quarta-feira, 6 de maio de 2015

OPERAÇÃO ZELOTES: NINGUÉM LEMBRA DE MIM.

 Todos os dias somos bombardeados (surpreendidos não é o caso) por novas denúncias de corrupção e bandalheiras. Corriqueiras, já nem chamam tanto a atenção, nem escandalizam como deveriam. Uma delas, talvez, por ser absolutamente sem graça, quase anônima é a Zelotes, embora o rombo, nas finanças públicas, deixe qualquer mensalão parecendo coisa de meliante pé de chinelo, com as primeiras estimativas girando em torno de 19 bilhões de reais.

Zelotes é aquela operação silenciosa, sistemática, que não vai para os cofres dos partidos e alimenta apenas alguns poucos privilegiados com suborno. Talvez por isso seja tão sem graça e aos poucos vá perdendo força nos noticiários.

O esquema também é simples, embora só envolva gente grande. Empresas que devem ao Fisco, milhões evidentemente, repassam uma propinazinha para consultores e conselheiros do Conselho de Recursos Fiscais (Carf) da Receita Federal, órgão encarregado de “rever” as autuações das grandes empresas, pegas burlando o Fisco. Grandes milagreiros, funcionários de carreira da Receita e da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, transformavam em zero, ou pelo menos em coisa pequena, os débitos milionários.

Nada que estivesse ao alcance dos reles contribuintes, os chamados “coitadinhos, os únicos que pagam imposto e que não podem fazer acordos ou negociatas. Os grandões passam tudo livre, tudo isento de imposto”,  segundo uma gravação feita pela Polícia Federal, de telefonema grampeado de um dos conselheiros do “tribunal” da Receita Federal.

É a boa e velha corrupção, sem complicadas operações financeiras, sem sofisticação, sem caixa dois de partido, financiamento de campanha eleitoral, nada que estimule a imaginação ou apimente o cenário político. Não se preocupa com o partido eventualmente no poder, não leva multidões às ruas, não ganha hashtags, não tem página de protesto no Facebook, muitas vezes nem merece notícia. Mas é coisa de gente grande, que corrói, talvez como nenhuma outra, os cofres públicos, tirando dinheiro da saúde, das escolas, dos hospitais e que ironicamente, aumenta os impostos, dos coitadinhos, é claro.

Seria bom se – mais serenos, menos partidários – prestássemos também atenção a esse tipo de corrupção, que com certeza absoluta não é nova, nem é do FHC nem do Lula, vem de gente/empresas que poderiam perfeitamente pagar seus impostos, mas estão mergulhados na mais vil das corrupções, sem cara, sem partidos, sem ideologia, sem graça, sem nada. Mas corroendo como nenhuma outra os cofres da nação. Seria bom ficar de olho.