quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

BEM VINDOS AO IMPEACHMENT


Qual será mesmo o desfecho deste processo está difícil de saber. Especulação é o que não falta, muito menos esperanças de um lado e de outro. Mas o que importa mesmo é que a deflagração deste processo é um alivio para um  impasse que parecia jamais chegar a um fim. Mais cedo ou um pouco mais tarde saberemos afinal se a presidente sai ou fica até o final do seu mandato.

A votação de ontem na Câmara surpreendeu e pode ser vista como uma derrota fragorosa do governo, mas ao mesmo tempo deu alento à base aliada ao confirmar que o número necessário de votos para a rejeição do pedido de impeachment, o cabalístico 171, fosse superado, ainda que por apenas uns 20 e poucos votos.

Como o processo, o andamento do processo foi parar, como quase tudo neste país, na Corte Suprema, que deverá decidir sobre a legitimidade dos ritos decididos e aprovados pela Câmara dos Deputados, prevista para a próxima quarta-feira. O que significa mais uma semana, pelo menos do país paralisado.

Uma tarefa inglória para a Corte, que poderá decidir um assunto que, a rigor, deveria ficar restrito a área da política, ainda que com base em argumentação jurídica. O impeachment não é um julgamento estritamente jurídico. É um julgamento político. Vale lembrar, inclusive, que deposto e cassado pelo Congresso, o ex-presidente Collor foi, no final, inocentado pelo Supremo, sem que isso significasse a anulação do ato, político, tomado pelo Congresso.

A carta lamentosa do vice-presidente, cujos desdobramentos ainda estão por vir, jogou mais lenha na fogueira, aprofundando e escancarando as divisões internas do PMDB, acrescentando mais um fator de instabilidade ao cenário político atual.
Muita água, portanto, ou lama para ser mais atual, ainda vai rolar por baixo da ponte, mas seja como for algum passo foi dado. Queira Deus que seja para a frente e não para trás, mas seja como for melhor que se decida alguma coisa do que ficar no eterno paradeiro, sem que uma decisão qualquer seja tomada.