segunda-feira, 7 de março de 2016

MORO DEU, OU NÃO, UM PALANQUE PARA O LULA?


Muita gente provavelmente vai discordar, mas acho que o juiz Sérgio Moro deu, de graça, um palanque para o ex-presidente Lula, que saiu de “investigado” para “vítima”, antes mesmo de virar réu e de quebra ainda proporcionou uma “reconciliação” da presidente com o ex, além de dar um fôlego extra para os apoiadores de Lula, incluindo aí o PT e os tais movimentos sociais.



O juiz também passou do ataque para a defesa, pela primeira vez – e como muita rapidez – ao divulgar uma nota onde tenta explicar – sem colar – as diferenças entre “condução coercitiva” e prisão e outros “mimimis”, entre eles a diferença entre investigado, testemunha, réu etc., etc. 

Pode ser que exista mais carne debaixo deste angú. Mas aí só vendo os desdobramentos. Afinal, há mais de um ano o juiz Moro e os procuradores mostram que sabem o que estão fazendo. Mas, como a história está cansada de demonstrar, todo mundo volta e meia, por mais preparado que seja, pode enfiar o pé na jaca. Seja como for, por enquanto, como bem
disse José Roberto Toledo, em sua coluna no Estadão, depois da nota, "como cientista social, Moro é um ótimo juiz".

Por outro lado tem gente que acha que o juiz e os procuradores deram uma prova de força, preocupados com uma hipotética contraofensiva das empreiteiras e aliados, que vazando informações pretendem melar - e impedir - o avanço das investigações. A reação dos procuradores e da PF teria apressado, inclusive, a saída do ministro da Justiça, que pressionado por todos os lados teria, finalmente, com o aval da presidente, pedido o boné e passado o pepino para outro. Tem versões pra todo gosto. 


O fato é que Lula – gostem dele ou não – saiu, tá, ainda que provisoriamente das cordas, para fazer o que sabe fazer de melhor: discursar, alternando o status de vítima, perseguido pelas elites, com o de poderoso, que tudo, e mais um tanto, fez pelo país.



Até a presidente, que andava de biquinho com o ex, viu-se na obrigação de lançar mão do avião, helicóptero e carro oficiais para prestar pessoalmente solidariedade ao grande chefe.



O PT, que andava cabisbaixo, como o próprio Lula mencionou, mais de uma vez, ganhou fôlego e, junto com os tais movimentos sociais, já promete trocar tapas e safanões com os seus opositores, marcando para o mesmo dia, hora, e local dos insatisfeitos a sua manifestação de apoio ao chefe e as ruas agora tem mão dupla.



É claro que ainda é muito cedo para se conhecer o desfecho real de toda esta história, que depende agora, também, entre outras das canetas do Supremo Tribunal Federal, de onde deve sair o possível roteiro para um impeachment, que volta a cair no gosto da oposição, sem constrangimento de ter que dar o braço a Cunha, que por enquanto esta com as barbas de molho, que um roteiro descendente inevitável. A Lava Jato continua nas mãos do Teori Zavascki, que ao contrário do que muitos esperavam, não tem dado muita colher de chá para os envolvidos nos escândalos.




Seja como for, ninguém – ainda – pode se considerar vencedor desta contenda. Muita água ainda vai rolar debaixo da ponte e nas ruas. Resta saber, ainda, se os antipetistas, que não têm muito jogo de cintura em confrontos de rua, vão se recolher ou partir para o enfrentamento.



Resta aguardar as canetadas do Supremo, que vai ditar os próximos movimentos deste balé fubango. O melhor cenário, neste momento era a presidente ter um ato de grandeza e sair de cena, mas isso é altamente improvável. Mas seja como for nunca dantes na história deste país se viu um governo tão catatônico, sem projeto, sem apoio, refém do seu próprio partido. E aguardar para ver o final que certamente não será nenhum happy end.