quinta-feira, 9 de julho de 2015

GRAU DE INVESTIMENTO: UMA SÉRIA AMEAÇA

Enquanto se discute e vocifera no Facebook, no Congresso e nas rodinhas políticas o “sai, não saio” da presidente, uma questão muito mais séria, que pode aumentar o fundo do poço da crise, real, em que vivemos, passa desapercebida, ao largo das discussões: é a possibilidade real (já tem gente apostando que isso vai acontecer no próximo mês de setembro) que o grau de investimento do Brasil pode ser rebaixado.

Grau de investimento, para quem vive no mundo da lua, é uma espécie de nota que é dada pelas agências internacionais para os bons e maus pagadores.

Quando a nota é rebaixada, o que se tem pela frente é uma crise de liquidez externa. Em linguagem simples: nada de empréstimos, nada de bons negócios com outros países, todos os indicadores financeiros indo por água abaixo.

A nota é rebaixada quando o país não tem condições de honrar os seus pagamentos externos e/ou não possui uma economia confiável para investimentos. Pense no seguinte exemplo: os juros em países como os Estados Unidos, para aplicações financeiras é praticamente zero. No Brasil as taxas são consideradas extremamente atraentes, mas por que, então, os dólares dos investidores não estão jorrando em nossa economia? É a tal de falta de confiança. Melhor ganhar uma merreca no mercado seguro do que apostar em economias que não merecem confiança, em países onde as regras mudam por minuto, ao sabor das conveniências políticas dos seus governantes e onde a corrupção e a bandalheira é regra geral. Com as contas públicas vivendo ainda em regime de confusão completa, com um governo que sequer consegue provar que cumpriu com a lei no último exercício, é possível, ainda que não inevitável, que a ameaça de rebaixamento no tal de grau de investimento, venha de fato a acontecer. Aí sim, viveremos o caos.

Nesse caso não vão servir para nada as tais fabulosas reservas em dólar do país, muito menos a tecnologia, a paciência e os mecanismos criados ao longo do tempo, para conviver com uma inflação alta, que os mais jovens desconhecem, mas que os mais velhos conseguiram, digamos assim, tirar de letra durante anos e anos em que convivemos com a dita cuja. 

Seria mais interessante que os atores políticos e econômicos voltassem os seus olhos para esta ameaça real, em vez de ficarem restritos a esse “sai, não saio”. Precisamos urgentemente de um projeto de desenvolvimento e não de medidas paliativas, de remendos econômicos, de adiamento do caos. Seria bom que os brasileiros soubessem que terão que fazer sacrifícios agora, mas que existe uma luz no fim do túnel, que não seja a de um trem em alta velocidade. Faltam líderes, falta projeto, faltam perspectivas. Por enquanto só não está faltando fé. Por enquanto.