sábado, 17 de outubro de 2015

E NÃO É QUE LULA TEM RAZÃO?


Ainda que por motivos diversos, concordo com o ex-presidente: é preciso trocar a agenda de cortes pela do crescimento, emprego e distribuição de renda. “Eu vou para a rua defender o quê? A gente precisa vender esperança. Qual é o futuro? A agenda não pode ser só ajuste fiscal”, tem afirmado o ex-presidente.

É claro que – provavelmente ao contrário do que pensa o ex-mandatário – eu continuo achando que um ajuste fiscal é necessário. Por motivos óbvios e primários: não é possível gastar mais do que se ganha (ou se arrecada). Não dá certo, mesmo que você seja o dono da máquina de imprimir dinheiro. Sem lastro logo-logo o papel não vale nada. Os mais velhos, como eu, já vivemos isso: “cortação” de zeros nas notas, salários na casa dos milhões que não valiam nada, a impossibilidade total de saber o real valor de qualquer produto ou serviço.

Mas, como diz o ex, ainda que por outros motivos, não se pode ficar eternamente discutindo um “ajuste” que nunca é feito, só discutido, e cuja única solução parece ser o retorno da tal CPMF. Sem um projeto, um projeto de futuro, como diz o ex-presidente, a coisa toda parece estar restrita em arrumar mais dinheiro para continuar com a gastança desenfreada.

Não é a toa que a cada dia aumentam as pressões para a saída do ministro da Fazenda,  sobre o qual tem muita gente interessada em jogar a culpa pela crise econômica e a falta de perspectivas. Assim a atual presidente não seria culpada de nada, no máximo talvez, pelo engano de ter colocado o Levy como ministro da Fazenda.

Seja lá como for, que tipo de solução as autoridades decidam adotar, o fato é que não podemos continuar indefinidamente, como ressalta o ex-presidente, ainda que com outras intenções, discutindo um ajuste fiscal que nunca se viabiliza e, o que é pior, completamente desconectado de qualquer projeto de crescimento, de um plano para o futuro.

Do jeito que as coisas estão, só estamos perdendo tempo. E tempo em economia é vital.  Em vez de continuarmos no ponto morto, como agora, estamos, com muito entusiasmo começando a caminhar para trás. Não será a simples troca do “mão de tesoura” como o atual ministro da Fazenda é apelidado pelos seus cada vez mais numerosos desafetos, que resolverá os nossos problemas.

Precisamos urgentemente de um projeto. Um projeto de futuro. Do jeito que as coisas estão vamos perder o “time” da história. Aquela conversa de país de futuro pode se transformar rapidamente em outra: país sem futuro. E pelo andar da carruagem, nem governo, nem oposição, ninguém, na verdade, tem qualquer ideia viável do que temos que fazer para superar esta crise. Preferimos ficar discutindo o sai não sai da Presidente, do cassa não cassa o mandato de Cunha, se Levy continua ou sai... e ficamos nisso. Triste país, sem ideias, sem perspectiva, sem nada.