sexta-feira, 7 de agosto de 2015

'ALGUÉM'

Quando um vice-Presidente da República vem a público dizer que precisamos de "alguém" para reunificar o País, sem mencionar a pessoa óbvia, a comandante-em-chefe da Nação, alguma coisa está muito, muito fora da ordem. É o problema dos sujeitos indefinidos nas orações. Afinal, a Presidente, ainda em exercício, é a pessoa óbvia, a pessoa que ocupa um cargo exatamente para isso, destinado a isso: unificar a conduzir o País para o rumo certo. E aí vem o seu subordinado mais direto e fala em... "alguém".

Quem seria afinal, esse sujeito oculto, indefinido? Com a pressa das entidades empresariais em prestar-lhe solidariedade e apoio, também sem mencionar a Presidente, a coisa fica mais parecendo um lançamento de candidatura e uma admissão pública, notem bem, do próprio vice-Presidente, de que sua chefe não tem mais poder, vontade e/ou competência para cumprir com a tarefa que lhe cabe.
É verdade que o vice andou se "consertando" depois, inserindo o nome da Presidente em outra entrevistas, mas o recado já havia sido dado.

Ostentando título de presidente mais impopular da história desde a redemocratização, com cada vez novos partidos abandonando o barco, parece que o PMDB prepara, também, a sua escapada do edifício em chamas, acenando para o carro de bombeiros azulzinho que, no entanto, hesita em lhe estender, de pronto, a escada Magirus.

No PSDB as correntes se dividem. Há quem diga que o pessoal ligado a José Serra se encanta com a possibilidade de Michel Temer presidente e - quem sabe - o senador de Ministro da Fazenda. Um humorista de plantão já disse que isso agradaria também ao PT, que se livraria da incomoda Presidente e passaria de vidraça a estilingue, com o bônus de poder sair por aí dizendo que foi vítima de um golpe, justo quando estava pronto para consertar tudo.  A outra corrente, do PSDB, que não vê com bons olhos essa conversa é o pessoal do Geraldo Alckmin que prefere que Dilma vá, aos trancos e barrancos, até 2018, quando termina o seu mandato e ele estaria pronto para se candidatar ao cargo.

E ainda tem os aecistas, para os quais o melhor mesmo seria Dilma e Temer caírem fora e termos outra eleição, que - acreditam eles - daria a Presidência de mãos beijadas para Aécio Neves.
O problema disso tudo é que - enquanto isso - a economia vai indo de mal a pior, sem nenhuma perspectiva de melhora e o PMDB que está acenando na janela do edifício em chamas do governo não consegue a escadinha salvadora dos tucanos, que - com vários comandantes - não conseguem se decidir de usam as mangueiras para debelar o incêndio, acionam a escada para permitir a saída do PMDB ou se fazem de mortos e deixam o circo todo pegar fogo.

Quem sobreviver verá.