sábado, 30 de abril de 2016

PRESIDÊNCIA: BOLSONARO À FRENTE.


Para quem acha que a melhor forma de combater Bolsonaro é com cuspidelas e debate em função de gênero, levados normalmente de uma forma quase histérica, está na hora de repensar e começar a tratar o deputado com mais seriedade. O combate as ideias de Bolsonaro não pode ser feito de acordo com o que ele prega: a intolerância, o radicalismo, a teatralização do combate ou restringi-lo à questão de gênero. Em uma pesquisa recente do Ibope, Jair Bolsonaro atingiu 11% no voto para presidente. Poucos dias antes registrara 8%  das intenções em dois cenários no Datafolha.  A diferença entre as duas pesquisas é que no Ibope foram comparadas opiniões diferentes sobre o deputado, enquanto o Datafolha comparou presidenciáveis entre si. Os resultados do Ibope foram divulgados por José Roberto de Toledo, na última quinta feira, em sua coluna do Estadão.
As diferenças entre os resultados apontam numa mesma tendência Bolsonaro está cativando uma parte significativa do eleitorado. Além do interesse em saber até onde o deputado pode chegar é interessante conhecer que tipo de público Bolsonaro está atraindo.

Um dado interessante é que 54% dos entrevistados, mais da metade, afirmam que não conhecem Bolsonaro o suficiente para opinar. Ou seja, as polêmicas em que costuma se meter, boa parte delas contando com a colaboração do seu inseparável “inimigo”, o também deputado Jean Wyllys, não resultaram em um índice maior de conhecimento.

Bolsonaro é pouco conhecido entre os mais ricos (34%) e entre quem fez faculdade (37%). De um modo geral, o deputado tem um grau de conhecimento inversamente proporcional à renda e à escolaridade. Quanto mais pobre e menos escolarizado, mais desconhecido é Bolsonaro.  É um alívio saber, também, que quanto mais cresce o conhecimento, cresce, também, a rejeição e – por consequência – o potencial de voto.

É possível observar, comparando-se as respostas de todas as faixas de renda que, ao final de uma campanha, que tornasse Bolsonaro, por exemplo, tão conhecido quanto Marina é, atualmente, que a sua rejeição chegaria a dois terços do eleitorado,  o mesmo patamar em que está a de Lula, numa contabilidade feita por Toledo.

Neste momento a questão não é saber de Bolsonaro conseguiria se eleger, coisa que as pesquisas apontam como altamente improvável.  O que já é possível saber é que ele provocaria um belo de um estrago entre os concorrentes. Basta levar em conta uma comparação com Marina, personagem completamente diferente do deputado.

Hoje, como destaca Toledo, a maior superposição de eleitores potenciais de Bolsonaro é com Marina: nada menos que 36% de quem votaria com certeza ou poderia votar em Bolsonaro admite, também, votar em Marina. E 22% de quem votaria em Marina admite votar em Bolsonaro. Toledo fecha a sua coluna com a se perguntando se seriam eleitores conservadores, evangélicos ou eleitores em busca de uma novidade, para concluir que talvez sejam ambos.

Seja lá quem for, vale levar em conta que – independentemente do que buscam, esses eleitores – existe um percentual grande de brasileiros dispostos a votar em figuras fora do “eixo tradicional”, que lhes está sendo apresentado, e que não estão nada felizes com mais do mesmo. Significa, também, que existe uma significativa janela de oportunidade,  para um azarão qualquer tomar a frente na próxima corrida rumo à presidência.  É torcer para que não seja um Bolsonaro de plantão.

domingo, 24 de abril de 2016

NAO A DEMOCRACIA


Seria bom que a moçada, contra ou a favor do impeachment ou do golpe, conforme as preferências, atentasse, por um minuto que seja, para a insatisfação dos brasileiros com a democracia. Nada menos que 49%, a metade praticamente da população, revelam-se “nada satisfeitos” com a democracia. É o maior índice desde 2008, quando o Ibope começou a medir a satisfação dos brasileiros com o nosso regime. Somam-se a estes outros 34%, que se dizem “pouco satisfeitos” com o sistema democrático. É uma maioria, mais que absoluta, com um pé atrás quanto a avaliação da nossa democracia.

Vale ressaltar ainda que só 40% concordam com a frase: “a democracia é preferível a qualquer outra forma de governo”. Mas, por outro lado, ainda que 34% concordem com a frase que “para as pessoas em geral, dá na mesma se um regime é democrático ou não”, vale a boa notícia: a fatia dos simpatizantes com o totalitarismo diminuiu. A concordância com a frase “em algumas circunstâncias, um governo totalitário pode ser preferível a um governo democrático” saiu dos 20% em 2014 para os 15% atuais. E isso certamente não se deve ao método cusparadas criado pelo deputado Jean Willys, na sua luta incansável “contra” o seu fiel parceiro Jair Bolsonaro, o defensor mor do regime militar.

O que isso significa afinal? Na real é que os brasileiros estão pouco preocupados, ou quase nada preocupados, com o regime democrático. A democracia não é valor, porque ela não é – de fato – exercida plenamente pela maioria absoluta da população. Ela não se sente atendida, assistida, integrada, beneficiada por esta tal de democracia.  Culpa de quem, perguntará, certamente, o caro leitor. De todos, indistintamente penso eu. Em primeiro lugar dos políticos, que tanto falam na dita cuja, mas não levam ninguém a almejar por ela. Culpa da própria sociedade, cujos políticos, goste-se ou não, são espelho. Imperfeitos até que sejam. Concordemos. Mas espelhos.

Vivendo em meio a uma crise político-econômica, sem precedentes na história recente do país, as preocupações definitivamente são outras. A ditadura não está na lembrança dos mais jovens. Ou melhor, só está na lembrança dos mais velhos. Boa ou má, tanto faz. É coisa do passado, infelizmente. A nossa questão é que não temos perspectivas de futuro. O dia a dia das pessoas está voltado para a resolução dos seus problemas imediatos. Vivemos num salve-se quem puder. Difícil estar entusiasmado com este ou aquele regime, se o regime não nos nutre, afinal. Se deixa todo mundo na mão... por que exalta-lo?  

quarta-feira, 20 de abril de 2016

ELEICOES 2016 – TUDO QUE VOCÊ PRECISA SABER



O Luiz Henrique Romagnoli e eu estamos apresentando uma série de programas na Rádio da Assembleia Legislativa, com dicas, informações e entrevistas com alguns dos mais renomados profissionais do marketing politico, que vão ajudar candidatos e seus assessores a planejarem melhor as suas campanhas para as próximas eleições.

O primeiro entrevistado é a especialista em marketing político e redes sociais, Carolina Zanqueta, que vai falar sobre as formas mais eficientes de usar os recursos da internet para alavancar as campanhas, com muita informação sobre tudo o que pode e que não pode ser feito, principalmente na fase atual de pré-campanha. 

Acesse os links abaixo e ouça os três primeiros programas.
http://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/R-04-2016/doc188382.mp3

A entrevista foi dividida em 9 segmentos que abordam as principais mudanças na legislação e como usar, com eficiência e qualidade, as redes sociais para uma campanha bem sucedida, com ênfase na fase inicial de pré-campanha.

No primeiro programa dois temas serão abordados: A Pré-Campanha, o que muda na área digital e A Importância das Mídias Digitais.

Se você quiser mais informações e dicas ou tirar dúvidas, escreva pra gente:

quarta-feira, 13 de abril de 2016

IMPEACHMENT NÃO É “A SOLUÇÃO”



Me preocupa a “fé” depositada no impeachment como “a solução” para todos os nossos problemas. Sai Dilma e tudo, como num passe de mágica,  estará resolvido?  Poucos dedicam, um mínimo de tempo que seja, para pensar no “day after”.  Volta e meia ouço o “veja o exemplo da Argentina, bastou o Macri ser empossado que muita coisa mudou. E para melhor”.  Esquecem essas pessoas que Macri foi eleito. Apresentou um programa, propôs soluções, boas ou não, não importa aqui, para os gigantescos problemas dos nossos hermanos. Que tudo melhorou por lá, neste momento, é certo, se o seu governo será um êxito só o tempo dirá.
 
Mas uma coisa é uma coisa e outra coisa outra coisa.

Ok, dificilmente, qualquer um que assuma o presidência, hoje no Brasil, será tão trapalhão quanto a atual presidente, que mais parece biruta de aeroporto, movendo-se ao sabor dos ventos. Mas seja lá quem for que assuma (sim, o caminho natural das coisas é que seja o Temer) não foi ungido pelas urnas e, pior, não tem a mesma unanimidade com a qual foi agraciado Itamar Franco, no impeachment de Collor, único exemplo histórico que temos para nos guiarmos.

A Dilma, por mais trapalhona que seja, e é, tem uma base de apoio significativa, que fará de tudo e mais um tanto para infernizar a vida de quem assumir. Além disso, com a economia em frangalhos, não vai bastar boas intenções ou ideias gerais sobre como conduzir o país. Ainda por cima sem levar em conta que os remédios para a situação serão amargos e precisarão de tempo para produzirem algum efeito.

Impaciente por soluções rápidas, totalmente desiludidos com os políticos, quaisquer um, é bem provável que os brasileiros não tenham muita paciência com um eventual novo governo. Nunca é demais lembrar que Itamar teve nada menos que 6 ministros da Fazenda, uma média de 1 ministro a cada 136 dias, um a cada 4 meses e uns poucos dias, e com o país vivendo uma hiperinflação.

O país teve toda a paciência do mundo com ele e com seus inúmeros planos para por ordem na economia. Teremos a mesma paciência com um hipotético governo pós impeachment? Duvido muito. Ainda mais com as viúvas de Dilma pressionando sem descanso. E, como se não bastasse, os saudosos dos bons tempos do ex-presidente Lula, não são um banco de gatos pingados. É um bom e sólido contingente da população.

Temo que estejamos longe, muito longe, ainda, de uma solução para os nossos problemas. Dilma é incapaz de governar, de criar qualquer solução que agregue pelo menos uma boa maioria da população em torno de um programa de salvação nacional. É fato. Resta saber se quem a sucederá será capaz de apresentar ao país um projeto realista, crível, viável, capaz de restaurar a confiança e fazer girar a roda da economia e trazer de volta a esperança em dias melhores. Para todos. É ver para crer.

Por enquanto o certo é que o impeachment não é a solução mágica que o imaginário brasileiro tanto deseja para resolver seus problemas.

terça-feira, 5 de abril de 2016

NEM DILMA NEM TEMER?


Pelo visto, e não por isso, a crise política ainda vai render muito. Com impeachment, sem impeachment, com renúncia (mais improvável que o “apeamento da presidente) nada no horizonte indica o seu  fim  política e, nem de quebra, a econômica. Já é consenso, entre as partes, que mesmo que o atual pedido de impeachment seja rejeitado, pelo Congresso, a presidente continuará sem condição alguma de governar, sem nenhuma possibilidade de contornar a crise e propor as medidas econômicas necessárias para tirar o País do buraco. Com isso já começam a surgir outras alternativas, como a antecipação das eleições presidenciais, que seriam realizadas ainda em outubro deste ano, simultaneamente com as eleições municipais.

A ideia já foi defendida, com todas as letras, no Senado, pelo aliado do vice-presidente Michel Temer, Valdir Raupp (PMDB-RO). Temer, por sinal, depois de patrocinar a “pretensa” saída do PMDB do governo, o vice-presidente, anunciou a sua intenção de se licenciar, temporariamente, da presidência do Partido, com uma forme de se “blindar” das críticas (!?). Para justificar a proposta, Raupp revelou que a ideia de substituir Dilma, na Presidência, não estaria agradando nem mesmo ao vice, que não desejaria ser presidente da República “em uma situação dessas porque com impeachment ou sem impeachment, isso não vai acabar bem”.

Na teoria a antecipação das eleições “pacificaria as ruas”, uma alternativa ao impeachment e também a mais ainda improvável renúncia, surgiria de uma proposta de emenda constitucional, a tal de PEC. A ideia já provocou perplexidade e revolta entre várias lideranças no Congresso, até mesmo entre os tucanos, que até pouco tempo andaram namorando essa ideia.

Seja como for, faltando apenas 10 dias para a votação do impeachment essa é uma proposta que não tem como prosperar, nem mesmo no Planalto, onde a presidente a vê como equivalente à renúncia do seu mandato, no que a bem da verdade, ela tem toda razão.

O problema é que ninguém vê como Dilma poderá escapar da crise, ainda que escape do impeachment, com dificuldades gigantescas para compor uma maioria confiável no Congresso que garanta a governabilidade para o restante do seu mandato. A expressão “pato manco”, que os americanos usam para classificar/definir os últimos meses de mandato dos seus presidentes, cabe como uma luva para a nossa mandatária.

Não é a toa que a Rede Sustentabilidade, o partido da ex-ministra Marina Silva, tenha lançado a campanha: “Nem Dilma, nem Temer. Nova eleição é a solução”. Marina e seus adeptos, estão de olho na última pesquisa do Datafolha, realizada entre 17 e 18 de março, onde ela aparece com 21% e 24% das intenções de voto, dependendo de que seja o candidato do PSDB.

Pesquisas neste momento são, como nunca dantes na história deste país, como diz o chavão, que institutos e pesquisadores não cansam de repetir, “um retrato do momento”. E como o “momento” muda a todo instante, numa velocidade estonteante, impulsionado, basicamente, pelos motores da Lava a Jato, seria bom combinar bem direitinho do eleitorado. Uma coisa é o sujeito dizer que votaria em fulano ou sicrana, “se as eleições fossem hoje”. Outra, ainda que aparentemente não pareça é apoiar a ideia da antecipação das eleições. E não estamos nem falando da confusão que isto iria provocar na cabeça do eleitor comum, tendo que votar para presidente, prefeito e vereador tudo ao mesmo tempo. Sem contar com a duração deste mandato extemporâneo e suas posteriores combinações com as eleições para governadores e o congressistas.

Estamos bem longe de qualquer solução.