terça-feira, 15 de dezembro de 2015

QUEM SE COMUNICA MAL SE TRUMBICA


O governo de São Paulo acabou de aprender esta lição. Noves fora o mérito da tal reforma educacional pretendida, vale aqui, para quem se interessa pelo assunto, dar uma olhadinha no desastre que pode ser provocado por uma má comunicação em qualquer projeto político ou administrativo.
 
Bem resumidamente: o governo pretendia com a sua reforma, lidar com milhares de pessoas (inclua aí: alunos, as famílias dos alunos, os professores, o pessoal administrativos de todas as escolas do estado, isso sem contar com os periféricos, prestadores de serviços em geral, como para ficar em único exemplo, os motoristas dos transportes escolares e por aí vai). Milhares e milhares de envolvidos. 

E o que fez o governo para falar com todo este público? Nada. Acredite. Assinou um decreto e deixou que a mídia, espontaneamente desse o recado. Quando começou a ver a casa cair, colocou no ar, às pressas, uma campanha publicitária, exaltando os méritos da reforma e explicando muito mal como ela se daria. O que ficou para os milhares de envolvidos? Muitos alunos, ou todos os alunos, seriam remanejados e pelo menos umas 90 escolas seriam fechadas (a explicação do que seria feito com elas ficou em segundo plano, obviamente, já que a simples expressão “escolas fechadas”,  como qualquer aluno dos primeiros anos das escolas de comunicação sabem, tem uma força extraordinária, capaz de superar qualquer justificativa, por mais racional que seja).

É difícil de acreditar que o governo do mais poderoso e rico estado brasileiros tenha se enrolado no “xale da doida” com tanto entusiasmo e de forma tão amadora. Conversar, conscientizar, convencer, tentar atrair o seu público alvo? Pra que? Vamos agir de forma imperial, como costumam agir praticamente todos os governantes deste país. Decreta-se, lixem-se ou se enrosquem com a polícia.

O resultado: a aprovação do Governo e a pessoal do governador despencaram. Os estudantes (e não importa aqui se estimulados por grupos políticos adversários) foram para as ruas, escolas foram ocupadas, o ano letivo foi pro ralo, o secretário da Educação foi defenestrado, o governo foi obrigado a recuar e continua acuado.

Não estou dizendo aqui que uma comunicação correta – e correta não quer dizer apenas propaganda no rádio e na TV – fossem determinantes para o sucesso do projeto. Mas, no mínimo, o governo teria entendido – preliminarmente – com uma pesquisinha básica, como é que teria que “conversar” com os alunos, suas famílias, professores e funcionários sobre a sua reforma. Saberia, resumidamente, o que fazer. Não fez, ou fez mal ou ainda desconsiderou. E deu no que deu.

Quem sabe fica a lição: quem não se comunica, como já dizia há tempos, o Velho Guerreiro, Chacrinha, se trumbica. E feio.