domingo, 10 de janeiro de 2016

DEBATES COM PRESIDENTES: UM DIA AINDA VEREMOS ISSO, AQUI?


Na primeira semana de janeiro o debate do presidente Barack Obama, ao vivo, em confronto direto com cidadãos, alguns contrários as suas propostas, sobre o controle de armas nos Estados Unidos, tomou conta das manchetes internacionais, não tanto pelo tema. O inusitado da situação, o debate público da autoridade maior com seus cidadãos, foi o mais comentado.

Os retranqueiros de plantão, no caso especifico o representante da Associação Nacional do Rifle (NRA, na sigla em inglês), Andrew Arulanandam fugiu do encontro, argumentando que não via “razão para participar de um espetáculo de relações públicas orquestrado pela Casa Branca”. Mui provavelmente, na hipótese altamente improvável de algo semelhante acontecer por aqui, seríamos premiados por uma enormidade de argumentos semelhantes.
 
Vale ressaltar que as perguntas não foram discutidas previamente e que o debate não foi editado para favorecer o presidente. Rolou o que rolou. Outra coisa que deixaria os nossos consultores de comunicação de cabelos em pé. Mas Obama é Obama e... deixa pra lá.

O medo deste tipo de debate, raro, convém ressaltar, só pode ser considerado como “espetáculo” de alto risco pelos que desdenham a democracia e não estão seguros, muito pelo contrário, das suas ideias e projetos.

Vale, ainda lembrar, um fato quase nunca mencionado, que na Inglaterra, o primeiro-ministro é sabatinado, SEMANALMENTE, durante uma hora, respondendo a oposição (sim, pasmem!) sobre suas ações nos últimos sete dias.

É óbvio que para que isto aconteça um mínimo de seriedade e compostura é necessário. O pessoal lá tem. E a prática vem desde 1881. É claro, como não poderia deixar de ser, que cada aproveita como pode as sessões para promover as suas posições, mas nada que se compare ao confronto raivoso, mal educado, burro e recheado de palavrões e agressões que nossas excelências nos brindam diariamente em Brasília ou no interior e saída de certos restaurantes da classe alta Brasil afora.

São dois belos exemplos de algo que o mundo precisa urgentemente: uma forma nova de conduzir o debate político, de redescobrir a arte da argumentação democrática inteligente. Se não agirmos, todos nós, em prol de um confronto civilizado, vamos – a cada dia que passa, a cada campanha eleitoral realizada – ficar apenas na propaganda fascista. *

*Só pra evitar encher o saco:
Fascismo é a denominação que se dá ao regime político que surgiu na Europa entre 1919 e 1945, portanto, no intervalo entre as duas grandes guerras mundiais ( 1a Guerra Mundial e 2a. Guerra Mundial). Suas características básicas são: o totalitarismo, o nacionalismo, o idealismo e o militarismo. (tudo junto). Algo lhe é familiar?