quarta-feira, 6 de maio de 2015

DIREITA, ESQUERDA, CENTRO, VOLVER


Estamos vivendo um fim de um ciclo, representados por 12 anos de um Governo tido como de “esquerda”, seja lá qual for o resultado do tal ajuste fiscal e das eleições de 2018. O PT, gostem ou não, jamais será o mesmo. O que, obviamente, não impede o partido de se reinventar, mas isso é outra história. Com as esquerdas (o PT e seus satélites) em baixa, ficam duas interrogações: quem representará a “nova” esquerda e quem vai se apresentar, como alternativa, representando a “direita”, rótulo que provoca urticárias em todos os partidos e políticos?

Um fato é certo: quanto mais baixo o apoio ao PT e seus aliados fiéis, mas cresce a busca por um campo oposto. Mas quem faz esse contraponto? O mais adequado seria o PSDB, certo ou equivocadamente classificado, ou tratado, como de “direita”, mas que não se assume como oposição (com projetos claros), oscilando, ora no franco combate, ora no cantinho, escondido, como se convencionou chamar, em cima do muro.

Os outros podem ser divididos em grupos: o PT e os satélites, entre eles o mais “brilhante”, o PC do B. Numa espécie de centro-esquerda, querendo ser independente, mas oscilando de um lado, pro outro, o PSB.  E tem os que tentaram se firmar como a direita moderna, como o antigo PFL e o seu filhote o DEM, que não consegue se firmar. Temos ainda o bloco do pessoal que está na política apenas para levar alguma vantagem, tipo o PP. Ah, direis, mas os demais o que são? Nanicos, que ainda não se firmaram, nem do lado de cá, nem do lado de lá, em que pesem suas tendências intrínsecas. Resta ainda, é claro, o PMDB, mas o PMDB é algo à parte. É, digamos assim, um partido em prontidão. Pode servir à esquerda, à direita, ao centro, tudo depende da ocasião. Além de ter uma cor especifica para cada Estado onde atua.

Mas quem afinal será o herdeiro do novo ciclo que se desenha?

Uma das características desses novos tempos é a ausência/inexistência de novos líderes. O PT não tem mais nada a oferecer que não um “volta Lula”, o que talvez não atenda mais o eleitorado, cada vez mais inclinado à direita. A dita cuja não tem nenhuma liderança a oferecer. “Caçadores de marajás”, ou coisa equivalente a lá Collor, não cola mais, a não ser que tenhamos uma reviravolta completamente atípica na economia. Tipos a lá FHC também não estão disponíveis em nenhum agrupamento.

Apesar de tudo isso e – principalmente do cansaço da opinião pública – vamos ainda, por um bom tempo e apesar de mais um ciclo se fechando, ter de aguentar a polarização entre PT e PSDB. O PT tem que se reinventar, reconquistar as esquerdas e os eleitores que ganhou em 2012 e perdeu. O PSDB precisa manter os seus eleitores tradicionais e tentar fisgar os eleitores perdidos pelo PT, acolhendo ainda por cima o eleitor de direita que só quer ver mesmo o “fora esquerda”.

O que virá? Só mesmo o tempo dirá.

OS CICLOS DA REDEMOCRATIZAÇÃO:

JOSÉ SARNEY: o homem da Arena, aliado dos militares, alçado à presidência com a morte de Tancredo, surge como elemento conciliador, negociando a implantação efetiva do presidencialismo via eleições diretas.
FERNANDO COLLOR: o jovem, o novo, a “direita moderna” a ruptura com o passado, “caçador de marajás”. Deu-nos o primeiro e único, por enquanto, impeachment da nossa história.
ITAMAR FRANCO: representa bem a transição pacífica, a passagem de uma crise política séria (o impeachment do Collor) para uma normalidade democrática e estabilidade econômica, com a implantação do Plano Real.
FERNANDO HENRIQUE: o pragmático, fez o que precisava ser feito, com um primeiro mandato marcado pela estabilidade econômica. Apesar dos problemas com o segundo mandato, manteve a normalidade democrática e passou, sem traumas a faixa presidencial para Lula.
LULA: o líder de massas, a vez das esquerdas. A ênfase nos programas sociais, surfou no momento econômico favorável, conseguindo a inclusão e a ampliar a melhoria das condições de vida de milhões de brasileiros. Faz um segundo mandato mais complicado, mais ainda exitoso.
DILMA ROUSSEFF: mulher, a “gerontona”, que iria fazer um governo mais técnico, dando um “chega pra lá” nos vícios da política, mantendo e ampliando as conquistas do seu antecessor. Deu no que deu.