domingo, 31 de janeiro de 2016

Onde estão as forças que podem mudar o País?


Qualquer pesquisa sobre a história republicana do Brasil nos revela, que sempre houve grupos e/ou dirigentes, prontos para substituir os que estavam falhando na condução do Estado, em momentos críticos.  Como bem destaca, Sérgio Fausto*, em recente artigo publicado no Estado de São Paulo, é verdade, também, que nem sempre os resultados foram os melhores, como no golpe de 64, mas sempre as forças sempre estavam ali, presentes e dispostas a assumirem a tarefa, aliando-se, inclusive, muitas das vezes com grupos dissidentes do governo fracassado.

Não se trata aqui da discussão sobre “golpe”, impeachment ou qualquer coisa do gênero a respeito do governo da presidente Dilma. O que se constata é a dificuldade de se encontrar, distinguir, vislumbrar, qualquer coalizão de forças  capaz de contrabalançar as propostas do atual governo, que – noves fora o pessoal da torcida organizada – não possui nenhuma condição para propor e conduzir uma mudança nos rumos do País.

A bem da verdade, ainda que as propostas governistas não sejam das melhores, pelo contrário, ele até vem propondo, tropegamente, o que acredita serem soluções, enquanto do lado da oposição, o que temos é – basicamente – a critica ao que vem sendo proposto e nada mais.

Forças dispares,mas unidas por um País melhor
A classe política nunca esteve tão desacreditada e, com o desaparecimento das lideranças que surgiram ou se consolidaram na luta contra a ditadura, não se encontra ninguém quem os tenha substituídos a altura. Mas a escassez, como ressalta Sérgio Fausto, não está restrita ao mundo político. Líderes como Antônio Ermírio de Moraes, Paulo Evaristo Arns, Helder Câmara, Ulysses Guimarães, Tancredo, o próprio Lula... e muitos outros foram substituídos por quem?

Antes que comecem: é claro que existem lideranças, mas nada do porte de outras que podem ser encontradas ao longo da nossa história.  O ambiente político não favorece o surgimento de novas lideranças e as explicações para isso são muitas.

Em primeiro lugar a participação política se tornou menos atraente nos últimos tempos.
Participação popular diminuiu
Grandes empresários prefeririam outros caminhos para se relacionarem com o Estado. E deu no que deu. Lideranças de esquerda “descobriram e se encantaram” com as benesses proporcionadas por um governo aparelhado. Quadros da elite intelectual e científica, preferiram o caminho que leva ao setor privado e, quando muito, ao terceiro setor.

Além de outros motivos, temos recentemente o fortalecimento da ideia de que qualquer ação ou participação na política significa mergulhar em um universo “sujo”, povoado exclusivamente por corruptos. Ora direis, mas a corrupção sempre existiu. Sim é verdade, mas nunca tão escancarada como agora, nunca esteve tão arraigada no imaginário da população, independentemente de classe econômica ou formação intelectual.

O problema é que se não surgem essas lideranças, pessoas ou grupos representativos da sociedade que assumam o protagonismo, que se mostrem dispostas a formar uma nova coalizão de forças capazes de mudar os rumos do País, estaremos entregues a esses figurantes,  atores de baixíssima categoria, incapazes de escrever, cumprir, participar, atuar dentro de um outro roteiro, que nos conduza a um tempo de prosperidade e progresso (sim, eu sei, existem as exceções, mas não são fortes o suficiente para aglutinar as forças necessárias para a verdadeira mudança que precisamos).

Que venham, logo, que surjam o mais rápido possível. E o que podemos desejar. E que não demorem a aparecer.

* Sérgio Fausto é superintendente do iFHC, colaborador do Latin American Program do Baker Institute of public Policy da Rice University e membro do Gacint-USP.