segunda-feira, 19 de outubro de 2015

O BRASIL, A TEMPESTADE PERFEITA E O NÓ GORDIO.


Sai Dilma, fica Dilma... sai Levy, fica Levy... fora Cunha, salve-se Cunha... façamos ajuste fiscal, não façamos... volta, não volta a CPMF... dólar sobe muito, sobe pouco... Dizem que foi Serra que cunhou (ops) a expressão “tempestade perfeita” para tentar adjetivar o atual clima político econômico brasileiro. Na "tempestade", como é óbvio estariam presentes todos os ingredientes para que ela seja realmente considerada "perfeita", espetacular. A vantagem, inerente  a expressão, é que as tempestades são datadas. Mais cedo ou mais tarde vem a bonança, ainda que hajam prejuízos a serem contabilizados. Agora, no entanto, já tem gente falando em nó górdio para adjetivar o crise.

O nó górdio, reza a lenda, seria impossível de ser desatado a não ser que se procurasse uma solução “fora da caixinha”, algo inusitado ou mesmo através de uma trapaça. O sucessor do rei Górdio, da Frígia, o autor do tal nó impossível de ser desatado, foi sucedido pelo seu filho, Midas, que, no entanto, ao morrer não deixou herdeiros. O oráculo real declarou, na época, que aquele que conseguisse desatar o nó dado pelo rei Górdio dominaria toda a Ásia. Quinhentos anos se passaram até que Alexandre, o Grande, ao passar pela Frígia, foi até o templo de Zeus e depois de muito analisar, mas pensando “fora da caixinha” ou trapaceando, como querem alguns, simplesmente desembainhou a sua espada e cortou o nó. Coincidência ou não, lenda ou não, o fato é que Alexandre se tornou o senhor de toda a Ásia Menor poucos anos depois.

Para quem acha que a nossa situação, está cada vez pior, mais para nó górdio do que para tempestade perfeita, a sugestão é clara: está mais do que na hora de se tentar uma solução que fuja da caixinha, que se procure algo original, nem que seja uma trapaça, como a de Alexandre, o Grande.

A pergunta, que não quer calar, no entanto, é se entre os atores políticos atuais, governantes, legisladores... seja lá quem for, existe alguém com uma vontade real de desatar o nó, ainda que através de uma trapaça qualquer? Sejamos honestos: somos bons de trapaças, mas haverá clima para trapacear? A opinião pública, que só se expressa vigorosamente através de pesquisas e parece bem desinteressada de ir às ruas, toleraria, no entanto, uma trapaça, uma jogada fora das regras? A ver. E por favor não me venham falar de impeachment sai não sai. O fato é que sequer um plano para trapacear nós temos. Como já disse um certo governante, "o tempo é o senhor da razão", ou seja, dá-se um tempo que a solução, real, verdadeira, racional, aparece. Mas será que temos tempo para recuperar o que já perdemos, principalmente em termos econômicos? Afinal, ao contrário da lenda, não podemos esperar 500 anos por uma solução.