sábado, 19 de dezembro de 2015

SURF E MARKETING POLÍTICO


Tenho recomendado, com muita esperança, aos clientes, da área de marketing político e eleitoral, que procuram a mim e aos meus associados, que se inspirem no surf, mas exatamente nos meninos brasileiros do surf. Sim, a maioria me olha com a mesma estranheza com que você deve estar lendo essas linhas. Não, não se trata de convencer os nobres políticos a ser transformarem em improváveis surfistas. Seria até divertido, mas não se trata disso.

O que tenho recomendado é que se espelhem no exemplo da rapaziada, na qual ninguém acreditava, seriamente, e que “de repente’(??) está literalmente na crista da onda, com o perdão da surrada expressão. Temos hoje, nada menos que três brasileiros entre os quatro melhores.

Também não estou falando de como se equilibrar nas ondas do momento, em conseguir “se safar”, não importam as condições adversas dos mares e oceanos.

O que acho exemplares são a determinação, a coragem para superar as adversidades, a lisura na disputa contra os adversários, o vencer pelas qualidades, sem artifícios, mutretas e manobras escusas.

São meninos com causa, com objetivos, com projetos claros de vida pessoal e profissional. Meninos como Mineirinho, cuja primeira prancha custou a bagatela de 30 reais, que ainda assim exigiu da família sacrifícios para adquiri-la, que chegou onde chegou sem precisar se curvar, se entregar as manobras escusas, de vender a alma e princípios.

São meninos dos quais nos orgulhamos.

Mirem-se nos exemplos desta garotada. Tenham um ideal, um projeto de vida. Batalhem pelo que acreditam de forma honesta. Respeitem os adversários. Digam a que veio, o que pretendem. Preparem-se. Cerquem-se de profissionais experientes, ouçam as suas lições, enfrentem as adversidades sem se afastarem dos seus sonhos. Promovam a alegria, a esperança, mesmo quando estiverem cansados e desiludidos. Sejam exemplos, pessoas para as quais olhamos com orgulho. Pessoas que tem algo a nos dizer, exemplos a seguir, ainda que por caminhos diferentes. Sejam campeões na política, subindo ao pódio com altivez, generosidade, companheirismo, honestidade.

Sejam, como os meninos do surf, um bom exemplo. A sociedade agradece. E vocês serão também vitoriosos e motivo de orgulho. É possível. Desanimar nunca. Os meninos estão aí, para nos ensinar e inspirar em como é possível sermos campeões, aqueles de verdade. Amém

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

MG: LAMA TORNA INVIÁVEL A AGROPECUÁRIA

Bem escondidinha nos jornais de hoje, prenúncio do seu breve esquecimento pela mídia, ficamos sabendo que todas as áreas afetadas pelos 62 milhões de m3 de lama despejados pela mineradora Samarco, em Mariana (MG) são inviáveis para a agricultura. O solo teve a sua fertilidade comprometida, impedindo a germinação de sementes e o desenvolvimento das raízes das plantas. Em linguagem chulo e direto: transformaram as terras antes férteis em deserto.
Os moradores das áreas não poderão portanto sobreviver na região.
A pesquisa, feita pela Embrapa - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, concluiu que embora não tenham sido detectados metais pesados no solo, a lama causa dificuldades para a infiltração da água, diminui os níveis de matéria orgânica necessária para a vida microbiana do solo e reduziu os índices de potássio, magnésio e cálcio, indispensáveis para as atividades agropecuárias. É uma camada nova na parte superior do solo que é praticamente inerte, explicaram ainda os técnicos da Emater, empresa de assistência rural de Minas Gerais.

Na prática ninguém sabe o que fazer. 
Moradores continuam em casas de parentes e amigos, alugadas provisoriamente pela mineradora ou ainda em abrigos. Sobre indenizações ninguém sabe coisa alguma. Para se sustentar as pessoas dependem de um salário mínimo, fornecido a trancos e barrancos para alguns, pela Samarco e vai ficando tudo por isso mesmo. Se as soluções vierem nos mesmos passos de tartarugas pernetas comuns a todas as demais tragédias já provocadas por empresas e empresários irresponsáveis ninguém será assistido de fato, nem será punido de verdade, e vai se enrolando até que o assunto seja esquecido.


quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

PESQUISAS SOB SUSPEITA


Em todo o mundo (rssss) levantam-se, creio que suspeita é uma palavra muito forte, questões (será melhor) sobre as mudanças no comportamento dos entrevistados, nas pesquisas de opinião, que varia – sensivelmente – se o entrevistador, aquele que faz as perguntas, é uma máquina ou um ser humano. Além, de obviamente, as sutilezas, a forma de fazer as perguntas.

Num momento em que as pesquisas online, onde as perguntas – de forma geral – são feitas através de uma máquina e através dela respondidas, essa é uma questão relevante para o futuro das pesquisas de opinião.

Josh Barros, do NYT, constatou essas divergências ao analisar o resultado de pesquisas relacionadas a proposta de Donald Trump de proibir o ingresso de muçulmanos sem cidadania americana nos EUA. Em seis pesquisas, feitas na semana passada, três apontaram forte rejeição a proposta. Elas usaram pessoas para fazer as perguntas por telefone. Houve variação, quanto a “força” da rejeição à medida em que duas delas especificaram que a proibição seria temporária, encontrando menos resistência a uma eventual aprovação da medida.

Nas outras três, os entrevistados não falaram com uma pessoa. As pesquisas foram feitas online, sendo que em um dos casos por gravações telefônicas. Nessas pesquisas houve mais apoio e menos oposição à proibição.

Ariel Edwards-Levy, do Huffington Post, segundo Barros, acredita que as máquinas seriam responsáveis por dois efeitos. Um deles seria o de deixar os entrevistados mais à vontade para expressar pontos de vista que poderiam ser considerados inaceitáveis. O outro é que as pesquisas feitas por meio de gravação teriam atingido segmentos de composição diferente.

Outra questão relevante foi o fato das perguntas terem sido feitas de forma diferente. A NBC, que constatou o menor apoio à proibição, foi a única que não deixou claro que a proibição seria temporária. A YouGov e a Rasmussen, que encontraram mais pessoas favoráveis a proibição, deixaram claro que ela seria temporária e ainda especificaram um prazo. Além disso omitiram o nome do candidato que lançou a proposta.

O que se deduz, e isso vale enormemente para o Brasil, onde pesquisas sobre política e eleições são feitas e divulgadas quase diariamente, é que existem dificuldades reais quando se pretende entender a opinião e as atitudes das pessoas. Elas são decidida e fortemente influenciadas pela maneira como as perguntas – as condições – são descritas. E variam também se feitas através de pessoas ou com a utilização de máquinas.

Está mais do que na hora dos institutos assumirem essas dificuldades. Ao divulgarem suas pesquisas tem que ficar claro quais foram os meios utilizados e, principalmente, como foram feitas as perguntas e quais os segmentos de público foram pesquisados (neste caso com mais clareza ainda). Sem isso as pesquisas correm o risco de perderem credibilidade e deixarem de ser um instrumento útil de avaliação e informação do comportamento da sociedade.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

QUEM SE COMUNICA MAL SE TRUMBICA


O governo de São Paulo acabou de aprender esta lição. Noves fora o mérito da tal reforma educacional pretendida, vale aqui, para quem se interessa pelo assunto, dar uma olhadinha no desastre que pode ser provocado por uma má comunicação em qualquer projeto político ou administrativo.
 
Bem resumidamente: o governo pretendia com a sua reforma, lidar com milhares de pessoas (inclua aí: alunos, as famílias dos alunos, os professores, o pessoal administrativos de todas as escolas do estado, isso sem contar com os periféricos, prestadores de serviços em geral, como para ficar em único exemplo, os motoristas dos transportes escolares e por aí vai). Milhares e milhares de envolvidos. 

E o que fez o governo para falar com todo este público? Nada. Acredite. Assinou um decreto e deixou que a mídia, espontaneamente desse o recado. Quando começou a ver a casa cair, colocou no ar, às pressas, uma campanha publicitária, exaltando os méritos da reforma e explicando muito mal como ela se daria. O que ficou para os milhares de envolvidos? Muitos alunos, ou todos os alunos, seriam remanejados e pelo menos umas 90 escolas seriam fechadas (a explicação do que seria feito com elas ficou em segundo plano, obviamente, já que a simples expressão “escolas fechadas”,  como qualquer aluno dos primeiros anos das escolas de comunicação sabem, tem uma força extraordinária, capaz de superar qualquer justificativa, por mais racional que seja).

É difícil de acreditar que o governo do mais poderoso e rico estado brasileiros tenha se enrolado no “xale da doida” com tanto entusiasmo e de forma tão amadora. Conversar, conscientizar, convencer, tentar atrair o seu público alvo? Pra que? Vamos agir de forma imperial, como costumam agir praticamente todos os governantes deste país. Decreta-se, lixem-se ou se enrosquem com a polícia.

O resultado: a aprovação do Governo e a pessoal do governador despencaram. Os estudantes (e não importa aqui se estimulados por grupos políticos adversários) foram para as ruas, escolas foram ocupadas, o ano letivo foi pro ralo, o secretário da Educação foi defenestrado, o governo foi obrigado a recuar e continua acuado.

Não estou dizendo aqui que uma comunicação correta – e correta não quer dizer apenas propaganda no rádio e na TV – fossem determinantes para o sucesso do projeto. Mas, no mínimo, o governo teria entendido – preliminarmente – com uma pesquisinha básica, como é que teria que “conversar” com os alunos, suas famílias, professores e funcionários sobre a sua reforma. Saberia, resumidamente, o que fazer. Não fez, ou fez mal ou ainda desconsiderou. E deu no que deu.

Quem sabe fica a lição: quem não se comunica, como já dizia há tempos, o Velho Guerreiro, Chacrinha, se trumbica. E feio.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

OS CHINESES ESTÃO CHEGANDO. E TRAZENDO SUJEIRA.

A ofensiva chinesa na combalida economia nacional, mira agora na construção de usinas térmicas movidas a carvão (!!!). Um projeto, de 4 bilhões de reais está sendo urdido por duas estatais chinesas e empresários gaúchos, segundo informa o jornal Estado de São Paulo. Do lado chinês a Power China Sepco e Hebi Company Energy. Do lado brasileiro o "empresário" Silvio Marques Dias Neto, que já foi prefeito de Pedras Altas, onde pretendem construir mais um empreendimento porcalhão. 80% do empreendimento será financiado pelo Banco de Desenvolvimento da China.

O empreendimento já foi aprovado pela tal de Aneel, a Agência Nacional de Energia Elétrica, necessitando apenas, agora, de uma licença ambiental, que - pela experiência - não deve tardar. O Brasil já esteve melhor nesta questão: foram nove anos sem contratar nenhum projeto baseado na queima de carvão mineral, por conta do seu alto impacto ambiental, até que um novo projeto foi contratado em novembro de 2014, para uma usina, lá estão eles, construída pela empresa chinesa Sdepci.

Os chineses são especialistas em energia suja. Na semana passada, pela primeira vez na história, a cidade de Pequim emitiu um alerta vermelho por conta da poluição, que tomou conta da capital. Metade da frota de veículos foi proibida de circular, obras a céu aberto e fábricas tiveram suas atividades restringidas, as escolas não funcionaram e o governo recomendou o uso de máscaras e outras medidas de proteção para a população. Boa parte desta poluição é provocada exatamente pela usinas de energia a carvão, que os simpáticos investidores chineses querem trazer para cá, com as bençãos das sempre inoperantes e irresponsáveis autoridades locais.

Só para ilustrar, segundo o mesmo jornal, numa recente conversa em Brasília, sempre Brasília, entre empresários chineses e representantes do governo brasileiro, os chineses não conseguiam entender, de jeito nenhum, as dificuldades para se liberar novas hidrelétricas na Amazônia. Queriam saber apenas "qual o preço" para autorizar o leilão da obra.

O ex-prefeito, pousando de bom moço, exalta os benefícios da sujeira, que considera estratégico para a regiãom acenando com 4 mil empregos diretos e mais 500 durante a operação. Pensar em energia limpa pra que? Se o dim-dim vai entrar nos bolsos do moço e fazer a felicidade dos emporcalhadores mundiais, os nossos queridos chineses? Hoje o Brasil já tem 13 usinas movidas a carvão. E pelo visto vem muito mais por aí. Sim, os chineses são um exemplo que devemos abraçar, principalmente em se tratando de poluição.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

SUPREMO ENXERIDO II

O ministro Edson Fachin, do STF surgiu com uma teoria definitivamente exótica ao declarar que a Corte decidiria sobre o rito do impeachment. Ora, não cabe ao Supremo legislar, isto é tarefa do Congresso, goste-se ou não da sua composição. Ao Supremo cabe apenas o cumprir a Lei. Zelar para que todas as instituições cumpram a Lei. Ao propor que a Corte determine como deve ser um procedimento já previsto em Lei, determinado e já adotado em outros momentos. Cabe ao Supremo observar apenas se o Congresso está observando, cumprindo a Lei. E em caso contrário, punir. Nada mais. Boa parte deste problema é provocado também pelos atores políticos, que sem condições de diálogo e de administrar corretamente o contraditório recorrem a todo momento ao Judiciário para resolver as divergências, transferindo, na prática, para a Justiça a função de legislador. Dá no que dá.

EMPRESAS OU QUADRILHAS?

Não passa mais um dia sem que seja desbaratado algum esquema de roubalheira envolvendo empresas, grandes empresas nacionais, que se unem para assaltarem órgaos, projetos e empresas públicas. Agora são as tais obras de transposição do Rio São Francisco, a interminável obra de transposição. São nada menos de 200 milhões desviados. E as empresas são sempre aquelas, os envolvidos, com poucas variações os mesmos.
Definitivamente não sou um especialista no assunto, mas me causa espanto que tantos (ainda que relativamente poucos - rssss) tenham desviado tanto dinheiro em tantos órgãos e empresas do Estado sem que ninguém, absolutamente ninguém, suspeitasse de nada. Afinal, a quantidade de grana roubada, a enormidade de equipamentos superfaturados, o atraso safado na execução dos projetos, para mais e mais aditivos, tudo isso e muito jamais tenha sequer despertado suspeitas. Então tá, né?

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

BEM VINDOS AO IMPEACHMENT II


Michel Temer, que deixou subitamente de chamar Dilma de “presidenta”, (como fazem os adeptos da mandatária, flexionando o gênero do cargo – rsss), um sinal bem claro seu desembarque do Governo, deu – na verdade – em  sua carta,  a senha para a revolta geral do PMDB e a retomada do controle do partido pela ala que está de olho já no próximo governo e que considera o atual com seus dias contados.
 
O movimento começou com o apoio a tal de Chapa 2 para a Comissão Especial do Impeachment e culminou, por enquanto, com a destituição pura e simples do deputado governista Leonardo Picciani da liderança do PMDB.

Do lado governista, muito ruim de estratégia e que sempre parece surpreso com os acontecimentos, a tentativa de recorrer ao STF por discordar dos ritos adotados pela Câmara, termina por beneficiar justamente a oposição, ao postergar o processo, , que deseja prolongar ao máximo o emparedamento da presidente, dando chances para a crise econômica se aprofundar e quem sabe os descontentes irem finalmente às ruas e os oposicionistas conquistarem os votos que ainda lhes faltam.

Temer pode ser um mal escriba de cartas à Presidência, mas é uma raposa política, da melhor estirpe, e já tinha percebido que assumindo o processo de transição terá o apoio, entre outros do PSDB, que embora não tenha lá esses interesses todos neste tipo de arranjo, ao mesmo tempo deseja, neste momento, uma nova eleição presidencial e não sabe direito como sair da sinuca de bico em que está metido.

O vice-presidente também não é exatamente uma figura popular, ainda que em patamares muito inferiores ao da presidente. Segundo o Ibope, 40% dos brasileiros acham a sua atuação, como vice ruim ou péssima. Empossado pode ter que enfrentar a revolta das ruas, caso – praticamente impossível – não consiga, em pouco tempo, dar uma reviravolta na economia que agrade a gregos e troianos.

A ala do PMDB que quer se livrar a todo custo do PT, de olho, por enquanto, nos municípios, mais tarde nos Estados e ao infinito e além, não tem, agora, pelo menos, a força para controlar o partido, nem conta com quadros, em número e qualidade suficientes, para se colocar acima da crise. O novo líder na Câmara já assume enredado com o setor de mineração, de cujo código foi relator, favorecendo empresas que financiaram boa parte de sua campanha e que não estão exatamente no topo da preferência popular, tendo em vista o mar de lama que lançaram sobre Minas Gerais.

Do outro lado, digamos assim, o ainda presidente da Câmara, Eduardo Cunha, usa todos os recursos ao seu alcance e aproveita a confusão e a perplexidade que acomete todos os lados, para tentar evitar a sua cassação. Sua afoiteza, na defesa única dos seus próprios interesses, pode inclusive prejudicar o andamento do processo de impeachment.

O problema para todos os envolvidos é que, à medida em que vão se radicalizando posições e medidas extremadas são adotadas, a roda começa a girar por conta própria. Ninguém tem nas mãos a condução do processo, seja lá qual for o lado em que se encontra. Enquanto isso, as notícias econômicas continuam assustando e ninguém sabe ao certo qual será mesmo o futuro que nos aguarda.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

AS ATERRORIZANTES NOTICIAS ECONOMICAS. ATÉ QUANDO?


Confesso que tenho evitado ler os cadernos de economia & negócios dos jornais, em prol da minha sanidade. A política... bom, deixa pra lá. A pergunta que não quer calar é quanto mais o país pode suportar, enquanto o governo, prisioneiro político, nada faz, nada decide, nenhuma perspectiva, um caminho sequer, é proposto à nação para sairmos da depressão.

As notícias de hoje são para levar qualquer um ao pânico: o mercado de veículos recuou para os mesmos níveis de 2008 junto com a indústria de São Paulo que voltou ao mesmo patamar de 2004; (atentem para as datas); os bancos já estão prevendo uma queda do PIB em pelo menos 2,8% para o próximo. Isso sem falar em noticias “menores”, como o fracasso do leilão dos portos e o minério, mais uma commodity, que perde participação na balança comercial.

A outra pergunta que não quer calar: até quando o brasileiro suportará estoicamente essa enxurrada de más notícias, esse descalabro da economia? A tal de voz das ruas, permanece muda ou na melhor das hipóteses rouca. O que temos de manifestações são dos sempre (des)organizados movimentos sociais, que apoiam a presidente, mas rejeitam a sua política econômica, de segmentos em busca de aumentos salariais, lixando-se todos, sem exceção, para o caos econômico. Será que vamos esperar chegarmos a uma situação a la Venezuela para reagirmos?
Triste país que só consegue mobilizar multidões para festejar eventos esportivos e bailar ao Carnaval. Mas convém, quem sabe, acautelar-se, pois se a plebe ignara finalmente perceber que não terá saída, por resolver tomar as ruas. E aí, acreditem, não irão fantasiados, cantando hinos, em convescote pseudamente político. Vão botar pra quebrar.

BEM VINDOS AO IMPEACHMENT


Qual será mesmo o desfecho deste processo está difícil de saber. Especulação é o que não falta, muito menos esperanças de um lado e de outro. Mas o que importa mesmo é que a deflagração deste processo é um alivio para um  impasse que parecia jamais chegar a um fim. Mais cedo ou um pouco mais tarde saberemos afinal se a presidente sai ou fica até o final do seu mandato.

A votação de ontem na Câmara surpreendeu e pode ser vista como uma derrota fragorosa do governo, mas ao mesmo tempo deu alento à base aliada ao confirmar que o número necessário de votos para a rejeição do pedido de impeachment, o cabalístico 171, fosse superado, ainda que por apenas uns 20 e poucos votos.

Como o processo, o andamento do processo foi parar, como quase tudo neste país, na Corte Suprema, que deverá decidir sobre a legitimidade dos ritos decididos e aprovados pela Câmara dos Deputados, prevista para a próxima quarta-feira. O que significa mais uma semana, pelo menos do país paralisado.

Uma tarefa inglória para a Corte, que poderá decidir um assunto que, a rigor, deveria ficar restrito a área da política, ainda que com base em argumentação jurídica. O impeachment não é um julgamento estritamente jurídico. É um julgamento político. Vale lembrar, inclusive, que deposto e cassado pelo Congresso, o ex-presidente Collor foi, no final, inocentado pelo Supremo, sem que isso significasse a anulação do ato, político, tomado pelo Congresso.

A carta lamentosa do vice-presidente, cujos desdobramentos ainda estão por vir, jogou mais lenha na fogueira, aprofundando e escancarando as divisões internas do PMDB, acrescentando mais um fator de instabilidade ao cenário político atual.
Muita água, portanto, ou lama para ser mais atual, ainda vai rolar por baixo da ponte, mas seja como for algum passo foi dado. Queira Deus que seja para a frente e não para trás, mas seja como for melhor que se decida alguma coisa do que ficar no eterno paradeiro, sem que uma decisão qualquer seja tomada.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

MAR DE LAMA


Não, não é a política, nem o governo, muito menos a economia. É o maior desastre ambiental da história do Brasil, que parece ir caminhando, lentamente, para o rol das coisas cotidianas para ser esquecido em breve, por mais inacreditável que possa parecer. Cidades com mais de 250 mil habitantes permanecem sem água para beber, são mais de 663 km de rios afetados, mortos é a palavra certa. 15 km2 de terras, incluindo áreas de preservação ambiental estão cobertas pela lama que – pasmem – continua vazando da barragem da Samarco. A lama pode ser vista por satélites, tal a sua extensão. O mar do Espírito Santo vai se transformando num lamaçal. As estimativas mais otimistas calculam em pelo menos 10 anos alguma reparação dos danos.

E o que está sendo feito, agora, para garantir a continuidade da vida de milhares e milhares de pessoas afetadas pela lama? Nada de realmente substancial. Só paliativos. A água do rio Doce começa a ser distribuída em cidades, com atestado das eternamente incompetentes prefeituras, que afirmam ser possível o tratamento e que ela estaria pronta para consumo. Uma água que técnicos já afirmaram conter todos os elementos possíveis de serem encontrados na “tabela periódica”.  A Samarco distribui água em carros-pipa e vagões de trem, que antes transportavam querosene e outros produtos químicos nas barbas das sempre incompetentes autoridades.

No mais as providências estão apenas nas mãos do Judiciário, com promotores à frente, exigindo da empresa e dos seus controladores um mínimo de providências. As prefeituras atarantadas, completamente despreparadas para enfrentar uma tragédia deste porte, fazem o possível, o governo do Estado vai no mesmo caminho. E go governo federal, alienado como sempre, está mais preocupado com o impeachment, o destino de Cunha, a aprovação de suas contas surreais, com a política miúda de Brasília, já que sobre os graves problemas econômicos que se abatem sobre a nação, que caminha célere para a recessão/depressão, também não tem solução nenhum.

A nação precisa de revoltar.