sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

HOUVE MESMO UM ESTELIONATO ELEITORAL NA CAMPANHA DA DILMA?


César Maia, em seu “Ex-blog” publicado ontem (7/01) levanta uma questão que sempre me preocupou, enquanto analista, mas sobre a qual nunca tinha me debruçado: o que levou, de fato, à vitória de Dilma nas últimas eleições.

Maia lembra, e está certo, que até hoje a versão da oposição, mais especialmente do PSDB, é de que houve um estelionato eleitoral, uma espécie de golpe, onde a verdadeira situação da economia brasileira, na época, teria sido ocultada.

Atribui-se, inclusive ao jornalista/publicitário João Santana, a culpa do estelionato, como se a ele coubesse, enquanto “marqueteiro” determinar sozinho os rumos e o conteúdo da campanha.  CM lembra, corretamente, que por mais realista que a coordenação da campanha quisesse ser realista não seria possível projetar o desastre econômico que se seguiu às eleições.  Lembra ainda que assim foi, também, ainda que em cenário diverso, a campanha do segundo turno FHC, em 1998, quando foram fartos também o populismo fiscal e cambial. A diferença e semelhança entre as suas está na rapidez com que as medidas corretivas foram aplicadas já no ano seguinte.

É óbvio que uma coisa não justifica outra, mas tratar a campana da Dilma como algo completamente fora de contexto, coisa dantes nunca vista neste país, também não é verdade. Cesar Maia recorre a Samuel Popkin, que em The Reasoning Voter (o raciocínio do eleitor), teoriza sobre os atalhos pelos quais o eleitor médio percorre para passar do seu cotidiano rumo a uma avaliação e a sua consequente projeção do que é melhor para ele.

É isso que o eleitor médio teria feito na eleição presidencial passada. Isso depois de ver Marina sucumbir diante dos ataques da campanha de Dilma,  assistida, também, passivamente por Aécio. A equação confiança/não confiança poderia ter levado Marina para o segundo turno, mas com o esfacelamento da sua candidatura e a ascensão de Aécio reabriu, ou desfez, conforme a preferencia, a equação, com o eleitor novamente retornando a sua busca pelos atalhos do que considerou na época o melhor para ele.

E o quase empate no resultado final reflete bem isso. Já que o atalho da confiança favoreceu muito mais a Dilma do que Aécio, por motivos óbvios.

O que não se costuma levar em conta, nas análises políticas, é que o cidadão médio não faz, não lê, sequer se interessa pela sofisticas e complexas formulas esgrimidas pelos economistas e analistas políticos. O eleitor médio projeta a sua confiança em determinado candidato na esperança/expectativa de dias melhores para a sua vida, partindo, obviamente, do seu dia a dia.  Aquele que lhe parecer mais adequado, será o depositário da sua confiança, do seu voto.

Quando a oposição entender isto melhor, ou seja que o eleitor ainda não a vê com a confiança necessária, digna portanto de merecer o seu voto, continuará chegando quase lá. A não ser que a situação se encarregue de fazer o seu trabalho, estragando com tudo e não deixando outra opção para o eleitor. Mas convém ficar de olho, pois é neste cenário que costuma aparecer o tal de terceira via e aí... E aí tudo pode acontecer.