terça-feira, 24 de novembro de 2015

ARGENTINA E BRASIL: EU SOU VOCÊ AMANHÃ?


José Paulo Kupfer, se apropriou de um antigo slogan da vodca Orloff, para indagar, em artigo publicado no Estado de São Paulo, “se a experiência mais liberal que começa na Argentina será replicada aqui”.

Kupfer lembra, com muita propriedade, que os caminhos, ou descaminhos digo eu, econômicos e até mesmo políticos dos dois países costumam se entrecruzar ainda que em tempos e intensidades diferentes.

Getúlio Vargas
Ambos passaram pela experiência, de resto extensiva dos demais vizinhos da América Latina, dos caudilhos salvadores da pátria, nós com Getúlio, eles com Perón e por um longo período sob o jugo das ditaduras militares, as duas provocando enormes estragos políticos e econômicos.

Recentemente estivemos juntos com a aplicação de políticas populistas, que - se por um lado, nos dois países - conseguiram tirar da pobreza extrema contingentes significativos da população, por outro lado, criaram problemas econômicos e fiscais, que estão fazendo com que esses segmentos retornem à pobreza e ao
desemprego.
Juan Perón

Aparentemente alinhados em termos ideológicos, ao ponto do ex-presidente Lula ter estado na Argentina fazendo, declaradamente, campanha em prol do candidato kirchnerista e da presidente Dilma tê-lo recebido, o mesmo não de pode dizer quando se trata das relações econômicas entre os dois países. Nos últimos anos a Argentina só trouxe dificuldades nesta relação, contribuindo ainda para o esvaziamento do tal Mercosul, enquanto fazia todo o tipo de negócio com os chineses, a revelia do bloco.

Nas últimas eleições muita semelhança, ainda que, bem disse Kupfer em seu artigo, com os sinais ideológicos trocados. Lá vence o opositor mais liberal, enquanto aqui ficamos com a candidata situacionista e mais intervencionista, ainda que, lá como aqui, a diferença dos vencedores para os vencidos tenha sido apertada, no caso argentino de apenas 2,8%, e que ambos não conseguiram fazer maioria nos seus respectivos Congressos.

A Argentina, como o Brasil, grandes exportadores de commodities, se beneficiou do boom da economia chinesa, reduzindo a pobreza e as desigualdades. Mas esta era chega ao fim, como no Brasil, encerrando o ciclo dos avanços sociais e trazendo de volta o desequilíbrio econômico e fiscal, o desemprego e o baixo crescimento.

Maurício Macri
Resta saber se as promessas de campanha de Maurício Macri se concretizarão, com a retomada do crescimento. E aí, quem sabe, a gente possa fazer jus ao antigo slogan da vodca Orloff, olhar para a Argentina e dizer, com certo orgulho e muita esperança: eu sou você amanhã.

(para ver o artigo de José Paulo Kupfer, acesse Estado de São Paulo, Economia)

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

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O site é www.comape2015.com.br

sábado, 21 de novembro de 2015

SUPREMO ENXERIDO



Virou mania nos círculos políticos brasileiros resolver seus problemas via “Justiça”.  O que não se consegue no parlamento, no jogo político, tenta-se nos tribunais. É o impeachment da presidente, a saída do Cunha, a reviravolta em decisões perdidas na Câmara, no Senado e qualquer coisa que uma entidade qualquer não consegue impor politicamente. O resultado é um judiciário legislador, cada vez mais à vontade para decidir sobre a vida política e institucional do país, mesmo quando não é solicitado, ocupando os espaços que cabem aos outros poderes.

Os membros da nossa Corte Suprema, que poderiam mirar-se nos seus pares de outros países, não se furtam de manifestações públicas e atitudes que não condizem com o cargo que ocupam.  Recentemente, por exemplo, tivemos o presidente da Suprema Corte, o ministro Ricardo Lewandowski atuando como mero sindicalista, discutindo com a presidência da República aumento para os membros do judiciário e, como se não bastasse, nas últimas semanas dando conselhos à nação sobre a inconveniência de um hipotético impeachment da Presidente que, no seu entendimento, seria “um golpe”. Outro ministro, veio a público por esses dias, para sugerir a renúncia do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, como solução para o impasse político,, criado naquela Casa.
O que não se discute aqui, ainda que discutível sejam, é o conteúdo das opiniões emitidas. O que se lamenta é a atitude dos membros da mais alta instância da justiça brasileira opinando sobre isso e aquilo, muito do isso e aquilo que podem a qualquer momento serem levados à Corte Suprema para julgamento. Antecipam assim, sem nenhum constrangimento, na base da opinião, o que poderá ser o seu voto, que deveria ser calcado exclusivamente no que diz a lei. Pior ainda é – quando desclassificam os demais poderes – praticamente usurpando suas funções e põem-se a legislar sobre o que não lhes compete.

Vai assim o país mergulhando, também, numa confusão institucional, com o judiciário interferindo na seara alheia, judicializando a política, se travestindo em legislativo. Foi assim com a tal reforma política, praticamente feita pelos tribunais, ainda que com a contribuição desastrada dos demais poderes, por exemplo, e como uma interminável série de ações que os mais variados grupos e tendências politicas insistem em levar ao judiciário.

As atitudes dos dois lados, judiciário e atores políticos, não tem feito bem a democracia brasileira. Oxalá ambos tenham um arroubo de consciência cívica e limitem-se às funções para as quais existem. Desta forma poderão prestar um serviço efetivo para a consolidação da nossa democracia e o aprimoramento da Justiça, que deve ser imparcial, restrita a que dizem as leis, ficando longe das inclinações político/partidárias dos seus membros.



quarta-feira, 18 de novembro de 2015

TERRORISMO, LAMA E EPIDEMIA DE MICROCEFALIA


Isso tudo junto faz algum sentido pra você? Provavelmente não, mas são, todos atos terroristas, ainda que praticados por agentes heterodoxos, com motivações total e absolutamente diferentes. O fato é que os ataques do terrorismo clássico em Paris ofuscaram (e aqui não vai nenhum juízo de valor, nem qualquer tentativa de fazer campeonato de tragédias) ofuscaram, repito, na mídia, duas inacreditáveis – e anunciadas – tragédias no Brasil. 

O mar de lama, da mineradora Samargo, segue provocando destruição e morte e pesquisadores já admitem que a saúde das populações, por onde ela passa, está ameaçada por muitos e muitos anos, com a contaminação da flora e da fauna das regiões atingidas por toda a sorte de metais pesados, incluindo mercúrio, na verdade por praticamente “toda a tabela periódica” , como já declarou um especialista.

Espera-se problemas gravíssimos de saúde em humanos, como consequência do consumo de água, de animais, que se alimentam e se alimentarão em solos contaminados, o mesmo acontecendo com a lavoura. E não estamos falando sequer dos prejuízos financeiros e das extensas áreas que se tornarão inabitáveis, com a solidificação da lama.

A outra tragédia anunciada é uma inacreditável “epidemia” de microcefalia, com centenas – notem centenas – de crianças sendo diagnosticadas em praticamente todo o país. A causa tem como principal suspeita a tal de Zika, que teria contaminado as mães  e que é transmitida pelo mosquito da dengue, responsável também pela disseminação da  Chikungunya, outra doença viral cujos sintomas são muito parecidos com os da dengue. Já são vários Estados em alerta e a grande providência das autoridades, até agora, além da notificação de casos de grávidas com sintomas da doença é a “recomendação” para que as mulheres evitem a gravidez pelo menos nos Estados onde a epidemia está sendo registrada.

No caso da lama estão sob suspeita mais duas barragens, que correm risco de rompimento e podem provocar uma tragédia ainda maior. Tudo sob os olhares cúmplices e complacentes das nossas autoridades, não foram capazes de fiscalizar, prever ou, ao menos, terem um plano de contingência para o enfrentamento de tragédias deste tipo. No caso da Zika, a sua entrada no país não foi levada a sério, em se tratando de algo totalmente desconhecido pelas autoridades da saúde, sendo classificado como uma doença parecida e – pasmem – menos letal que a dengue. O resultado é esse: uma epidemia de microcefalia, centenas de crianças que terão o seu futuro comprometido, famílias envoltas numa tragédia que poderiam ter evitada se um mínimo de informação lhes fosse oferecida.

Trata-se, na minha – talvez esdruxula opinião – todos atos de terrorismo. O do tal “Estado Islâmico” não requer explicação. São conhecidas as motivações e os métodos. Nos outros dois estão presentes todas as caraterísticas de um ato de terror: provocar transtornos incontroláveis na vida das pessoas, com a possibilidade real de morte, dor, medo, com total insegurança sobre o seu modo atual e futuro de vida. Estão todos presentes nos dois episódios, graças a permanente omissão do Estado brasileiro, sua inépcia na fiscalização de atividades perigosas, sua inacreditável incapacidade de prevenir tragédias, seu eterno desleixo pelos malefícios, de todas as espécies e qualidades, que recaem sobre a população sempre indefesa e desinformada sobre as consequências das tragédias anunciadas

Enquanto isso a preocupação dos atores políticos e do “mercado”  é com a possibilidade da troca do ministro da Fazenda, o Levy, pelo Meirelles. Deus nos ajude.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

MAIORIA DOS ELEITORES REJEITA TODOS OS CANDIDATOS.

Enquanto a crise econômica cada vez se aprofunda mais, corroendo as finanças e a esperança da maioria da população o “debate político” permanece restrito ao sai-não-sai da presidente, o cassa-não-cassa o mandato do presidente da Câmara, o fica-não-fica do ministro da Fazenda, o volta-não-volta do Lula em 2018. Ou seja estamos discutindo o que a rigor, não interessa a ninguém, noves fora o mundo político, que parece viver no mundo da Lua.

Não é a toa que aumenta a cada dia, de forma exponencial, a rejeição a política brasileira.
Segundo pesquisa recente do Ibope, 2 em cada 3 eleitores (notem bem dois em cada três) não votaria de jeito nenhum em metade ou mais dos seis virtuais candidatos a presidente testados na pesquisa.

O que chama a atenção na pesquisa não é a (alta) rejeição individual dos candidatos, mas a rejeição generalizada. Nada menos que 49%, quase metade dos entrevistados dividem a sua repulsa entre pelo menos dois dos presidenciáveis. Nada menos que 24% dos eleitores rejeitam simultaneamente Lula e Aécio e, eventualmente mais alguém. Se o candidato tucano for o Serra a rejeição de ambos chega a 29% dos eleitores e a 30% no caso de Geraldo Alckmin. Ou seja, dependendo apenas de quem for o candidato do PSDB, um terço ou um quarto dos eleitores não votaria, de jeito nenhum nem no petista nem nos tucanos.

 
Lula, sozinho, é dono da maior taxa de rejeição, nada menos que 55% dos eleitores afirmam que não votariam nele, de jeito nenhum. O dobro dos eleitores que dizem que votariam nele com toda certeza.

Com isso, aparentemente, e só aparentemente, cresceriam as chances de um “tertius”.  E, obviamente, neste caso, os olhares e expectativas se dirigiriam para Marina Silva, que já representou este papel, de terceira via, em eleições anteriores. Marina saiu de cena, logo após as últimas eleições presidenciais,onde chegou a ameaçar por alguns momentos o candidato do PSDB rumo ao 2o. Turno, para dedicar-se ao consolidação do seu partido a Rede. De lá para cá tem evitado, a todo custo, envolver-se na briga entre o PSDB, o governo Dilma e o PT. Acontece que metade dos eleitores afirma que não votaria, também, de jeito nenhum, em Marina.

Com Marina dividindo as mesmas taxas de rejeição dos tucanos, que são rejeitados também por boa dos anti-petistas, parece claro que existe uma janela de oportunidade, para o surgimento de um nome que supere essa rejeição generalizada. Nesse momento ele simplesmente não existe, ainda que as condições para o seu surgimento estejam dadas. Resta rezar para que não seja mais um aventureiro, algo semelhante ao que aconteceu nas eleições em que Collor foi vitorioso e enfrentemos outro período de turbulência.