quarta-feira, 6 de maio de 2015

O FRACASSO DO FIES


Criado para permitir o acesso dos mais pobres à universidade, os imensos recursos investidos no Fies, sem fiscalização e padrões adequados, transformou o ensino superior num grande negócio. Hoje a maior parte dos seus alunos tem renda familiar superior a 20 salários mínimo e aptos, portanto, a pagar escolas privadas. Grande parte da renda das universidades que aderiram ao programa vem do lucro sem risco, garantido pelo dinheiro do Estado.

Ganhos da iniciativa privada versus perdas de dinheiro público seriam aceitáveis se as escolhas estudantis recaíssem sobre áreas estratégicas e estivessem efetivamente voltados para os mais carentes. Acontece que as áreas mais procuradas estão longe dos saberes tecnológicos, de áreas que produzissem efetivos conhecimentos para o progresso do País. Mas o que se vê são 1/3 dos contratos do Fies indo para direito, administração e enfermagem, enquanto matérias próximas ao que seria o “eixo do desenvolvimento” apenas engenharia civil apresentou algum crescimento.

A autonomia das universidades privadas também sofreu com a ingerência do governo, que freou repasses, intrometeu-se no valor das mensalidades, colocou condições para a formação acadêmica, definindo graus de avaliação e coeficientes nos exames públicos. Com isso foram afetadas financeiramente, e não apenas nas áreas discentes e funcionais, ao ponto de pressionarem o MEC para amenizar suas restrições e continuarem obtendo os seus lucros financeiros

Mas, o mais grave é que enquanto as universidades particulares ganham em volume, com cursos de baixa qualidade, salários parcos e lucros altos, muito altos, as universidades federais estão a míngua. Mesmo com uma certa redução dos aportes federais, o negócio do crédito educativo privado tem se revelado um excelente negócio, atraindo bancos e outros financiadores de escolas.

Fossem esses extraordinários recursos aplicados nas universidades federais, que deveriam estar voltadas, efetivamente, para aqueles alunos que não podem pagar uma instituição privada e liderando o ensino e pesquisa no País, estaríamos bem melhores. Quando um governo se guia apenas pelo seu dogmatismo pseudamente ideológico e não ouve ninguém o resultado é esse. Agora se vê às voltas com medidas de ocasião para tentar consertar o mal feito, mas talvez seja tarde para salvar o programa e os estudantes carentes que foram de fato abandonados.