a liminar e o alcaide comemorou a decisão com ares de quem tinha vencido uma grande batalha e insinuando que estava tudo certo com os 262 km de ciclovias implantadas, um pouco mais da metade da sua meta de dotar a cidade com 400km de vias exclusivas para as bikes e deixar acertados mais de 1.400 km para o próximo prefeito, seja lá qual for.

Ninguém em seu juízo perfeito é contra as ciclovias, mas a Prefeitura, como quase todo mundo nesse país, não gosta das críticas relacionadas ao modo como vem implantando dita cujas. Do outro lado tem gente disposta até a recorrer a polícia, contra as ciclovias, apelidando o prefeito de Suvinil, acusando-o de autoritário e de não ouvir a população. E ainda veem as bicicletas como uma ameaça a segurança das suas moradias e negócios.

São várias coisas que não estão sendo levadas em conta no debate, que poderia ser útil, se as ideias e argumentos, contra e a favor, não fossem atropelados pelo falso “partidarismo” e radicalização dos argumentos. O primeiros deles é que as bikes não vão substituir os carros, como a administração insinua muitas vezes. O que fará as pessoas desistirem dos seus automóveis será – e unicamente – um transporte público eficiente. Eficiente significa conforto, pontualidade, flexibilidade, segurança e ganho de tempo. Sem oferecer isso as pessoas não farão a mudança. As bikes oferecem tudo isso? Claro que não. Para começo de conversa elas não são um modal de transporte em massa, mas uma alternativa e precisam de uma complementação a ser oferecida pelos outros meios de transporte. As estações de trens e metros precisam de bicicletários, por exemplo, para aqueles que podem percorrer distâncias menores, nas bikes, mas que não se dispõe, nem podem, atravessar a cidade nas magrelas.

Comerciantes e moradores precisam ser convencidos de que ciclistas podem ser benvindos e mais: instrumentos de uma cidade mais civilizada, amena e com lucros e dividendos para o comércio. Isso foi feito em outras cidades e foi sucesso.

A administração também precisa parar de criminalizar que anda de carro, afinal o mesmo partido do prefeito, no governo federal, ofereceu, e ainda oferece, inúmeras vantagens para quem desejar comprar um automóvel.  Além disso, todas as nossas cidades foram planejadas, durante anos e anos, em função do transporte privado. A estrutura de todas elas, a organização, privilegia o carro em detrimento de todos os outros modais. Como fazer com que a população abandone, repentinamente, esse meio de transporte em função de ônibus caindo aos pedaços, com trajetos que só beneficiam os donos das frotas, trens e metros superlotados, com passageiros enfiados em verdadeiras latas de sardinha?

Discutir as ciclovias como “coisa do PT” e tentar enfiar  a pecha em quem anda de carro ou se diz contra elas, como coxinha/classe média/reacionário não vai ajudar São Paulo a ter um sistema de transporte melhor. Não faz mal lembrar que no programa de José Serra, do PSDB,  para concorrer a Prefeitura também, incluía a construção de 400km de ciclovias, que o Gilberto Kassab, sabe-se lá na época de que partido, iniciou a construção de várias delas e que até o governo estadual é responsável por duas, importantes, nas marginais.

Precisamos das ciclovias. Sem boca de lobo, buraco, árvore, poste, poça d’água, falta de sinalização, trajetos polêmicos e desníveis de asfalto. A Prefeitura poderia encarar as críticas e fazer um trabalho melhor. Além de conversar mais com a população e criar incentivos para o uso das bikes, fazendo parcerias com o comércio, criando infraestruturas de apoio, como os bicicletários, por exemplo.

A população precisa exigir meios de transporte melhores, com ônibus modernos, trajetos racionais, mais trens e metro.  As bicicletas não são solução, nem a perdição, para o transporte em São Paulo. Se todo mundo usar o bom senso, sem partidarismo e atropelamento de ideias as ciclovias podem ajudar a transformar São Paulo numa cidade melhor, mais humana, mais agradável de se viver. E ainda devolver para quem faz uso das bikes uma nova perspectiva, um novo ponto de vista sobre a cidade. Ver a cidade sob o ponto de vista do pedestre, promovendo o encontro das diferenças, nas ruas, nas esquinas, retomando uma escala que o carro nos fez perder.


terça-feira, 7 de abril de 2015

EXISTE POLÍTICA SEM POLÍTICOS?


Começamos a assistir, ou participar, dependendo das inclinações de cada um, de mais duas “grandes” manifestações,  a favor e contra o governo

Se levarmos em conta as “reivindicações e palavras de ordem” das realizadas recentemente o script será, mais ou menos, mais do mesmo: o pessoal a “favor” será a favor, mas com restrições. Foi o que aconteceu hoje (07/04). Querem estabilidade, mas nada de muito sacrifícios, principalmente perda dos direitos trabalhistas. Nas manifestações de hoje, que reuniram poucas pessoas, o principal protesto foi contra a terceirização (a regulamentação da própria)que Eduardo Cunha avisou que colocaria em votação na Câmara, mas que foi adiada para amanhã, por acordo dos líderes.

O pessoal do “contra” é contra. Contra tudo que está aí, incluído aí no tudo a classe política.

O pessoal a “favor” não quer crise institucional, mas a sua relutância em aceitar medidas impopulares não ajuda muito o governo. O pessoal do “contra” , caso consigam mobilizar as multidões das manifestações passadas, enfrenta um desafio: construir mecanismos que possam canalizar a mobilização a favor de mudanças institucionais. Precisam também encontrar lideranças que possam negociar com a classe política, que por sua vez precisa se posicionar, se encontrar com esses manifestantes, por enquanto extremamente arredios a qualquer um dos seus representantes.

Caso permaneçam apenas protestando “contra tudo o que está aí”, vão correr o risco de se esvaziar, sem interlocução com os poderes constituídos, seja através da “oposição” ou não. Sem diálogo, sem interlocução para pressionar por avanços, o que provavelmente acontecerá será, mais uma vez, apenas ganhos substantivos, com os políticos voltando a ignorar a sociedade, tratando dos seus interesses e nada mais.

O pessoal a “favor” precisa se decidir. Continua apoiando o governo, mas oferecendo alternativas para a superação dos problemas, caso contrário, ainda que não queiram, de maneira torta, vão pra ruas, fazer oposição. 

O Governo, por outro lado, precisa sair da sua proposta vaga de “diálogo com todos” e dialogar de fato. E nesse caso dialogar significa fazer autocrítica e aceitar o contraditório, incluindo aí o do pessoal a favor, mas não apenas, nesse caso, para manter gente do seu lado.

Enfim, seria bom que todo mundo de março/abril de 2015 aprendesse com junho de 2013. Não há como melhorar a política negando a política. E a política é a arte do diálogo e a busca de um consenso. Se todo mundo continuar falando para o próprio umbigo não avançaremos e perderemos um grande oportunidade de fortalecermos a nossa democracia e construirmos um futuro melhor.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

SIM, OS REACIONÁRIOS PODEM SER VENCIDOS.


Reacionários aqui não são, exclusivamente, e provavelmente para tristeza de muitos, os coxinhas abomináveis do PSDB, nem os entusiastas do deputado Bolsonaro ou os amantes do golpe militar.

Reacionários aqui são de todos os matizes políticos, aqueles que de uma forma ou de outra trocaram o sonho de um futuro grandioso para a nação brasileira, por um pesadelo.

Reacionário aqui são os que acham que estão sempre certos e que qualquer discordância das suas ideais ou atos é um crime de lesa pátria e de conspiração para matar negros, pobres e homossexuais.

Reacionário também é o governo federal, cujos membros defendem o deixa está que está certo, se opõem a mudanças e só reagem a algumas pressões.

Reacionários são os políticos, que pouco antes do ajuste fiscal ser anunciado, aumentaram seus rendimentos e logo em seguida o tal de fundo pluripartidário para engrossar os cofres dos partidos.

Reacionários são aqueles que soltam fogos para as leis anticorrupção, mas continuam nomeando políticos e apadrinhados para cargos que deveriam ser técnicos.

Reacionário é aquele que critica o governo, mas não apresenta um projeto alternativo sequer, com algo melhor, que incentive o crescimento e a prosperidade.

Reacionário também é aquele que vive falando em financiamento público de campanha, como se o dinheiro da viúva não fosse de ninguém, surgisse do nada e estivesse por aí, disponível para financiar ideias alopradas ou ideologias à direita e à esquerda. Quer se eleger? Meta a mão no bolso. No próprio, não do contribuinte.

Reacionário é o pessoal sem projeto, sem uma agenda para o século XXI, que vive de ideias e teorias quando muito do século passado, isso quando não se inspiram em teóricos do XVIII ou XIX.

São incontáveis os exemplos, em todos os espectros, nuances e matizes politico-ideológicos. Os reacionários estão em toda parte, muitas vezes vestindo a fantasia de progressista, mas lutando pelo atraso.

Podem ser derrotados? Sim!

Mas que ninguém se engane. Não será a troca de um governante por outro qualquer, do titular pelo vice, de fulana pelo beltrano. O país precisa de um projeto novo. O país precisa de um ajuste fiscal sim, mas de um ajuste claro, compreensível para todos, igual para todos, rápido e contundente. E quanto mais rápido e contundente for, menos doloroso será, menor será o seu custo social.

O Brasil precisa corrigir distorções seculares, acabar com os privilégios de uma minoria sugadora que não se preocupa com mais nada do que enriquecer e explorar o povo, não no sentido marxista-leninista, mas o povo brasileiro em sua totalidade, aquele que trabalha, cria riquezas, que prospera e quer ver o pais crescer.

É preciso que mais gente vá às ruas. Não apenas para ser contra “tudo isso que está aí”, mas para propor um novo pacto social, um pacto que nos leve enfim para o século 21, que nos conduza à grandeza, não que nos faça conformados em sermos apenas medianos, que nos traga de volta orgulho de ser brasileiro. Um outro tipo de orgulho, maior que essas musiquinhas bestas, cantadas sem nenhum sentido nos estádios da vida.

Não é mais possível deixar apenas para os políticos a tarefa de mudar. É preciso assumir a cidadania, fazer pelo país, por nós, por nossos filhos e netos. Só assim os reacionários, de todos os matizes, poderão enfim ser derrotados. É possível, mas é preciso enfrentá-los. E a hora é essa. Mais tarde pode ser tarde demais.

quarta-feira, 1 de abril de 2015

JUÍZES PROPÕEM PRISÃO IMEDIATA POR CORRUPÇÃO


Como todo mundo está careca de saber, no Brasil o sujeito condenado em primeira instância, noves fora se for preto, pobre ou muito burro, não vai pra cadeia, podendo recorrer em liberdade a todas as infinitas possibilidades oferecidas pela nossa leniente justiça

Agora, os juízes, estão propondo ao Congresso uma proposta que além de acelerar o cumprimento de penas em processos envolvendo crimes de colarinho branco, sugere a possibilidade de prisão já após condenação em primeira instancia, independentemente do direito do réu de recorrer às cortes superiores, além de multas para inibir o uso de recursos protelatórios, tão comuns em nosso processo penal.

Os advogados obviamente são contra. Nada como ficar mamando a graninha dos cliente  ad infinito.  A OAB, cujo currículo vem sendo enxovalhado nos últimos anos, também se manifestou contrária, o que neste caso até faz sentido já que representante dos advogados e lá se vem com a tal de cláusula pétrea da constituição, que virou panaceia para impedir qualquer mudança constitucional.

O que parece uma defesa ou uma garantia dos direitos de TODOS os cidadãos na verdade é uma mentira deslavada, pois a série interminável de recursos a “trocentas e tantas” cortes e possibilidade infinita de recursos protelatórios só estão disponíveis para quem tem recursos e pode passar anos e anos a fio pagando escritórios chiques de advocacia. Aos pobres uns bons safanões e cadeia degradante rapidinha.

O ex-desembargador do TJ-SP, José Amado, coloca muito bem a questão, no seu devido lugar, em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo: “a presunção de inocência é garantida pela Constituição até o julgamento do réu, e não apenas quando se esgotam os recursos. O processo se encerra quando o juiz decide”.

Compreende-se que a OAB defenda o ponto de vista dos seus associados, mas a entidade já foi bem melhor na defesa das grandes causas nacionais e hoje apequena-se, sempre envolvida – quanto não exclusivamente ao lado de questões meramente corporativas – tomando partido de medidas politicamente retrógradas.

Colocar os meliantes de colarinho branco na cadeia, o mais rápido possível, é uma medida moralizadora que toda a sociedade brasileira deseja. Chega de prender apenas os pobres e desemparados, ainda que efetivamente criminosos. Todos, indistintamente, têm direito a uma boa prisão. É o que penso.