sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

SAI DILMA E ENTRA QUEM?

Os que desejam a saída da presidente estão numa sinuca de bico. Existem dois caminhos: o impeachment e a cassação do mandato. Seja qual for o desdobramento cria mais problema que solução. No caso de uma cassação do mandato, sairiam Dilma e Temer, solução que, obviamente, não agrada ao PMDB, isso sem levar em conta que o País passaria a ser governado, ainda que por um período curto, por nada menos que Eduardo Cunha, o primeiro na linha sucessória, que seria o encarregado por convocar novas eleições. Isso sem levar em conta que se trata de uma solução que cabe unicamente do TSE e cujo desfecho pode levar até dois anos e que, neste momento, nem mesmo o PSDB, que teoricamente seria o principal interessado, está unido em torno desta tese, dividido entre vários interessados em ocupar o lugar de Dilma.

O impeachment, por outro lado, ainda que o processo seja comandado pelo desgastado, mas ainda forte, presidente da Câmara, daria o lugar para o vice Michel Temer, que recuou o entusiasmo com a solução ao ver o cargo, de comandante do PMDB, prestes a escapar das suas mãos. Além disso, Temer não é nenhum Itamar Franco e muito menos existe um apoio geral da sociedade, para este tipo de solução, como na época da cassação do Collor e pouca gente acredita na capacidade do atual vice de "unir o País" em torno de medidas que permitam uma saída para a crise.

Para o PT, por mais contraditório que possa parecer, esperar até 2018, com um governo sangrando e a cada dia mais impopular, pode não ser a melhor alternativa para o projeto de emplacar Lula de novo na presidência. Mas daí a apoiar um eventual impeachment da presidente vai uma distância que só pode ser medida em anos luz. A saída para os petistas, seria Dilma apoiar o projeto contido em um documento batizado de Programa Nacional de Emergência e rezar para que ela tenha sucesso e tire o País da recessão, só que as propostas, nele contidas, não são do agrado da Presidente.

Por conta de tudo isso parece que gregos e troianos, noves fora uns poucos, aqui e ali, já estão achando que ruim com ela, pior sem ela. Mas e a crise? O País, a população, tem como aguentar este governo cambaleante até 2018?

Tem gente apostando que as manifestações contra Dilma podem recrudescer, tanto que já está em gestação um tal de"comitê do impeachment", para ajudar e estimular manifestações de apoio a causa. Resta como sempre combinar com "os russos". E tentar calibrar essas manifestações, rezando para que elas seja fortes o suficiente para abalar a presidente, mas não tão fortes ao ponto descambarem na desordem, que certamente acontecerá se o "andar de baixo" resolver apoiar as manifestações.

Ou seja, estamos mais para aquela de se correr o bicho pela e se ficar o bicho come. Saída fácil, ou pelo menos, não muito traumática, ninguém vislumbra.