quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

BRASILEIROS QUEREM FIM DA CRISE SEM SACRIFICIOS. É POSSÍVEL?

Ao se acreditar em pesquisa realizada pelo instituto Vox Brasil, a pedido da Central Única dos Trabalhadores (CUT), a maioria dos entrevistados quer se livrar da crise mas sem quaisquer sacrifícios. Os brasileiros se mostram contrários a qualquer alteração na Previdência e também aos cortes sociais e aumentos de impostos. 75% são contra cortes nos programas sociais e nada menos que 88% defendem a permanência das atuais regras previdenciárias.

Vale ressaltar que não foram registradas variações significativas, nesses resultados, em todas as faixas de renda, idade e escolaridade dos entrevistados, que sequer apoia a elevação nos impostos sobre lucros das empresas, já que apenas 49% acreditam que ela poderia ser benéfica ao país.

É claro que conhecendo-se os contratantes da pesquisa fica óbvio o objetivo: pressionar o governo no sentido de frear as tais medidas de austeridade fiscal e encontrar soluções para sair da crise sem cortes e/ou aumentos de impostos. O que não quer dizer que os resultados da enquete tenham sido manipulados ou, sequer, que tenham provocado alguma surpresa. 

O problema é que as contas não fecham.

E assim voltamos a discussão inicial de como se livrar da crise, incluindo-se aí – também, os que não acreditam, sequer, que ela existe. Nas hostes petistas é aberta e clara a divergência sobre como sair do fundo do poço, com as duas alas de olho nas próximas eleições municipais e as de 2018. Do lado da oposição parece que tudo se resume ao impeachment da presidente, sem que seja, por inépcia ou conveniência,  apresentar nenhuma solução, projeto, para o futuro do país.

Temos, ao redor de tudo isso, a Operação Lava-Jato, cujos desdobramentos são impossível de serem previstos, com forte impacto na economia. É bem possível que a maioria da população acredite que o combate a corrupção, como sua consequência, seja suficiente para equilibrar as contas governamentais e com isso sejam sanados todos os problemas econômicos.

O que se conclui da pesquisa, independentemente dos seus resultados, é que falta um debate e os esclarecimentos necessários sobre o desequilíbrio econômico/financeiro que se abateu sobre o país. Os atores políticos estão voltados/concentrados em seus próprios problemas. O governo não tem credibilidade nem força para propor um agenda política/econômica que seja – pelo menos – bem vista pela população. Nenhum grupo político também a possui.

Talvez só com uma degradação total da economia os brasileiros finalmente se deem conta de que é preciso, com urgência, um projeto de recuperação econômica que inclua sacrifícios mas que apontem de verdade para o futuro. Neste momento o cenário aponta apenas para a continuidade da bagunça institucionalizada que nos levará abaixo do funcho do poço. Infelizmente que sobreviver verá. O que, só Deus sabe.