quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

BRASIL: POLÍTICA EM DESORDEM, JUDICIÁRIO ENXERIDO.

O que assistimos, nos últimos tempos, foi a degradação completa, a desmoralização em níveis absurdos, da política nacional e do governo federal, proporcionando ao judiciário assumir um protagonismo que não lhe cabe, complicando ainda mais o cenário político econômico.

Em frangalhos os atores políticos parecem mais preocupados em salvar a própria pele. Não há debate, não há propostas, ninguém, absolutamente ninguém, apresenta qualquer projeto capaz de nos tirar do atoleiro.

Os governantes continuam impotentes, mostrando uma incapacidade extraordinária para reagir a crise.

A população bovinamente vê suas conquistas recentes rolarem ladeira abaixo, enquanto seguem em passo acelerado rumo à desilusão.

Diante do caos, como bem disse Marco Aurélio Nogueira, em artigo recente publicado no Estadão, "o Supremo Tribunal Federal decidiu mostrar que em política não há vácuo que perdure", que não seja rapidamente ocupado, coisa aliás, digo eu, bem ao estilo brasileiro de judicializar todo e qualquer assunto. O resultado não poderia ser pior. A Corte Suprema passou a agir como se fosse o legislativo, resultando no maior esfrangalhamento do poder legislativo dos últimos tempos.

E assim fechamos o ano. O povo anseia por mudanças, mas não age. Quer participar, mas não tem ideias (e as vezes me parece, incluso, disposição) de como participar do processo.

Enquanto isso tem gente que continua afirmando que apesar de tudo estamos bem, pois as “instituições” estariam funcionando normalmente.  

Como assim, se o governo é de uma inépcia de fazer dó, o judiciário está decidido se intrometer em todo e qualquer assunto, do rito do impeachment as mais simples relações de consumo e os partidos políticos parecem mais alienígenas recém chegados ao planeta? Se isso são as "instituições funcionando normalmente", Deus nos livre do seu funcionamento fora do normal.

Não há debate, tudo gira em torno de um discurso meramente ideológico/religioso.

Se não há um debate sério, uma exposição clara de ideias, um projeto de futuro para o país, como o cidadão comum poderá se engajar nesta ou naquela corrente? O apoio ou desaprovação fica no periférico, na raiva incontida ou na desesperança.

Precisamos urgentemente que a política volte a ser política, com propostas e ideias, com homens e mulheres honestos e de coragem. O governo precisa governar, imprimir uma direção real ao país. O Estado precisa se recompor. O mercado, a indústria, o comércio precisam encontrar um espaço para se desenvolver, criando empregos, renda e prosperidade.

O que temos para 2016? Mais do mesmo? A política em frangalhos, um judiciário enxerido, travestido de legislativo, um governo mergulhado na inércia, cuja maior jogada foi a morte anunciada do seu ministro da Fazenda,  incapaz de oferecer esperança ou qualquer perspectiva de melhora? Um povo atordoado, com vontade de participar, mas sem saber para que lado vai, que partido tomar, neste debate indigente que tomou conta do país? 

O que não precisamos mesmo é um de replay de 2015. Até porque será, sem dúvida nenhuma, uma versão piorada. No mais só resta desejar que, chegando ao fundo do poço (sim já estamos praticamente lá), seja possível o tal de empuxo necessário para alcançarmos a superfície. Amém.