sábado, 11 de julho de 2015

VEÍCULOS PARADOS NÃO PROVOCAM ACIDENTES. TRÂNSITO LENTO FLUI MELHOR.


As afirmações do título podem parecer estranhas, mas é com base nisso aí que a Prefeitura de São Paulo aposta para melhorar o trânsito e diminuir os acidentes. A partir do próximo dia 20 a velocidade das duas mais importantes vias da cidade, as Marginais, terão as suas velocidades reduzidas para 70km nas vias centrais, 60 para as laterais e 50 nas locais. Hoje as máximas são 90 nas expressas, 70 nas laterais 60 nas locais. E “estuda-se” reduzir para 50km a velocidade máxima em todas as vias da capital.

Segundo o Secretário dos Transportes, com a velocidade reduzida, além de diminuir os acidentes, o trânsito fluirá melhor, já que a distância entre os veículos tende a diminuir. O computador de bordo do meu carro me informa, que nos últimos seis meses a minha velocidade média foi de apenas 40km por hora, 10 quilômetros menor da que os sábios técnicos da prefeitura querem como velocidade padrão. Obviamente não sou o único a circular nessa velocidade de cágado e não vejo nenhuma melhoria no fluxo do trânsito ao andar por aí numa média de 40 por hora. Sim, algumas vezes passo disso, nos feriados, em algumas horas específicas, nas marginais ou, vez por outra, em ruas e avenidas alternativas, mas e daí? A média é essa mesma.

A Prefeitura tem tentando com medidas sui generis, como essas, melhorar o transito na cidade. E fica por aí, ou melhor, investe também em ciclo-faixas e em faixas de ônibus. As ciclovias e as ciclo-faixas, apesar de serem – em geral – mal planejadas, são bem vindas. Melhor com elas, do que sem elas, já os prometidos corredores e as faixas “exclusivas” (que são a maioria) dos ônibus, como grande revolução no transporte público nada de novo no horizonte. A velocidade dos veículos não aumentou. Os semáforos continuam, como sempre estiveram, sem funcionar adequadamente. Basta um pouco de chuva e ficam inoperantes. Quando  não chove vivem dessincronizados. Os ônibus, ah, os ônibus, circulam sem critério ou nexo. Descobrir por onde passam ou param requer poderes paranormais. As ruas são mal sinalizadas, os caminhões fazem praticamente o que querem, respeitando, quando muito, as restrições de circulação por determinadas vias. Estaciona-se onde dá na telha. A bagunça é generalizada. Os congestionamentos batem recordes diários. Os trens e o metro, esses sob o comando do governo do estado, não dão conta do recado. Não passa um dia em que nas suas minúsculas linhas não aconteçam incidentes e atrasos, as obras de ampliação das linhas estão sempre nos planos futuros, fazendo jus aos prazos nunca cumpridos desde o início das suas implantações.

É hilário, para dizer o mínimo, as comparações sempre presentes nas medidas pontuais tomadas com o que se faz ou se que vê em outras cidades, onde problemas similares já foram superadas há muito. Estamos seguindo o exemplo de Amsterdã, no caso das bikes, vamos fechar o trânsito no centro como em Londres e não param por aí as ridículas comparações. Esquecem-se das topografias, esquecem do restante do transporte público que funciona perfeitamente, da organização e do planejamento, de décadas, das cidades que se pretende imitar. Esquecem, ou fazem questão de parecer que esquecem, que em Londres os ônibus passam exatamente as 10:47 em determinado ponto, nenhum minuto a mais ou a menos, que o metro funciona, que os trens funcionam. Que Amsterdã, outro exemplo, já resolveu seus problemas de mobilidade urbana há muito, assim como todas as outras cidades que teimam em usar como exemplo das mal planejadas medias que distribuem no varejo. São Paulo tem muito o que aprender e pelo visto os técnicos da Prefeitura, definitivamente, não são os melhores professores.

A maior e mais rica cidade do País anda bem devagar  E a prefeitura se esmera em trabalhar para que ela ainda caminhe ainda mais devagar.