sábado, 27 de fevereiro de 2016

BRASIL, UM PAÍS IRRELEVANTE?


A economista Monica Bolle, do Peterson Institute for Internation Economics, pergunta em um artigo publicado no jornal O Estado de São Paulo, por que o Brasil não assusta? E reúne alguns argumentos para explicar os motivos pelos quais um país do tamanho de um continente, vivendo uma crise sem precedentes, não assusta sequer vizinhos pequenos como o Chile, Colômbia e o frágil Peru, como exemplos, algo impensável na década de 90.

São três as explicações, segundo a economista:
  • a primeira é que atualmente os parâmetros para avaliar o quanto um país se apresente como “risco sistêmico” irradiando um efeito dominó que atingiria a economia mundial não existe mais.
  • a segunda é uma nova política mundial que experimenta algo impensável até recentemente que são os bancos pagando pelo depósitos que fazem nas instituições centrais dos seus países. Credores pagando aos devedores. É o tal de juros negativos, um experimento que ninguém, ainda, sabe onde vai dar.
  • a terceira, que tem muita a ver com política, é que o Brasil fez “um esforço considerável nos últimos anos, para se tornar irrelevante”.  O Brasil não fez nenhuma reforma relevante, não integrou a sua economia ao resto do mundo e continuou apegado a ideias do século passado.

Com isso, o que é mais significativo que o mero adjetivo, o país foi excluído do debate mundial sobre os novos rumos da economia e não exerce nenhuma influência nas relações econômicas do planeta.

Hoje somos o país que assusta o mundo, não por conta das agruras da nossa economia, mas como qualquer republiqueta de terceira categoria, por conta dos nossos problemas de saúde pública, por enquanto, mas só por enquanto, circunscrita ao vírus zika.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

SAI DILMA E ENTRA QUEM?

Os que desejam a saída da presidente estão numa sinuca de bico. Existem dois caminhos: o impeachment e a cassação do mandato. Seja qual for o desdobramento cria mais problema que solução. No caso de uma cassação do mandato, sairiam Dilma e Temer, solução que, obviamente, não agrada ao PMDB, isso sem levar em conta que o País passaria a ser governado, ainda que por um período curto, por nada menos que Eduardo Cunha, o primeiro na linha sucessória, que seria o encarregado por convocar novas eleições. Isso sem levar em conta que se trata de uma solução que cabe unicamente do TSE e cujo desfecho pode levar até dois anos e que, neste momento, nem mesmo o PSDB, que teoricamente seria o principal interessado, está unido em torno desta tese, dividido entre vários interessados em ocupar o lugar de Dilma.

O impeachment, por outro lado, ainda que o processo seja comandado pelo desgastado, mas ainda forte, presidente da Câmara, daria o lugar para o vice Michel Temer, que recuou o entusiasmo com a solução ao ver o cargo, de comandante do PMDB, prestes a escapar das suas mãos. Além disso, Temer não é nenhum Itamar Franco e muito menos existe um apoio geral da sociedade, para este tipo de solução, como na época da cassação do Collor e pouca gente acredita na capacidade do atual vice de "unir o País" em torno de medidas que permitam uma saída para a crise.

Para o PT, por mais contraditório que possa parecer, esperar até 2018, com um governo sangrando e a cada dia mais impopular, pode não ser a melhor alternativa para o projeto de emplacar Lula de novo na presidência. Mas daí a apoiar um eventual impeachment da presidente vai uma distância que só pode ser medida em anos luz. A saída para os petistas, seria Dilma apoiar o projeto contido em um documento batizado de Programa Nacional de Emergência e rezar para que ela tenha sucesso e tire o País da recessão, só que as propostas, nele contidas, não são do agrado da Presidente.

Por conta de tudo isso parece que gregos e troianos, noves fora uns poucos, aqui e ali, já estão achando que ruim com ela, pior sem ela. Mas e a crise? O País, a população, tem como aguentar este governo cambaleante até 2018?

Tem gente apostando que as manifestações contra Dilma podem recrudescer, tanto que já está em gestação um tal de"comitê do impeachment", para ajudar e estimular manifestações de apoio a causa. Resta como sempre combinar com "os russos". E tentar calibrar essas manifestações, rezando para que elas seja fortes o suficiente para abalar a presidente, mas não tão fortes ao ponto descambarem na desordem, que certamente acontecerá se o "andar de baixo" resolver apoiar as manifestações.

Ou seja, estamos mais para aquela de se correr o bicho pela e se ficar o bicho come. Saída fácil, ou pelo menos, não muito traumática, ninguém vislumbra.

DILMA E PT: DISCUTINDO A RELAÇÃO

No momento em que o PT comemora seus 36 anos de existência a sua relação com o governo está mais do que estremecida e beira a esquizofrenia. Está claro, mais do que claro, que o partido discorda da presidente, em praticamente tudo, sequer se movimenta - institucionalmente - para defende-la, mas - ao mesmo tempo - precisa sair em sua defesa, pois afinal - supõe-se - este seja é um governo do PT.
No centro da tempestade perfeita, dançando à beira do abismo.

O governo neste momento tem que se entender com três pautas, que desagradam completamente ao partido: o fim da exclusividade da Petrobras sobre os poços do pré-sal, a Reforma da Previdência e a Lei Antiterrorismo.

A primeira, uma proposta do senador José Serra, foi aprovada ontem (25/02) com apoio de senadores "governistas" e a revelia do recém-empossado líder do governo, Humberto Costa do PT/ PE. A tal propalada Reforma da Previdência parece ter um único objetivo: informar ao mercado e afins que a inclinação do governo para medidas de âmbito liberal são para valer. Com o bônus de pelo menos mais um consenso com a oposição. O problema é que essa reforma só vai mostrar resultados a médio e longo prazos, não melhora as contas do governo e desagrada profundamente a base sindical do PT.

Como se não bastasse ainda tem a Lei Antiterrorismo, que vai de encontro, apesar de todas as exceções já colocadas, com o que pensam os movimentos sociais que foram às ruas em apoio a Dilma e contra o impeachment, que se sentem ameaçados pela nova lei.

O problema de Dilma é ela não não parece entender que um governo que entra em crise sem o apoio das elites estabelecidas, só pode contar, para se manter com a mobilização social. O PT é a sua única ponte com os "movimentos sociais", já que a própria presidente não possui nenhuma liderança própria, como possuía, por exemplo, o seu antecessor.

Por outro lado o PT não pode defender nenhuma política econômica que vá de encontro às suas bases sociais, mas também não pode aceitar a queda de um governo que, pelo menos em teoria, é seu. O descontentamento com Dilma, que até então era meio velado, está  - a cada dia - mais explícito. Já ;e dado como certo que a presidente não comparecerá à festa dos 36 anos e já tem dirigentes, como Washington Quaquá, presidente do PT fluminense, que não nenhum constrangimento em afirmar que "não faria questão da presença dela" na festa do partido, embora frise estar falando apenas em seu nome.

O partido, além disso tudo, prepara também um documento, onde propõe lançar mão das reservas internacionais para criar um Fundo Nacional de Desenvolvimento, uma forte redução da taxa básica de juros e a volta da CPMF, entre outras medidas, polêmicas, mas do agrado da sua base. Dilma já se manifestou contrária ao uso das reservas para enfrentar a crise, mas o partido vai pressionar o governo, entre outros motivos porque não desejar ficar a reboque do PMDB, que apresentou um programa intitulado "Uma Ponte para o Futuro", já chamado, com ironia, pelos petistas de "Uma Pinguela para o Amanhã".

As consequências dessa DR ainda não são fáceis de prever. Mas dificilmente essa divisão entre partido e Dilma vão resultar em dividendo positivos para o País.

Enquanto isso a oposição, feliz com as agruras do jornalista João Santana, o homem da comunicação petista nos últimos anos, tenta, com o apoio do PMDB, uma nova via para promover a saída da presidente do cargo, coisa nada fácil, se forem considerados os desdobramentos.

Seja como for, nada no horizonte indica um céu de brigadeiro para a presidente e muito menos para o País. Pelo visto ainda teremos pela frente a continuidade da tal tempestade perfeita, com os principais atores políticos e a população, ainda que a sua revelia, dançando na beira do abismo.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

A MOSQUITA, A LAMA, O TRIPLEX , AS AMANTES E O MARQUETEIRO


Talvez você ache que nenhuma dessas coisas tem a ver com a outra. Mas têm. Ultimamente a cada hora, a cada dia surge um novo assunto que toma as manchetes e logo-logo saem de cena, dando lugar a outro mais espetaculoso. Não discuto a importância desses assuntos, mas é preocupante que, no momento em que o Brasil enfrenta uma das mais graves crises político econômicas da sua história, governo, oposição e mídia fiquem presos ao assunto do dia, sem que nenhuma ideia, projeto ou ação destinadas a debelar a crise sejam tomadas.

A oposição parece ter um único interesse: tirar a presidente da sua cadeira, de
preferência acompanhada pelo vice. O que se estima é que na hipótese altamente improvável do governo conseguir tomar as rédeas da economia e fazer o que é preciso ser feito, vamos precisar, na visão mais otimista, de uns três anos, pelo menos, para voltar ao patamar de antes da crise.

Primeiro foi a lama da Samargo, nada menos que o maior desastre ambiental já sofrido no país, cujas soluções e punições até hoje estão no já conhecido processo enrolatório. A população prejudicada, milhares de pessoas, só conseguiu até agora, quando muito, receber mensalmente um salário mínimo, independentemente das perdas reais sofridas. E a Samargo ainda teve a cara de pau de gastar milhões com uma propaganda fajuta, onde seus funcionários afirmam estar fazendo o possível e o impossível para resolver a lameira.  Seja como for, serviu para a presidente dar uma voltinha de helicóptero nas regiões afetadas e tomar conta, justamente, neste caso do noticiário.

Na situação catastrófica em que se encontra o país, pode parecer sacanagem, mas até tragédias como esta são bem vindas para tirar o governo e os atores políticos do foco. Por conta disso muita gente deve ter ficado feliz com a chegada do  aedes aegypti. Afinal, pela gravidade da epidemia parecia  possível unir a nação em torno do combate a mosquista. Não durou muito. Assim como a guerra das amantes entrou e saiu da pauta.

As propriedades do Lula continuam rendendo, afinal tem uma certa similaridade com a Operação Lava a Jato, mas perdeu força assim que foi anunciada a prisão do jornalista João Santana, que – pelo menos no entendimento da oposição – pode reanimar a questão do impeachment da presidente, desde que surjam grandes revelações/escândalos e confirmações de maracutaias relacionadas com a campanha da presidente.

Ou seja, volta o governo para as cordas do ringue, passando mais uma vez para a defensiva, não importa o que surja no depoimento de João Santana. Enquanto se especula sobre isso, medidas concretas sobre a economia, que não para de gerar más notícias, continuam na estaca zero. A grande providencia da oposição foi criar um tal de comitê do impeachment e a do governo.. bem, o governo continua como estava: parado.

GUERRA DAS AMANTES


Antes da prisão de João Santana ocupar as manchetes e os destaques nos noticiários, as amantes tinham entrado com força na arena política. O uso  deste tipo de recurso, para desmoralizar adversários, é relativamente recente na história política brasileira. Assuntos como esse sempre foram comentados à boca pequena, normalmente sobre uma perspectiva machista e ficava nesse campo. A mudança ocorre na campanha presidencial de 89, quando Collor fez uso da enfermeira Miriam Cordeiro para atacar e praticamente nocautear o seu adversário, na época, o ex-presidente Lula.


O caso de Lula, guarda no entanto diferenças com os mais recentes. Collor usou a questão moral, batendo na tecla dos abortos a que a enfermeira teria se submetido por pressão do ex-presidente. Os mais recentes estão na mídia por conta da origem duvidosa de dinheiro para o pagamento de “pensões alimentícias”.

O que não se sabe ao certo, apesar dos adversários, de parte à parte, usarem esses subterfúgios com entusiasmo, quais são na realidade o impacto que provocam na população/eleitores, mas pelo visto continuarão sendo utilizados na política brasileira. Nas redes sociais o assunto bomba, com documentos sendo exibidos com muito entusiasmo pelas torcidas de cada lado, ambas falando para seu público cativo. Em que poderá influenciar na aprovação ou desaprovação dos envolvidos, só mesmo o tempo dirá

Para quem já esqueceu D. Miriam (com “m”) acusou o candidato, Lula, entre outras coisinhas menores, de tê-la forçado a fazer pelo menos dois abortos. Foi quando o Brasil ficou sabendo, também, que Lula tinha uma filha, na época, acho, com uns 15 anos, fruto do seu relacionamento com a enfermeira. O caso, pela agressividade com que foi apresentado causou muita polêmica e certamente teve influencia no resultado das eleições.

Posteriormente, o público ficou sabendo das aventuras extraconjugais do atual presidente do Senado, que ficou conhecido como Renagate, Renan Calheiros teria recorrido a empreiteiros para pagar a pensão alimentícia da jornalista Monica Veloso, com a qual Renan teria uma filha. A divulgação quase provocou a cassação do senador, mas, ao contrário do uso feito por Collor, nitidamente de ordem moral, o problema com Renan estava relacionado com possível troca de favores, com empresas, e falsificação de documentos para provar que não tinha recursos para pagar a pensão.

Agora, surge outra Mirian (essa com “n”), também jornalista, como a Mônica, que veio a público expor a sua relação extraconjugal com o também ex-presidente, Fernando Henrique Cardoso. Como o caso já era conhecido do público, as revelações são de outra ordem: origem dos recursos da mesada paga por FHC, que envolve uma empresa ligada ao setor do duty free e a rede Globo, empresa para a qual a jornalista prestou serviços.

Do lado de Lula ainda existe a Rosemary Noronha, que apesar das insinuações de caráter sexual, na sua relação com o ex-presidente, foram superadas pelo imbróglio relacionado a uma transferência, nunca devidamente explicada, de 25 milhões de euros para o banco Espírito Santo, da cidade do Porto, em Portugal.

Ou seja, a guerra das amantes tem ainda todos os ingredientes para durar. Resta saber se ficará restrita à questões relativas à pensões ou poderão ser acrescentados detalhes picantes. Resta saber, também, se a mosquita, a lama da Samargo, a prisão de João Santana e o impeachment de Dilma não voltarem ao noticiário ou outro escândalo qualquer.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

EM 2018 TEREMOS UM NOVO COLLOR?


“Novo Collor” entendido aqui, esclareça-se logo, como o surgimento de um nome que não faça parte do esquadrão de elite, já posto, para disputar o pleito.

Em 89, tivemos uma eleição disputada por nada menos que 22 candidatos. Pesos pesados da política brasileira, da época, estavam presentes. Lula, Brizola, Mario Covas, Paulo Maluf, Aureliano Chaves, Roberto Freire e Caiado entre outros, foram superados pelo então ex-governador de Alagoas, um desconhecido, que ficou famoso como o “caçador de marajás”.

O cenário que está sendo desenhado para 2018 se assemelha ao que aconteceu em 89. Temos, já declarados como candidatos ou prováveis candidatos, alguns pesos pesados da política: Lula, Aécio, Alckmin, Ciro Gomes, Cristovam Buarque, Eduardo Paes... Todos de alguma forma, desgastados perante a opinião pública, o que – a bem da verdade – não era o caso da maioria dos candidatos em 89. Ou seja, um cenário perfeito para aparecer alguém “contra tudo isso que está aí” e atrair eleitores, cuja maioria está muito decepcionada com a classe política como um todo, noves fora, é claro, o pessoal das torcidas organizadas.

Collor representava na época o “novo”, sob inúmeros aspectos. Jovem, de verdade, cheio de disposição, bonito, bem falante, lutador incansável contra a corrupção e caçador de marajás (sim, meu caro leitor isso mesmo). Era um contraste gritante com os pesos pesados que disputavam com ele. Vale notar ainda que era dono de um dos menores tempos do horário eleitoral, desvantagem que compensou com uma agressiva estratégia de marketing, que funcionou muito bem.

Pesquisa do Ibope, publicada hoje, na coluna de José Roberto de Toledo, revela algo curioso: a rejeição a Lula aumentou significativamente, enquanto a de Marina, Ciro e Alckmin diminuíram (Aécio e Serra oscilaram dentro da margem de erro). Só que nenhum dos cinco conseguiu transformar essa rejeição menor em simpatizantes. Todos continuam com as mesmas taxas de intenção de voto que possuíam na última pesquisa do ano passado. Os eleitores, que deixaram de rejeitar essa turma, foram, para usar a mesma expressão de Toledo, para “cima do muro”. Ou seja, estão na melhor posição possível para serem cultivados por um “novo” qualquer de plantão, a exemplo do que aconteceu em 89.

Quem sobreviver apreciará o cenário.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

D. FLORA GIL E AS BOBAGENS DA "ZELITES" BRASILEIRAS

D. FLORA GIL: "AGORA VIROU MODA FALAR DE CRISE NO PAÍS". "NÃO DEIXARIA DE VOTAR NUM POLÍTICO QUE ADMIRO PORQUE ELE BATEU NA MULHER - Poderia a nobre esposa, do senhor Gilberto Gil, ficar só na primeira pérola. Afinal, a anfitriã de camarote, não viu minguar a frequência no seu espaço e não se pode esperar muito de uma pessoa cuja grande contribuição à nação, noves fora suas atividades como "esposa", é ser organizadora de camarote no Carnaval da Bahia. Mas a "promoter" de camarote, não se fez de rogada e, eleitora do Rio, disparou, sobre as críticas a Pedro Paulo, o candidato de Eduardo Paes, à sua sucessão: "Sou mulher (ah. bom) e nem poderia estar falando isso. Mas não deixaria de votar num político que admiro porque ele bateu na mulher. Eu pensaria melhor, (que bom D. Flora, pensando, hein, que legal) mas deixar de votar só por isso (só D. Flora?) acho simplório. Não tenho nada com isso, a mulher é dele". As pérolas, disparada por D. Flora, não disferem em nada, provavelmente, do que pensam as nobres elites do nosso amado Brasil. "A mulher é dele", pau nela, volta e meia deve estar precisando de um corretivo. "Crise"? Que crise? Meu camarote (pode ser qualquer outro negócio tão relevante quanto) está indo de vento em popa, o povo que se lixe ou coma brioches, como já sugeriu, em tempos idos, outra "primeira-dama". E no mais? No mais vamos mesmo pro buraco, na companhia do nosso simpático mosquito, que disputa as manchetes com as tolices das "zelites" e as macaquices dos... bom, deixa pra lá.