sábado, 25 de julho de 2015

POLÍTICOS E SUAS PREFERÊNCIAS NO TWITTER


O Estadão Dados realizou recentemente, em parceria com o Ibope DTM, um estudo bem interessante – e até mesmo divertido – sobre contas no Twitter, revelando o quem os 428 deputados federais seguem, evidenciando suas preferencias, interesses e prioridades. José Roberto de Toledo revelou alguns dados em sua coluna no Estadão. Alguns bem curiosos: Dilma aparece em primeiro lugar entre as contas mais seguidas pelos deputados, com mais da metade dos parlamentares identificados no Twitter, mas o segundo lugar é de nada menos que José Serra. É claro que os petistas são quase unanimidade entre os seguidores da presidente, mas pelo menos 12 deles seguem o senado tucano. Aí ainda tudo normal, mas se formos avaliar os parlamentares do PMDB a coisa fica mais interessante: dos 52 que possuem contas no Twitter só 26 seguem a presidente. E nem todos são aliados. Um deles, por exemplo, é Eduardo Cunha, que não é exatamente um “amigo” da mandatária. Já a presidente não segue o presidente da Câmara, que por sinal é o deputado mais seguido pelos colegas.

A conta da presidente, segundo revela Toledo, é apenas a quarta mais seguida. Em primeiro lugar a institucional da Casa. Twitters de notícias é o que atraem mais os parlamentares. Os twitters da Folha, do Estadão, da Câmara Notícias, BlogdoNoblat, JornalOGlobo, Veja e TV Câmara fazem muito sucesso. Dos 50 mais seguidos, pelo menos 35 são meios de comunicação ou de jornalistas.

O que o estudo revela, na verdade, é que – com exceção dos twitters de notícias – os parlamentares tendem a se fechar em círculos de afinidades: tucanos seguem tucanos, petistas seus pares e por aí vai. O PMDB é mais disperso, o que é compreensível dadas as características da agremiação e parlamentares que votam parecido tendem a ter mais amigos em comum na rede social, o que não é de estranhar. Quem quiser saber mais acesse o Estadão Dados. É divertido, pelo menos.

VALE LER: CÓDIGO DA VIDA, DE SAULO RAMOS


Estou encantado com a leitura do livro de Saulo Ramos, o Código da Vida, a nova edição ampliada, que vai agora até o governo Dilma. Bem escrito, com muito humor e em uma linguagem ágil e envolvente, aborda, para que não conhece o livro, momentos marcantes do Brasil, vividos de perto pelo autor, mas entremeados por um interessantíssimo litígio judicial de uma família. Saulo foi um espectador privilegiado e arguto dos mais importantes fatos da recente história brasileira e eles são apresentados sem nenhum estratagema para ocultar os seus nomes dos seus atores principais, com todos os seus feitos e mal feitos. Apenas nos casos estritamente de direito privado, que dão um sabor especial ao livro, dando-lhe “suspense, surpresas e mistério”, os nomes dos envolvidos são fictícios. Vale a leitura.

quinta-feira, 23 de julho de 2015

O BRASIL E O FASCÍNIO PELO FRACASSO


Li hoje, um artigo muito interessante sobre o fascínio brasileiro pelo fracasso, escrito pelo economista Josef Barat, no jornal Estado de São Paulo. Barat debruça-se sobre a alternância de sucessos e fracassos recorrentes na nossa história, independentemente de ideologias, onde “cada período de busca pela inserção no mundo contemporâneo e participação no concerto das nações adultas seguem-se os de desmonte das conquistas”, com as “forças do atraso” unindo-se para “manter o País na sua letargia secular”. (inclui-se nas forças do atraso, aquelas que se dizem “progressistas”, mas atando de forma bitolada servem, no final das contas, ao atraso). Assim como a Barat, isso é algo que me intriga. Quais seriam as explicações, afinal, para o que ele chama de “estranho fascínio” que nos persegue ao longo da nossa história?

Barat cita alguns exemplos, mais recentes da nossa história, para ilustrar a sua tese: o esforço de contemporaneidade e otimismo dos anos JK, que foram seguidos por anos calamitosos nos governos de Jânio Quadros e João Goulart, assim como os esforços de estabilização e de bases institucionais inovadoras (econômicas e sociais) do curto governo de Castelo Branco, seguidos de retrocesso pelos de Costa e Silva e Médici. Geisel fez um esforço para dar uma certa lógica de planejamento e objetivos nacionais de desenvolvimento, mas que saíram completamente de controle nos anos de Figueiredo e Sarney. Vem logo em seguida Collor, com o caos instalado, completando mais um ciclo. O realinhamento da economia só é feito com o Plano Real, de Itamar e FHC, com controle de inflação, aumento de real da renda e sua melhor distribuição, com mais credibilidade internacional, que continua durante o primeiro governo de Lula, para esfacelar-se, em seguida, principalmente no primeiro governo de Dilma.

Vivemos hoje mais uma era de fracassos, com alguns dos seus ingredientes principais, por demais conhecidos, principalmente pelas gerações mais idosas, que conviveram com os ciclos de fracassos anteriores: inflação em alta, redução do poder de compra, aumento do desemprego, inadimplência crescente, descrédito internacional, contas públicas em desordem.

Necessário de faz que articulações politicas consigam uma nova governança que tenha a disposição, os recursos e o conhecimento para mudar o rumo das opções econômicas, políticas e sociais. Mas, infelizmente, como conclui o articulista, e mais uma vez concordo, para a dimensão e a complexidade da crise atual faltam estadistas à altura, embora sobrem bazófias para todos os gostos.

Barat tenta, em seu artigo, uma analogia, que ainda fica a dever a uma interpretação sociológica mais profunda, como ele mesmo admite, para esse estranho fascínio pelo fracasso, numa comparação entre a visão de mundo dos adolescentes versus a dos adultos. Adolescentes, é bom que se diga, um tanto desajustados, aqueles que culpam os pais, os professores e o mundo por seus fracassos.  Assim seriam a maioria  dos países da América Latina. Engolfadas por tiranos, suas populações são incitadas ao ódio aos “adultos”, os “outros”, causadores dos seus males.  Nesse contexto o Brasil, e algumas outras poucas exceções da região, estariam um pouco melhor, alternando, pelo menos, os malogros com ciclos de certa prosperidade e modernidade econômica e institucional.  Mas a verdadeira explicação para o nosso fascínio ainda está para ser efetivamente desvendada, algo que vá além da nossa distante herança sebastianista ou, talvez, pelo fato de nos sentirmos mais confortáveis e respeitados entre os nossos vizinhos “adolescentes irresponsáveis”.



Josef Barat, é economista e consultor de entidades públicas e privadas, e coordenador do Núcleo de Estudos Urbanos da Associação Comercial de São Paulo. O artigo comentado foi publicado no jornal O Estado de São Paulo, página B2 do Caderno de Economia de 23/07/2015.


terça-feira, 21 de julho de 2015

REJEIÇÃO AO PT CHEGA AO CINTURÃO VERMELHO DE SP


O Cinturão Vermelho, para que não sabe, é um conjunto de bairro nos extremos da capital paulista que desde 2000 tem votado em peso nos candidatos petista. Mas, recentemente, a queda na aprovação da presidente, a agenda negativa provocada pela Operação Lava Jato e a crise econômica começaram a se fazer sentir, também, nos eleitores do cinturão, animando os adversários a investirem nesses redutos petistas, antes considerados fechados a outros candidatos.

Segundo Márcia Cavallari, diretora do Ibope, percebe-se o aumento significativo da proporção de eleitores voláteis, aqueles que já votaram no PT, em algum momento, mas que agora não repetirão o voto na legenda, com o antipetismo chegando aos antigos redutos do partido.

Não é a toa que Nelson Biondi, responsável por campanhas do PSDB na capital e no Estado, afirme que, diferentemente do passado, “quando a gente não investia muito nos redutos petistas porque sabíamos que não adiantaria, hoje o ‘mercado’ está diferente. Não há mais reduto petista que não vale a pensa investir”. 

O mesmo sentimento deve permear os dirigentes da campanha de Marta Suplicy, recém-saída do PT, ao traçarem uma estratégia de avanço sobre o cinturão vermelho, um dos principais responsáveis pela sua eleição como prefeita em 2000 e nos quais ainda tem eleitores fiéis. Com visitas semanais a esses bairros Marta tem assustado os dirigentes petistas, que já tomam providências para tentar barrar o acesso da Senadora aos seus redutos.

Ainda que usando estratégia diferente dos tucanos e petistas, o único candidato já declarado à Prefeitura, Celso Russomanno, do PRB, planeja investir nos redutos adversários, vermelhos e azuis, através da TV, com um quadro que deverá ganhar no programa de maior audiência da TV Record, o Cidade Alerta.

Resta ao PT, e ao seu candidato a reeleição, Fernando Haddad, tentar aumentar a distância entre os seus adversários nas áreas que ainda lhes são favoráveis e partir para reconquistar espaço entre os eleitores nas áreas chamadas voláteis, como explica Márcia Cavallari, uma tarefa cada vez mais difícil, como acredita o cientista político Carlos Novaes, em entrevista a Pedro Venceslau do jornal O Estado de São Paulo: a crise do PT é estrutural e anterior aos escândalos. O PT nunca esteve tão vulnerável. Será mais fácil para os adversários de Haddad encontrar reprodutores para seus discursos de campanha”.

PERFIS FAKES

Nas redes sociais a campanha também está em andamento. Perfis fictícios já promovem o prefeito e Russomanno e Marta tem feitos declarações seguidas, que são reproduzidas principalmente via Twitter e Facebook, por sua equipe e admiradores.


O prefeito ganhou o perfil Haddad Tranquilão, que já conta com mais de 120 mil seguidores e Russo – O Mano, mais de 7 mil curtidas, ambos numa estratégia semelhante que pode ter virado uma tendência desde o surgimento de Dilma Bolada, o perfil criado em 2010 por um publicitário carioca, que possui atualmente nada menos que 1,6 milhão de seguidores. O perfil de Haddad é administrado por dois jovens, um publicitário e um turismólogo, ligados ao PT. 

 

O de Russomanno é controlado também por um publicitário 
que se diz simpatizante do pré-candidato,j
á tendo trabalhado para Eduardo Campos e Paulo Skaf.



segunda-feira, 13 de julho de 2015

NEM LULA NEM O PT ESTÃO MORTOS



Mais uma pesquisa, estilo corrida de cavalos do Ibope, sobre uma hipotética eleição presidencial, e lá vem a mesma conclusão, fruto das interpretações aligeiradas das pesquisas. Aécio venceria, Lula, que por sua vez venceria, por margem pequena, Alckmin e por aí vai..., donde se poderia concluir que Lula e o PT estariam, como disse aliás o próprio ex-Presidente, no “volume morto”, acabados. Mas, como bem ressaltou a Diretora Executiva do Ibope Inteligência, Márcia Cavallari, em entrevista ao Estado de São Paulo, “é fato que a base do Lula diminuiu, mas não se pode dizer que ele esteja morto, em termos políticos. A dúvida é se vai conseguir se recuperar”

É justamente em cima dessa dúvida que a análise das pesquisas fica interessante, embora nada no trabalho do Ibope, e não me parece ser esse o objetivo, indique o que poderia ser feito, pelo o ex-Presidente e o seu partido, para reverter a situação. Vale, aqui, a título de exemplo, destacar dois depoimentos publicados no mesmo jornal, sobre a queda na aprovação de Dilma no Nordeste. Maria das Neves, uma diarista baiana, afirma que “não confia nela (Dilma) e torço para que o Lula volte e coloque o Brasil no caminho certo de novo”. A Outra baiana, Alcélia Salomão, recepcionista, não se arrepende de ter votado em Dilma apesar de estar há um ano e dois meses desempregada, já que em sua opinião o “outro (Aécio Neves) seria pior”.

Os nordestinos tiveram um boom de empregos durante o governo do ex-presidente, vivendo um período de prosperidade que se estendeu ao primeiro governo Dilma, com incremento real da renda. Sob os efeitos da Operação Lava Jato, do recuo nos investimentos do governo federal e da paralisia nos programas vitrine do governo petista, o Nordeste perdeu nada menos de 152 mil vagas de emprego só nos primeiros cinco meses do ano. E foi basicamente isso que fez com que a aprovação do governo, do PT e por via de consequência do Lula, caíssem.

A questão é: conseguirá Lula e, secundariamente, o seu partido, desvincularem-se do Governo Dilma?  Para a diarista e a recepcionista da Bahia isso seria mais do que provável. Maria da Neves vai inclusive mais além e torce para a volta do ex-presidente.  Uma nostalgia e desejo de volta por tempos melhores, que certamente não são exclusividade das duas baianas. Ou seja, apesar da queda o ex-presidente ainda possui uma boa reserva de atributos positivos a ser explorada. A forma de se desvincular do fracasso do governo Dilma é que são elas. Bastaria, por exemplo, um pedido de desculpas à nação do tipo errei ao indicá-la, mas posso consertar os seus erros? Seria o bastante? A ver. 
É nisso que a oposição está de olho, ou melhor, deveria estar. O ex-presidente ainda é uma pedra no sapato de qualquer um que tenha a pretensão de substituir a atual mandatária. Os mais afoitos concluiriam que o momento é agora. Nada melhor que um impeachment para resolver o problema. Acontece que ninguém quer, de verdade, esse impeachment e todos estão jogado para a plateia. Assumir o governo, nessa situação não interessa a ninguém, nem ao Temer, nem ao Aécio, muito menos ao Alckmin, com o restante de um mandato a cumprir, nem a sumida Marina, que as pessoas sequer lembram que ainda existe, para ficar apenas nos mais notáveis.  O PSDB, com pelo menos três postulantes ao cargo (Aécio, Alckmin e Serra, este correndo por fora) precisa primeiro resolver seus problemas internos. Por ora está ótimo assistir ao desgaste do PT. O PMDB não podia estar melhor. Manda e desmanda e transformou-se de aliado injetado no grande e fiel garantidor da paz na República. Para os dois partidos nada melhor que Dilma continue caindo e contaminando, com a sua queda, o PT e o seu líder supremo até as eleições de 2018, quando estarão prontos, imagina-se, para a disputa. Por incrível que possa parecer, numa análise recente bastante correta da colunista Dora Kramer, o PT seria o único beneficiário de um eventual impedimento da Presidente, saindo da situação de vidraça para atirador de pedras, com pelo menos dois anos pela frente para se recuperar. Uma manobra que sairia caro, certamente, mas que não pode ser descartada a priori.

Seja como for, só uma análise bem mais aprofundada do que vai na cabeça dos brasileiros fornecerá boas respostas para a construção de estratégias eficientes, seja para a oposição, seja para a situação. A simples leitura das pesquisas de intenção de voto não conduz a isso. No momento o que elas concluem é nada mais que o óbvio: pressionados e temerosos com a crise econômica, com a perda dos empregos e do poder aquisitivo, os brasileiros estão com pouquíssima paciência para com o governo Dilma e que isso vai contaminando, lenta e gradual e inexoravelmente,  o PT e o seu líder máximo. E fica por aí.

O interessante mesmo está em expectativas, esperanças e conceitos como os expostos pelas duas baianas, que podem revelar muito sobre um cenário político futuro.  É pagar para ver e tudo depende muito, muitíssimo, do desenrolar da crise.

sábado, 11 de julho de 2015

VEÍCULOS PARADOS NÃO PROVOCAM ACIDENTES. TRÂNSITO LENTO FLUI MELHOR.


As afirmações do título podem parecer estranhas, mas é com base nisso aí que a Prefeitura de São Paulo aposta para melhorar o trânsito e diminuir os acidentes. A partir do próximo dia 20 a velocidade das duas mais importantes vias da cidade, as Marginais, terão as suas velocidades reduzidas para 70km nas vias centrais, 60 para as laterais e 50 nas locais. Hoje as máximas são 90 nas expressas, 70 nas laterais 60 nas locais. E “estuda-se” reduzir para 50km a velocidade máxima em todas as vias da capital.

Segundo o Secretário dos Transportes, com a velocidade reduzida, além de diminuir os acidentes, o trânsito fluirá melhor, já que a distância entre os veículos tende a diminuir. O computador de bordo do meu carro me informa, que nos últimos seis meses a minha velocidade média foi de apenas 40km por hora, 10 quilômetros menor da que os sábios técnicos da prefeitura querem como velocidade padrão. Obviamente não sou o único a circular nessa velocidade de cágado e não vejo nenhuma melhoria no fluxo do trânsito ao andar por aí numa média de 40 por hora. Sim, algumas vezes passo disso, nos feriados, em algumas horas específicas, nas marginais ou, vez por outra, em ruas e avenidas alternativas, mas e daí? A média é essa mesma.

A Prefeitura tem tentando com medidas sui generis, como essas, melhorar o transito na cidade. E fica por aí, ou melhor, investe também em ciclo-faixas e em faixas de ônibus. As ciclovias e as ciclo-faixas, apesar de serem – em geral – mal planejadas, são bem vindas. Melhor com elas, do que sem elas, já os prometidos corredores e as faixas “exclusivas” (que são a maioria) dos ônibus, como grande revolução no transporte público nada de novo no horizonte. A velocidade dos veículos não aumentou. Os semáforos continuam, como sempre estiveram, sem funcionar adequadamente. Basta um pouco de chuva e ficam inoperantes. Quando  não chove vivem dessincronizados. Os ônibus, ah, os ônibus, circulam sem critério ou nexo. Descobrir por onde passam ou param requer poderes paranormais. As ruas são mal sinalizadas, os caminhões fazem praticamente o que querem, respeitando, quando muito, as restrições de circulação por determinadas vias. Estaciona-se onde dá na telha. A bagunça é generalizada. Os congestionamentos batem recordes diários. Os trens e o metro, esses sob o comando do governo do estado, não dão conta do recado. Não passa um dia em que nas suas minúsculas linhas não aconteçam incidentes e atrasos, as obras de ampliação das linhas estão sempre nos planos futuros, fazendo jus aos prazos nunca cumpridos desde o início das suas implantações.

É hilário, para dizer o mínimo, as comparações sempre presentes nas medidas pontuais tomadas com o que se faz ou se que vê em outras cidades, onde problemas similares já foram superadas há muito. Estamos seguindo o exemplo de Amsterdã, no caso das bikes, vamos fechar o trânsito no centro como em Londres e não param por aí as ridículas comparações. Esquecem-se das topografias, esquecem do restante do transporte público que funciona perfeitamente, da organização e do planejamento, de décadas, das cidades que se pretende imitar. Esquecem, ou fazem questão de parecer que esquecem, que em Londres os ônibus passam exatamente as 10:47 em determinado ponto, nenhum minuto a mais ou a menos, que o metro funciona, que os trens funcionam. Que Amsterdã, outro exemplo, já resolveu seus problemas de mobilidade urbana há muito, assim como todas as outras cidades que teimam em usar como exemplo das mal planejadas medias que distribuem no varejo. São Paulo tem muito o que aprender e pelo visto os técnicos da Prefeitura, definitivamente, não são os melhores professores.

A maior e mais rica cidade do País anda bem devagar  E a prefeitura se esmera em trabalhar para que ela ainda caminhe ainda mais devagar.

quinta-feira, 9 de julho de 2015

GRAU DE INVESTIMENTO: UMA SÉRIA AMEAÇA

Enquanto se discute e vocifera no Facebook, no Congresso e nas rodinhas políticas o “sai, não saio” da presidente, uma questão muito mais séria, que pode aumentar o fundo do poço da crise, real, em que vivemos, passa desapercebida, ao largo das discussões: é a possibilidade real (já tem gente apostando que isso vai acontecer no próximo mês de setembro) que o grau de investimento do Brasil pode ser rebaixado.

Grau de investimento, para quem vive no mundo da lua, é uma espécie de nota que é dada pelas agências internacionais para os bons e maus pagadores.

Quando a nota é rebaixada, o que se tem pela frente é uma crise de liquidez externa. Em linguagem simples: nada de empréstimos, nada de bons negócios com outros países, todos os indicadores financeiros indo por água abaixo.

A nota é rebaixada quando o país não tem condições de honrar os seus pagamentos externos e/ou não possui uma economia confiável para investimentos. Pense no seguinte exemplo: os juros em países como os Estados Unidos, para aplicações financeiras é praticamente zero. No Brasil as taxas são consideradas extremamente atraentes, mas por que, então, os dólares dos investidores não estão jorrando em nossa economia? É a tal de falta de confiança. Melhor ganhar uma merreca no mercado seguro do que apostar em economias que não merecem confiança, em países onde as regras mudam por minuto, ao sabor das conveniências políticas dos seus governantes e onde a corrupção e a bandalheira é regra geral. Com as contas públicas vivendo ainda em regime de confusão completa, com um governo que sequer consegue provar que cumpriu com a lei no último exercício, é possível, ainda que não inevitável, que a ameaça de rebaixamento no tal de grau de investimento, venha de fato a acontecer. Aí sim, viveremos o caos.

Nesse caso não vão servir para nada as tais fabulosas reservas em dólar do país, muito menos a tecnologia, a paciência e os mecanismos criados ao longo do tempo, para conviver com uma inflação alta, que os mais jovens desconhecem, mas que os mais velhos conseguiram, digamos assim, tirar de letra durante anos e anos em que convivemos com a dita cuja. 

Seria mais interessante que os atores políticos e econômicos voltassem os seus olhos para esta ameaça real, em vez de ficarem restritos a esse “sai, não saio”. Precisamos urgentemente de um projeto de desenvolvimento e não de medidas paliativas, de remendos econômicos, de adiamento do caos. Seria bom que os brasileiros soubessem que terão que fazer sacrifícios agora, mas que existe uma luz no fim do túnel, que não seja a de um trem em alta velocidade. Faltam líderes, falta projeto, faltam perspectivas. Por enquanto só não está faltando fé. Por enquanto.