sexta-feira, 14 de agosto de 2015

O PLANO RENAN E AS TOLICES DE PLANTÃO

É claro que a tal Agenda Brasil tem lá suas vantagens, principalmente para o governo, que pode apresentar algo com ares de positivo, aliar-se com o “Senado”, enfraquecer Cunha, tentar acalmar mercados e por aí vai, mas em termos econômicos tem um monte de tolices, algumas, inclusive, já descartas. Uma delas seria a taxação dos serviços do SUS de acordo com a renda de quem os fosse utilizar. Fico imaginando a cena: o sujeito chega lá em um dos equipamentos do ágil e moderno Sistema Unificado de Saúde e a atendente: trouxe a declaração do imposto de renda? (só vale cópia autenticada) E o holerite? Carteira de Trabalho atualizada? Tá faltando os três últimos extratos bancários. Não trouxe? Chiiiii. Essa saiu, mas ficou outra, não menos esquisita, de levar os planos de saúde privados a indenizarem o SUS sempre que um dos seus associados for atendido pelo sistema. Vai saber como vão controlar isso.

Outra, que costuma fazer a festa dos esquerdistas de plantão, é aumentar a taxação dos bancos, que tem tudo para fazer sucesso entre os incautos. É claro que qualquer um de rendimentos médios pra baixo quando vê os lucros dos bancos fica de boca aberta. O que esse povo sempre esquece é que empresas, bancos inclusos, não são, na realidade, pagadores de impostos. O imposto que esse pessoal paga não surge do nada, num passe de mágica, vem do lucro das coisas que produzem ou dos serviços que prestam. Aumenta os impostos dessa gente? Não tem problema, aumenta o “preço” dos produtos e dos serviços que o pato de sempre, o tal consumidor/contribuinte vai pagar. É simples assim. Os bancos vão aumentar a taxa de juros dos empréstimos, as taxas de serviços e por aí vai. E se vc não sabe ainda, é bom saber, boa parte dos custos altos dos empréstimos bancários vem da carga financeira – alta – impostos – que já veem agregados a qualquer operação vc faça com os bancos. Seja aquela graninha do cheque especial, o empréstimo para comprar qualquer bagulho, iniciar um negócio, fazer capital de giro ou financiar grandes empreendimentos.

Tem também, para fazer justiça, algumas coisas que tem mesmo que ser discutidas, como idade mínima para aposentadoria (que não fique restrita ao setor privado, como quase sempre), os problemas com o Mercosul, cujos sócios, principalmente a Argentina, impedem o Brasil de fazer vários acordos comerciais interessantes e outras como a criação de vias rápidas para licenciamentos ambientais, desde que isso não se transforme em desculpa para sair por aí destruindo a natureza. 

Agora, noves fora as bobagens e algumas propostas relativamente boas, fica a pergunta: com tanta gente no Governo, esse pessoal não é capaz de propor nem umas ideiazinhas desse porte? Precisou Renan chamar uns "compadres" e, em menos de uma semana, a toque de caixa, costurar uma “agenda” para o Brasil?