segunda-feira, 13 de julho de 2015

NEM LULA NEM O PT ESTÃO MORTOS



Mais uma pesquisa, estilo corrida de cavalos do Ibope, sobre uma hipotética eleição presidencial, e lá vem a mesma conclusão, fruto das interpretações aligeiradas das pesquisas. Aécio venceria, Lula, que por sua vez venceria, por margem pequena, Alckmin e por aí vai..., donde se poderia concluir que Lula e o PT estariam, como disse aliás o próprio ex-Presidente, no “volume morto”, acabados. Mas, como bem ressaltou a Diretora Executiva do Ibope Inteligência, Márcia Cavallari, em entrevista ao Estado de São Paulo, “é fato que a base do Lula diminuiu, mas não se pode dizer que ele esteja morto, em termos políticos. A dúvida é se vai conseguir se recuperar”

É justamente em cima dessa dúvida que a análise das pesquisas fica interessante, embora nada no trabalho do Ibope, e não me parece ser esse o objetivo, indique o que poderia ser feito, pelo o ex-Presidente e o seu partido, para reverter a situação. Vale, aqui, a título de exemplo, destacar dois depoimentos publicados no mesmo jornal, sobre a queda na aprovação de Dilma no Nordeste. Maria das Neves, uma diarista baiana, afirma que “não confia nela (Dilma) e torço para que o Lula volte e coloque o Brasil no caminho certo de novo”. A Outra baiana, Alcélia Salomão, recepcionista, não se arrepende de ter votado em Dilma apesar de estar há um ano e dois meses desempregada, já que em sua opinião o “outro (Aécio Neves) seria pior”.

Os nordestinos tiveram um boom de empregos durante o governo do ex-presidente, vivendo um período de prosperidade que se estendeu ao primeiro governo Dilma, com incremento real da renda. Sob os efeitos da Operação Lava Jato, do recuo nos investimentos do governo federal e da paralisia nos programas vitrine do governo petista, o Nordeste perdeu nada menos de 152 mil vagas de emprego só nos primeiros cinco meses do ano. E foi basicamente isso que fez com que a aprovação do governo, do PT e por via de consequência do Lula, caíssem.

A questão é: conseguirá Lula e, secundariamente, o seu partido, desvincularem-se do Governo Dilma?  Para a diarista e a recepcionista da Bahia isso seria mais do que provável. Maria da Neves vai inclusive mais além e torce para a volta do ex-presidente.  Uma nostalgia e desejo de volta por tempos melhores, que certamente não são exclusividade das duas baianas. Ou seja, apesar da queda o ex-presidente ainda possui uma boa reserva de atributos positivos a ser explorada. A forma de se desvincular do fracasso do governo Dilma é que são elas. Bastaria, por exemplo, um pedido de desculpas à nação do tipo errei ao indicá-la, mas posso consertar os seus erros? Seria o bastante? A ver. 
É nisso que a oposição está de olho, ou melhor, deveria estar. O ex-presidente ainda é uma pedra no sapato de qualquer um que tenha a pretensão de substituir a atual mandatária. Os mais afoitos concluiriam que o momento é agora. Nada melhor que um impeachment para resolver o problema. Acontece que ninguém quer, de verdade, esse impeachment e todos estão jogado para a plateia. Assumir o governo, nessa situação não interessa a ninguém, nem ao Temer, nem ao Aécio, muito menos ao Alckmin, com o restante de um mandato a cumprir, nem a sumida Marina, que as pessoas sequer lembram que ainda existe, para ficar apenas nos mais notáveis.  O PSDB, com pelo menos três postulantes ao cargo (Aécio, Alckmin e Serra, este correndo por fora) precisa primeiro resolver seus problemas internos. Por ora está ótimo assistir ao desgaste do PT. O PMDB não podia estar melhor. Manda e desmanda e transformou-se de aliado injetado no grande e fiel garantidor da paz na República. Para os dois partidos nada melhor que Dilma continue caindo e contaminando, com a sua queda, o PT e o seu líder supremo até as eleições de 2018, quando estarão prontos, imagina-se, para a disputa. Por incrível que possa parecer, numa análise recente bastante correta da colunista Dora Kramer, o PT seria o único beneficiário de um eventual impedimento da Presidente, saindo da situação de vidraça para atirador de pedras, com pelo menos dois anos pela frente para se recuperar. Uma manobra que sairia caro, certamente, mas que não pode ser descartada a priori.

Seja como for, só uma análise bem mais aprofundada do que vai na cabeça dos brasileiros fornecerá boas respostas para a construção de estratégias eficientes, seja para a oposição, seja para a situação. A simples leitura das pesquisas de intenção de voto não conduz a isso. No momento o que elas concluem é nada mais que o óbvio: pressionados e temerosos com a crise econômica, com a perda dos empregos e do poder aquisitivo, os brasileiros estão com pouquíssima paciência para com o governo Dilma e que isso vai contaminando, lenta e gradual e inexoravelmente,  o PT e o seu líder máximo. E fica por aí.

O interessante mesmo está em expectativas, esperanças e conceitos como os expostos pelas duas baianas, que podem revelar muito sobre um cenário político futuro.  É pagar para ver e tudo depende muito, muitíssimo, do desenrolar da crise.